Cinderella - Depois do felizes para sempre
21 Jacob - A difícil tarefa de ser pai
Nos contos de fadas a Cinderella e o príncipe após se casarem vivem o seu felizes para sempre. Por um momento, após os eventos ocasionados por Sam Ulley eu acreditei que minha história com Nessie seria assim.
Por três anos, vivi uma vida pacífica e feliz em Durbuy com Nessie, e nossos filhos pequenos, Jassie e Antony. Nossa vida era simples, cercada pelo amor e pela tranquilidade que aquela cidade nos proporcionava. Mas uma decisão mudou tudo para sempre.
Quando recebi a proposta para retornar a Bruges e reassumir a presidência da Holding da minha família, nunca poderia imaginar as consequências devastadoras que essa escolha traria. Aceitei reassumir a presidência tendo o apoio incondicional de Nessie, sem prever o pesadelo que estava por vir.
Foi em um dia aparentemente normal, enquanto eu estava em uma reunião importante, que minha pequena Jassie, de apenas três anos, foi sequestrada. O terror que senti ao receber a notícia foi indescritível. Eu e Nessie fizemos tudo ao nosso alcance, imploramos, oferecemos milhões de euros pelo resgate, mas nossa querida Jassie nunca nos foi devolvida.
Os dias se transformaram em semanas, as semanas em meses, e os meses em anos. Durante treze longos anos, eu e Nessie procuramos incansavelmente por Jassie. Em cada esquina, em cada rosto desconhecido, buscávamos um sinal, uma esperança. Sentíamos uma culpa esmagadora, especialmente eu, por ter tomado a decisão que nos levou de volta a Bruges.
Apesar de toda a dor e sofrimento, encontrei em Nessie a força que precisava para continuar. Nessie, mesmo devastada pela perda de nossa filha, nunca soltou minha mão. Seu amor e apoio foram o alicerce que manteve nossa família de pé. Juntos, aprendemos a viver com a ausência de Jassie, mas nunca desistimos de procurá-la.
Agora, após mais de treze anos sem notícias de nossa pequena, a esperança ainda vive em nossos corações. Cada dia é uma nova oportunidade de reencontrá-la, de trazer nossa menina de volta para casa. E enquanto houver um sopro de vida em mim e em Nessie, continuaremos nossa busca, certos de que um dia Jassie voltará para os nossos braços.
Enquanto isso tivemos que continuar a viver, sem Jassie pois ainda tínhamos um filho que precisava de nossa proteção e amor. Antony.
Já passavam das 9 horas, quando entrei no quarto de Antony que dormia como se não tivesse responsabilidades. Com um movimento brusco, abri as cortinas, deixando a luz do sol invadir o ambiente. Antony se mexeu, reclamando da claridade repentina, mas eu não estava com paciência para suas queixas. Puxei as cobertas que o cobriam, expondo-o à luz do dia.
— Levanta, Antony! – Falei com voz alta em um tom firme e severo.
Ele resmungou, esfregando os olhos, ainda meio grogue do sono interrompido.
— Pai, o que foi? – Murmurou, tentando esconder-se da luz.
— Você sabe muito bem o que foi. Entrou em casa de madrugada, bêbado, e deixou sua mãe preocupada a noite toda!
Antony tentou se justificar, balbuciando desculpas que não faziam sentido.
— Eu só estava com os amigos, pai. Foi só uma vez, eu juro.
— Não existe justificativa para isso, Antony. Você desrespeitou as regras da nossa casa e, pior, desrespeitou a sua mãe. Por causa disso, seus cartões de crédito estão bloqueados. A partir de hoje, você vai da escola direto para casa. E não vou mais tolerar esse tipo de comportamento — Interrompi suas tentativas fracas de explicação.
Ele me olhou com raiva e surpresa. Era evidente que não esperava uma reação tão firme — Pai, isso não é justo!
— Justo? – Retruquei. – O que não é justo é ver sua mãe perder noites de sono, preocupada com você. O que não é justo é você achar que pode fazer o que bem entender sem pensar nas consequências.
Antony ficou em silêncio, talvez percebendo pela primeira vez a gravidade de suas ações. Meu tom amoleceu um pouco, mas minha decisão permanecia firme.
— Nós já passamos por muita coisa nesta família, Antony. Perder sua irmã é algo que nos atormenta todas as noites. Nós não vamos perder você também, nem para a irresponsabilidade, nem para qualquer outra coisa. Vou ser firme porque eu te amo e quero que você tenha um futuro, mas para isso, você precisa aprender a respeitar as regras.
Ele me olhou, como se tentasse me falar algo mais buscasse as palavras certas – Pai você acreditaria se eu dissesse que vi a Jassie?
O olhei um pouco surpreso com a pergunta que ele havia feito – Como assim você viu sua irmã?
— Você disse que Jassie era uma versão mirim da mamãe, eu vim uma garota na boate, ela era uma cópia exata da mamãe só que anos mais jovem e...
— Você estava bêbado – O interrompi – Não tente mudar o rumo dessa conversa Antony Black, e muito menos usar sua irmã para isso – Caminhei até a porta e a abri olhando novamente para ele – Não comente nada sobre isso com sua mãe, você sabe que qualquer adolescente ruiva da idade da sua irmã a enche de esperanças e depois frustrações.
Ele suspirou concordando com a cabeça- Tem razão – disse ele – Eu estava muito bêbado.
Saí do quarto de Antony, deixando-o refletir sobre nossas palavras, e desci as escadas. Na sala de estar, encontrei Nessie conversando com Lucy, percebi que estava dando algumas orientações sobre as tarefas do dia.
Aproximei-me dela e a beijei carinhosamente na testa. Ela sorriu para mim, mas seus olhos ainda carregavam a preocupação da noite anterior.
— Tive uma conversa definitiva com Antony – Falei tocando uma mexa de seu cabelo – Espero que ele tome juízo agora.
Nessie suspirou e assentiu — Ele precisa entender, eu morro de medo que algo aconteça com ele nessas aventuras.
— Ele vai entender – Respondi segurando uma de suas mãos e a beijei – Vamos cuidar disso juntos, como sempre.
— Ele só tem quinze anos amor, é uma fase bem difícil.
Lucy, que havia terminado de receber as instruções, nos deu um olhar de apoio – Se continuar o justificando menina, ele nunca vai aprender – Disse ela antes de se retirar para continuar suas tarefas. Voltei minha atenção para Nessie, segurando suas mãos com ternura.
— Lucy tem razão amor. Não o justifique.
Ela suspirou e concordou com a cabeça – Está certo, vou ser mais dura com ele.
— Não faça promessas que não pode cumprir – Sorri selando novamente seus lábios- Preciso ir à Holding agora. Kallil está me esperando para uma reunião importante.
Ela me abraçou – Devo esperar você para o jantar?
Fiz uma careta e ela entendeu minha situação – Prometo recompensa-la depois.
— Vou cobrar senhor presidente.
— Eu te amo, Nessie – disse, a beijando uma última vez antes de sair.
— Eu também te amo, Jake. Vá com cuidado.
Peguei minha pasta e meu paletó, dando uma última olhada na minha família antes de sair de casa. Ao fechar a porta, senti o peso das responsabilidades sobre meus ombros, mas também a força do amor que sustentava nossa família. Estava determinado a enfrentar qualquer desafio, sabendo que, ao final do dia, voltaria para os braços da mulher que amo e pela qual faria qualquer coisa.
Entrei no carro, com a mente focada nas tarefas do dia. Kallil me aguardava, e a Holding passava por algumas mudanças. Enquanto dirigia, minha mente voltava para Antony e para nossa incansável busca por Jassie. A esperança e a luta pela nossa família nunca esmoreceriam, e enquanto tivéssemos um ao outro, continuaríamos firmes.
A vida nos ensinou a lutar com todas as forças, e era exatamente isso que eu faria.
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