Cinderella

3 Capítulo 2 - Dote


Notas iniciais
Olá pessoal. Eu sei que levei mais de um ano para atualizar e peço perdão à todos vocês. Agora a história será concluída devidamente e peço para que não deixem de comentar o que acharam! Agradeço todo o carinho desde já.

Os anos se passaram e a crueldade e a vaidade de Catherine só aumentou.
O restante da fortuna de John foi gasto com jóias, vestidos e sapatos para ela e sua filhas.
Sua casa tinha tudo do bom e do melhor, e não havia ninguém para impedir o gasto do dinheiro de John. Suas filhas receberam as melhores aulas, para se tornarem tão
habilidosas e inteligentes quanto Cecília. Bailes elegantes, convites da alta sociedade, tudo uma máscara. O que apenas Catherine sabia era que o dinheiro
estava acabando, e precisava casar uma das filhas com algum pretendete rico, para garantir o seu futuro. Logo, assim que uma de suas filhas se casasse, teria um teto
para morar e mais dinheiro para gastar.
Planejava casar uma delas com o Duque Banks. Boa aparência, 30 anos, sadio e com desejos masculinos à flor da pele.
Chamou um dia até a sua casa, para que apresentasse as suas filhas.
– Em breve ele estará aqui Drizela e Anastácia. Quero vocês duas mais belas e perfumadas do que nunca. Não podemos deixar essa chance escapar!
– Ora mamãe, mas porque se preocupar? Ele irá escolher uma de nós. Além de belas, somos as jovens com mais dinheiro em toda a elite. — disse Drizela, convencida.
Catherine escondia de suas filhas a crise financeira que se encontravam. Precisava manter essa postura até o dia após o casamento de uma delas. Somente assim o seu plano daria certo.
– Minha filha, por mais que eu concorde convosco, esta não é a melhor hora para vaidades. Sr. Banks não aprecia jovens arrogantes. Tratem-no humildemente.
– Claro, senhora minha mãe.
– E Anastácia — disse Catherine — Coloque a jóia da falecida. Uma esmeralda deve ser exibida hoje.
– Sim senhora. — respondeu cordialmente Anastácia.
Claro que Cecília não participava desta conversa e muito menos desta reunião. Estava ocupada preparando os chás que seriam servidos para elas e o duque.
Na verdade, Cecília não se importava com que Catherine, Anastácia ou Drizela fizessem. O que importava para ela era de qual maneira sairia daquele pequeno inferno.
Enquanto mantinha as suas mãos ocupadas, sua mente arquitetava um plano para colocar a mão em alguma das jóias de sua mãe, para que ela pudesse vender e usar o dinheiro para fugir.
Fuga não era uma novidade para a mente de Cecília. Tentou fugir diversas vezes desde a morte do seu pai. Mais do que fugir daquela casa, Cecília desejava com todo o seu coração fugir daquele estilo de vida. Queria sentir a liberdade, queria conhecer o mundo, queria ser dona de si. Infelizmente, Cecília sempre foi pega um pouco antes de conseguir sair da cidade, e era obrigada a voltar para casa. Porém, por enquanto, precisava fingir que tudo estava bem. Precisava não levantar suspeitas que iria fugir novamente. Então, fervia a aguá para o chá.

O relógio soou cinco horas. E como todo o inglês, lá estava o duque, conversando com Catherine.
– Estou disposto a conhecer uma de suas filhas, Sra. Holmes.
– É claro que está meu senhor. Por favor, sente-se, o chá está quente ainda. — E bebericou um pouco do conteúdo que estava em sua xícara.
– E sobre o dote, minha cara, o que me propõe? — perguntou o jovem Banks.
– Ora, meu querido — e sorriu — suponha que me perguntaria isso. Uma de minhas filhas possui o dote que lhe ofereço, em seu pescoço. Assim que ver, garanto que se
encantará! Pelo dote, e pela jovem.
– Pois bem... Adoraria conhecê-las.
– Irei mandar chamá-las. Cecília!
E quando entrou na sala, Cecília tinha uma boa aparência. Aparentava, realmente, ser apenas uma empregada da família. Banks não desconfiou de nada quando viu a moça, apenas voltou os seus olhos para o seu chá e continuou a beber.
– Mande-as entrar, por favor.
– Sim, senhora.
Logo em seguida, entram Anastácia e Drizela. Então algo aconteceu.
Drizela sentiu as pernas tremerem ao ver sr. Banks bebericando o chá e desejou para que ela fosse a escolhida entre as duas. Enquanto isso, os olhos de Banks estavam no colar de esmeralda que estava no pescoço de Anastácia. Soube então que aquela seria a sua esposa. Anastácia, por sua vez, era igual a sua mãe. Não sentiu nada quando olhou para Banks, tudo o que precisava saber é se ele tinha uma boa aparência, pois para ela, o que realmente importava era o dinheiro que ele poderia dar a ela. Os dois trocaram olhares, e o ódio e a inveja invadiram o coração podre de Drizela.
– Deixe-me apresentá-las, sr. Bank. Esta é Drizela e, — apoiando a mão no ombro de sua filha — esta é Anastácia.
O sorriso de Banks estava claro. Todos na sala já sabiam o que viria em seguida. Catherine pagaria o dote ao Banks e ele se casaria com Anastácia. Tudo estaria perfeito se não fosse pelo rancor de Drizela.
– Se me permite um momento, sra. Catherine, eu gostaria de ficar à sós com cada uma delas.
– Pois bem. Com quem gostaria de falar primeiro?
– Anastácia.
– Perfeito! — E com um sorriso no rosto, Catherine deixou a sala. Não se pode dizer o mesmo de Drizela.
Quando ficaram a sós, os olhos de Banks não saia de Anastácia. Mais precisamente, do seu colar.

– Mas mãe! — disse Drizela — Anastácia só está nessa por ganância.

– E você está querendo tirar o pretendente dela por que motivo? Drizela, comporte-se. Arrumarei outro para cuidar de você devidamente.
– Só que nenhum homem será como Banks.
– Então lamente-se. Chore, suplique a quem lhe der ouvidos, mas por favor, apenas nesta tarde coloque-se no seu lugar e deixe que Banks dê a resposta final.
Neste instante, abre-se a porta e o sr. Banks sai de lá de braços dados com Anastácia.
– E aqui estou para entregar a sua resposta, madame.
– Oh sr. Banks — disse delicamente Catherine — Sendo assim... Estamos todas prontas para ouvir.
– Muito bem. Escolho Anastácia. Casaremos na próxima semana, sem falta.
– Excelente sr. Banks! Começarei todos os preparativos em breve. — A satisfação no rosto de Anastácia era claro. Drizela tinha uma expressão confusa. O que se passava em sua cabeça era uma maneira de acabar com aquele noivado.
– Ótimo. Sendo assim, eu me despeço de todas. É necessário que eu retorne imediatamente.
– Oh, meu querido noivo... Precisa ir tão depressa? — disse como um anjo, com voz tranquilha e serena e delicada como uma flor. Anastácia pegou nas mãos de seu futuro marido e Drizela sentiu o coração partir-se em mil pedaços.
– Sim, minha querida. É necessário.
– Filha amada, deixe-o ir. Ele precisa tratar dos negócios e preparar tudo por lá para recebê-la.
E com os olhos cheios de lágrimas de crocodilo, Anastácia consentiu com a cabeça e deixou o rapaz ir embora.

Com a partida de Banks, a troca de olhares rancorosos entre Drizela e Anastácia foi feroz. A inveja da irmã nunca fora uma novidade, mas desta vez o sentimento de Drizela era verdadeiro. E uma paixão violenta, tem fins violentos.

Naquela noite, quando todos foram se deitar, Drizela abriu o diário de sua irmã e o leu. Todas as informações que ela precisava estavam lá, tudo o que tinha de fazer era saber o momento certo de usá-los.