Cinquenta Tons Mais Intensos.
9 Uma proposta tentadora.
Notas iniciais
Por Anastásia.
Eu estava devastada, isolada e completamente chocada, eu havia sido demitida do emprego que eu tanto preciso o emprego que me faz pagar as minhas contas, a minha faculdade e o emprego que eu já estava durante seis meses, o motivo?
Eu sou incompetente demais, como minha chefa disse agora me diga, se eu como garçonete já sou incompetente, imagina sendo secretária de qualquer empresa, ainda mais de Christian Grey!
Eu devo ser uma inútil mesmo, eu não sirvo nem para ser garçonete de uma droga de Starbucks! — Eu rosno comigo mesmo enquanto observo as pessoas andarem com pressa na Seattle, eu estou sentada no ponto de ônibus esperando ele chegar, eu queria chorar, mas estava me controlando, não queria ser tão fraca assim.
O ônibus demorou vinte minutos para chegar, e durante esses vinte minutos eu queria abrir um buraco na terra e me enterrar, as palavras dela de algum modo me machucaram fortemente, de uma maneira intensa, mas quer saber, eu tenho que estar feliz por ter saído de um emprego de merda que só fazia mal á mim.
Eu sou jovem, bonita e inteligente. – eu acho. Eu consigo muito bem conseguir um emprego em Seattle, eu tenho contas e uma faculdade para pagar, não posso ficar sofrendo e me descabelando por causa da porra de um emprego de merda.
Eu respiro fundo, passando as mãos sobre meus cabelos, e enxugando as lágrimas que já estavam secando, eu não iria chorar como uma mulherzinha desesperada que não sabe nem tomar conta da própria vida, ah não, eu não vou passar por esse papel ridículo.
Eu vou dar a volta por cima como eu sempre fiz, e como eu sempre faço, não vai ser nenhum empreguinho de quinta categoria que vai me colocar para baixo. Eu sorrio para mim mesma enquanto o ônibus para em minha frente me esperando para subir.
Eu não chorar por qualquer coisa, eu vou lutar, pois é assim que eu sou e sempre fui, e não vai ser agora que vou mudar.
Por Christian.
Eu observava cada movimento de Anastásia no ponto de ônibus, eu não tinha certeza, mas eu acho que ela ainda chorava e isso doía dentro de mim, mas que bosta!
Porque eu tenho que estar tão sentimental? Eu nunca fui sentimental com ninguém, nem mesmo senti pena de alguém da minha família, porque estaria mal ao ver Anastásia que não é nada minha chorando?
Ainda não é nada sua. – Rosna aquela voizinha lá no fundo.
Eu bufo de raiva e olho fixamente para Anastásia, mas que droga! Eu não tenho nenhum binóculo aqui na sala e nem em qualquer outro lugar, tenho que lembrar Andrea de comprar um para mim.
Vejo Anastásia no ponto de ônibus limpar o rosto que deve estar com lágrimas e sorrir, um sorriso verdadeiro e forte, como se ela quisesse afastar algo de mal e se mostrar forte e firme, talvez ela realmente estivesse querendo espantar a tristeza por ter sido demitida, por minha culpa.
Eu queria ir até ela e consolá-la, mas não podia arriscar, ela poderia desconfiar de mim, Anastásia já não confia em mim, e eu já estou tentando ter a sua confiança, se eu aparecer ali agora nesse exato momento ela pode perceber algo de errado, pois eu sempre apareço nos lugares onde ela está, e se tem uma coisa que eu sei é que Anastásia é muito esperta e inteligente com ela eu não posso arriscar.
Mas eu não posso deixá-la desse estado, se bem que agora ela parece bem, ela não parece estar mais triste, é como se ela estivesse acordado de algum transe, e eu gostei de vê-la mais firme, o ônibus chegou e Anastásia prontamente levantou no banco, e entrou no ônibus, infelizmente sumindo da minha visão.
Eu suspirei cansado, eu não imaginava que fosse tão difícil conquistá-la, mas pelo contrário eu não gostaria que tivesse sido fácil, eu gosto de desafios, e Anastásia está sendo um delicioso desafio, pois eu sei que ela é se valoriza como nenhuma outra mulher faz, ela sabe se valorizar acima de qualquer coisa, ela não deixa ser levada por qualquer homem, ela não é como uma qualquer vadia, ela não é uma vadia, ela é uma mulher de verdade.
Uma mulher que vale a pena.
Por Anastásia.
Quando eu cheguei a casa eu estava muito melhor, durante o trajeto do ônibus eu parei no tempo para pensar no que havia acontecido e fiquei melhor, eu fiz o que já tinha planejado ficar de cabeça erguida e não chorar por qualquer coisa, eu sou capaz de conseguir um emprego eu sei que sou.
Sushi estava deitado no sofá quando entrei no apartamento, e deu um latino quando me viu, eu sorri para ele passando a mão em sua cabeça, e fui direto para o notebook, eu já precisava me preparar para conseguir um novo emprego, muito melhor que na Starbucks, eu iria preparar o meu currículo e colocar tudo que fosse ao meu favor, não que eu queira me gabar, mas meu currículo é muito bom, e acho muito difícil não me aceitarem em algo muito melhor que uma simples garçonete.
Fui até meu quarto, sentei em minha cama pegando o notebook, e preparando algo que pudesse revolver os meus problemas.
Por Christian.
Os ponteiros do relógio pareciam que não se passavam, eu estava enlouquecendo, eu tinha que prestar atenção na porra do relatório, mas mente não me obedecia, ela queria estar somente em volta de Anastásia.
Bufei irritado pegando meu paletó, e as chaves do Audi, liguei para Taylor o dispensado, saí da sala e Andrea imediatamente ficou de pé, eu odeio quando ela faz isso.
–Eu vou sair Andrea e não sei que horas volto. – Eu avisei e ela assentiu, desci com o elevador e assim que sai da empresa entrei no Audi, pronto para ir na casa de Anastásia, eu poderia estar cometendo um erro por isso, eu não queria ser rápido demais e parecer um perseguidor atrás dela como stalker, mas eu tinha que ir até ela.
Eu não consigo mais me controlar, eu estou enlouquecendo, eu nunca fui perseguidor, possessivo e obcecado com minhas submissas, nunca fui assim, com nenhuma delas, e agora Anastásia simplesmente aparece me mudando a forma de agir, eu estou correndo atrás dela, como se a qualquer momento eu fosse perde-la, mas minha consciência rosnava como eu podia perder algo que nunca tive?
–Mas vou ter. – Eu digo para mim mesmo enquanto dou a partida no carro.
{...}
Eu estacionei na frente do prédio de Anastásia saí do carro, e fui falar com um cara que aparentava ter quarenta e poucos anos, ele estava com um uniforme azul, deveria ser o porteiro.
–Olá, Anastásia está? – Pergunto.
–Anastásia Steele? – Ele pergunta ajeitando seu bigode com as mãos.
–Sim. – Eu respondo.
–Ela está sim, quer que eu avise que o senhor está? – Ele pergunta.
–Não, só quero saber o número do seu apartamento. – Eu respondo.
–É o número 113. – Ele diz e eu assinto.
–Ok, muito obrigada. – Eu digo dando as costas e indo em direção do elevador.
O corredor era estreito, não dava nem para duas pessoas se locomoverem, então comecei a procurar o número do seu apartamento, não demorou muito á achar. Respirei fundo antes de bater na porta, já que não tinha campainha, em poucos minutos, a porta se abriu e Anastásia apareceu em minha frente, eu não esperava que com a simples visão que eu fosse ter me deixaria tão duro.
Anastásia usava um short preto muito curto, ia até o começo das suas coxas, me deixando ter a visão deslumbrantemente das suas pernas roliças e bem delineadas, eu tive que me segurar para não ir a sua direção e apertar fortemente as suas coxas até ouvi-la gemer alto o meu nome. Ela usava também uma blusa branca de mangas que aparecia um pedaço muito pequeno da sua barriga lisa, ela estava descalça e com os cabelos soltos, em um ar rebelde.
Meu Deus como eu queria me afundar nela, mas eu tenho que me controlar.
–O que você faz aqui? – Perguntou ela me olhando de cima para baixo, ela estava totalmente confusa, suas sobrancelhas estavam arqueadas, dando ainda mais um ar selvagem.
Eu fiquei sem fala, depois de anos controlando negócios de milhões sem nenhum nervosismo e nenhuma timidez eu estava totalmente sem fala na frente da única mulher que eu desejava. Mas é para estar, olha a maneira que ela está vestida, não tem como racionar direito.
Controla-se Grey, controla-se. – Era a única coisa que minha mente pensava.
Por Anastásia.
Christian Grey estava na minha frente me olhando dos pés a cabeça me deixando totalmente constrangida e envergonhada, eu corei até o último fio de cabelo ao me lembrar que vestir um micro short preto e uma blusa de mangas que não cobria toda a minha barriga, eu queria novamente, pela segunda vez naquele dia abrir um buraco no chão e me enterrar nele com tanta verginha que estou.
O que ele estava fazendo aqui? Ele está me perseguindo? Porque não é possível, em todo lugar que eu estou ele está. Isso está começando a me assustar.
–Não vai responder? – Eu pergunto, já que ele nada respondeu quando eu perguntei o que ele fazia aqui.
–Posso entrar? – Pergunta ele sem se dar o trabalho de responder minha pergunta, eu não queria o deixar entrar, mas não queria ser grossa, afinal eu ainda mantenho vivo em minha cabeça que ele me salvou de ontem.
–Pode. – Eu respondo e ele sorri, enquanto eu dou espaço para ele entrar, por sorte eu havia arrumado a casa, não seria nada legal ele ver a minha bagunça, que não é pequena. –Quer se sentar? – Eu pergunto e ele me olha como se tivesse me avaliando, novamente corei, e abaixei mais a minha blusa para não aparecer minha barriga.
–Quero sim. – Diz ele se sentando no sofá grande, ele deixa as pernas abertas e os braços apoiados nas suas pernas e as mãos cruzadas.
–Quer algo para beber? – Eu pergunto. –Uma água, um suco, um chá? – Eu pergunto acrescentando.
–Não, mas muito obrigado. – Ele responde com a voz rouca.
–Me desculpa, eu acho melhor trocar de roupa, eu não... — Eu tento dizer, mas sou interrompida por Christian.
–Não precisa Anastásia, eu só quero conversar. – Ele diz e eu concordo me sentando no sofá na sua frente.
–Ok, é porque você está aqui? – Eu pergunto e ele pigarreia.
–Eu soube que você foi demitida. – Ele responde e eu abaixo a cabeça constrangida. Merda!
–Como você soube? – Eu pergunto e ele dá um sorriso amarelo.
–Eu fui até a Starbucks hoje, e não te vi, perguntei para uma das garçonetes se você estava de folga, e ela me disse que você havia sido demitida. – Ele responde e eu suspiro.
–Então todas já estão sabendo. – Eu digo para mim mesma, mas acho que Christian ouviu.
–Não fique assim, você merece um emprego melhor do que aquilo. – Ele disse para me reconfortar e eu sorri.
–Obrigada, agora mesmo eu estava fazendo meu currículo para um novo emprego. – Eu digo e ele arqueia a sobrancelha.
–Porque você não vem trabalhar na minha empresa? Eu já disse que estou precisando de uma assistente pessoal, e eu tenho a certeza que você irá conseguir fazer um ótimo trabalho. – Ele diz e eu sorrio. –Você é perfeita para mim. – Diz ele e eu coro, eu não sei por que mais entendi um duplo sentido em suas palavras, mas deve ser coisa da minha cabeça. –É... Eu quero dizer que você é perfeita para trabalhar para mim. – Ele diz se auto corrigindo, ele parecia constrangido também.
–Eu não acho uma boa idéia Christian, eu quero conseguir um emprego por mérito meu. – Eu digo e ele se aproxima de mim, nossos rostos estão a centímetros de distancia se eu me aproximar dele mais um pouco eu posso beijá-lo. Ai meu Deus, de onde veio esse pensamento?
–Isso é mérito seu Anastásia, se você for trabalhar na minha empresa vai ser por mérito seu, porque você merece, se nosso destino se cruzou me fazendo te fazer está proposta, é porque o destino quis, e é porque é mérito seu! – Ele diz um tanto quanto desesperado.
–Christian eu não... – Eu começo a fizer, mas sou interrompida por Christian que coloca um dedo seu em meus lábios, um tremor passar em meu corpo, me fazendo me arrepiar por inteiro.
–Por favor, não recuse assim, apenas diga que vai pensar na proposta, por favor, Anastásia, faça isso. – Ele pede e seu olhar está tão pidão e desesperado que eu não resisto e afirmo positivamente com a cabeça e ele sorri. Ele se levanta e eu me levanto também, ele olha para Sushi que acaba de aparecer na sala. –Não sabia que você tinha um cachorro. – Ele comenta. –É seu? – Ele pergunta.
–É sim, o nome dele é sushi. – Eu respondo e Christian ri, olhando para mim, seus olhos cinzas me olham intensamente e eu por algum motivo desconhecido me sinto excitada. Ele olha com um misto de emoção que eu não consigo explicar e decifrar. Ele tira do seu bolso um cartão e estende para mim.
–Aqui está meu cartão caso você mude de idéia, e eu no fundo quero que você mude. – Ele diz e eu pego o seu cartão sorrindo e lendo.
Christian Trevelyan Grey. –
Grey House.
(206) 406 – 3265
–Ok, eu vou pensar. – Eu digo e ele sorri se aproximando mais de mim, eu posso sentir seu peito quase encostar em meus seios.
–Me promete? – Ele pergunta.
–Sim. – Eu respondo e ele sorri.
–Me acompanha até a porta? – Ele pergunta.
–Claro. – Eu respondo e nós andamos até a porta, e eu abro para ele, e sou tomada por uma estranha sensação, eu não queria que ele fosse, e isso era errado.
–Até mais Anastásia, quero te ver em breve. – Ele diz. – E espero que aceite a minha proposta. – Ele acrescenta.
–Eu vou pensar. – Eu digo. –Até. – Eu digo já fechando a porta e vendo pela última vez seus intensos olhos cinzas e seu sorriso torto.
Eu sorrio novamente como uma boba, e me sento no sofá, enquanto sushi se deita em meu colo.
–Ah sushi, e agora o que eu faço? – Eu pergunto para ele que só se esfrega em mim.
O que eu faço? Estou totalmente perdida, aceito ou não aceito trabalhar com Christian Grey?
Continua.
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