Notas iniciais
Mais um capítulo.. Vamos ler?

O filme começou bem tranquilo, mas eu sou muito medrosa e eu levei susto com uma coisa muito boba, muito boba mesmo. Matteo, obviamente, está rindo da minha cara e nem tenta disfarçar seu divertimento com isso, até parece que ele escolheu esse filme de propósito, só para rir de mim.

— Tranquila. — sussurra e passa o braço por meus ombros.

Eu fico mais tensa que já estava, nunca estive tão próxima assim de outro rapaz e nunca fui tocada tão intimamente. Eu tinha namorado sim, mas não havia rolado nada além de um simples beijo. Beijo esse que nem foi tão intenso assim. Notando meu desconforto, ele se afasta e sorri. O filme continua passando e eu presto atenção, por mais nervosa que eu esteja. Então, começa a passar uma cena um tanto engraçada, mas eu fico horrorizada com a forma que o rapaz finge estar transando com uma garota. Matteo da risada e eu gosto de ouvi-lo rir, tanto que me distraí do que estava acontecendo no filme.

Quando volto minha atenção para a televisão, um maldito porco surge do nada e me dá um baita susto. Solto uma exclamação de surpresa e raiva, e Matteo gargalha.

— Caramba Matteo, se eu não dormir o culpado será você! — digo emburrada.

[...]

O filme chega ao final e eu estou horrorizada, não escondo minha expressão e Matteo não se aguenta, e ri de mim. Eu quero socá-lo, socá-lo muito mesmo por me fazer assistir essa porcaria. Então, ele me envolve em seus braços, abraçando-me carinhosamente e beija minha cabeça.

Fico estática, não movo um músculo sequer de tão surpresa que fico com seu ato. Eu nunca esperei que ele fizesse isso comigo, até porque eu nunca deixei ele me abraçar durante esse tempo que estou aqui. Eu estou chateada com ele, obvio que estou! Ele aceitou uma aposta estúpida feita pelo meu pai, mas ainda assim eu sinto falta de um abraço, falta de carinho.

Retribuo o abraço e começo a chorar, sentindo saudades de minha mãe, de meu pai e de minha melhor amiga Jim. Soluço e ele se afasta, segurando meu rosto entre suas mãos e seca minhas lágrimas com os polegares.

— Ei, o que aconteceu? — indaga, me olhando nos olhos.

— Tudo. — coloco as mãos sobre as dele. — Minha mãe me abandonou quando eu tinha cinco anos de idade, agora meu pai me colocou em uma maldita aposta e perdeu. Eu não conheço ninguém aqui, eu não tenho ninguém!

— Não diga isso, você tem a mim. — acaricia meu rosto. — Eu sou seu amigo.

— Eu mal o conheço, como posso ter alguma consideração por você? Você me conta muito pouco sobre você. — murmuro, olhando no fundo de seus olhos. — Eu nem sei se posso confiar em você de verdade.

— Apenas... confie. — sussurra e passa o polegar por meu lábio inferior.

Eu quero dizer para ele se afastar, para me deixar ficar sozinha que seria o melhor, mas eu não consigo e ele nem me dá tempo para isso, pois me beija. Arregalo meus olhos em surpresa e o empurro, virando um tampa na cara dele.

— Como você ousa? — pergunto incrédula, levanto-me e saio apressada.

— Luna, espera!

Corro pelo extenso corredor, passando por um segurança, deixando-o um tanto surpreso. Ouço Matteo me chamando, mas não dou atenção. O segurança tenta me deter, mas eu consigo me esquivar e, quando chego à sala de estar, subo correndo às escadas, indo para o quarto.

Tranco-me no quarto e me jogo na cama, começo a chorar, mas não pelo que Matteo fez e sim pela saudade que sinto de meu pai e de minha amiga. Matteo também foi bem idiota ao me beijar, ele se aproveitou do meu momento de fraqueza. Mas, por um momento, me pego lembrando novamente do beijo, e com isso simplesmente bufo, jogando uma almofada em mim mesma.

— Senhor Balsano, talvez seja melhor deixá-la um pouco sozinha! — ouço a voz de Amanda, ao longe. — Falar com ela agora, só piorará a situação, seja ela qual for.

— Amanda, volte aos seus afazeres e deixe-me! — ele diz, irritado.

Matteo começa a bater na porta do quarto, mas eu fico em silêncio. Suas batidas são fortes e ele chama por mim, pedindo para conversar, mas eu o ignoro. Não estou com a minima vontade de olhar para a cara dele novamente.

— Luna, não me faça quebrar essa merda! — ele rosna, ficando irritado.

— Vá para o inferno, Balsano! — grito. — Me deixe em paz, eu quero ficar sozinha!

As batidas cessam e ouço ele se afastar, volto a cair em prantos e abraço o travesseiro. Não nego que foi gostoso sentir os lábios de Matteo sobre os meus, mas eu não estou com cabeça para isso e eu não quero isso, não com ele!

Tudo que eu preciso agora, é ficar sozinha e tentar me acalmar. Queria que ele, pelo menos, me deixasse ligar para Jim, mas sei que ele não vai me permitir ter tal privilégio depois do que fiz com ele. Outro canalha igual ao meu pai!

Mais um dia se inicia e eu não quero sair da cama, mas se eu não aparecer para o café, é capaz de Matteo arrombar a porta e eu não quero ficar mais brava do que já estou com ele. Depois daquela minha briga com ele, eu não sai mais do quarto, nem para jantar.

Depois que eu pedi para ficar sozinha, Matteo não voltou a me procurar, só Amanda que veio saber como eu estava, mas eu menti, dizendo que estava tudo bem. Eu sabia que estava tudo bem demais para ser verdade, agora Matteo está mostrando quem ele é de verdade. Ele só estava me tratando bem, cuidando de mim e tudo o mais, porque me queria em sua cama. E, agora, que viu que isso não vai acontecer, está se mostrando todo irritadinho, ameaçando fazer coisas.

Suspiro e cubro minha cabeça com o cobertor, talvez seja um belo dia de primavera e eu preciso me arrastar para fora da cama, e é o que faço. Vou ao banheiro e faço minha higiene matinal, mas permaneço com meu pijama.

Amanda sorri alegremente quando me vê e termina de arrumar a mesa. Matteo, por sua vez, me olha com uma expressão fria por alguns instantes e volta a tomar seu café e a ler as noticias em seu tablet. Sento-me à mesa e me sirvo um pouco de suco de laranja, pego também uma torrada e passo geleia de morango nela.

— Após o café, eu quero que se arrume. Nós vamos até minha empresa e depois quero te levar a um lugar. — diz, seco.

— Eu não vou a lugar algum com você! — bebo um pouco de suco e mordo minha torrada. Matteo ergue seu olhar e me encara, firme.

— Eu não perguntei se você vai ou não. Você vai e ponto, esteja pronta às nove! — ele levanta e vai para seu escritório, trancando-se lá dentro.

— Mas... — reviro os olhos. — Idiota!

Termino de tomar meu café e ajudo Amanda a retirar a mesa, também a ajudo a lavar. Fico calada enquanto lavo a louça e Amanda percebe isso, tanto que para de secar a louça e se apoia na bancada.

— Ele é um bom rapaz, querida. — ela me olha. — Não pense que ele estava te tratando bem por maldade, ele não é assim. É um pouco esquentado, admito, mas ele não faz por mal. Ele passou por muita coisa ruim nessa vida, isso fez com que ele ficasse duro.

Paro de lavar a louça e me viro para ela, surpresa. Que coisas são essas que Matteo passou? Por que ele não me falou? Foi algo tão sério para deixá-lo tão duro assim com as pessoas? Fico tentada a ir procurar por ele e pedir desculpas pelo meu chilique de ontem, mas foi ele quem me beijou em um momento em que eu estava completamente frágil, ele que se aproveitou da situação. Ele que me deve desculpas.

— O que aconteceu com ele, Amanda? — indago, a curiosidade falando mais alto que eu.

— Eu não devo falar sobre isso, querida. — ela toca em meu ombro. — Quando ele se sentir mais confiante e mais à vontade com você, ele vai te contar. Só peço que não seja tão dura com ele, dê a ele uma chance.

Fico calada e suspiro, volto a lavar a louça e assim que termino, Matteo aparece na cozinha. Ele pede, educadamente, para Amanda nos deixar a sós e por mais que eu não queira ficar sozinha com ele, não digo nada. Acho que minha expressão nada satisfeita faz ele perceber isso.

— Antes que você diga qualquer coisa para me agredir, eu queria te pedir desculpas pelo meu comportamento de ontem. — suspira e coloca as mãos no bolso. — Não era minha intenção fazer aquilo e muito menos te tratar mal.

— Ok, tudo bem. Era só isso? — indago, seca.

— E sobre hoje... Desculpa novamente, não quis falar com você daquela forma, mas acontecerem algumas coisas no trabalho e acabei descontando em você. — diz, encolhendo os ombros. — Mas eu também estava um pouco puto com você, pelo tapa que me deu.

— Foi um tapa muito merecido, só pra você saber! E quero te dar outro agora mesmo, pelo seu comportamento de mais cedo! — vocifero.

— Eu mereço, eu sei. Mas não faça isso, por favor, você não sabe a vontade que sinto de te dar umas palmadas. — arregalo meus olhos, em surpresa e um tanto horrorizada. — Ignora o que eu acabei de falar. Bom, você não precisa me acompanhar até a empresa, se não quer. Não vou te obrigar a fazer nada.

— Ótimo, porque agora eu quero ir! Não suporto ficar trancafiada aqui dentro.

Matteo ri e assente, subo para meu quarto e vou direto para o banheiro. Tiro minha roupa e começo a me banhar, não quero me demorar no banho, mas a água está tão deliciosa.

[...]

Quando, finalmente, saio do banho, já são nove e vinte, e eu estou muito atrasada. Acredito que Matteo esteja bem impaciente e bravo comigo, isso se já não foi para a empresa. Saio do banheiro enrolada na toalha e tenho uma surpresa, ao ver ele sentado em minha cama.

— Matteo! — Exclamo, envergonhada. Coro levemente e aperto a toalha contra meu corpo.

— Pelos Deuses, você é gostosa pra caramba!- Diz ele, sorrindo sedutoramente para mim e praticamente me comendo com os olhos. Então, Matteo se levanta e cola seu corpo contra o meu, estremeço de leve e fico nervosa, mas tento ao máximo não demonstrar. Matteo baixa os olhos para minha boca, e penso que ele me vai beijar novamente, mas estou enganada. Ele logo se afasta, sempre com aquele sorriso convencido estampado no rosto.

— Vista-se rapidamente. Estamos atrasados. — Diz, pegando uma foto do bolso da sua calça e a estendendo para mim em seguida. — Mas, antes quero que me responda se conhece esse rapaz.

Pego a foto e me surpreendo. O rapaz sorridente dali é ninguém mais, ninguém menos que Simón.

Notas finais
As coisas esquentaram entre Lutteo! Como vai ser a relação deles daqui pra frente? Qual o grande segredo de Matteo? E porque ele tem uma foto de Simón?