Cinquenta Tons de Balsano
17 Dezesseis - Especial Natal
Era noite de 24 de dezembro. Véspera de Natal. Nascimento de Jesus Cristo. Era para ser um dia de muita união, alegria e amor. Um dia para toda a familia estar reunida. Um dia feliz. Mas, a garotinha morena com seus olhos verdes brilhantes de seis anos que estava sentada na calçada com as mãos cobrindo a cara enquanto chorava de soluçar podia estar tendo tudo, menos um dia feliz. Novamente a pobre menina era vitima de seu pai, que sempre que bebia demais descontava nela, muitas vezes a batendo fortemente, ou a xingando de todos os nomes que podia haver na face da terra. Seu pai sempre fora uma pessoa extremamente amável, no entanto tudo havia mudado com a morte da mãe dela a dois atrás, quando o homem começou a se afogar em bebidas, drogas e jogatinas para tentar apaziguar a dor da perda.
E, por isso, uma vez mais a menina sabia que iria passar o Natal sozinha pelas ruas, enquanto seu papai fazia sabia se la o que. As palavras que ele disse antes de expulsa-la de casa ainda ecoavam em seus ouvidos.
— SAI DAQUI, SUA MENINA INSURPORTAVEL. — Esbravejava o homem, as palavras todas enroladas por conta do álcool enquanto puxava o braço dela com força e a punha para fora de casa — E VOLTE SOMENTE NO ANO NOVO. BOAS FESTAS! — Nesta ultima frase desatou a rir e fechou a porta com um estrondo.
A menina sentiu mais vontade ainda de chorar com essas lembranças, e foi exatamente isso que ela fez, seu rosto ficando todo ensopado.
Entretanto, do outro lado da rua estava uma familia. Um pai e uma mãe sorridentes e dois meninos, um de sete anos e outro de onze. Eles estavam contemplando as estrelas e a lua antes de irem comer sua ceia, o que era um habito para eles. Mas, o menino mais velho prestava atenção em outra coisa. O que lhe intrigava era ver aquela menininha bonita chorando desesperadamente. Ele não gostava de ver pessoas chorando, principalmente naquela época, então queria ajudar.
Virou-se para a mãe.
— Mamãe, posso ir falar com aquela menina ali que ta chorando? — Perguntou, apontando para ela. — Ela deve estar muito triste.
A mulher sorriu com ternura.
— Pode, Matteo, mas volte logo.
Feliz da vida, Matteo deu um ligeiro abraço na mãe e correu na direção da menina. Sentou-se ao lado dela, que ainda estava com o rosto coberto pelas mãos.
— Ei, não precisa chorar, eu to aqui. — Disse ele, suavemente, esperando alguma reação vinda da parte dela.
A moreninha descobriu os olhos ao ouvir aquela voz estranha, ficando subitamente assustada. Surpreendeu-se ao avisar um menino sorrindo para ela.
— Quem é você? — Quis saber, ainda com um certo receio.
Uma breve pausa durou alguns instantes enquanto o menino parecia estar pensando no que responder.
— Desculpa, mas meus pais não me deixam falar meu nome para estranhos. — Ele deu de ombros, como que se desculpando.
Ela deu um meio-sorriso.
— Tudo bem, eu entendo. — Disse, ficando novamente triste ao lembrar-se de seu pai.
Outra pausa.
Então, o rapazinho pegou na mão direita dela e depositou nela um anel dourado, que dizia com letras embutidas "Nunca dejes de soñar", (Nunca deixe de sonhar em português). A baixinha olhou pra ele, maravilhada mas ao mesmo tempo confusa.
— Toma, ele vai ficar contigo. Nem sei porque tava chorando, mas Natal é dia de alegria, e este anel sempre me alegra nas horas em que fico triste. Tenho certeza que também vai funcionar com você. — Sorriu largamente. — Agora preciso ir, meus pais estão me esperando. Feliz Natal, menina desconhecida. — E com isso ele levantou-se e foi embora, sem dar tempo dela dizer nada.
Luna olhou pro anel que havia acabado de ganhar e prometeu a si mesma que nunca deixaria de sonhar e que um dia encontraria o tal menino para lhe agradecer.
........
Olho para o anel mais uma vez, da mesma forma que olhei a onze anos atrás. Ele continua intacto e parece mais lindo do que nunca. Realmente esse simples objeto mudou minha vida, devolveu-me minha alegria e meus sonhos. Agora eu sequer desgrudava dele, levava-o para todo o lado a que eu fosse. Tanto que ele veio comigo para Veneza, onde o deixo seguro e guardado dentro de uma gavetinha. Eu nunca me esqueceria daquele dia, nem daquele menino que apareceu como um anjo em minha vida. Sempre serei grata a ele. Suspiro, guardo o anel na minha bolsa, por algum motivo sinto que devo leva-lo comigo hoje, e me olho no espelho. Estou linda. O vestido vermelho que estou usando realça meu corpo e minhas curvas. Passo um pouco de maquiagem, para fechar o visual com chave de ouro.
24 de dezembro. Esse vai ser meu primeiro natal com Matteo, longe de Buenos Aires, e confesso que apesar de estar um pouco nostálgica estou bem animada com tudo isso. Ele vai me levar jantar naquele lugar misterioso, onde nem foi possível ir semana passada por conta de uma reunião que apareceu de ultima hora. Estou bem curiosa para saber onde é.
Sinto alguém me pegar pelas costas e me arrepio toda. Antes de olhar no espelho sei que é por conta de seu perfume másculo que conheço muito bem. Ele esta lindo com esse terno e essa gravata. Ficou de tal forma sexy que penso em dispensar a ceia de Natal e ficar aqui numa cama com ele. Nem sei o que raios Matteo fez comigo, mas eu me viciei completamente nele.
— Esta linda e gostosa. — Sussurra em meu ouvido enquanto sorri, fazendo os pelos de meu ouvido eriçarem.
Suspiro.
— Também esta um gato. — Respondo.
Matteo me vira de frente para ele e acaricia meu rosto suavemente, passando então o dedo pelos meu labios, que estão pintados de vermelho.
— Sabe, Valente. Eu poderia muito bem ficar aqui e te foder loucamente a noite toda, mas não devemos quebrar a tradição do Natal. — Ele ri e se afasta, me fazendo bufar.
........
— Uau!
Essa é a única palavra que consigo dizer para expressar meu espanto com o iate extremamente luxuoso em que estamos, que Matteo diz lhe pertencer. Estou encantada. Nunca vi nada parecido.
— Gostou? — Ele me abraça por detrás, me causando mais arrepios. Me encaixo no corpo dele e ficamos assim na bancada, apenas observando o mar.
— Eu adorei Matteo. — Digo, com um sorriso de orelha a orelha estampado em meu rosto. — Isto tudo é realmente seu? — Indago, ainda sem acreditar.
Matteo ri mais uma vez naquela noite e eu então percebo o quanto amo essa risada.
— Claro que é tudo meu, Valente. Comprei a dois anos. Agora, vamos, que a ceia nos espera!
Matteo me conduz pra parte do iate que tem um restaurante luxuoso, que naquele momento esta totalmente vazio, apenas um garçom esta ali ao nosso dispor. Parece bem simpatico.
— Boa noite, senhores. — Nos saúda com um sorriso que me faz sorrir também.
— Boa noite, Pedro. — Matteo lhe deseja, apertando sua mão. — Nossa mesa esta pronta?
— Sim, senhor.
Fico surpresa com a variedade e quantidade de comida que tem naquela mesa. Tem de tudo. Peixe, carne, strogonoff, tortas, sanduiches, tudo que é possível imaginar. Também tem varios tipos de doce como pudins, bolos e tudo o mais. Me pergunto quem vai conseguir comer tudo isso, mas minha pergunta é respondida. Nem sei como como Matteo pode ser magro e ter um corpo lindo e perfeito se come tanto. Jantamos alegremente em meio a piadas, risadas e conversas banais.
— Então, naquele dia eu tinha cerca de onze anos. — Matteo começava a me contar uma estória sobre um dos Natais dele. — Meus pais haviam me ensinado que nunca devia se falar com estranhos, contudo, ver aquela menina triste, e chorando numa noite em que era para ser somete alegria me partiu o coraçãozinho. Eu abri mão de um bem muito precioso para mim, um anel dourado, presente de meus pais, que dizia nunca pare de sonhar, e dei para aquela menina mesmo sem saber nada sobre ela. Eu fiz uma boa ação e saber disso me deixou imensamente feliz.
Meu coração bate forte. Tem que ser coincidencia. Eu certamente ouvi errado. Espera, eu ouvi tudo certinho o que ele disse. Coincidencia coisa nenhuma, isso foi o destino, que estava interligando nossas vidas desde o começo. Me levanto e pego o anel de dentro de minha bolsa, emocionada.
Matteo parece confuso por alguns momentos, sem acreditar no que vê.
— Mas, mas, Luna esse é o meu anel. — Gagueja, confuso.
Eu sorrio e aceno afirmativamente com a cabeça, sentindo lagrimas descendo por minhas bochechas.
— Sim. Matteo, aquela menina que ajudou no passado era eu. — Revelo, muito emocionada. — O destino quis nos juntar novamente, Balsano.
Matteo vem em minha direção e nos abraçamos fortemente, chorando juntos. A emoção do reencontro tomando conta dos dois. Ficamos assim por alguns segundos e então nos afastamos. Matteo me encara fixamente e me beija, um beijo apaixonado que eu logo correspondo.
.......
Matteo beija todo o meu corpo nu, desde o pé esquerdo até o vão de meus seios, onde então começa a chupar um por um com vontade, arrancando gemidos altos meus e me levando a loucura. Sempre que ele me toca fico em completo êxtase, como se fosse a primeira vez.
Ficamos entre caricias e chipadas intimas um no outro, os únicos sonos sendo ouvidos são os de nossos gemidos de prazer e os do mar. Logo passamos para a penetração e as estocadas fortes, que somente ele sabe como fazer. Os nosso corpos suados se movimentam em sintonia enquanto nos olhamos, absortos no imenso prazer e na imensa necessidade que sentimos um do outro. Depois de alguns minutos ele sai de dentro de mim, pois ambos chegamos ao limite. Encosto meu cabeça no peito dele e o acaricio, vendo-o estremecer e se arrepiar todo. O sono e o cansaço vem chegando, mas antes posso ouvir a voz de Matteo susurrar alguma coisa.
— Feliz Natal, minha Luna.
Feliz Natal, Matteo.
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