Cinderela Asgardiana - Loki Laufeyson
1 Cinderela Asgardiana
Notas iniciais
"E se eu te olhar cem vezes,
acredite, em cada uma delas estarei
me apaixonando um pouco mais."
- Caio Fernando Abreu.
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Ella é uma moradora comum no grandioso reino de Asgard. Seus cabelos são dourados como o ouro que cobre todo o castelo de Asgard e seus olhos são castanhos como a lama em um dia chuvoso. Ama ajudar as pessoas, cuidar dos animais e observar a paisagem que tem na janela do sótão, o seu quarto. Falando assim, parece que a sua vida é fácil. Mas não é. É triste, solitária e mal-tratada. A maior parte de sua vida foi assim, mas existiu um tempo em que tudo era mais colorido.
Quando criança, sua vida era alegre e cheia de risadas. Seus pais eram amorosos, tinham uma vida financeira muito boa e até uma relação com o rei, graças à profissão de seu pai, que tinha muitas terras e muitos frutos para vender. Entretanto, em uma noite chuvosa, sua mãe perdeu a vida devido a uma doença incurável. Foram tempos tempestuosos para Ella e seu pai.
Passou-se um tempo e seu pai percebeu que sua filha precisava de uma mãe, uma figura feminina em sua vida para se espelhar. Então se casou com uma viúva que tinha duas filhas. Ella não protestou a escolha de seu pai, sabia que precisa de uma mãe e que seu pai precisava de alguém. Apoiou e abraçou a decisão de seu pai, que ficou muito feliz com a reação de sua filha.
No início, tudo ia muito bem. A sua madrasta era amável e muito cuidadosa, e suas novas irmãs eram engraçadas e brincalhonas. Ella pensou que sua vida voltaria a ser alegre como antes, mas esse pensamento não durou por muito tempo. Alguns meses depois, seu pai morreu de causas desconhecidas. Ao que tudo indicava, foi envenenamento, mas não se sabia quem foi o responsável por isso. Ella não teve muito tempo para lamentar a morte de seu pai, pois teve que enfrentar a verdadeira face de sua madrasta e meias-irmãs. Eram crueis, egoístas, desrespeitosas e debochadas. Com a morte do pai, a cabeça da casa, a madrasta teve em seu nome tudo o que pertencia ao seu falecido marido e passou a humilhar Ella.
Os anos seguintes se tornaram um inferno, um pesadelo, na vida de Ella. A madrasta perdeu algumas terras e gastou boa parte da herança deixada pelo pai da loira, e, com isso, a madrasta foi obrigada a dispensar vários empregados da casa, restando apenas quatro. Por não ter nenhum lugar para ir, Ella era obrigada a obedecer tudo o que sua madrasta e suas meia-irmãs pediam. Com um tempo, ela se tornou uma empregada. Lavava roupas, limpava o chão, fazia a comida e ajeitava os cabelos de suas irmãs. Durante todo esse tempo sua vida foi repleta de humilhações e a sua vida foi perdendo as cores aos poucos. Dificilmente sorria, nunca mais viu as pessoas que via quando criança e se acostumou com a dor, consequentemente, não chorando mais.
Apesar de todo o sofrimento em sua vida, ela nunca deixou de ser bondosa e gentil com as pessoas ao seu redor, até mesmo com as pessoas que a tratavam mal, pois foi uma lição que sua mãe deixou antes de partir. Mesmo sofrendo muito, ela não se rebaixaria a um nível parecido com a de sua madrasta e irmãs. Ella sabia que em algum dia sua vida melhoraria, pois sonhava com isso todas as noites.
Era o mesmo sonho todas as noites. Um jardim com várias flores de todas as espécies possíveis, a lua iluminado todo o lugar e um homem que não tinha rosto. Não sabia quem ele era, mas sabia que em algum momento de sua vida iria o encontrar. Sabia que ele alto, tinha cabelos negros como a noite e que tinha uma voz encantadora. Não sabia se era algum príncipe, mas agia como tal. Ela se sentia feliz, sorria e dançava com aquele homem misterioso. Se sentia a mais feliz criatura existente em todo o mundo.
De tanto sonhar com o mesmo sonho, de sonhar com o mesmo homem, Ella foi se apaixonando por ele. Se apaixonou por um sonho, um homem que nunca viu, e isso a atormentava todos os dias.
•●♡●•
— CINDERELA! — gritou Anastasia de seu quarto.
Era de manhã, Ella mal havia acordado e já escutava as reclamações. Já havia se levantado e posto a sua roupa, mas estava cansada por não ter dormido direito e tinha deitado na cama novamente. Foi dormir tarde por ter que limpar a casa após a visita de algumas amigas de sua madrasta.
— CINDERELA! — gritou Drizella desta vez.
“Cinderela, Cinderela. Eu não aguento mais esse apelido…”, pensou Ella. Ela recebeu esse apelido logo após ser pega dormindo ao lado da lareira. Seu rosto estava sujo de borralhas e as irmãs a apelidaram de “Cinderela”, que significa: “gata borralheira”.
Ella suspirou pesadamente e se levantou, correu pelas escadas e corredores até chegar ao quarto de Anastasia. Deu algumas batidas na porta e a abriu, entrando no quarto. Anastacia estava sentada em frente a sua penteadeira, penteando os longos cabelos ruivos.
— Finalmente! Você demorou, aposto que estava de bobeira! — apontou o dedo na direção de Ella.
— Não, irmã. Eu estava colocando a minha roupa, acordei tarde por causa dos afazeres de ontem e dormi pela madrugada. — tentou se defender, apesar de não ser verdade. Se falasse, algo ruim poderia acontecer. Era obrigada a mentir, mesmo odiando fazer tal coisa.
— Eu não ligo para o que você fez ontem, se dormiu e acordou tarde! Era para você estar aqui há cinco minutos atrás quando eu te chamei! — aumentou o tom de sua voz.
— Me desculpe. — abaixou a sua cabeça.
— Eu não quero desculpas! Eu quero que você pegue essas roupas e as lave! — apontou para o cesto próximo a Ella.
— Sim, irmã. — continuou com a cabeça abaixada e foi até o cesto.
— E não me chame de irmã! Eu não sou e nunca serei a sua irmã! Você me dá nojo!
Ella não disse nada, apenas engoliu o seco e pegou o cesto. Saiu do quarto e foi para o quarto ao lado, o de Drizella. Bateu algumas vezes na porta e abriu, entrou no quarto e disse bom dia. Drizella também estava em frente a sua penteadeira, mas estava se maquiando.
— Até que fim! Você demorou muito, sua lezada! Eu só não te dou um esporro porque a minha irmã já fez isso, escutei os gritos dela daqui! — disse a morena, sem fazer questão de tirar os olhos do espelho para olhar para Ella. — Pegue esse vestido que está em cima da minha cama e leve para a costureira!
— Sim… senhorita. — pensou antes de chamar Drizella de irmã.
— Ah! Aprendeu a não chamar a gente de irmã? Demorou, estúpida.
Ella se aproximou da cama e pegou o vestido de cetim verde, que tinha um rasgo em sua manga. Ela saiu do quarto e caminhou até para o lado de fora da casa, onde se lavava as roupas. Lá, encontrou duas empregadas lavando algumas roupas.
— Mais algumas roupas. — disse, colocando o cesto perto de uma das empregadas.
— Mais roupas? Deixa eu adivinhar, é da Anastasia? — perguntou a mulher mais próxima, que era uma senhora.
— Sim.
— Pensa em uma mulher para sujar um monte de roupas.
— O dia em que não tiver cesto de roupa dela vai acontecer uma guerra em Asgard. — declarou a outra empregada, que era bem jovem.
— Olha essa boca, palavra tem poder. — repreendeu a senhora.
— Ah, para. — disse a jovem com desdém.
Ella deixou as duas empregadas conversarem e foi andando pelos corredores apressada até sair da casa. Andava bem depressa pelo reino até chegar na costureira. Adorava olhar a paisagem, mas não podia demorar muito. Se demorasse, escutaria os berros de sua madrasta por uma semana. “Na volta eu observo melhor a paisagem, está tudo muito lindo para não admirar”, pensou Ella.
Chegando na costureira, Ella conversou bem pouco com ela e entregou o vestido de cetim para ela, que franziu o rosto ao olhar o vestido. Ela odiara aquele vestido.
— Verde? É da Drizella, eu suponho. — adivinhou a costureira, enquanto analisava o rasgo na manga.
— Sim. — respondeu a loira, forçando um sorriso, que se desfez mais rápido do que apareceu.
Seu nome era Faye. Tinha a pele escura, cabelos escuros como uma noite estrelada e seus olhos eram dourados como o ouro que cobria todo o reino de Asgard. Era amiga de Ella, mas conversava bem pouco com a loira devido aos problemas pessoais dela. Por saber o quão problemática era a “família” dela, Faye, sempre que podia, fazia o mais rápido possível algum pedido que Ella trazia.
— Vou costurar rapidinho para você não arranjar encrenca. — disse com um sorriso bondoso, Ella retribuiu o mesmo sorriso.
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Naquele mesmo momento, no castelo, o rei, Odin, estava prestes a iniciar uma conversa com os seus dois filhos em uma sala particular. Era um assunto importante para ele e queria que seus filhos prestassem bastante atenção, sem nenhuma distração. O que ele falaria ali mudaria a vida de seus filhos pelo resto de suas vidas.
— Meus filhos. — começou Odin. — Eu estive pensando muito sobre um assunto durante esses dias que passaram e tomei uma decisão. Farei um baile, aqui no castelo, e convidarei todas as moças de Asgard.
— Para que isso, meu pai? — perguntou Thor, o filho de sangue. Tinha cabelos loiros como o sol do meio-dia e olhos azuis como o céu. Sempre estava alegre e com um sorriso em seu rosto.
— Para vocês arranjarem uma noiva.
— O quê? — indagou em um tom de reprovação Loki, o filho adotivo. Tinha cabelos negros como a noite e olhos claros como o gelo. Sempre estava com o rosto fechado ou entristecido diante de seu pai.
— Sei que ainda estão jovens para isso, mas não tenho escolha. Fará bem para vocês uma mulher em suas vidas, eu sei bem disso. — pensou em sua esposa, Frigga. — Com uma mulher vocês se tornarão mais maduros — olhou para Thor. — e responsáveis. — olhou para Loki. — Vai chegar o dia em que vocês vão me agradecer por isso.
“Jamais irei agradecer por você fazer isso” pensou Loki. Por dentro estava tomado pelo puro ódio, pensava que era impossível arranjar a mulher ideal em um baile. E, principalmente, não estava pronto para esse tipo de comprometimento. Apesar de todo o ódio que estava sentindo naquele momento, Loki mantinha a expressão séria. Por causa de sua relação com o seu pai, ele aprendeu a não demonstrar os seus sentimentos e guardava tudo para si.
— Ah, meu pai. Tem tantas mulheres lindas neste reino, ficarei em dúvida em escolher apenas uma. — declarou Thor, com um sorriso malicioso em seu rosto. Loki olhava para ele com repreensão.
— Thor, não quero ouvir com quantas mulheres quer se envolver. Eu só quero que escolham uma, apenas UMA. Que seja boa e gentil, como a mãe de vocês. O baile será daqui a três dias. Vocês têm uma noite para escolherem uma noiva, fui claro?
— Sim, meu pai. — disseram ambos os filhos ao mesmo tempo.
O pai permitiu que seus filhos saíssem, enquanto ele iria ao encontro de sua mulher, Frigga. Ao saírem da sala, Loki começou a encher os ouvidos de seu irmão com as suas reclamações.
— Como ele pode fazer isso conosco? Nos obrigar a escolher uma mulher para casar! Ah! E temos que escolher em apenas uma noite! Nunca vamos achar a ideal em tão pouco tempo! Não estamos prontos para esse tipo de comprometimento, principalmente você! Nunca para com uma! — exclamou raivoso.
— Não tenho culpa se meu coração é muito grande. — disse um tom brincalhão, dando um sorriso.
— Isso não vai dar certo. Não vai dar certo para nós e nem para as coitadas que escolhemos. Odin não está pensando direito, isso pode afetar o reino. — olhava para o chão enquanto caminhava, seus olhos eram inquietos e ansiosos.
— Relaxa, irmão. Você está muito nervoso, precisa se acalmar. O Pai de Todos sabe o que está fazendo, e você sabe que ele só dá uma ordem com a aprovação de nossa mãe. — disse, numa tentativa de acalmar os nervos de seu irmão.
— Acha que ela concordou com isso? — indagou, parando de andar.
— Tenho quase certeza. Ela é a deusa da sabedoria. Se ela concordou com isso, ela sabe o que está fazendo.
Loki olhou para o jardim que estava atrás de Thor, não queria acreditar que sua mãe havia concordado com aquele absurdo. Mas sabia que Thor estava certo, e aquilo o magoava de certa forma. Sem dizer uma palavra, Loki voltou a andar e seu irmão o acompanhou.
— Acha que vai ter muitas mulheres? — perguntou Thor.
— Asgard é um reino muito grande, irmão. Esse castelo vai estar cheio de mulheres. — respondeu sem nenhum humor.
— Será uma noite muito longa. — declarou, o sorriso malicioso voltou no rosto do loiro.
— É… Bem longa. — bufou o moreno. Sua cabeça já sendo atormentada com todas as desastrosas possibilidades que poderiam ocorrer durante o baile.
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Ella já havia voltado para casa e entregado o vestido para Drizella, que nem agradeceu a loira. Naquele momento, Ella limpava o chão do hall, quando de repente escutou alguém batendo na porta. Ella tentou arrumar o cabelo bagunçado, limpou as mãos em seu velho avental e abriu a porta. Seus olhos arregalaram-se ao se deparar com o mensageiro do palácio.
— Oh… Precisa de algo, senhor? — perguntou Ella, surpresa com a visita. A última vez que havia recebido esse tipo de visita era ainda uma criança, quando o seu pai estava vivo.
— Não, senhorita. Vim apenas entregar o convite do rei. — respondeu, entregando o convite com detalhes dourados para a moça.
— Do rei? — pegou o convite. Ella ainda não estava acreditando no que estava ouvindo.
— Sim. Agora eu preciso ir, senhorita. Um bom dia. — se despediu, indo para a carruagem que o esperava.
— Para você também. — disse, fechando a porta e analisando o convite.
“Um convite do rei? O que será que está escrito? Com certeza deve ser algo muito importante”, pensou Ella. Escutou uma horrenda melodia vindo do andar de cima e abriu um sorriso. “Bom, acho que tenho um motivo para fazer esse… essa “melodia” acabar”.
Ella subiu as escadas e parou bem em frente a porta onde vinha o barulho. Reconheceu que quem cantava era Drizella. Ouviu também que alguém tocava uma flauta e outra pessoa um piano. A loira tinha certeza que era Anastasia que tocava a flauta, o som não era nem um pouco agradável. E tinha que admitir que quem tocava o piano tocava muito bem, mesmo sabendo quem era. Ella respirou fundo e bateu à porta, sabendo que escutaria reclamações por atrapalhar.
— Quem está batendo na porta? Já disse para não nos incomodar! Tenho que repetir isso quantas vezes? — exclamou a madrasta irritada.
Ella abriu a porta e deparou-se com a madrasta sentando em frente ao piano, havia raiva e desprezo em seu rosto. As filhas dela estavam em pé ao seu lado, com a mesma expressão que a mãe.
— Me desculpe, madrasta, mas é algo importante.
— E o que poderia ser mais importante que o meu tempo com as minhas filhas?
— Um convite do rei. — os olhos da madrasta arregalaram-se por tamanha surpresa.
— Um convite do rei?! — exclamaram surpresas as irmãs ao mesmo tempo.
— Entregue-me a carta. — mandou a madrasta, levantando-se e indo em direção a Ella.
Ella entregou a carta e a madrasta olhou a carta, vendo os detalhes dourados e o selo real. Um sorriso surgiu em seu rosto e abriu o convite, lendo-o.
— Oh! Haverá um baile! — exclamou a madrasta encantada.
— UM BAILE?! — gritaram as irmãs.
— E todas as moças do reino estão sendo convidadas! — as irmãs gritaram mais e começaram a comemorar, dançando desengonçadamente. Ella sentiu uma felicidade que não sentia a muito tempo. Iria a um baile! — O baile será daqui a três dias!
— Precisamos de vestidos! — exclamou Anastasia.
— E de joias! — exclamou Drizella.
— Isso mesmo, minhas filhas! Cinderela, vá a costureira e mande que ela faça três lindos vestidos! — mandou.
— Três? — indagou surpresa. — Oh, é muita gentileza a sua, madrasta. — surgiu um sorriso radiante e alegre em seu rosto.
As três mulheres olharam uma para as outras e não entenderam o que Ella queria dizer com isso. A madrasta ficou irritada ao ver o sorriso estampado no rosto da garota, odiava o vê-lo. Ela e suas filhas odiavam aquele sorriso.
— Como assim, Cinderela? — perguntou a madrasta, a olhando com desprezo.
— Por pensar em mim. — após ouvirem o que Ella havia dito, a madrasta e suas filhas gargalharam. Ella olhava para elas sem entender e seu sorriso aos poucos sumiu.
— Ela pensa que vai ao baile também! — disse Anastasia.
— Que estúpida! — xingou Drizella.
— Achou mesmo que o vestido seria para você? — a madrasta pôs as mãos no quadril. — É um vestido para Drizella, um para Anastasia e um para mim!
— Ah… Tudo bem. — abaixou a cabeça, envergonhada. — Eu vou arranjar um vestido.
— E por que você acha que vai ao baile? — perguntou a madrasta.
— Bem, no convite diz que todas as moças do reino estão convidadas. Então eu posso ir. — explicou.
— Está louca! — exclamou Anastasia.
— Não, Cinderela tem razão. — disse a madrasta. As irmãs olharam para a mãe indignadas. — É isso mesmo que diz no convite. Muito bem, você só vai ao baile se terminar as tarefas que darei a você.
— Oh! Muito obrigada, madrasta! Muito obrigada! — agradeceu Ella com os olhos iluminados por tamanha alegria.
A madrasta foi em uma mesa, pegou um papel e começou a fazer uma lista com tudo o que Ella deveria fazer nos três dias. Quando terminou entregou a folha para Ella, a folha estava repleta de afazeres, mas isso não desanimou Ella. Ela estava determinada e iria ao baile de algum jeito. Ella agradeceu a madrasta e saiu para começar a fazer tudo que havia naquela lista.
— Mamãe! Você não pode deixar ela ir! — berrou Drizella aos ouvidos da mãe.
— Passaremos vergonha se ela for! — disse Anastasia no mesmo tom.
— Acalmem-se, meninas. — pôs as suas mãos em cada ombro de suas filhas. — Eu disse que ela vai ao baile SE ela terminar as tarefas.
— Ah! SE terminar. — repetiu Anastasia, mostrando um sorriso maldoso.
— Acho que aquela lista é muito pequena para três dias, ela é capaz de terminá-la ainda hoje! — disse Drizella.
— Podem fazer uma lista para Cinderela. — sorriu a madrasta.
As irmãs comemoraram e cada uma pegou uma folha e começou a fazer uma lista. A madrasta riu maleficamente, imaginando a decepção de Ella após receber mais tarefas para fazer.
Novamente, Ella vai para a costureira. Durante o caminho, ela cumprimentava qualquer pessoa que via pela frente e fazia carinho nos animais que passava. Saltitava e tinha um sorriso em seu rosto. Depois de tantos anos sofrendo, finalmente teria um momento para se divertir, para ser feliz. Chegando na costureira, Ella cumprimentou sua amiga e a entregou o pedido da madrasta. Faye analisou o pedido. Um vestido era roxo, um verde-limão e um azul.
— Você vai ao baile, certo? — perguntou a costureira quando notou o sorriso de Ella.
— Só quando terminar as minhas tarefas. Mas eu vou sim. — respondeu. Faye sorriu ao ouvir a resposta, estava feliz pela amiga estar feliz.
— Você vai, eu sei que vai. — Ella sentiu que havia algo estranho em seu tom de voz, mas deixou isso de lado. — Então o seu vestido será azul, combina com o seu cabelo.
— Eu não vou fazer um vestido. — disse Ella, tentando não se lembrar da vergonha que havia passado.
— Mas aqui tem três… Ah! Madrasta. — adivinhou.
— É…
— Mas você tem algum? — perguntou preocupada, como Ella poderia ir ao baile sem um vestido?
— Irei ver as roupas da minha mãe, tenho certeza que encontrarei um. — deu um pequeno sorriso.
— Se precisar ajustar, pode contar comigo.
— Obrigada, mas eu não tenho dinheiro.
— Não precisa pagar, será um presente para você.
Ella olhou para a amiga com carinho. Havia esquecido como era a ajuda ou um presente de alguém querido. Faye era uma grande amiga e Ella agradecia aos céus todos os dias por ter encontrado uma amiga assim.
— Eu nem sei como te agradecer, Faye.
— Não precisa agradecer, você merece. — abraçou a amiga.
Após um tempo, Ella voltou para a casa e pegou a lista de tarefas. Antes que lesse, ouviu os gritos de suas meias-irmãs no alto da escadaria. Um pressentimento ruim surgiu no peito da loira.
— CINDERELA! — gritaram as irmãs ao mesmo tempo.
Elas desceram as escadas e pararam de frente para Ella. Ella reparou que cada uma segurava uma folha. “ Ah, não…”, pensou.
— Suas tarefas, Cinderela. — disse Drizella com um sorriso debochado, entregando a folha para Ella. Anastasia fez o mesmo e tinha a mesma expressão que a irmã.
Ella pegou as folhas e não conseguiu dizer uma palavra. As irmãs saíram de perto e começaram a rir da garota. Ella sentiu uma pontada de angústia em seu peito. Agora eram três listas de afazeres e todas elas eram grandes, cheias de coisas para fazer. Ela não sabia se conseguiria terminar tudo a tempo e nem se conseguiria encontrar um vestido ideal no meio das coisas de sua mãe. Mas Ella não desistiria de ir ao baile. Iria fazer tudo que havia nas listas e encontraria um vestido. Não iria se abalar devido a situação difícil. Ella abriu um sorriso destemido e correu para fazer as suas tarefas. Ela iria ao baile, ninguém a seguraria.
•●♡●•
Era noite, a lua estava no alto do céu junto às estrelas e iluminava tudo. Ella estava em jardim, onde havia várias flores de todas as espécies possíveis. Ela se sentia feliz naquele lugar, sua angústia e preocupações foram esquecidas, como se nem existissem. Ella começou a pular e a rodopiar alegremente. O vento bagunçava os seus cabelos, mas ela não se importava, ao contrário, se sentia mais feliz ainda. Era fresco e aconchegante.
De repente, alguém segura uma de suas mãos e envolve a outra mão em sua cintura, a conduzindo para uma dança. Ella olhou para o rosto do homem desconhecido, mas não conseguia reconhecê-lo ainda. Seu rosto estava embaçado, como sempre. Aquilo não a assustava, já estava acostumada em vê-lo daquela maneira.
Ella deixou ser conduzida pela dança, a companhia do homem a deixava mais feliz. Se sentia bem ao lado dele, se sentia completa. A forma como ele segurava a sua mão, a conduzia, a deixava mais apaixonada. Precisava encontrá-lo fora daquele jardim.
— Quando eu irei de ver? — perguntou Ella.
— Muito em breve, meu amor. — respondeu, beijando a palma de sua mão. Ella se arrepiou ao sentir os lábios do amado em sua mão e ao escutar a sua voz.
— Eu irei te reconhecer? Eu não sei como é o seu rosto.
— Vai saber que é eu quando me encontrar.
Ella acordou do sonho e se sentou no chão. Estava dormindo perto das borralhas da lareira, em uma tentativa de se aquecer do frio. Ella pôs as mãos na cabeça e toda aquela felicidade que sentia a segundos atrás desapareceu, restando apenas angústia e saudade. Odiava ver aquele homem em apenas em sonhos. Suspirou frustrada, mas a última coisa que homem havia dito começou a martelar em sua cabeça. Não sabia se era alguém de cima tentando ajudá-la ou se era apenas fantasia. Em uma tentativa para esquecer aquela história e a sensação frustrante que pulsava em seu peito, Ella lembrou-se do vestido.
Era a hora perfeita para procurar. Todos estavam dormindo, ninguém a perturbaria. Ella se levantou rapidamente e subiu as escadas, indo até o sótão, tentando ao máximo, ao longo do caminho, não fazer nenhum barulho. Abriu a porta e foi até o antigo baú, onde guardava os vestidos de sua mãe. Com um pequeno sorriso em seu rosto, Ella abriu o baú com cuidado e viu vários tecidos coloridos.
Passou-se alguns minutos e, finalmente, Ella achou um vestido. Sua cor era rosa com alguns detalhes brancos e com alguns laços rosas. Ella lembrava-se de que a sua mãe usava sempre aquele vestido em algum evento importante. E, agora, Ella usaria o vestido em um evento importante. Ali mesmo a loira experimentou o vestido e, para a sua felicidade, coube perfeitamente nela. Não precisa fazer ajuste algum. Ella guardou o vestido e correu para dormir. Ansiosa para sonhar com o homem e para chegar o dia do baile.
•●♡●•
O dia do baile havia chegado e com ele a pressa, a ansiedade e a alegria. A casa estava uma correria. Os empregados corriam de um lado e para o outro, a madrasta gritava de um cômodo, Anastacia de um e Drizella de outro. Ella corria contra o tempo para terminar as suas tarefas, já havia conseguido terminar duas listas e já estava na metade da terceira. Ela havia deixado de dormir uma noite para se adiantar. Para a sua sorte, a maioria das coisas que haviam nas listas de suas meia-irmãs eram coisas rápidas de fazer.
— CINDERELA! — gritou a madrasta do andar de cima.
Ella parou o que estava fazendo e correu para as escadas. Não precisou subir, a madrasta já estava no topo da escada, já falando:
— Cinderela! Os vestidos! Eles já devem estar prontos! Vá imediatamente pegá-los! — mandou e saiu às pressas, entrando em um cômodo.
Sem querer perder um segundo sequer de seu tempo, Ella correu para a costureira. No caminho esbarrou em algumas pessoas e tropeçou em algumas coisas. Recebeu alguns xingamentos, mas não podia parar de correr e pedia desculpas.
Chegando lá, Ella perguntou sobre os vestidos. Faye notou o estado que se encontrava Ella. Os cabelos bagunçados e suja de suor. A costureira nem precisava perguntar, já sabia o motivo de Ella estar naquele estado.
— Eles já estão prontos. — respondeu, pegando os vestidos e entregando para a loira.
— Faye! Eles são lindos! — exclamou Ella encantada. — Eu não sei como você consegue fazer tantos vestidos em tão pouco tempo.
— Ah, obrigada. — sorriu. — É que eu tenho um truque. Agora volte logo para casa, tenho certeza que você deve estar cheia de coisas para fazer.
— E estou. — Ella pegou os vestidos e correu para a porta. — Obrigada, Faye! — exclamou, agradecendo a amiga.
Ella voltou para casa, ainda mais cansada que quando havia saído, e subiu as escadas. Entregou os vestidos para cada uma, passando de quarto para quarto. Todas ficaram encantadas com os vestidos que receberam. Aproveitando-se que todas elas estavam com algum empregado para as ajudar, Ella voltou para o que estava fazendo, antes da madrasta a interromper a minutos atrás. Olhando pela janela, Ella percebeu que tinha bastante tempo ainda. Ela conseguiria acabar, mas não seria por causa disso que ela diminuiria o seu ritmo.
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No castelo, a correria era maior ainda. Muitos empregados e guardas andando de um lado para o outro. Muitos preparavam os pratos que seriam servidos, arrumavam a decoração de todo o ambiente, limpavam o salão, preparavam o jardim, reforçavam a segurança do castelo, e muitas outras coisas a serem feitas pelo castelo. Odin conversava com os guardas a respeito da segurança, enquanto Frigga e Thor se arrumavam.
Loki estava em seu quarto, deitado em sua cama, olhando para o teto. Não havia se arrumado ainda, seus pensamentos estavam em outro lugar. A alguns meses, estava tendo sonhos repetitivos. Nele, estava no jardim do palácio. Era a noite, com a lua iluminando todo o local. O que mais o intrigava no sonho era que sempre aparecia uma mulher, que não tinha rosto. Não sabia quem ela era, apenas sabia que ela era loira, era gentil e tinha a impressão que ela tinha um sorriso encantador, mesmo não vendo o rosto dela.
Mesmo sendo apenas sonhos, Loki sentia alguma coisa pela mulher, mas ainda não entendia o que era. Sabia que se sentia muito feliz ao seu lado, se sentia leve, sem o peso que sentia em sua costas na maior parte do tempo, e, acima de tudo, se sentia completo na companhia daquela mulher misteriosa.
De repente, escutou uma doce voz. A voz de sua mãe.
— Loki? Meu filho, você está aí? — sua mãe perguntou, batendo a porta.
— Estou, pode entrar. — respondeu.
Frigga entrou no quarto e fechou a porta, caminhou para perto de Loki e se sentou na cama. O moreno também se sentou e fitou os olhos de sua mãe.
— Meu querido, eu sei que está chateado com esse baile. Mas acredite, é para o seu bem e o de Thor. Seu pai também passou por isso. — disse Frigga. Loki franziu a testa.
— Odin? Foi em uma festa em busca de uma noiva? — perguntou, sem acreditar.
— Sim, e foi naquele baile que eu o conheci. — olhou para baixo, relembrando a época. Se recompôs rapidamente e olhou para o seu filho. — Acredite, não vai ser tão ruim quanto parece.
— Não é o que parece. — cruzou os braços.
— Eu sei. — Frigga notou que Loki ainda estava com suas roupas comuns. — Não se arrumou ainda por estar chateado?
— Em parte.
— O que te aflige, meu filho? — perguntou preocupada.
Loki abaixou a cabeça e pensou em não contar sobre os seus sonhos. Mas ela era a sua mãe. A única pessoa naquele reino que podia confiar sobre aquilo sem ser julgado.
— Bem, eu… — começou, tentando deixar o constrangimento de lado. — Todas as noites eu tenho o mesmo sonho. Se passa no jardim do castelo, à noite. E sempre tem uma mulher comigo. — disse por fim, querendo não contar todos os detalhes.
— Como ela é? — perguntou curiosa.
— Eu não sei ao certo, nunca mostra o rosto. Apenas sei que ela é loira.
— Quando sonhamos com a mesma coisa todas as noites, é porque se tornará realidade em um futuro próximo ou distante. E quando sonhamos com alguém que não conhecemos, é porque encontraremos essa pessoa. Você está destinado a encontrar essa mulher, e ela também.
— Ela? — seus olhos arregalaram-se. “Aquela mulher existe?”, pensou Loki.
— Sim. Se o destino quer que duas pessoas se encontrem, elas têm os mesmos sonhos.
Loki não disse mais nada, agora os seus pensamentos estavam na mulher que sonhava. Não acreditava que ela era real de fato, mas sua mãe acabara de confirmar que ela existia. Loki não sabia ao certo o que sentia dentro de si, mas sabia que era bom. Encontraria aquela mulher em algum momento de sua vida, mas quando?
Lembrou-se que, no sonho, era de noite e estava no jardim do castelo junto com a mulher. O baile se passaria no mesmo horário. Então, pensou na possibilidade de que encontraria a mulher no baile. Fazia o total sentido. Ele encontraria ela naquela noite.
Loki se levantou rapidamente e ajeitou os cabelos, olhou para a mãe e disse:
— Eu vou me arrumar.
Frigga apenas sorriu em resposta e se levantou, caminhando até a porta. Antes de abri-la, ela parou e virou-se para o seu filho.
— Seja você mesmo e não assuste a garota.
Loki olhou surpreso para a mãe. Ela teve o mesmo raciocínio que ele. O moreno não teve tempo de responder à mãe, pois ela abriu a porta e saiu. Olhando para a porta ainda, Loki deixou escapar um pequeno sorriso.
“Talvez não seja tão ruim”, pensou.
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A noite finalmente chegou. A madrasta e suas filhas já estavam prontas, com a felicidade estampada em seus rostos. Elas estavam prontas para irem, quando de repente, escutou alguém às chamar no alto da escada.
— Me esperem! — exclamou Ella, descendo as escadas às pressas.
O vestido de Ella não era tão bonito comparado aos da sua madrasta e suas meias-irmãs, mas podia-se dizer que ela estava mais linda do que elas. Seu cabelo estava solto e bem arrumado, com um pequeno laço da mesma cor do vestido amarrado. Apesar de não ter maquiagem, Ella deu um jeito para os seus lábios terem um pouco mais de cor, passando um pouco de beterraba neles.
A madrasta e suas filhas a olharam espantadas, logo depois veio a fúria. Elas não acreditavam no que viam. No fim das contas, Ella conseguiu fazer tudo que havia nas listas.
— MAMÃE! — gritaram as meias-irmãs enfurecidas.
— Acalmam-sem, meninas! — exclamou a madrasta. Ela se aproximou de Ella. — Parece que Cinderela terminou as suas tarefas e pode ir ao baile. Mas… existe um pequeno problema.
— E qual seria? — perguntou Ella, sentindo um pressentimento ruim.
— O seu vestido tem um pequeno rasgo.
— Tem?
— Sim, bem aqui. — a madrasta pegou a manga do vestido de Ella e rasgou.
Ella não conseguiu dizer nada devido ao espanto que sentia. As meias-irmãs se aproximaram de Ella também, sorriam de um jeito bastante maldoso.
— Olha, Cinderela, parece que tem outro rasgo aqui. — disse Drizella, rasgando a outra manga.
— O seu laço caiu, Cinderela. — disse Anastasia, arrancando o laço que havia no cabelo da loira.
— E a saia está rasgada bem aqui!
Drizella e Anastasia rasgaram um pouco mais o vestido de Ella, que gritava tentando pará-las. Apenas pararam quando a madrasta mandou.
— Basta, meninas! Basta! Deixem Cinderela em paz. Ela precisa de um tempo sozinha para ver o quão patética ela é, pensando em ir ao baile com um vestido rasgado. — disse, segurando o riso. Suas filhas faziam o mesmo. A madrasta abriu a porta. — Vamos embora, minhas filhas. Temos um baile para ir. — as filhas saíram, olhando com deboche para Ella. — Boa noite, Cinderela. — despediu-se com um sorriso debochado, fechando a porta.
Ella pode escutar as risadas delas do lado de fora, rindo da desgraça em que ela se encontrava. Se sentia humilhada, pequena, insignificante e horrível. Olhou para o vestido, completamente destruído, e sentiu raiva, mas a raiva foi rapidamente substituída pela tristeza e dor. Sem perceber, começou a chorar.
Tudo aquilo que sentiu durante todos aqueles anos, sendo maltratada e humilhada, veio à tona. Seu choro se tornou agonizante, cheio de dor. Em meio aos choros, começou a gritar, em uma tentativa de amenizar aquilo que sentia, mas era em vão. Ella começou a correr para o quintal da casa. Chegando no lado de fora, ela sentiu o vento gelado em sua pele, mas não se importou. Não se importava com mais nada naquele momento. Ella parou de correr quando encontrou a fonte e se apoiou nela. Viu o seu reflexo na água e chorou mais, vendo apenas feiura no reflexo. Ela não aguentava mais aquela vida. Abaixou a cabeça e fechou os olhos.
— Não, não… Não pode… Tudo acabou… Eu… Eu não aguento mais! Eu… Eu não… Eu não quero mais sofrer! Eu só queria.. ir ao baile! — exclamou em meio aos soluços. — Já chega… perdi a fé! Não creio em nada, em mais nada!
— Nada? Oh, você fala sem pensar… — falou uma mulher.
— Não, é verdade… Espera… — Ella reconheceu a voz e levantou a cabeça, olhando em direção a voz que acabara de ouvir. — O quê?
Faye estava bem ali, ainda com a sua roupa de costureira. Ela caminhou para perto de Ella e lhe ofereceu a mão. Ella a pegou e se levantou desajeitadamente, olhando para Faye sem entender.
— Faye? O que… o que faz aqui? Devia estar no… baile. — perguntou Ella, tentando limpar as lágrimas.
— Não gosto muito de bailes, fora que esse baile é para os príncipes arranjarem uma noiva. E eu já sou comprometida. — respondeu, ajudando a limpar as lágrimas da amiga. Ella olhou para Faye surpresa, não sabia que ela já tinha alguém.
— Mas… o que você está fazendo aqui? — perguntou ainda confusa.
— Ouvi o seu choro, quando eu estava costurando.
— Estava costurando aqui perto?
— Oh, não! Não seja boba. Eu estava costurando na minha casa.
— Mas, Faye, sua casa é longe daqui.
Faye não disse nada, sorriu em resposta. Ella estava muito confusa. Como pode ter escutado o seu choro de tão longe?
— Faye… me explique, por favor.
— Ora, eu pensei que você já soubesse. — Ella franziu a testa e Faye revirou os olhos, ainda sorrindo. — Eu sou sua fada madrinha.
— Minha fada madrinha? — exclamou, sem acreditar.
Faye levantou uma de suas mãos e nela surgiu uma varinha de ouro. Apontou a varinha para si mesma e uma forte luz dourada a cobriu. Ella se afastou assustada, pôs as mãos em seu rosto, tentando se proteger da forte luz. De repente a luz sumiu e Faye agora estava totalmente diferente. Seus cabelos eram loiros escuros com alguns fios dourados, seus olhos brilhavam, usava um vestido dourado de várias camadas, como de vestisse uma flor, e seus pés não tocavam o chão. Ella estava boquiaberta.
— Sim. E o dever de uma fada madrinha é realizar o desejo de seu protegido. E o seu, minha cara amiga, é ir ao baile.
— Oh… Eu… — piscou algumas vezes. — Eu não sei o que dizer. — disse por fim.
— Então não diga nada. Agora, temos que te preparar para o baile! — exclamou com um grande sorriso em seu rosto. — O que fazer? Ah! Precisamos de uma carruagem. Você tem uma abóbora?
Ella apontou para a horta e Faye a apontou a varinha para a abóbora, que veio flutuando até elas. Em seguida, a fada disse a frase mágica:
— Bibbidi Bobbidi Bo!
De repente, a abóbora começa a crescer e a se transformar em uma magnífica carruagem branca com vários detalhes dourados. Ella olhou para a carruagem encantada. Faye então voou para um canto onde estava um grande arbusto e disse a mesma frase mágica. De dentro do arbusto, surgiram quatro ratos que cresceram e se transformaram em cavalos brancos. Ella ainda não conseguia dizer nada, apenas olhava deslumbrada com tudo aquilo. Faye avistou um ganso e um esquilo passeando no quintal e apontou a varinha para eles, dizendo a frase mágica. O ganso se transformou em um cocheiro e o esquilo em um lacaio.
— Minha nossa! — exclamou Ella. — Isso… isso… é incrível!
— Eu sei. Agora precisamos melhorar o seu visual. Eu tive uma ideia maravilhosa, você vai adorar! — ela apontou a varinha para Ella. — Bibbidi Bobbidi Bo!
O vestido de Ella se tornou dourado, com vários detalhes em rosa e alguns em azul. O vestido era magnífico, digno de ser da realeza. O cabelo de Ella estava solto, mas com brilho e com algumas flores o decorando. Ella parecia uma princesa.
— Faye… É lindo! — disse, enquanto rodava.
— Eu sei. Agora vamos! Você não pode se atrasar para o baile!
O cocheiro, o lacaio e os cavalos foram para os seus devidos lugares. Ella estava pronta para entrar na carruagem, quando se lembrou de um detalhe muito importante e virou-se para Faye.
— Faye, temos um problema. A madrasta e as minhas meias-irmãs estão lá. — disse nervosa.
— Não se preocupe, lancei em você um feitiço que ninguém irá reconhecê-la, exceto uma pessoa.
— Quem?
— Você irá descobrir, agora vá. — Ella entrou na carruagem e Faye se aproximou. — Ah! E mais uma coisa. Quando o relógio der meia-noite, o feitiço irá se desfazer. Você tem poucas horas para se divertir.
— Será o suficiente. Muito obrigada mesmo, Faye. Nunca irei me esquecer.
— Eu sei disso. Agora vá e se divirta! — mandou.
A carruagem começou a andar e Ella acenou para a sua amiga, que retribuiu o aceno e, em um piscar de olhos, desapareceu em uma luz dourada. Ella olhou surpresa, começou a pensar que nunca iria se acostumar com aquilo. Passou a viagem toda sorrindo, olhando pela janela por onde passava, para o interior da carruagem e para o seu vestido. Passava a mão no tecido, percebendo que era de uma qualidade excelente.
“Eu devo estar sonhando”.
•●♡●•
Depois de um tempo, a carruagem para em frente ao castelo. Ella observou da janela, o quão grandioso era. Tudo era de ouro e havia muitos guardas. Começou a se sentir ansiosa, pensou se era realmente sensato estar ali. Mas logo lembrou-se de tudo o que havia passado e que merecia ter um momento de diversão. Respirou fundo e o lacaio abriu a porta da carruagem. Ella saiu e agradeceu ao lacaio e ao cocheiro. Com um grande sorriso, ela subiu os degraus e entrou no castelo.
Ficou maravilhada com tudo o que via. Parecia estar em um sonho, tudo era muito lindo. Perguntava aos guardas onde era o baile e os guardas apontavam para uma direção, e eles sempre a olhavam com encanto no olhar. Ella parou em frente a uma porta dupla que ia até o teto. Um pouco nervosa, ela bateu à porta e, imediatamente, foi aberta.
Ella entrou no salão e ficou chocada com a quantidade de pessoas que havia ali. Eram muitas, e todas essas pessoas começaram a olhar para ela. Ella se sentiu um peixe fora d’água, mas não se apavorou. Respirou fundo e adentrou o salão, recebendo mais olhares por onde passavam. Alguns a olhavam encantados, outros com a mais pura inveja. A presença de Ella acabou por chamar a atenção do rei e da rainha.
— Frigga, veja aquela moça. — apontou Odin.
— Estou vendo. Acho que ela é a garota mais linda desse baile. — disse, encantada.
— Só perde para você, querida. — sorriu, pegando a mão de sua mulher.
— Odin… — abaixou o olhar, constrangida.
Perto do rei e da rainha, estava Loki, que havia escutado a conversa de seus pais. Curioso, ele olhou em direção a onde Odin apontara. Arregalou-se os olhos por tamanha surpresa. Loki conhecia aquela mulher. Era a mesma que invadia os seus sonhos, ele sabia. Precisava chegar até ela, precisava conversar com ela, precisava saber quem era ela. Ajeitou a postura e andou em passos largos em sua direção, com o coração disparado.
Ella se sentia deslocada, não sabia o que fazer. Todos olhavam para ela e ela tentava desviar o seu olhar de todos. Entretanto, um par de olhos claros chamou a sua atenção. Arregalou-se os olhos por tamanha surpresa. Ella conhecia aquele homem. Era o mesmo que invadia os seus sonhos, ela sabia. Precisava chegar até ele, precisava conversar com ele, precisava saber quem era ele. Começou a caminhar em direção a ele, com o coração disparado.
A onde passavam, todos abriam o caminho para eles. Até que pararam de frente um para o outro. Loki analisava cada detalhe da loira, e Ella fazia o mesmo. Não acreditavam que haviam, finalmente, encontrado a pessoa que tanto sonhavam. Ella foi a primeira a quebrar o silêncio.
— É você mesmo… — disse, ainda surpresa com o que via.
— Era eu que deveria dizer isso. — disse Loki, sorrindo.
— É mesmo? — perguntou, retribuindo o sorriso.
— Sim. — fez uma pausa. — Sabe, alguém vive invadindo os meus sonhos.
— Estranho, isso acontece comigo também.
Não disseram mais nada, apenas se olhavam. O coração de ambos batia aceleradamente. Loki piscou algumas vezes e fez uma reverência, oferecendo-lhe a mão.
— Poderia me dar a honra de dançar com a senhorita? — perguntou, sorrindo de um jeito galanteador. Ella sentiu as suas pernas bambearem por alguns segundos.
— Só se for em um jardim. — respondeu, fazendo uma reverência.
— Um que tenha várias flores, de diversas espécies?
— Sim.
Ella pegou a mão do moreno suspensa no ar e ambos sentiram um choque ao tocarem na mão do outro.
Loki a conduziu para fora do salão. Ambos olhavam um para o outro, sem desviar o olhar em momento algum. Enquanto caminhavam para a saída, todos os convidados os acompanhavam pelo olhar. Entre essas pessoas, estava a madrasta e suas filhas.
— Mamãe, o que está acontecendo? Onde eles foram? — perguntou Drizella, tentando enxergar o casal com a multidão à sua frente.
— Onde será que ela comprou aquele vestido? Eu quero um igual! — exclamou Anastacia.
A madrasta não respondeu nenhuma de suas filhas. Em vez disso, ela tentou ir atrás do casal. “Eu conheço aquela mulher… Ela é familiar”, pensou. No momento que chegou na porta, os guardas fecharam a porta, impedindo que ela saísse. A madrasta olhou para os guardas furiosa e voltou para onde estava as suas filhas.
Odin e Frigga sorriram um para o outro após Loki e a linda mulher saírem.
— E ele dizendo que não encontraria ninguém. — disse Odin, com um ar de satisfação.
— Que bom que ele encontrou ela. — disse Frigga, em relação aos sonhos de seu filho. — Agora só falta Thor.
— Estou começando achar que é ele que terá problema em achar alguém…
Os dois olharam em direção a Thor, que estava rodeado de muitas mulheres e tentando dar a sua atenção a todas elas. Ele estava tão distraído com as moças que nem sequer havia notado a presença de Ella e o que ela causou em todos os convidados a alguns segundos atrás. Odin suspirou frustrado e Frigga acariciou o seu braço, pondo a sua cabeça em seu ombro.
•●♡●•
Loki e Ella haviam chegado no jardim. Loki olhava para Ella, enquanto ela olhava para todo o jardim boquiaberta. Era exatamente igual ao sonho. Ella riu devido a semelhança.
— É igual ao sonho…
— Sim. E é aqui que nós dançávamos.
Loki parou em frente a ela e pegou uma de suas mãos, a suspendendo no ar, e envolveu a sua outra mão na cintura da moça, que olhava para baixo um pouco constrangida. Tentando deixar a vergonha de lado, Ella olhou para Loki, mas isso só a fez corar ainda mais.
Eles iniciaram a dança. Loki a conduzia para todo o jardim, ambos não paravam de sorrir de tanta felicidade que sentiam. Ella não parava de admirar todos os detalhes de Loki e, por olhar tanto, percebeu algo em seus olhos. Ele estava feliz naquele momento, como ela, mas seus olhos eram de alguém solitário, que guardava dentro de si muita tristeza. Ella entendia perfeitamente a sensação. Loki também percebeu no que os olhos de Ella escondiam, o mesmo que ele.
— Sua vida é complicada?
— Sim. Como sabe? — perguntou surpresa.
— Seus olhos. — fez uma pausa, enquanto olhava para eles. Ficava perdido olhando para aquele par de olhos castanhos. — Eles denunciam.
— Os seus também.
— Estou impressionado. Só de olhar para os olhos nós temos uma noção do que o outro sente.
— Acho que é porque nós temos alguma ligação.
— E temos. Quando duas pessoas compartilham do mesmo sonho é porque são almas gêmeas.
— Agora é eu que estou impressionada. — riu.
— Diga-me, como é sua vida? — perguntou curioso. Precisava saber mais sobre a moça.
— Bem… Eu…
Ella começou a ficar nervosa. Ele poderia ainda se interessar por ela quando descobrir que ela é apenas uma empregada? Ella não saberia disso se não contar. Estava cogitando tal ideia, para não correr o risco de perdê-lo, quando Loki quebrou o silêncio.
— Não precisa ter medo. Não irei julgar, eu prometo.
Ella abaixou a sua cabeça e suspirou, derrotada.
— Bem… Quando eu era criança, minha mãe morreu. Meu pai resolveu arranjar uma esposa, para poder cuidar de mim. Ele se casou com uma mulher viúva que tinha duas filhas. Eles se casaram e, depois de alguns meses, ele morreu e a minha madrasta mostrou como ela era de verdade. Ela e suas filhas passaram a me tratar como uma… empregada. E é assim até hoje. Sou apenas uma empregada. Não tenho planos para o futuro, porque uma empregada não tem um. Tenho apenas uma amiga, e mal converso com ela direito.
Loki ouviu tudo aquilo em silêncio, não conseguiu dizer uma palavra. Pensava que ela estava mentindo, pois seu vestido poderia ser uns dos mais caros daquele baile, mas olhos fundo em seus olhos e percebeu que tudo o que ela havia falado era verdade.
— Lamento por tudo o que você tenha passado. — disse com sinceridade. Não conseguia imaginar o que ela poderia ter passado. — Mas como pode uma empregada usar um vestido desse?
— Eu tive a ajuda de uma amiga. — respondeu com um pequeno sorriso, lembrando-se de sua amiga. — Acredita em fadas?
— Claro que sim. Acredito em qualquer ser mágico, até porque, a minha mãe é uma bruxa.
— Sua mãe é uma bruxa? Como ela é?
— Não sabe quem é a minha mãe?
— Não. — Loki franziu o cenho.
— Sabe quem eu sou?
— Não. Eu deveria conhecer?
Loki riu. Jamais imaginou que pudesse existir alguém no reino que não soubesse quem ele era. De fato, a vida da moça devia ser muito difícil para não saber de algo tão importante.
— Permita-me que eu me apresente. Sou Loki, filho de Odin e príncipe de Asgard.
Ella parou de dançar, devido a surpresa. Constrangida, ela faz uma reverência.
— Oh… Mil perdões! Eu não sabia! — olhava para o chão envergonhada.
— Não precisa se desculpar. — levantou o queixo da mulher, para que ela pudesse olhar em seus olhos. — Na verdade… — Loki fez uma pausa, como se estivesse pensando, e Ella sentiu um pouco de medo com o que ele poderia dizer. — Eu só poderei te perdoar se voltar a dançar comigo. — sorriu.
Ella suspirou aliviada e acabou sorrindo. Voltaram a dançar enquanto conversavam.
— E como é a sua vida? Se não se importar em dizer…
— Para você eu digo. — Ella corou com a declaração e Loki sorriu satisfeito com a reação da moça. — Eu sou adotado. Meu pai me encontrou, mas não sei onde. Às vezes, suspeito que não sou asgardiano de sangue. Desde criança, eu percebi que meu pai sempre favorecia meu irmão. Durante toda a minha vida eu permaneci em sua sombra, sem ninguém se importar de fato comigo, exceto a minha mãe. Acho que ela é a única pessoa que se importa verdadeiramente comigo.
— Ela não é mais a única. — Ella disse, sem pensar. Se arrependeu no exato momento em que falou aquilo, mesmo sendo a verdade que ardia em seu peito, a vergonha era maior.
Loki não pode deixar de sorrir com a declaração da loira e desejou beijá-la naquele momento, mas não podia. Não que pudesse, mas ele era um cavaleiro e respeitava a moça. Não era o momento certo.
•●♡●•
Passaram horas conversando. Perguntavam o que gostavam de fazer, de comer, o que mais gostavam e odiavam nas pessoas, as maiores decepções de suas vidas e as melhores memórias, e entre outras diversas perguntas. Faziam o máximo de perguntas possível para se conhecerem melhor, como se a vida deles dependesse disso. Em alguns momentos, Loki fazia algumas piadas apenas para escutar a risada e ver o sorriso da moça. Entretanto, em nenhum momento perguntou o nome da moça. Estava tão encantado pela beleza, tanto exterior quanto interior, que havia esquecido desse pequeno detalhe importante.
De repente, escutaram o badalar do relógio, indicando que estava prestes a dar meia noite. Ella ficou pálida e sentiu uma pontada em seu peito. Ela tinha que ir embora. Ella não queria ir, queria ficar com Loki, mas ela não tinha opção. Começou a correr e, ao mesmo tempo, se despedir do seu amado.
— Muito obrigada por hoje, foi incrível, mas eu tenho que ir!
— Espere! Para onde vai? — exclamou Loki, tentando alcançá-la.
— Estou atrasada! Eu preciso ir para casa! — respondeu, temendo que a madrasta descobrisse tudo e fizesse algo contra ela.
— Não, por favor! Não vá embora! — implorou.
— Me desculpe, não posso! — disse com a voz melancólica. Estava se esforçando para não chorar uma segunda vez no mesmo dia.
— Eu nem sei ao menos o seu nome!
— Meu nome é…
Ella não conseguiu responder, pois havia se esbarrado com uma moça que estava no caminho. Continuou a correr, mas se desculpou por esbarrar na moça, que havia a xingado. Logo, chegou no salão de baile e não pode correr tão rápido como a segundos atrás. Havia muitas pessoas ali e era impossível correr tão rápido sem esbarrar nelas. Ella correu o máximo que podia e passou pelas portas. Loki não se importava em esbarrar nas pessoas, se importava apenas em alcançar a moça que havia roubado o seu coração gélico.
Odin e Frigga perceberam a confusão. Odin não pensou duas vezes e chamou um guarda.
— Quero que chame os outros guardas e sigam a jovem que o príncipe Loki está perseguindo. Não deixe-a escapar.
O guarda obedeceu o rei e correu para chamar os outros guardas. Frigga olhou para seu marido um pouco preocupada.
— Não precisa fazer isso, querido.
— Preciso sim. Se perdemos a garota, Loki não vai querer outra mulher.
Ella já estava do lado de fora e começou a ficar cansada de tanto correr. Enquanto descia as escadas, sentiu que um par de seu sapato havia saído de seu pé. Quase caiu por causa disso, mas, por sorte, conseguiu se equilibrar e continuar a correr. Loki viu o sapato caído no meio da escada e o pegou.
“É de ouro!” pensou, surpreso ao ver os detalhes do sapato. “Como pode uma empregada ter um sapato de ouro?”
“Acredita em fadas?” lembrou-se da fala da amada há algumas horas. Loki já sabia a resposta para a sua pergunta.
Loki retornou a correr, gritava na esperança da moça parar, mas sabia que ela não faria isso. Ella conseguiu alcançar a sua carruagem e entrou nela. A carruagem começou a andar rapidamente e Ella olhou para trás para ver uma última vez o seu amado. Loki está no fim da escadaria, com o sapato em mãos, olhando para a carruagem partir. Ambos sentiram um vazio no peito, como se uma parte de dentro deles tivesse ido embora.
De repente, Ella viu vários guardas surgirem. Não conseguia contar, mas poderia dizer que podia ter mais de vinte guardas em seus cavalos. Para o seu desespero, eles a perseguiam. Ella gritou para que o cocheiro fosse mais rápido, temendo que fosse pega. O cocheiro, notando o desespero em sua voz, balançou as rédeas para que os cavalos corressem mais rápido.
“Por que eles estão atrás de mim? O que eu fiz?” pensou Ella.
Estavam na metade do caminho, quando escutaram o último badalar. Um brilho dourado começou a surgir, envolvendo a todos que estavam envolvidos no encanto da fada madrinha. A carruagem começou a voltar a sua forma original, fazendo com que Ella se sentisse apertada dentro dela. Os cavalos começaram a diminuir de tamanho, o cocheiro e o lacaio estavam voltando a suas formas originais, e Ella sentiu que o seu vestido dourado começou a se transformar no seu vestido rosa rasgado.
Em poucos segundos, o encanto se encerrou. Todos voltaram ao que eram, com exceção de um pequeno detalhe: todos estavam sujos de abóbora. Apesar de toda a confusão, um sorriso sincero surgiu em seus lábios. Estava triste por ter que deixar o seu amado Loki, mas estava extremamente feliz pela noite que tivera. Jamais iria se esquecer de tudo o que viveu naquele baile.
Ainda sorrindo, escutou os gritos dos guardas que se aproximavam. Ella e os animais se esconderam na vegetação do local. Rapidamente viu os guardas passarem por ali sem ao menos notarem ela. Quando foram embora, Ella saiu do meio da mata e começou caminhar no meio da estrada, mas parou rapidamente quando notou que o sapato que usava não voltou ao normal. Ella o pegou e o segurou contra o peito.
— Obrigada, Faye. — agradeceu pelo presente.
Se lembraria para sempre daquele baile. E depois de uma longa noite, iria para casa descansar. Os ratos, o ganso e o esquilo aparentavam terem tido a mesma ideia, pois seguiram a loira por todo o trajeto.
•●♡●•
Ella acordou com gritos em algum andar abaixo. Era de manhã, havia dormido no sótão e sentia um vazio ainda maior em seu peito. Não havia sonhado com o seu amado como em várias noites anteriores e isso a frustrava. Era um incômodo extremo. Infelizmente, não tinha tempo para pensar na noite anterior e se levantou para se arrumar. Viu o sapato dourado por cima da mesa e o escondeu embaixo da cama, com medo de que alguém entrasse no quarto e o visse.
Saindo do quarto e indo para o primeiro andar, notou que algumas empregadas corriam apressadas para concluir os seus afazeres. Escutou as suas meias irmãs gritarem e a madrasta tentando acalmá-las. Ella se aproximou dos gritos e encontrou as mulheres na sala. Pareciam ansiosas. Não conseguiu perguntar nada, pois a madrasta notou a sua presença e a chamou.
— Cinderela! Ajude a Drizella e a Anastasia de arrumarem! O príncipe e alguns guardas virão para cá! — mandou, com urgência em sua voz.
— Mais especificamente o príncipe Loki! — exclamou Anastacia.
Ella arregalou os olhos surpresa com a notícia. Não sabia se ficava feliz ou preocupada. Lembrou-se dos guardas que a perseguiram e sentiu medo. Engoliu um seco e perguntou:
— Mas por quê eles virão para cá?
— Uma garota sem graça fez um alvoroço e chamou a atenção do príncipe! Agora ele está a procurando por todo o reino para casar com ela! — respondeu Drizella.
— Mas tem um detalhe! Ninguém a reconhece! Estão dizendo que ela tem alguma relação com magia! — continuou Anastasia.
Drizella e Anastasia começaram a falar sobre o baile, de como havia sido e do tanto que odiaram a moça misteriosa. Ella não fez questão de ouvi-las, pois só pensava no príncipe e na noite que tivera com ele. Ele a amava e queria casar com ela. Uma felicidade imensa surgiu no peito da garota. Ella não conseguiu disfarçar o sorriso, o qual foi notado pela madrasta.
Ella saiu do cômodo sem ao menos perguntar se podia. Não se importava com mais nada naquele momento. Ella subiu as escadas e foi até o sótão, abriu a porta e pegou um pente em cima de uma mesinha. Tinha a intenção de ficar um pouco mais apresentável para o príncipe. Enquanto penteava o cabelo, Ella cantarolava uma música. Estava tudo indo bem, quando de repente escutou o ranger do chão de madeira. Alguém estava ali. Ella se virou assustada e encontrou a madrasta a olhando com raiva.
— Você está muito feliz, Cinderela. — começou a madrasta. — Me pergunto o motivo, será que é porque o príncipe está aqui?
— Ah… Sim… Não deveria estar? — gaguejou Ella, se sentindo nervosa.
— Sabe… Quando eu vi aquela moça no baile, ela me pareceu tão familiar. E agora, olhando para você e essa sua felicidade, acho que já sei o porquê. — Ella arregalou os olhos amedrontada. — Diga-me, Cinderela, onde arranjou aquele vestido? Você o roubou?
— O que? Não!
— Roubando ou não, eu tenho certeza que você é a moça do baile.
A madrasta se afastou e fechou a porta, a trancando. Ella correu e tentou abrir a porta, mas a tentativa era inútil. Ella implorava aos gritos que a madrasta a soltasse, mas não ouviu a madrasta dizer nada. Começou a chorar desesperada e caiu sentada no chão. Sabia que ninguém a tiraria dali, só teria alguma chance quando o príncipe e os guardas chegassem. Ela iria gritar o máximo que podia quando eles chegassem.
Naquele mesmo momento, a madrasta se encontrou com as filhas que estavam na sala junto com uma empregada que tinha em mãos duas perucas loiras.
— Para quê isso, mamãe? — perguntou Anastasia.
— Vocês vão usar as perucas, se passarão pela moça do baile. Vão fazer o possível para fazer com que o príncipe acredite em vocês.
— Eu não acho que isso vai funcionar, mamãe. — disse Drizella.
— Não vai funcionar se vocês não forem convincentes! — exclamou a madrasta, já irritada. — Agora peguem as perucas e se arrumem! O príncipe irá chegar a qualquer momento!
As filhas não perderam tempo e pegaram as perucas, saindo da sala às pressas para não correrem o risco da mãe se zangar ainda mais. Cada filha ficou com uma empregada para ajudá-las a se arrumarem. Colocaram as perucas, foram maquiadas e vestiram os melhores vestidos para receber o príncipe. No momento em que ficaram prontas, ouviram o barulho dos cavalos.
Drizella e Anastasia desceram as escadas rapidamente, empurrando uma à outra para chegarem primeiro. Tal atitude fez a madrasta as repreender, que se desculparam. Quando bateram à porta, a madrasta a abriu e colocou em seu rosto um belo sorriso.
— Vossa Alteza, é uma honra recebê-lo. — fez uma reverência. — Por favor, entre.
Loki e dois guardas adentraram a casa. A madrasta fechou a porta e foi para o encontro com o príncipe, suas filhas logo apareceram e ficaram ao lado da mãe, sorrindo. A madrasta apresentou as filhas, que fizeram uma reverência desengonçada. Loki forçou um sorriso, ficando desconfortável vendo as filhas da madrasta, as quais julgou.
— Gostaria de ver todas as empregadas, senhora. — disse Loki, sendo direto.
— Como assim? Veio aqui para ver as empregadas? — perguntou a madrasta desacreditada.
— Sim, algum problema? — franziu a testa.
— Não! De forma alguma! — respondeu com medo. Loki sorriu em deboche ao ver a situação. — É que isso me pegou de surpresa, não está visitando todas casas desse reino para encontrar a moça do baile?
— Sim, é por isso que quero ver todas as empregadas.
A expressão da madrasta empalideceu, seu plano havia sido jogado por água abaixo. Já havia apresentado as filhas, se dissesse que eram empregadas o príncipe não acreditaria. Com um falso sorriso, a madrasta chamou todas as empregadas da casa. As empregadas apareceram e fizeram uma reverência diante do príncipe.
— Não há mais nenhuma empregada? — perguntou com algum fio de esperança.
— Não. — respondeu a madrasta.
Loki olhou para baixo com grande desapontamento em seu rosto, quando de repente escutou gritos de algum andar acima. A madrasta congelou ao ouvir e arregalou-se os olhos, as filhas a olhavam confusas, não sabiam que a mãe havia trancado Ella.
— De quem são esses gritos? — perguntou Loki, olhando para cima.
— Ah… Bem… É da filha do meu falecido esposo. Ela está muito doente…
Loki lembrou-se que sua amada havia dito que o seu falecido pai tinha se casado com uma viúva, que já possuía duas filhas. Ansiedade e esperança ardiam dentro do peito do jovem príncipe.
— Quero vê-la.
— Mas, Alteza, ela está doente! — tentou fazê-lo mudar de ideia.
— Você escutou o príncipe, senhora. — disse um dos guardas.
A madrasta encarou o príncipe e suspirou, derrotada. Não poderia ir contra o príncipe. O máximo que poderia fazer é manipular Ella, para que o príncipe não a quisesse.
— Tudo bem, eu vou buscá-la. — disse, se virando e caminhando em direção a escada.
— Um dos meus guardas vai com a senhora. — disse Loki, com um sorriso.
A madrasta engoliu seco e amaldiçoou o príncipe mentalmente. Na companhia do guarda, a madrasta subiu as escadas e destrancou a porta do sótão.
— Trancou a própria filha? — perguntou o guarda.
— Ah… É para não correr o risco de alguém adoecer. — inventou uma desculpa.
Quando abriu a porta, se deparou com Ella debruçada na janela. Seu rosto estava vermelho de tanto chorar e olhou assustada para a madrasta. Deu alguns passos para trás, com receio do que a mulher faria, já que estava acompanhada de um guarda.
— Ella, minha filha… — disse, se aproximando um pouco de Ella.
Ella olhou confusa para a madrasta. A mulher nunca havia a chamado de filha, nem quando o seu pai estava vivo. Se afastou um pouco mais.
— Cinderela. — sussurrou. — É melhor negar o príncipe, se não quiser que eu faça alguma coisa.
— O quê? — disse incrédula.
— Escutou bem. Se aceitar o príncipe, irei maltratar ainda mais as empregadas desta casa. — disse, ainda sussurrando. — Ah, minha filha! — exclamou, fazendo um pequeno teatro. — Eu sei que está doente, mas o príncipe deseja muito vê-la.
Ella olhou para o chão, sem saber ao certo o que fazer. Queria ficar com Loki, mas não queria que as empregadas sofressem nas mãos da madrasta. Olhou para a janela do sótão, a vista era linda e isso a fez acalmá-la. Estava prestes a concordar com a ideia da madrasta, quando algo passou por sua cabeça e a fez mudar de ideia rapidamente.
— Primeiro, eu não estou doente. — disse com a voz firme, coisa que a própria até se assustou. — Segundo, eu não sou sua filha.
A madrasta a olhava com um misto de emoções. Incredulidade, por tal atitude da moça, raiva, por ir contra a sua ideia, e medo, pensando no pior que poderia acontecer com ela por mentir para o príncipe. Ella se afastou da madrasta e ficou de frente para o guarda.
— Me acompanhe, senhorita. — disse o guarda, com um sorriso. Ella retribuiu o sorriso.
— Cinderela, pense bem no que está fazendo! — exclamou a madrasta, com fúria em sua voz.
— Cinderela? — indagou o guarda, com a testa franzida. — O que você passou com essa família, senhorita? — perguntou preocupado.
— Não é mais importante. — respondeu.
— Certo… Então, podemos ir?
— Um momento.
Ella se aproximou da cama e se agachou, pegando o sapato dourado que estava escondido. O guarda se surpreendeu ao vê-lo e a madrasta olhava para Ella com uma expressão indecifrável.
Eles saíram do sótão e desceram as escadas. Quando chegaram ao segundo andar, Ella se sentiu ansiosa. Loki ainda a amaria mesmo a vendo naquele estado? Ella queria ser aceita, mas não saberia a resposta de corresse e se escondesse. Ela respirou fundo e continuou a caminhar, já avistando o primeiro andar. Viu suas meias-irmãs, depois as empregadas, outro guarda e Loki, que olhava para baixo.
Quando notou o barulho de passos vindo da escada, Loki ergueu a cabeça e olhou em direção às escadas. Ele a viu, usando um vestido simples, sapatos surrados, o cabelo desarrumado e um sapato dourado em mãos. Loki não segurou o sorriso ao ver a face daquela que havia se apaixonado. Seus olhos brilhavam ao vê-la, não se importando se ela estava desarrumada. Ao seu olhor, ela continuava linda. Ella, ao notar a expressão de Loki, sorriu. Pois agora sabia a resposta da pergunta que a afligia.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Quando terminaram de descer as escadas, Ella parou em frente a Loki.
— Oi. — disse Ella, timidamente, fazendo uma reverência em seguida.
— Olá. — disse Loki, com um tom galanteador em sua voz. — Sabe… Uma moça fugiu de um baile e nem havia me dito o seu nome. Poderia me dizer?
— Ella. — respondeu com sorriso.
— É um belo nome, Ella. — pegou a mão da moça e a beijou. Ella sentiu suas bochechas ruborizarem. — Acho que você precisa do outro par desse sapato. — disse, olhando para o sapato na outra mão de Ella.
Antes que a loira falasse alguma coisa, o outro guarda entregou o outro par do sapato para o príncipe. As meias-irmãs, que até o momento achavam que tudo era um mal entendido, agora tinham a certeza que Ella era a garota misteriosa do baile. Indignadas e cheias de inveja, as irmãs começaram a inventar mentiras.
— Ela roubou esses sapatos! — exclamou Anastacia.
— Sim! E o vestido ela arrancou das mãos de uma jovem rica quando saiu de uma loja! — exclamou Drizella.
— E por que não falaram nada até agora? — perguntou Loki, já sabendo que tudo era mentira. Afinal, estavam diante do deus da mentira.
— Porque ficamos com medo dela! — respondeu Anastasia.
— Já nos ameaçou com facas!
— Ela é doente! — apontou o dedo em direção a loira.
— Vocês tem a audácia de mentirem diante de um príncipe? E justo a mim, o deus da mentira? Vocês duas têm muita coragem. — disse em um tom autoritário e com raiva, por insultarem Ella com mentiras descaradas.
As irmãs gelaram e deram alguns passos para trás, com medo do que poderia acontecer com elas. Loki estava pensando no que poderia fazer para castigá-las, mas um dos guardas interrompeu o seu raciocínio.
— Desculpe-me, vossa alteza, se o que eu disser for indelicado, mas não acha estranho uma simples empregada ter um vestido e sapatos tão caros?
— Acredita em fadas? — disse Loki.
O guarda não respondeu, apenas acenou a cabeça positivamente. Loki e Ella olharam um para o outro, com um pequeno sorriso em seus lábios, como dois cúmplices escondendo um segredo.
•●♡●•
Loki voltou para o castelo, acompanhado de Ella. Quando o rei e a rainha receberam a notícia de que Loki havia encontrado a moça, abriram um enorme sorriso e sentiram grande felicidade. Foram ao encontro do jovem casal, que os aguardavam ansiosamente. Ella estava mais nervosa, pois era apenas uma plebeia e não sabia se seria aceita pelo rei e a rainha. Felizmente, quando chegaram, não demonstraram nenhum tipo de oposição. Ao contrário, demonstraram os mais belos sorrisos e muita alegria. A rainha a abraçou com os olhos cheios de sentimentos. Frigga sabia que Ella era uma moça boa e a melhor esposa que Loki poderia ter e isso era um presente para qualquer mãe que desejasse o melhor para um filho. Odin estava satisfeito com a escolha do filho e já considerava a moça como uma filha.
No dia seguinte, Thor, que estava em um outro reino no meio de uma batalha, chegou em Asgard e soube da notícia de que seu irmão em breve se casaria. Thor ficou extremamente feliz por Loki e desejou felicidades ao jovem casal quando os encontrou. Com o retorno de Thor, puderam assim comemorar a união de Loki e Ella. Era uma pequena festa antes do casamento, mas para Ella foi uma grande festa. Havia se divertido muito, conheceu pessoas novas, como Lady Sif, e dançou com Loki quase a festa toda. A alegria era tamanha que todos eram contagiados.
No fim da festa, quando todos estavam indo para seus aposentos para dormir, Loki notou que havia algo incomodando Ella.
— O que há de errado, meu raio de sol? — perguntou preocupado.
— Lembrei-me de minha amiga, já faz tempo que não a vejo. Se não fosse por ela eu não estaria aqui. — respondeu.
— Amanhã a visitaremos, se isso a deixar feliz.
Ella agradeceu e abraçou Loki, que retribuiu o abraço envolvendo uma de suas mãos na cintura da moça e com a outra mão fez um carinho em sua nuca. O ato fez o coração de Ella disparar rápido.
Quando amanheceu, Loki e Ella receberam a notícia de um dos guardas que uma moça havia chegado e os esperava. Ella não tinha dúvidas de que era Faye e correu para encontrá-la, sendo seguida por Loki que sentiu um pequeno déjà vu. No momento em que Ella viu sua amiga, a loira correu mais rápido e a abraçou. As amigas ficaram abraçadas por longos segundos, enquanto riam com os olhos lacrimejados. Loki olhava para as duas com admiração, notando que a amizade delas era pura. Uma amizade que não se encontrava facilmente.
Os três passaram a manhã inteira conversando. Loki, em alguns momentos, agradecia Faye por ter realizado o desejo de Ella, odiava pensar que se não fosse por isso não encontraria a loira. Com a tarde chegando, Faye contou que também estava lá para ver a rainha.
— Está precisando de algo? — perguntou Ella.
— Oh, não. Na verdade eu apenas gostaria de vê-la depois de tanto tempo. Ela e eu somos grandes amigas, foi ela que me ensinou tudo o que eu sei.
— Como? — indagou Loki, surpreso com a fala da fada.
Faye explicou que quando a rainha era mais jovem, Frigga teve alguns aprendizes para ensinar magia. A rainha achava que o reino deveria ter mais pessoas com esse conhecimento. Entretanto, pouquíssimas pessoas se interessaram pelas aulas, mas essas poucas pessoas se transformaram em seres fortes e poderosos ao longo dos anos. Faye foi um desses alunos. Era a aluna preferida de Frigga, pois sabia que ela tinha muito potencial.
Os dois, principalmente Loki, ficaram surpresos com a história. Naquele momento, Loki tinha certeza que o destino havia escrito nas estrelas que ele e Ella deveriam se encontrar.
•●♡●•
Antes do dia do casamento, Loki queria que a madrasta e suas duas filhas pagassem pelo que fizeram. Ella disse para não fazer mal algum contra elas, ela havia perdoado elas por tudo que fizeram durante todos esses anos. No fim, Loki mandou que retirassem as terras do nome da madrasta. Com a perda das terras, a madrasta ficou sem dinheiro e, para não morrer de fome, se transformou em uma empregada junto com suas filhas.
Finalmente, o dia do casamento chegou, o noivado de Loki e Ella foi o mais lindo que aquele reino tinha visto durante todos aqueles milênios. Em um futuro não tão distante, Loki se tornaria rei de Asgard, graças a convivência de Ella, que o transformou em uma nova pessoa. Menos rancoroso, mais alegre. Ella também mudou com a convivência de Loki. Se tornou uma pessoa mais alegre e mais corajosa.
Com o passar dos anos, o amor deles se tornava mais forte e mais intenso. A união deles havia criado um outro nível de relacionamento entre o povo asgardiano, que almejavam um amor tão belo como o deles. Algo inesperado, intenso, verdadeiro e belo.
♡ THE END ♡
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