Cinco Sentidos
3 Olfato
Cap. III – Olfato
Roy continuava meio confuso, Riza estava estranha. Estava diferente do que se lembrava e não era a aparência física. Talvez fosse algo nos olhos, alguma coisa que ela tentava esconder...
Os demais ainda demorariam alguns dias, ou até semanas para chegarem a Central, o que lhes deixava juntos e sozinhos durante esse período.
Não que isso fizesse alguma diferença, Riza não abria a boca, era como estar sozinho. Pensando de certo ângulo, nada fora do normal. Mas ele queria ouvi-la.
- Já terminou de assinar os papéis, senhor? – Riza levantou o olhar para ele –
- Ainda não, mas esses não são para depois de amanhã? – Roy disse num tom de palpável desinteresse –
Ela suspirou profundamente.
- Certas coisas nunca vão mudar...
- Disse alguma coisa, Tenente... –Coronel?
- Não, senhor.
Riza se levantou e pegou algumas pastas, na verdade, muitas a mais do que poderia carregar. Por que raios papel estava tão pesado? Mas agora que tinha começado, terminaria.
Roy, que em sua cadeira, olhava preguiçosamente para uma caneta presa entre seus dedos, indicador e médio, passou a olhá-la, não tinha um bom pressentimento.
Riza era pequena e aquelas pastas pareciam muito mais pesadas do que ela agüentaria.
- Quer ajuda, Hawkeye?
- Iie. – ela se limitou a responder –
O moreno suspirou, orgulhosa como sempre. Bem, agora era esperar para ver como acabaria. Riza caminhava em direção ao arquivo da sala e assim que parou a frente dele ergueu uma das pernas como forma de apoio para poder ter uma mão livre para puxar o puxador do arquivo...
Ela tentou e não conseguiu. Respirou pesadamente e tentou de novo. Não deu certo. Ele notou que a essa altura, ela já estava irritada e sorriu, gostava daquela expressão na face dela.
E por fim, ele assistiu a tragédia acontecer: Ela puxou com força demais e a gaveta abriu com tudo a empurrando para trás. Uma pessoa com a base das pernas firme, não cairia, mas era necessário lembrar que ela estava com um dos pés longe do chão.
A loirinha caiu para trás, sentada, e todas as pastas voaram, sendo que algumas caíram sobre ela.
E ao contrário do que se esperava, ela não xingou, ou gritou, ou teve um “piti”. Apenas ficou ali, olhando para algum ponto desconhecido, frustrada.
E foi então que o Mustang levantou-se de súbito para ir ajudá-la. Começou a recolher as pastas e logo ela passou a fazer o mesmo, no entanto...
Um cheiro passou pelas narinas dela e chegou ao sistema nervoso. Um perfume que ela não precisava pensar muito para dizer de quem era, afinal, só tinham os dois ali na sala e aquele perfume certamente não era o seu.
A essência levava talvez almíscar e alguma coisa de menta. Forte e refrescante. Um perfume que provavelmente era único, afinal, alguém com uma mínima noção de química, sabia que o mesmo perfume reage de maneiras diferentes em cada pele.
E com ele a combinação era perfeita e estava atrapalhando a coordenação da loirinha. Era como se os músculos não obedecessem os comandos. E também tinha o fato de não existirem comandos para os músculos obedecerem.
Os sentidos dela eram inundados com a mais deliciosa das sensações, era uma fraqueza boa, um sorriso bobo que queria aparecer, pensamentos impublicáveis...
A boca salivava, era como se quisesse morder para saber se o gosto assim como o cheiro era tão delicioso e inebriante. Afinal, tudo não está interligado?
Primeiro se come com os olhos.
Depois se saboreia com o olfato.
E por fim, não menos importe, prova-se o gosto.
Riza que estava ajoelhada com uma das mãos fechadas apoiadas ao chão baixou a cabeça e fechou os olhos com força. Precisava se concentrar em algo que não fosse aquele perfume.
Cheiro de tentação.
Roy exalava por cada um dos poros de seu corpo tentação, confiança, sensualidade...
Céus!? Aquilo não era normal!!
E era tudo da pior maneira que existia: uma maneira que levava para o sexo.
Por que tudo tinha que acabar nisso??!
A parte ainda sensata de sua mente dizia duas coisas: 1 – se não fosse assim, o ser humano não procriaria e assim a espécie não se perpetuaria. E 2 – corra antes de fazer uma besteira!
E quer saber, sua mente tinha toda a razão.
Levantou-se desastradamente e saiu correndo soltando um “Não estou me sentindo bem!”. Precisava se afastar daquela tentação com o perfume do pecado.
Caminhava a passos rápidos não dando moral as continências que era batidas pelos colegas de farda. Tudo o que tinha em mente era ir para o mais longe possível.
Entrou dentro do vestiário e se sentou no chão atrás da porta trancada. Naquele horário ninguém viria e tudo o que não precisava era um bando de loucas curiosas.
Flexionou a as pernas de maneira a levar a cabeça para entre elas, estava prestes a perder a sanidade. Tudo por causa daquele homem... Não, ele não era um homem, era sua perdição, seu pecado.
Nos últimos dois anos, enquanto Roy estava em seu auto-exílio, teve certeza de ter dominado aquele sentimento. Mas agora, com ele em carne e ossos a sua frente...
Era inexplicável.
Foram anos de auto-controle e agora nada parecia controlável. Precisava extravasar aquela adrenalina que corria solta por suas artérias.
- Já sei!!
A loira teve uma idéia de súbito! Era disso mesmo que precisava!!
To be continued...
Meus amores, sei que essa semana fui malvada em não postar!!
Mas me deem um desconto, eu sou uma das poucas autoras que postam regularmente e minha vida tava uma bagunça, como semana que vem vou estar um pouco mais livre vou tentar atualizar pelo menos umas tres!!
Espero que gostem e comentem!!
Kiss kiss
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