Cinquenta Tons Mais Intensos.
35 Um tal de José.
Notas iniciais
Por Christian.
–Para onde vamos? – Perguntei enquanto Anastásia e eu caminhávamos para o lado leste da sua rua, era uma rua espaçosa, mas não era grande, deveria ter no máximo uns dez quilômetros para ela terminar, a mão de Anastásia está agarrada a minha e ela dá uma risadinha para mim abaixando a cabeça.
–Parque. – Ela responde simplesmente, eu arqueio a minha sobrancelha.
–Parque? Nós vamos para um parque? – Eu pergunto rindo, não sei por que, mas era engraçado para mim, eu Christian Grey em um parque na Geórgia com a minha namorada.
–Sim, por quê? Algum problema? – Pergunta ela séria.
–Nenhum, é que eu nunca fui para um parque. – Eu confesso um pouco envergonhado.
–Sério mesmo? Por quê? – Ela pergunta quase parando no meio da rua se eu não a puxasse para continuar a caminhada. Como eu vou explicar a Anastásia que minha mãe era uma mulher que vendia seu corpo por dinheiro? Como explicar a ela que eu nunca tive uma infância de verdade? Que eu nunca brinquei com outros colegas da escola, que eu nunca tive um pai para dar cartões de dias dos pais, ou que quando eu dava cartões para minha mãe do dia das mães, ela simplesmente ignorava e jogava fora, como dizer que meu “padrasto” era um cafetão que me batia, e que minha mãe nada fazia, pois era uma drogada que não se importava com o seu próprio filho, como dizer isso a Anastásia? Ou simplesmente, não dizer.
–Desculpe Ana, mas não é algo que eu goste de falar. – Eu digo querendo não dar a impressão que não quero contar, pois eu quero contar á ela, eu quero que ela saiba da minha vida, do meu passado, mas eu tenho medo, medo de que ela veja o quão sujo eu sou, e me abandonar, fugir de mim, e eu não posso jamais perder Anastásia, não agora, que ela é praticamente a minha vida.
–Oh, desculpa, eu não quis parecer intrometida, eu... Me desculpe. – Diz ela constrangida, e eu sorrio.
–Não precisa se desculpar Anastásia, você não fez nada, eu apenas não consigo falar de algumas coisas do passado, porque ainda dói mesmo eu não querendo dói, eu espero que você entenda. – Eu digo receoso, Anastásia sorri abertamente, passando seus braços em volta da minha cintura com muito cuidado, eu faço o mesmo, ela me dá um selinho.
–É claro que eu entendo Christian, e eu não vou cobrar algo de você que você não queira me contar por livre espontânea vontade, o passado é seu e eu vou respeitar se você não quiser contar, porque para mim o que importa é o nosso presente. – Diz Anastásia e eu não posso evitar sorrir com a sua compreensão, mas será que ela irá voltar a dizer isso caso algum dia o passado bata na porta? Espero que sim.
–Obrigada Anastásia, obrigada por entender e me compreender, eu preciso mais disso na minha vida. – Eu digo percebendo que paramos no meio da rua e estamos de frente para o outro.
–Precisa de mais compreensão? – Ela pergunta.
–Não, preciso mais de você. – Eu respondo sério, Ana cora, abaixando a cabeça.
–Você já me tem. – Ela diz.
–E quero ter cada vez mais. – Eu esclareço.
–Hm, eu vou pensar no seu caso. – Diz ela fazendo uma face pensativa, eu gargalho. –Agora vamos, porque quero chegar logo no parque. – Ela acrescenta pegando na minha mão e nós dois começamos a andar um pouco mais rápidos, ainda de mãos dadas.
{...}
Por Anastásia.
Christian e eu chegamos ao parque de mãos dadas, o parque estava intensamente bonito por estar dando um sol enfraquecido com a tarde já se acabando, parecia que as arvores atavam ainda mais cheias e intensas com a primavera chegando, havia muitas crianças correndo e brincando no balanço, no escorregador, roda-roda, ou apenas sentados no chão brincando com a areia, uma forma divertida de se brincar, passei boa parte da minha infância nesse parque.
Minha mãe costumava me trazer para cá nas tardes de domingo, como uma forma de me agradar por não poder me levar para sair para outros lugares que minhas amigas normalmente iam, como por exemplo, shopping, ou então para me compensar já que não tinha dinheiro suficiente para me dar uma boa Barbie, mas eu para ser sincera não me importava em não ganhar Barbies caras ou ir a passeios caros, eu apenas gostava de ir ao parque e brincar de balanço com minha mãe empurrando e sorrindo para mim e no fim do dia ela me levava para tomar um sorvete.
Boas lembranças.
–No que está pensando? – Perguntou Christian quando sentamos no banco que ficava nos cantos do parque.
–Na minha infância, e em boas lembranças, eu sinto falta disso, era tudo tão inocente e perfeito para mim. – Eu disse sorrindo.
–Algo mudou para hoje em dia? – Ele perguntou.
–Sim, acho que a inocência. –Respondi incerta.
–E a perfeição? – Ele perguntou.
–Ainda tem também, mas em menor quantidade. – Respondi ainda sincera, Christian me deu um sorriso.
–Eu acho que a perfeição está presente em pequenas coisas que nós não conseguimos notar, e a inocência vai se perdendo com o tempo e com a nossa idade se evoluindo. – Ele disse.
–Isso foi... – Eu ia começar a dizer o quanto aquela declaração tinha sido encantadora quando escuto meu nome ser chamado.
–Ana! – Ouvi uma voz me chamar e repetir, repetir e repetir de maneira insistente, eu olhei para trás junto com Christian, vendo aquele moreno, alto, com os cabelos pretos e olhos igualmente escuros, forte e musculoso quase de maneira que exagerada correndo em nossa direção, parando em nossa frente, ou melhor, em nossa trás.
Puta que pariu.
Por Christian.
Aquele moreno correu em nossa direção e parou atrás do banco, ele sorria largamente para Anastásia, e minha vontade era de quebrar um por um dos seus dentes sem nem ao menos saber quem ele é, eu só estava com raiva por ele estar a chamando tão intimidadamente e sorrindo para ela, eu cerrei meus dedos e fechei minhas mãos em punhos.
Anastásia se levantou e ficou de pé, eu tratei de fazer o mesmo ficando de pé com ela, aproveitando para agarrar a sua cintura e quase rosnar um “minha” para aquele ser que a encarava ainda sorrindo,=.
–Quanto tempo Ana. – Ele disse se aproximando dela sem se importar com a minha presença e beijando o seu rosto, ele beijou o rosto dela! Era praticamente como se ele tivesse a beijado.
–Digo o mesmo José. – Disse Anastásia timidamente, José? José? Quem é ele? Primo? Amigo? Parente? –José esse é Christian, Christian esse é José. – Ela apresentou, mas sem revelar o que ele era dela.
–Eu sou amigo dela. – Ele diz com um sorriso de façanha no rosto e com a mão estendida.
–Eu sou o namorado dela. – Me apresentei com um sorriso convencido no rosto, ele só achou que iria ser melhor que eu, eu acho bom me colocar no lugar e no posto de seu namorado, eu iria mostrar para ele quem é que manda.
Continua.
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