Cinquenta Tons Diferentes
7 Capítulo 7: Small Stumble
Notas iniciais

Eram 04:50 e, novamente, aqui estou eu, deitada na minha cama, coberta pelo cobertor de retalhos dado por minha mãe em meu aniversário ano passado, olhando para o teto e contando os pequenos estufados de infiltração. Deus, Ray mataria alguém se soubesse que o teto do lugar onde estou ficando tem três infiltrações de cinco centímetros. Acho que alguém aqui pensou que eu estava brincando quando disse superprotetor, não é mesmo?
Finalmente tinha chegado segunda-feira, o primeiro dia que eu teria aulas e talvez fosse o fato de que seria o meu primeiro dia com aulas desde que eu cheguei, ou o fato de que eu sou paranóica demais, mas eu obviamente não tinha conseguido dormir a noite toda. Eu caia no sono e meia hora ou com sorte uma hora depois eu despertava desesperada pensando que tinha perdido o horário e que seria obrigada a entrar em um sala lotada de alunos como a novata atrasada. Pior pesadelo de todos. Então aqui estou eu, agora 04:52 rezando para os minutos passarem mais rápido para o meu despertador finalmente tocar e eu não sentir que fui paranóica demais o dia inteiro por ter acordado muito antes da hora sem necessidade.
Deus, eu estava animada. Quer dizer, esse é o meu primeiro ano na faculdade e esse seria consequentemente o meu primeiro dia tendo aulas como uma oficial aluna da universidade de Stanford. Isso era muita coisa. Não é todo mundo que consegue estudar em Stanford, aqui não importa se você pode comprar o país, todos os alunos são submetidos a uma prova e e quem acertar menos de setenta por cento não pode estudar, pagando ou não pagando. Eu tinha tirado noventa e isso foi motivo para três grandes e maravilhosos dias com Ray tentando acender a churrasqueira e mamãe tentando o convencer a fazer alguns legumes grelhados. Isso tudo enquanto o cachorro do vizinho latia sem parar e corria atrás de Lulu.
Olhei novamente para meu despertador esperando que faltasse apenas mais um minuto para o rádio tocar, mas eram apenas 04:56. Deus, eu vou enlouquecer. Suspirei e peguei minha coberta. Me virei para a direção de meu despertador e me cobri perfeitamente até meu pescoço tentando me manter quentinha. Fechei meus olhos e esperei. Tudo começou a ficar preto e eu lentamente estava relaxando mais e mais na minha cama, o sentimento de ter achado a posição perfeita para adormecer tomando conta de meu corpo e então….
—Bom dia, ouvintes!! Agora são 05:00 e está começando mais um Hora do Despertar!!
Aquele sentimento de antes? Aquele mesmo de cinco minutos atrás quando eu estava implorando para o tempo acelerar, ele apenas deixou o meu corpo e agora eu estou rezando para o tempo parar ou apenas voltar, mas eu não tenho poderes de fazer o tempo parar então esta sou eu chutando mentalmente minha bunda e levantando literalmente de minha muito confortável cama para tomar uma ducha muito, mas muito mesmo, bem merecida.
Uma hora depois eu estou e meu caminho para a faculdade. Atravessei ou portões e quase imediatamente avistei Katty e José parados em frente ao prédio 4. Como sempre tem sido nos último dias Katty estava falando sem interrupções com José enquanto o mesmo ouvia atentamente parecendo ter uma dor de barriga. Eu entendia ele, por mais animada e bela que Katty seja, suas conversas, principalmente quando ela começava a falar sobre seu relacionamento com seu namorado durante esses dias eu rezada que Deus jogasse um raio em minha cabeça .
—Bom dia, Ana!- Sorri para ela quando a mesma me abraçou. Seus cabelos continuavam impecáveis e seu belo loiro estava mais brilhante a cada dia, aparentemente. Ela usava um pouco de maquiagem, mas nada exagerado e estava com um vestido amarelo que lhe dava um aspecto juvenil.
Linda. Glamurosa. Maravilhosa.
—Bom dia, Katty!-E enquanto isso eu estava com minha calça jeans normal, sem manchas, rasgados ou qualquer coisa que atualmente deixa uma calça jeans elegante e fashion, e um moletom com vários lacinhos pretos espalhados pelo tom de rosa bebe.
Infantil. Menina que acabou de passar pela puberdade. Sem de moda zero.
—Ana.
—José.
—Bem, bem, já que estamos todos aqui creio que podemos ir em direção a nossos respectivos prédios não é mesmo?- Concordei com um simples gesto de cabeça e José fez o mesmo.- Ótimo, como o prédio de José é o dois, podemos contar caminho e seguir para o seis e sete, Ana.
—Tudo bem…
Começamos a andar em silêncio. Um silêncio confortável, algo fazíamos muito isso caso Katty não se lembrasse de algo que queria falar. Eu sempre gostei desse silêncio confortável, geralmente eu nunca me sentia confortável, sempre fazendo questão de preencher o silêncio com alguma informação inútil ou com conversa fiada, mas naquele momento não.
Não que isso significasse que eu estava tranquila em meus pensamentos. Durante todos esses cinco dias para me acostumar com o campus, tendo sempre mais um novo tour, seja pelos prédios, dormitórios, lojas ou restaurantes com Katty algo que nunca saía da minha cabeça eram os lindos e impressionantes pares de olhos azuis cinzentos que eu vi no meu primeiro dia na universidade. Era ridículo, mas eu tinha pensado neles todos os dias, relembrando como eram e aperfeiçoando os detalhes que eu não tinha gravado profundamente em minha memória durante os poucos segundos que eu tinha os encarado. Eu não conseguia me lembrar de nada da pessoa que os tinha, sua cor de pele, cor de cabelo, roupas, traços marcantes, nada. Mas seus olhos eram outro papo, na verdade, se eu soubesse desenhar bem eu poderia fazer uma cópia realista do belo par.
Eu pensei em perguntar para Katty sobre esse cara, quem quer que fosse, mas em um glorioso momento, segundos antes de eu começar a falar, eu caí na real e me toquei que eu não tinha nenhuma informação de verdade sobre ele. O que eu falaria : Hey, Katty! Eu vi esse cara no campus no meu primeiro dia e ele tinha esses lindos e hipnotizantes olhos de cinquenta impressionantes tons. Sabe qual é o nome dele?
Elaborando perguntas assim faz-me questionar como eu consegui passar para uma das mais renomadas universidades dos Estados Unidos.
—É aqui que eu fico, tenham uma boa aula, garotas!
—Tchau, José!- Katty sorriu docentemente se despedindo.
—Boa aula.-Falei não querendo deixar na cara que eu nem sequer tinha prestado atenção no trajeto.
Eu e Katty falamos o trajeto todo até nossos prédios e eu não me perdi mais no mundo da Lua pensando sobre idiotices- como sempre. Não demorou mais de dois minutos até que chegamos, nos despedimos e entramos.Eu teria cerca de duas aulas e então teria um intervalo de uma hora até a próxima classe. Graças a Deus eu tinha gravado o caminho para a lanchonete ou ficaria perdida sem saber onde ir nesse intervalo sozinha. Katty teria aulas e José estaria em “campo”, algo sobre teste de sombras e efeitos.
Eu não entendo sobre fotografias. Não é a toa que eu não tenho quase nenhuma foto a partir de meus quinze anos e todas que eu tenho foram obrigadas por minha mãe ou pela escola com suas sempre horríveis fotos de turma.
Recordações de uma época em que eu meus olhos eram tão grandes que ocupavam quase todo o meu rosto e me faziam parecer uma caveiras. Na verdade, eu era uma caveira, com meus ossos aparecendo perfeitamente e tudo mais.
Pelo menos sobre uma coisa eu tenho que agradecer o capitalismo, os fast food.
Entrei em minha sala de aula, pegando o lugar na frente e imediatamente comecei a notar os pequenos detalhes. O quadro branco ocupava toda a parede azul escuro e estava impecavelmente limpo. Haviam cinco canetas todas com diferentes cores e um apagados sobre a mesa, mas não havia nenhuma bolsa ou pasta, provavelmente eram materiais que a universidade deixava em todas as salas para que os professores não tivessem que sair correndo atrás de canetas por toda a escola. Tirando a parede do quatro todas as demais eram brancas e sem qualquer mancha, tinha inúmeras- aproximadamente cinquenta- cadeiras na sala, todas alinhadas e dispostas em degraus, já que as cadeiras finais ficavam em níveis mais elevados para que os estudantes não fossem prejudicados por cabeças.O chão, assim como as cadeiras e a mesa do professor, eram de madeira e imediatamente eu soube que quando o tédio batesse nas aulas em que ou eu não estivesse entendendo absolutamente nada ou que eu já tinha entendido eu estaria batendo minhas unhas na mesa ou batendo a sola dura de meus sapatos no chão, me deliciando com o barulho.
Eu preciso de um psicólogo. E rápido.
Graças a Deus o professor chegou e a sala se encheu. A aula foi tranquila. Era apenas o primeiro dia e logo começaram as histórias sobre o ano passado e aquelas discursos sobre o que se é esperado dos alunos no ano, fora o falatório sobre a programação que teríamos, em resto foi abraços, fofocas e risadas entre amigos de muitos anos e o barulho de minhas unhas descascadas batendo no ritmo de alguma música que escutei alguns dias atrás batendo na mesa.
—Bem, foi muito bom falar com todos vocês nesse primeiro dia, e eu espero, obviamente, o melhor de todos vocês. Hoje pode ter sido moleza, conversas e risadas, mas a partir de agora nos focaremos em avançar vocês. Sem mais relaxamento.
Esperei todos saírem antes, inclusive o professor e peguei minha mochila. Pelo barulho eu sabia que o campus estava cheio e um caos completo. Respirei fundo e segui pelos corredores em direção a escada para enfim pegar meu aguardado lanche. Agora, felizmente, os primeiros segundo andando no corredor agarrando a alça de minha bolsa em meus ombros foram tranquilos, mas assim que eu virei em direção as escadas senti como se fosse de frente para uma parede. Meu corpo se chocou com algo duro e imediatamente dei um passo para trás, perdendo o meu equilíbrio completamente e tropeçando em meus próprios pés caindo segundos depois em minha bunda. Minha mochila caiu de meu ombro e com o impacto o chaveiro de pequenas pedrinhas se partiu, fazendo com que todas as pedrinhas se espalhassem pelo chão do corredor.
Olhei para cima após os primeiros momentos do impacto esperando dar de cara com uma parede, mas em vez disso tinha um cara. Não qualquer cara. Eu não sabia seu nome, sua idade, seu curso, na verdade, não sabia nada sobre ele. A não ser o fato de que ele tinha os cabelos do mais incrível tom de cobre, o queixo com a barba de um dia mais sexy de todo o mundo, os lábios mais pecaminosos de todos, o nariz perfeitamente empinado e os olhos perfeitos. Olhos azuis. Olhos cinzas. Olhos com cinquenta tons.
Cinquenta fodidos Tons.
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Nunca haverá alguém que dirá com 100% de certeza que existe razão nas coisas feitas pelo coração. Nunca haverá alguém que explicará sem deixar absolutamente nenhum detalhe vago sobre o que é o amor. Nunca haverá alguém que irá com toda a tranquilidade do mundo dizer que não há dor no amor. Mas ao mesmo tempo nunca haverá ninguém que dirá nunca ter se apaixonado. Nunca terá alguém que não almeje o sentimento de estar loucamente apaixonado. Nunca existirá um ser que não sinta um calafrio, sinta os pelos se arrepiarem quando olham nos olhos daquela pessoa em especial. E mais importante, nunca existirá alguém que diga que é preferível nunca se apaixonar do que fazê-lo e se arrepender, pelo menos não alguém que seja totalmente sincero.
E é nesse momento, comum, normal, com um simples tombo em um corredor, que brotou um pequeno sinal de um grande a avassalador amor entre duas pessoas totalmente diferentes, que tinham tudo para dar errado, que tinham tantas pessoas contra, mas que mesmo sabendo sobre tudo isso e muito mais não conseguiam negar a atração feroz . No final, o cérebro é só mais uma parte do corpo quando o coração começa a agir.
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