Cinco a mesa
1 Cinco a Mesa
Notas iniciais
Os olhos curiosos da jovem percorreram a mesa, ela buscava analisar as outras quatro pessoas que ali estavam, cada um deles poderia ser o culpado.
— O que tanto procura nesta mesa sra. Wright? — indagou o homem de ombros largos e voz imponente.
Os olhos castanhos de Emily Wright se fixaram no homem, analisavam sua postura, esperando que algo o denunciasse.
— Vocês sabem por que os chamei aqui. — ela fez uma pausa — Sr. Brown, sra. Miller, sr. Matinez e sra. Collins, vocês quatro são suspeitos do assassinato do sr. Rodriguez.
Cada uma das pessoas da mesa reagiu de modo diferente. A sra. Miller pegou um lenço para enxugar as lágrimas que saiam de seus olhos azuis, enquanto a sra. Collins levou a mão a boca em um ato de incredulidade. O sr. Brown e o sr. Martinez, ambos pegaram um charuto e o acenderam.
Foi então que o sr. Brown, o homem de ombros largos se pronunciou e quebrou levemente o clima de tensão que havia se instalado na sala.
— A senhorita tem alguma prova, pequena aprendiz de Sherlock Holmes. — comentou com grande ironia em seu tom de voz.
— Gostaria de um pouco mais de respeito, não se esqueça que a viúva do sr. Rodriguez me contratou e que além disso, o senhor é suspeito de um crime. — falou Emily de modo ameaçador.
Aproximando-se de uma bolsa, a detetive Wright tirou um daqueles típicos sacos de evidências. No primeiro saco que ela pegou tinha um lenço com as iniciais J.B bordadas nele.
Ela pegou o saco e o mostrou ao sr. Brown, ele se empertigou na cadeira.
— O senhor me parece um pouco nervoso,viu algo familiar? — falou a detetive sugestivamente.
— Não. — disse o sr. Brown buscando se mostrar calma perante a garota.
A tensão reinava sobre a mesa quando a detetive Wright pegou o segundo saco de provas.
— Não sei se vocês ficaram sabendo, mas ele recebeu uma carta datilografada dias antes, ela não tem endereço de postagem ou remetente, ou seja, ela foi deixada na porta da casa dele. Acabei perguntou a governante se ela viu a pessoas que deixou a carta, ela disse que sim e pedi para que ela a descrevesse, suas palavras foram "Era uma mulher de estatura mediana, tinha olhos azuis e um cabelo castanhos comprido". Esta descrição lhe parece familiar sra. Miller? — indagou a detetive.
A sra. Miller sentiu o olhar acusador de Emily sobre si, ela começou a chorar e entre um soluço e outro disse:
— Eu não o matei, eu só fui até a casa dele. Sou próxima da filha dele, Suzan, no meio do caminho, me pediram para levar a carta até ele. Chegando lá, a governanta me disse que Suzan havia saído, eu não tinha o que fazer lá então entreguei a carta a ele e fui embora.
Emily a ficou olhando, mas ela não confiava em ninguém naquela mesa, ninguém a não ser em si mesma, algo que seu trabalho tinha lhe ensinado.
Ela já foi pegando mais um saco de prova, o terceiro, este continha uma faca com algumas manchas de sangue; a arma usada no homicídio.
— A arma do crime é uma faca, uma bem comum até, mas a perícia mostra que ela foi usada por uma pessoa desta.
— E como você sabe disse! — gritou a sra. Collins — Você vê a pressão a qual está nos submetendo?
— A senhora parece bem exaltada para alguém que supostamente seria inocente, não acha?
A mulher de cabelos louros ficou paralisada, a forma como agia a 'denunciava'. O sr. Martinez era o único que não se manifestava, permanecia calado apenas observando as outras quatro pessoas da mesa.
Olhando para as pessoas na mesa Emily indagou:
— Qual de vocês tem um álibi?
Todos ficaram se entreolhando, ninguém se pronunciou.
— É o que eu imaginava, ninguém tem um. Mas eu já tenho minhas próprias conclusões sobre este caso, fiz umas pesquisas antes de decidir reunir vocês
Os outros a ficaram observando, então a detetive Wright recomeçou a falar.
— Minhas pesquisas apontam que o sr. Brown é o mais cotado entre os suspeitos. Você era sócio do sr. Rodrigues, até ele decidir terminar a parceira. São que antes disso, você estava no testamento dele? Mas após toda essa confusão, ele decidiu te tirar. Assim o senhor não teria motivo aparente, a não ser a raiva te der sido excluído de um negócio muito lucrativo. Entretanto eu notei que o senhor é canhoto, e como mencionei, o assassino e destro, assim você está descartado de ser o criminoso.
Na mesa todos perceberam o quanto o sr. Brown pareceu aliviado em ser descartado como culpado.
— O sr. Martinez também não é culpa do, uma vez que sei que ele também é canhoto, além de que ele não tem motivação para tal. Era apenas um colega ambicioso da família, mas a sra. Rodrigues não mantinha caso com ele, e ele nem estava no testamento. Assim eu o descarto também. — deu uma pausa — Sendo assim, temos duas suspeitas.
O olhar de Emily ia da sra. Miller para a sra. Collins.
— Devo admitir que a idéia de colocar provas duvidosas e que incriminasse os outros foi uma boa sacada, mas não foi perfeita. Eu conversei com a Suzan, a filha do sr. Rodrigues e sabe o que achei engraçado? Ela não conhece nenhuma sra. Miller.
A dona dos olhos azuis ficou em estado de choque.
— Mas esse não é seu nome verdadeiro não é, Miller, era seu sobrenome de casada, porém, quando se separou, nunca mais vou a usar seu nome de solteira, senhora Julie Baker. O lenço com as iniciais J.B acabariam por incriminar o sr. Brown. Você foi a secretária do sr. Rodriguez e mais do que isso, você foi amante dele, assim, sabia informações importantes da companhia, você sabia que o Brown seria o culpado perfeito pelo seu crime. Mas qual foi a sua motivação?
— Eu pedi para que ele ficasse comigo, mas ele não queria se separar da mulher dele, ele me deixou sem escolha, não suportaria ficar sem ele.
— E como fez para matá-lo?
— Eu o chamei para me ver, disse que iria embora no dia seguinte e queria me despedir, e então eu o matei a golpe de facadas. Ele tinha que ser meu.
— Sra. Baker, a senhora será acusada e julgado pelo assassinato do sr. Rodriguez, e tudo o que disser será usado contra você no tribunal.
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