Cinco Palavras
1 Capítulo único
Notas iniciais
Shizuo não era romântico.
Mas quando se ama alguém, não há problema em abrir certas exceções de vez em quando.
~*~
– Mas que merda! – Shizuo resmungou irritado – Mais essa agora! – parou por um momento e respirou fundo por três vezes tentando se acalmar, não tinha a menor paciência para aquilo. Entrou na loja bem a sua frente – a quinta que já havia visitado – e olhou ao redor, ainda completamente perdido.
– Posso ajudar, senhor? – perguntou a atendente com um sorriso simpático no rosto.
– Estou procurando um presente para dar a alguém.
– E já tem em mente o que procura?
– Não. – coçou a nuca e deixou que um suspiro frustrado escapasse de seus lábios – Não faço a menor idéia.
– É para alguma namorada?
– Hm... – Shizuo encarou a garota por alguns instantes, pensando se deveria ou não contar a verdade. Nas lojas anteriores quando havia dito para quem era o tal presente, os atendentes lhe lançavam olhares estranhos, o que o havia deixado desconfortável e bastante irritado, inclusive havia destruído o balcão de uma das lojas. Suspirou. Não gostava de mentiras e nem via motivos para esconder aquele fato, não tinha vergonha sobre aquilo – Não verdade... é para o meu namorado.
A moça arqueou levemente as sobrancelhas, parecendo surpresa, mas logo abriu um sorriso afável.
– E do que o seu namorado gosta?
O loiro arqueou uma sobrancelha. Aparentemente o fato de ele ter dito que tinha um namorado, não fez a menor diferença para ela.
– Hm. Bom... o que ele gosta mesmo é de me irritar, isso sim. – a garota riu – Mas se tratando de presentes, eu realmente não faço idéia. – coçou novamente a nuca – Eu realmente preciso de ajuda!
– Certo. É pra isso que eu estou aqui! – fez sinal para que o loiro a seguisse pelas enumeras seções com uma infinidade incrível de variedades, desde chocolates e pelúcias à jóias e material esportivo – Ele gosta de ler?
– Sim. Ele praticamente tem uma biblioteca em casa, mas não faço idéia de que tipo ele gosta.
– Chocolates?
– Ele não gosta muito de doces, a menos que sejam bombons de licor de ameixa, são os favoritos dele. Mas se eu der apenas uma caixa de bombons, ele vai querer me fazer engulí-la ainda fechada e terminar comigo depois. – a atendente lhe lançou um olhar curioso – Ele fez uma esta surpresa pra mim no meu aniversário e até preparou todos os meus doces favoritos. – sorriu um pouco, se lembrando daquele dia.
– Entendo. Não pode ser um presente qualquer... – ficou pensativa por alguns instantes – Que tal um jogo?
– Ele até gosta de jogar xadrez e shogi, mas não acho que ele gostaria de ganhar algo do tipo.
– Não, não. Me refiro a fazer um jogo com ele.
O loiro arqueou novamente a sobrancelha. Fazer um jogo com Izaya? O cara que vivia jogando com a vida das pessoas? Interessante... Sorriu e escutou atentamente as idéias da garota.
~*~ ~*~ ~*~
Izaya tinha certeza de que estava acontecendo algo, só não sabia o quê.
Desde que voltara do almoço Namie não parava de trocar mensagens com alguém e isso o estava deixando curioso. Estava prestes a sondá-la à respeito daquilo quando, depois de receber uma nova mensagem, ela vasculhou a bolsa por alguns instantes, retirando de lá um pequeno envelope vermelho e o estendendo na direção do informante.
– Não me diga que é uma carta de amor? – perguntou debochado como sempre ao pegar o envelope lacrado – Desculpe, Namie-san, mas eu já tenho namorado.
– Tsk. – fez uma careta de nojo – A única coisa que eu quero de você é um aumento de salário. – sentou-se à própria mesa e voltou a trabalhar, não dando mais nenhuma atenção ao chefe.
Izaya observou atentamente o envelope em suas mãos, não havia remetente, apenas uma pergunta no verso dele:
Que tal um jogo?
Tirou seu inseparável canivete do bolso do casaco e rompeu o lacre, encontrando um cartão impresso dentro do envelope.
Hoje é um dia especial, tanto pra você, afinal é seu aniversário,
quanto pra mim, que já faço parte da sua vida há tanto tempo.
Encontrar um presente ideal pra você não é nada fácil,
na verdade, acho que é quase impossível achar
o presente perfeito, por isso, você não vai ganhar apenas um presente...
...Mas vai ter que decifrar as pistas para recebê-los.
Pronto pra jogar?
1ª pista: Lembra da nossa primeira briga?
Um sorriso divertido se formou nos lábios do informante. É claro que ele se lembrava da primeira briga, foi no dia em que Shinra os apresentou, havia sido extremamente divertido.
Olhou de relance para o cartão, aquela pista significava que o seu presente estava na Academia Raira? Não acreditava que seria tão fácil, se estivesse lá seria bastante óbvio até para Shizuo, mas ele tinha que começar por algum lugar, não é mesmo?
– O que o Shizu-chan está aprontando, Namie-san? – perguntou, mesmo sabendo que ela não lhe diria nada.
– Não faço idéia. – disse simplesmente.
– E mesmo se soubesse não diria, não é mesmo?
– Exatamente.
Izaya riu e levantou-se da cadeira com um pulo, logo pegando o cartão e o canivete e os guardando no bolso.
– Já que não vai me contar, vou ter que descobrir por mim mesmo. Ja nee! – e saiu.
Assim que a porta se fechou Namie pegou seu celular e enviou uma curta mensagem:
“Ele começou o jogo.”
~*~
– Nee, Shizu-chan.... O que acha de nos tornarmos amigos?
– Não gosto de você.
– Hã?! Mas você ainda nem me conhece, como pode dizer que não gosta de mim, Shizu-chan?
– Não gosto e pronto! E odeio que me chamem assim.
– Assim como, Shizu-chan?
– Ora, seu...!
~*~
À medida em que se aproximava da Academia Raira, as lembranças daquele dia preenchiam sua mente. Shizuo o surpreendeu logo de cara ao dizer que não gostava de si, não havia previsto isso, o que deixou tudo bem mais divertido. E quem diria que anos depois os dois acabariam juntos?! Namorando?! Ele próprio jamais teria imaginado algo assim naquela época.
Deixou aqueles pensamentos um pouco de lado quando avistou os portões do antigo colégio. Não teve problemas para entrar e logo se dirigiu à área externa onde se praticava atletismo e também onde teve início a primeira briga dos dois, mas não havia nada lá, ou seja, Raira não era a resposta.
Naquele dia eles percorreram praticamente a cidade inteira, não conseguia pensar em nenhum lugar que se destacasse mais que os outros...
A menos que...
O informante estapeou a própria testa, era tão óbvio...
~*~
– Oh, como vai, Izaya-kun? – Shinra o cumprimentou quando abriu a porta. O fato de o médico não parecer nem um pouco surpreso com a sua visita só confirmava que suas suspeitas estavam certas.
– Olá, Shinra. Celty. – cumprimentou ambos ao adentrar o apartamento – Creio que o Shizu-chan tenha deixado algo aqui para mim, estou certo?
– Sim, está. – respondeu o médico tirando um pequeno envelope vermelho do bolso do jaleco e o entregando ao informante que o abriu e encontrou um novo cartão dentro.
O dia em que nos conhecemos e tivemos nossa primeira
briga, também foi o dia em que comecei a te chamar
de pulga, lembra disso?
ps.: deu um trabalhão encontrar essa ‘réplica’ sua.
2ª pista: Estava chovendo e tinha gosto de sangue.
Celty, que havia deixado a sala por alguns instantes, voltou com uma sacola grande e entregou à ele, dentro havia uma caixa de tamanho médio embrulhada em papel vermelho, do mesmo tom que o envelope, e o entregou ao informante. Izaya desembrulhou e abriu a caixa, arqueou uma sobrancelha e riu divertido quando viu o que tinha dentro: uma pulga de pelúcia, que era até bonitinha. Pôs o presente novamente na caixa e voltou a dar atenção ao cartão.
“Estava chovendo e tinha gosto de sangue”
Bom, poderia ser muitas coisas, mas levando-se em conta que a primeira pista era sobre o dia em que foram apresentados um ao outro, provavelmente as outras pistas também seriam relacionados à acontecimentos... importantes de alguma forma e deveriam estar em ordem cronológica. Seguindo por essa linha de raciocínio, analisando primeiramente a parte do “estava chovendo” poderia estar se referindo a primeira vez que Shizuo conseguiu acertá-lo com um dos objetos que gostava de arremessar em sua direção, mas também poderia ser sobre a primeira vez que o loiro conseguiu pegá-lo. As opções eram muitas se fosse pensar apenas na parte de estar chovendo, mas por outro lado, quando se somava à segunda parte “tinha gosto de sangue” a lista diminuía consideravelmente e Izaya só poderia pensar em uma coisa: beijo.
A primeira vez que ele beijou Shizuo, que inclusive foi no mesmo dia em que o loiro conseguiu pegá-lo pela primeira vez e isso não foi mera coincidência, ele precisava distrair o loiro de alguma forma para conseguir fugir e o beijo foi bastante eficaz.
Sorriu, já tendo em mente o próximo lugar aonde iria. Pôs o novo cartão no bolso do casaco e se despediu do casal que lhe parabenizou pelo aniversário antes de sair do apartamento.
Quando faltava apenas uma quadra para chegar ao seu destino, a praça central de Ikebukuro, Izaya simplesmente parou e franziu o cenho. Aquela era a resposta mais óbvia, não necessariamente a única, assim como Raira que acabou nem sendo a resposta certa. Havia uma outra opção, algo que aconteceu cerca de um mês depois de conseguir escapar de uma surra distraindo Shizuo com um beijo, um outro beijo, mas que diferente do primeiro, não havia sido unilateral, ambos corresponderam ao beijo, que inclusive, havia sido por iniciativa do ex-barmen.
~*~
Izaya praguejou e puxou o capuz por sobre a cabeça quando a chuva engrossou um pouco. Tentava andar rápido para chegar logo à estação e ir de metrô até Shinjuku, mas as calçadas estavam escorregadias e se Shizuo aparecesse para tentar surrá-lo naquele momento, provavelmente até conseguiria.
“Maldita hora em que aceitei encontrar o meu cliente aqui em Ikebukuro!”
A chuva havia ficado mais forte e o barulho que fazia ao tocar o chão ou os telhados dos prédios, abafava qualquer outro som, por isso o informante não se deu conta da grande máquina de refrigerantes que voou em sua direção até ser tarde demais.
O impacto jogou o corpo de Izaya há uns bons seis metros de distância e o deixou bastante atordoado, tanto que não foi capaz de se erguer e sair dali antes que Shizuo o alcançasse, o erguesse pelo casaco e batesse suas costas com força na parede de um prédio em construção, ainda sem soltá-lo.
O informante sentia dor por cada parte do corpo, mas o que saiu de sua boca não foi um grito ou um gemido de dor, foi uma risada, uma bem debochada por sinal.
– Nee, nee... Você me pegou, Shizu-chan. O que vai fazer? Me surrar? – ampliou um pouco mais o sorriso – Ou vai me beijar, como eu fiz com você um tempinho atrás?
Mal terminou de falar e o gosto de sangue proveniente do soco de acabara de levar se fez presente em sua boca. Riu mais um pouco e quando virou o rosto novamente para na direção de Shizuo foi surpreendido por um beijo. Ficou sem reação por três segundos antes de corresponder ao beijo. Já havia cogitado a hipótese de beijá-lo novamente, apenas para provocá-lo – era disso que ele tentava se convencer – e nunca imaginou que o loiro fosse ter a iniciativa de beijá-lo. Shizuo era mesmo imprevisível.
~*~
Sorriu de canto ao virar em uma esquina e encontrar a van de Kadota e sua turma estacionada exatamente em frente ao local em que ele e Shizuo se beijaram.
– Yo, Dotacchin! Shizu-chan também fez vocês participarem do jogo?
– Já não era sem tempo, Izaya. – se desencostou da lateral da van, ficando de frente para o informante e lhe entregando mais um envelope vermelho.
“Nosso primeiro beijo teve gosto de sangue,
mas pra mim foi tão bom
quanto provar o mais delicioso dos chocolates.”
3ª pista: Foi estranho, mas ao mesmo tempo foi
surpreendentemente agradável.
Izaya franziu o cenho. Essa terceira pista era bem mais vaga que as outras duas.
– Izaya-san!
O informante desviou os olhos do cartão para fitar a fujoshi que havia aberto subitamente a porta da van e o encarava com olhos intensamente brilhantes. A garota lhe estendeu uma caixa vermelha retangular com um laço negro em volta, quase idêntica à caixa na qual estava a pulga de pelúcia, a diferença era que ela era mais rasa. Desfez o laço e retirou a tampa, encontrando bombons sortidos com recheio de licor, seus favoritos. Sorriu antes de pegar um e comê-lo, o recheio era de licor de ameixa.
– Sh-Shi-zu-chan... choc-colate... Iz-zaya-san... – Érika balbuciou de forma desconexa e um filete de sangue escorreu de seu nariz antes de ela desmaiar.
Izaya riu, divertido, vendo os outros três ampararem a garota. Todos, inclusive ele, já estavam mais que acostumados com esse tipo de reação dela quando o assunto envolvia Shizuo e Izaya. Se despediu brevemente recebendo alguns rápidos parabéns e seguiu com sua sacola já contendo dois presentes enquanto tentava decifrar aquela pista.
“Estranho mas ao mesmo tempo agradável”
Isso era difícil, se tratando dele e de Shizuo, tudo era de certa forma estranho, afinal, eles se detestavam no início e de repente, todo o ódio foi virando atração e então, outros sentimentos foram surgindo com o tempo, preocupação, carinho... amor.
Era irônico o fato de eles terem verdadeiramente se apaixonado um pelo outro e estarem conseguindo manter aquele relacionamento que já durava quase cinco anos, mesmo tendo personalidades e gostos tão diferentes.
Nada naquele relacionamento era convencional, a começar pelo fato de ambos serem homens e terem se detestado logo de cara. O primeiro beijo também não foi como outros por aí, nem a primeira vez que fizeram sexo e menos ainda a primeira vez que tiveram um encontro, se é que aquilo poderia ser ao menos considerado algo parecido com um.
~*~
– Pare de rir, idiota! – o loiro rosnou, ainda irritado, mas bem menos depois de ter arremessado a carrocinha de sorvetes com sorveteiro e tudo bem longe.
– Você ficou... uma gracinha com esse sorvete de casquinha na cabeça. – Izaya disse em meio ao riso.
Fazia pouco mais de dois meses que eles haviam parado de negar o óbvio e estavam em uma espécie de “namoro”, embora ainda corressem um atrás do outro em meio a postes e canivetes voadores. A idéia de terem um encontro partiu de Izaya, claro, no início era apenas provocação, mas a reação surpresa e um tanto envergonhada de Shizuo, o fez pensar melhor na idéia e se divertir um pouquinho com aquilo.
No início o loiro recusou veementemente aquela idéia, achando-a completamente ridícula, mas Izaya usou meios... bastante convincentes para fazê-lo mudar de ideia e por isso estavam ali, tendo aquele ‘encontro’ no parque. No começo tudo correu bem – para os padrões deles, é claro – até Shizuo se irritar com um sorveteiro que acidentalmente derrubou um sorvete de casquinha em sua cabeça.
– Então vamos ver se é realmente engraçado. – pegou um pouco de sorvete que havia caído no chão quando arremessou a carrocinha e o jogou bem na cara de Izaya, que ao invés de ficar irritado, como previa Shizuo, riu ainda mais e deu início a uma pequena guerra de sorvete derretido.
~*~
Depois disso, deram uma passada rápida no Rússia Sushi e então Izaya meio que arrastou o loiro até sua antiga casa, onde morava com os pais e as irmãs, que estavam viajando por aqueles dias. Shizuo não questionou o motivo de o moreno ainda ter as chaves da antiga casa e nem de tê-lo levado pra lá. Tomaram banho, comeram o sushi que haviam comprado e conversaram sobre coisas banais, coisas das quais gostavam.
Aquele “encontro” se encaixava perfeitamente na definição de ‘estranho e agradável’, e como seus amigos mais próximos estavam envolvidos naquele jogo, o próximo lugar que deveria visitar era o seu restaurante de sushi favorito.
– Oh, Izaya! Veio comer sushi? – cumprimentou o negro sorridente ao ver o informante se aproximar.
– Olá, Simon. Na verdade vim buscar outra coisa. Creio que o Shizu-chan tenha deixado algo pra mim aqui, certo?
– Ah, Shizuo! Ele esteve aqui mais cedo. – abaixou-se atrás do balcão e logo ergueu-se novamente com uma caixa vermelha em mãos e a entregando ao informante juntamente com o já esperado envelope vermelho.
Definitivamente aquele foi o dia mais estranho
da minha vida. Nunca tinha pensado que passar
um dia inteiro com você fosse ser tão agradável
e até mesmo divertido. Acabei conhecendo
um lado seu que nunca tinha visto,
inclusive esse seu gosto pela leitura.
Bom, esse presente não é bem uma novidade pra você,
mas sei que ainda não o tem na sua coleção
de primeiras edições.
4ª pista: Cinco palavras.
Izaya sorriu. Não precisava nem pensar para saber quais eram aquelas cinco palavras e aonde deveria ir agora. Guardou o cartão no bolso junto com os demais e abriu seu terceiro presente, deparando-se com um livro, óbvio, um exemplar de capa dura muitíssimo bem conservado de “Admirável mundo novo”, uma obra incrível que havia lido quando ainda estava cursando o fundamental, era um dos seus livros favoritos e se lembrava de ter falado bastante sobre ele naquele dia com Shizuo. Tornou a guardar o livro na caixa e a pôs na sacola junto com os bombons e a pulga de pelúcia, se despediu de Simon, que também lhe desejou um feliz aniversário e seguiu à passos lentos em direção ao apartamento do loiro. Sabia que ele estaria lá, o esperando, assim como há pouco mais de três anos, quando ele havia lhe dito pela primeira vez aquelas cinco palavrinhas.
Shizuo era um homem quieto, de poucas palavras, sempre se expressou melhor com ações do que verbalmente e isso não era diferente quando se tratava do relacionamento deles. As emoções do loiro sempre estiveram à flor da pele, bastante visíveis para quem quer que fosse, só era preciso prestar atenção. Coisa que Izaya fazia desde a primeira vez que viu o loiro.
O informante sempre soube o que Shizuo sentia por ele, o loiro sempre fez questão de demonstrar isso, mas havia algumas raras ocasiões em que ele expunha seus sentimentos em palavras, e por esses momentos serem tão raros, eles eram infinitamente mais intensos e preciosos que qualquer um outro.
O prédio em que Shizuo morava ficava em um bairro de classe média bem afastado do centro. Izaya subiu calmamente os três lances de escadas até chegar ao quarto andar e se dirigir à terceira porta da direita. Tirou a cópia da chave que já tinha há anos do bolso e entrou no apartamento, notando que um envelope vermelho, um pouco maior que os anteriores, havia caído no chão quando abriu a porta. Abriu-o e leu o cartão que havia dentro.
Não costumo expressar com palavras o que sinto
por você ou que você significa pra mim. Talvez
eu devesse fazer isso mais vezes para que
você nunca duvide, nunca se esqueça.
VOCÊ É TUDO PRA MIM.
É a pessoa em que penso quando acordo, quando
durmo, em cada minuto do meu dia e
também em cada sonho que tenho. Não
consigo imaginar minha vida sem você, sem esses
seus sorrisos provocadores, suas palavras
sarcásticas, seus beijos, suas carícias, suas declarações
de amor...
Eu amo você, Izaya. Amo como nunca pensei
que fosse amar alguém e continuarei amando, pra sempre.
Espero que tenha gostado dos três presentes
e do jogo, foi meio complicado fazer tudo isso em
um mês e se não fosse pela ajuda dos nossos amigos
talvez eu nem tivesse conseguido, mas no fim tudo deu certo. E
tenho ainda mais um presente pra você, e talvez
ele não seja tão original, legal ou raro
quanto os outros, na verdade, esse presente já
é seu há algum tempo.
Última pista: Siga a fita vermelha.
Izaya ficou completamente sem palavras depois de ler aquele cartão, seu coração batia descompassado e um sorriso bobo insistia em permanecer em seus lábios. Era a primeira vez que Shizuo fazia uma declaração tão intensa, tão apaixonada e ainda por cima escrita. O loiro não era do tipo que escrevia cartas, cartões ou meros bilhetes com declarações, ele simplesmente dizia, e de alguma forma o fato de ele ter se disposto a expor todos aqueles sentimentos no papel significava muito para Izaya.
O moreno pôs a sacola com os presentes no sofá e seguiu a fita vermelha que começava na porta do apartamento e continuava pelo pequeno corredor até o quarto de Shizuo. Abriu a porta e entrou no cômodo, vendo que a fita terminava em um grande laço ao redor do seu “presente”.
– Realmente não é tão original, legal ou raro. – disse em tom divertido enquanto se aproximava, acabando por sentar-se no colo do loiro, que por sua vez estava sentado na beirada da cama – Mas eu não poderia querer um presente melhor. – disse olhando-o nos olhos e sorrindo de forma sincera.
Shizuo sorriu de volta e passou os braços, que estavam presos pelo laço da fita, ao redor do corpo do moreno em uma espécie de abraço, que foi prontamente retribuído pelo informante que pôs os braços ao redor de seu pescoço.
– Você é tudo pra mim. – declarou o loiro. Aquelas cinco palavras eram a versão dele para “eu te amo”, já que segundo ele aquelas três palavras não eram suficientes para descrever o que Izaya significava para si.
– Eu também te amo. Muito.
Os rostos foram se aproximando lentamente sem que a troca de olhares fosse quebrada. Os lábios se encostaram de leve, como se estivessem apenas testando a maciez alheia antes de uma língua travessa percorrer suavemente a extensão da outra boca, que deixou escapar um quase inaudível suspiro de contentamento. As bocas finalmente se encontraram, encaixando-se perfeitamente em um beijo lento, intenso e apaixonado.
~*~
Izaya, assim como Shizuo, também não era do tipo romântico.
Mas quando se ama alguém e é amado com a mesma intensidade, às vezes, um pouco de romance deixa as coisas ainda melhores.
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