—Caramba garota, você está atrasada! —uma voz exclamou no meio do escuro, como se estivesse aborrecida, mas eu não conseguia vê-la. —É sério, anda mais rápido, você já ficou muito tempo naquele hospital, foi um tédio.

Eu não gostava muito do escuro, ou daquele silêncio preenchido apenas por aquela voz que soava tão familiar, mas andei para frente, tentando ver algo que fizesse sentido. Eu estava sonhando, tinha que estar, embora geralmente meus sonhos fossem mais... Coloridos?

—Aaaaaah, que demora. —outra voz surgiu no escuro, um pouco mais grossa e entediada. —Minha pipoca acabou, onde eu pego mais?

—A pipoqueira fica lá dentro, garoto. —a primeira voz explicou mal-humorada, um grito surgiu no fundo, seguido por um bufo coletivo. —Vamos logo, novata, vem, estamos atrasadas, a próxima sessão já vai começar!

Uma mão surgiu no escuro, agarrou meu pulso e me puxou para a luz. Eu gritei, mas um tapa em minha testa me calou. Aquela garota era tão parecida comigo, mas tinha os cabelos longos e coloridos, e tinha um ar antigo. E então o garoto da pipoca também estava ali, os mesmos olhos grandes e castanhos piscavam, a blusa de uma banda de rock combinava com seu sorriso preguiçoso.

—Vamos! Agora, agora! —a garota continuou falando, sem me explicar nada, apenas entrando em uma sala de cinema lotada de pessoas. —Bem vinda, novata, ao cinema de sua, nossas, vidas.

—É aqui que nós, cada uma de suas reencarnações, podemos assistir uma sessão inacabável de burradas. —o garoto explicou rindo, me deixando ainda mais confusa, como poderiam existir várias versões de mim?

—Fiquem quietos, essa é minha parte favorita! —um grito veio de trás, enquanto nós acomodavamos nas cadeiras e eu finalmente olhava para a tela.

Uma mulher segurava um pequeno bebê em seus braços, eu havia nascido novamente.

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