Cinquenta Tons Mais Intensos.
31 Um sentimento mais intenso.
Notas iniciais
Por Christian.
Após a minha conversa com Elliot que mais se resultou em uma briga, eu corri para meu Audi, e liguei para Taylor, ordenando-o a preparar o Charlie Tango para um vôo com muita urgência, e eu só precisei utilizar duas palavrinhas mágicas para ele saber como era realmente urgente.
Anastásia Steele.
Quando eu lhe disse que precisa ir para Geórgia para ver Ana com a máxima urgência, Taylor se desesperou no outro lado da linha me perguntando se havia acontecido algo de grave com Anastásia, eu simplesmente respondi que não, e ele pareceu muito aliviado, e eu notei que não era de hoje que Taylor mostrava mais preocupação que necessária com Anastásia, isso me deixou enciumado.
Ele não tinha que se preocupar com ela, eu é quem tinha. Mas procurei não pensar muito nisso enquanto dirigia pelas ruas de Seattle com a cabeça a mil por hora, e esperando com impaciência quando eu tinha que parar em um sinal vermelho e esperar, esperar e esperar, parecia minutos esperando, quando na realidade eram poucos segundos, no meio do caminho tive que usar o celular para ligar para Andrea e avisar que não iria, isso resultou um policial me parando.
Eu parei meu carro no encostamento, saindo dele para conversar com o tal policial que me parou, era um cara extremamente alto, pelo menos uns dez centímetros á mais que eu, com cabelos loiros e olhos verdes e um bigode extremamente ridículo.
–Posso saber o porquê de o senhor estar dirigindo mais do que o permitido e ainda por cima com o uso do aparelho celular? – Ele perguntou se achando autoritário suficiente para falar comigo dessa maneira, ele sabe por acaso quem eu sou?
–Porque sim. – Respondi com sarcasmo e dando de ombros.
–Isso está no código penal e é totalmente proibido. – Ele disse como se eu fosse uma criança, ou como se eu não soubesse.
–Olha eu sei disso, mas eu estou com muita urgência em resolver a minha vida, então vamos pular para a parte que você me dá uma multa? – Eu perguntei.
–Não é você, é senhor policial entendido? – Perguntou com um sotaque australiano.
–Escuta aqui... – Eu comecei a dizer.
–Mãos atrás da cabeça. – Ele ordenou me interrompendo.
–Que porra é essa? – Eu perguntei.
–Olha o linguajar e mãos atrás da cabeça. – Ele me repreendeu e me ordenou.
–Não vou por porra nenhuma atrás da cabeça. – Eu gritei.
–Se é assim então. – Ele disse vindo na minha direção, me pegando com força pelos braços e me imobilizando, prensando a minha cabeça no capo do meu carro, como se fosse me algemar, nesse momento eu me senti como um bandido nesses filmes de ação, e resolvi gritar meu nome para ele parar de imobilizar meus braços e me fazer sair daquela situação ridícula que eu estava.
Após fazer isso, ele me olhou com os olhos arregalados, me soltando e me pedindo desculpas por umas dez vezes pelo o que eu contei, mas ainda assim, mesmo pedindo várias vezes desculpas para mim, ele me multou.
{...}
Resolvi ligar para Andrea quando cheguei no Escala, para não correr o risco de ter que pagar outra multa de oitocentos dólares. Quando cheguei ao Escala Gail veio em minha direção me olhando preocupada enquanto eu subia as escadas, ela correu atrás de mim.
–Sr Grey, o senhor está bem? – Ela perguntou.
–Estou Gail, na medida do possível eu estou eu vou viajar com urgência para Geórgia, arrumarei a minha mala e não sei quando voltarei. – Eu avisei entrando no meu quarto, indo direto para o closet pegar a minha mala e organizar minhas coisas dentro da mala, enquanto Gail murmurou um “Sim senhor”. Eu aproveitei e liguei para Andrea avisando-a que não iria.
–O senhor irá para Geórgia? – Perguntou Andrea com a voz chocada quando eu disse que estava indo.
–Sim. – Respondi. – E não tenho data prevista. – Acrescentei.
–Mas senhor... – Começou a dizer Andrea, antes de eu cortá-la.
–Não tem mais e nem menos, apenas tome conta das coisas por ai, eu tentarei não demorar muito, tudo irá depender de... Alguém. – Eu digo me controlando para não dizer o nome de Anastásia.
–Ok senhor, farei isso. – Ela disse. –Tenha boa viagem. – Ela disse educadamente.
–Obrigado. – Eu agradeci desligando logo em seguida e indo para onde estava Charlie Tango.
{...}
Quatro horas de viagem foram necessárias para poder chegar na Geórgia, eu mesmo pilotei o Charlie Tango, e me assustei com a calma que o fiz, sem me apressar.
Walcher já tina feito o seu trabalho de me passar o endereço da casa de mãe de Ana, então não demorou nem vinte minutos para eu estar na porta da sua casa, quando toquei a campainha olhei rapidamente para o relógio vendo que era quase três da tarde, e eu me dei conta de que talvez não fui tão rápido assim.
Uma mulher de cabelos castanhos claros um pouco abaixo dos ombros, olhos escuros e um sorriso amável, mas desconfiado no rosto abriu a porta para mim, muito provável que essa mulher seja mãe de Anastásia, por suas feições e maças do rosto.
–Olá, posso ajudá-lo? – Ela perguntou.
–Sim, estou em busca de Anastásia, ela se encontra? – Eu pergunto mesmo já sabendo a resposta, a não ser claro que ela tenha saído, o que me faz içar um pouco nervoso, passando os dedos na palma da mão, eu estava de frente para minha sogra, sem nem ao menos saber se ela realmente sabia que é minha sogra, será que Ana falou de nós para ela?
–Sim, ela se encontra, você é? – Pergunta ela.
–Sou Christian Grey, namorado dela. – Respondo vendo o choque atravessa o rosto da mulher, que se chama Carla, segundo as informações de Walcher. Muito provável e como minhas suspeitas foram confirmadas, Anastásia não falou de nós para sua mãe.
–N-Namorado? Anastásia não me falou de namorado nenhum. – Ela disse deixando claro.
–Ela deve ter se esquecido, ou então estava preparando uma surpresa. – Eu disse em tentar dar muita importância para isso, e para ela não perceber a verdade, de que talvez Anastásia e eu nem estejamos mais juntos.
–Bom, entre. – Ela disse estendo a mão manuseando para eu entrar. A casa era colorida, alegre, e de um jeito simples, mas moderno, era um jeito alegre, típico de Anastásia. –Minha filha não falou que estava namorando, vocês se conheceram onde? Você por acaso é daqui? Por isso veio visitar ela? Será que ela realmente queria me fazer uma surpresa? – Perguntou a mulher fazendo muitas perguntas para minha cabeça, eu tentei reformular todas elas e responde-las.
–Eu não sou daqui, sou de Seattle, nos conhecemos na antiga cafeteria que ela trabalhava, eu vim visitá-la, pois estava com saudades, queria fazer uma surpresa. – Eu disse retirando a parte dor real porque de estar ali.
–Ah que educação á mim, perdoe-me, sou Carla Wilks mãe de Anastásia. – Ela disse erguendo a mão.
–Prazer em conhecê-la. – Eu disse educadamente apertando de leve a sua mão.
–Prazer o meu. – Ela retribuiu. –Então quer me dizer que você viajou de Seattle até aqui para fazer uma surpresa á minha filha? – Ela perguntou.
–Sim. – Eu respondi simplesmente e um pouco envergonhado.
–Você deve gostar mesmo dela. – Diz ela e eu sorrio, vendo que realmente, eu gosto muito de Anastásia, tenho até medo dos meus sentimentos por ela, mas eu sei que o que eu sinto por ela é algo forte demais. –Pode subir, o quarto de Ana é o do corredor á direita, você vai encontrá-lo rapidamente, em sua porta tem uma placa escrita “caia fora”, sabe como é, época adolescente. – Ela explica e eu sorrio, imaginando Anastásia em sua fase rebelde.
–Com licença. – Eu peço subindo as escadas. Eu subi a escada unicamente degrau por degrau, talvez com medo de estar casa vez mais próximo do quarto de Anastásia, minha mãos estavam suando e tremendo, eu nem sabia o real motivo delas estarem daquela maneira, deve ser o nervosismo por eu não ter preparado nenhum discurso, nenhuma fala, eu apenas estava lá, trazendo a mim mesmo, e as minhas esperanças.
Quando cheguei ao corredor, rapidamente consegui localizar o quarto de Anastásia, como sua mãe havia dito, havia uma placa escrita “Não perturbe” na sua porta, eu dei uma risada baixa, abrindo a porta do seu quarto e avaliando-o.
As paredes eram de um negro, fazendo o quarto ter um ar bem sóbrio, mas as cortinas eram igualmente brancas como os lençóis, isso destacava o quarto, havia muitos pôsteres de bandas de rock dos anos oitenta, setenta e sessenta, algumas bandas da minha época eu conhecia, assim como umas de agora.
Eu olhei para a cama vendo o corpo de Anastásia ali deitado com tranqüilidade, ela estava com os olhos fechados de barriga para cima, e os pés cruzados, sua expressão era como se estivesse em uma bagunça interna com ela mesma, eu deveria manter minha postura fria, arrogante e egoísta que eu sempre fui, eu deveria ser frio, fingir não me importar, e mostrar para Anastásia quem realmente manda, eu iria mostrar para Anastásia que ela não pode fugir e mim, não pode me tratar como se eu fosse qualquer um em sua vida, eu faria admitir para si mesma que ela necessita mais de mim, do que eu dela.
–Olá Anastásia, que bom te ver aqui, será que você não deve uma explicação para mim? – Perguntei com mau humor constatando em minha voz, que também estava dura e fria. Anastásia abriu os olhos subidamente, seus grandes olhos azuis arregalados olhando para mim com certa expressão que eu não conseguia decifrar, não era choque ou surpresa em seus olhos, era uma espécie de susto, mas eu via um brilho ali, como se ela já esperasse por isso.
–O que você está fazendo aqui? – Perguntou Anastásia se levantando da cama e ficando de pé na minha frente, ela vestia uma saia indo até a metade das suas coxas e uma blusa branca justa. Eu tentei continuar mantendo a minha voz firme e fria, novamente fingindo não me importar.
–Você foge, não diz nada, não avisa simplesmente pega as suas coisas e vem para Geórgia, e me pergunta o que eu estou fazendo aqui? – Pergunto com ironia e sarcasmo.
–Eu vim passar o tempo com a minha mãe, já que eu fui praticamente humilhada no jantar, mas o que você está fazendo aqui? O que você veio fazer atrás de uma vadia como eu? – Perguntou ela demonstrando toda a raiva que ela estava sentindo e novamente eu vi a raiva, a magoa e a tristeza que eu causei nela, eu me xinguei.
–Anastásia, me perdoa, eu simplesmente me exaltei ao ver que você escondeu algo de mim, eu não sei naquele momento minha cabeça deu voltas e voltas de raiva e quando eu vi, eu estava soltando todas aquelas merdas, eu me arrependo tanto, eu me maldiçoei a noite toda, eu não consegui dormir, você não tem idéia de como eu fiquei Anastásia. – Eu desabafei o meu ponto de vista.
–Pior que eu tenho certeza que não. – Ela rebateu.
–Eu agi como um verdadeiro babaca, como a porra de um adolescente, eu sinto tanto, eu simplesmente não comigo mais ficar longe de você, esse dia da nossa briga eu pude comprovar o como você é importante para mim, você não é uma vadia Anastásia, você é tudo, tudo o que eu quero tudo que eu sempre quis, e tudo que eu sempre vou querer, eu só preciso do seu perdão, eu preciso que você me dê uma segunda chance. – Eu digo sentindo o escudo de “frieza” e “firmeza” que eu iria interpretar e iria controlar, se desfez dando espaço ao Christian criança, sozinho, aquele que não queria se abandonado.
–Eu não vou perdoar você. – Disse Anastásia fria, era como se minhas palavras não tivessem tido efeito nela. –Eu quero terminar tudo Christian, quero terminar tudo o que começamos, eu quero me demitir da empresa, e quero terminar o nosso namoro. – Esclarece Anastásia fazendo meu coração acelerar de desespero, eu não poderia aceitar isso, não poderia aceitar que ela saísse de minha vida, que não fosse mais nada minha, não aceitaria que ela se demitisse e voltasse a trabalhar naquele lugar imundo que ela trabalhava, eu não permitirei!
Não quero se abandonado, isso dói demais, é agonizante perceber que você não é importante para ninguém, nem a minha mãe me quis, imagina se Anastásia vai querer, eu sou um peço em seu sapato, sou uma pedra no seu caminho, eu não a mereço, e tenho total consciência sobre isso.
Mas eu sou muito egoísta, eu sou egoísta demais para permitir a sua partida, eu me humilharei diante dela para ela me dar uma chance. E foi assim e eu fiz, me aproximando de Anastásia ficando na sua frente, e me ajoelhando na sua frente.
–Me perdoa, por favor, eu suplico, me perdoa! Me dê uma nova chance! É tudo que eu peço! – Eu pedi sentindo o quão me humilhando eu estava por uma mulher.
E naquele chão, no quarto de Anastásia, ajoelhado aos seus pés, e agarrando as suas mãos implorando por seu perdão, implorando pelo perdão de uma mulher, que eu admiti para meu coração e para mim mesmo, que eu estou totalmente, incondicional e intensamente apaixonado por Anastásia Steele.
A morena dos olhos azuis.
Continua.
Fale com o autor