Cinco Minutos

18 Sem Saída


Notas iniciais
Genteeeee! Aproveitem que eu tô inspirada, postando um capítulo atrás do outro! KKKKKK Nem sei se isso é bom, pq nem dá tempo vcs comentarem direito o post anterior, mas mesmo assim, aqui estou eu! Não deixem de comentar o post anterior minha gente, vocês não tem I-D-E-I-A de como esses comentários me fazem querer continuar a escrever e é basicamente por eles que eu estou postando de novo hj. Sobre a história, vi que algumas pessoas estão com ódio mortal do Naruto-kun. E não é para menos. O rapaz fez muita besteira até agr. Mas eu queria dizer para - pelo amor de deus - não acharem que o Naruto é o vilão desta história e a Hinata é a pobre mocinha inocente. Não, gente. O Naruto não é o vilão. Aliás, na minha história não tem vilão. São apenas coisas que acho que poderiam acontecer na vida de qualquer, tirando o universo ninja, claro. Ele pode fazer muitas burrices, mas não faz porque é mau e sim porque é daquele tipo de gente que tem que errar muito e tomar muito na bunda pra aprender com os próprios erros voltar atrás para consertá-los. E é exatamente isso que ele está fazendo em relação à história. E a Hinata... Bem, eu queria que vocês a vissem como alguém forte e não o contrário. Porque apesar de toda dor ela continua de pé... Fraquejando em alguns momentos, mas quem nunca né? Não quero que a vejam como uma coitada que passou por maus bocados e é depressiva. Quero que a vejam como alguém forte que apesar de tudo o que passou está de pé, sobrevivendo, como eu acho que muitas pessoas são por aí hoje em dia. Não é exatamente feliz. Mas ama muito alguém e faz de tudo por ele, mesmo não sendo a primeira escolha de inicio. Isso é o amor. No mais, queria agradecer a todo mundo que comentou, eu estou deixando de estudar por Cinco Minutos (provavelmente vou me ferrar D:) E é isso, minha gente! Boa leitura!

“É melhor nunca ter tido, do que ter e perder".

Hinata olhou ao redor de si mesma. O apartamento de Naruto não era muito grande. E com certeza não era arrumado. Imaginou à quanto tempo ele não fazia uma faxina naquele lugar.

Mas não teve muito tempo de pensar sobre isso. Quer dizer, não teve muito tempo de se importar sobre. Havia uma coisa muito mais séria que precisava resolver com Naruto. Agora, não eram somente os dois que estavam em jogo. Agora, eles deviam colocar todas as cartas na mesa.

Sentada no sofá, Hinata observou Naruto trazer-lhe um copo d’água e se sentar na poltrona de frente a ela, observando cada movimento que fazia. Olhou para baixo, corada e bebeu um gole da sua água, deixando o copo em cima de uma mesinha de centro ali perto.

– O que veio falar, amor? – Naruto perguntou carinhosamente e Hinata de repente sentiu muita raiva dele.

– Não me chame assim. – ela disse no mesmo tom frio que havia usado com Chihiro e Naruto piscou um pouco aturdido, sem saber como lidar com aquilo. – Não quando nós dois sabemos que não é verdade.

– Mas é verdade! – Naruto exclamou, quase indignado.

– Eu não acredito em você. Por que deveria? – Hinata perguntou friamente, tentando não demonstrar o quanto as atitudes dele a magoavam. – Você nunca fez por merecer. – ela disse e Naruto a olhou surpreso.

Observou atentamente a morena à sua frente. Os cabelos dela tinham crescido um pouco nesses últimos tempos. Havia engordado um pouco também. Talvez por causa da gravidez. Mas o que mais lhe chamou atenção foram seus olhos. Estavam diferentes, com uma ferocidade que Naruto jamais havia visto em Hinata. Talvez agora que fosse líder do clã tivesse que parecer assim, mais rígida, como o resto do clã também parecia ser. Mas ele sabia que não era só isso.

Tinha a ver com ele. Claro que tinha. Tudo nela parecia responder às suas atitudes. E agora depois da notícia da gravidez, Hinata sabia que nunca mais iria ser pisada por ninguém. Não quando tinha uma vida dentro de si... Uma vida que ela teria que proteger pelo resto da sua própria.

– Desculpe. – ele pediu. Não ousou insistir como havia feito alguns dias antes, quando eles se beijaram. – O que tem a me dizer? – ele perguntou, cansado.

– Eu estou grávida. – ela disse simplesmente e Naruto a olhou tentando parecer surpreso, já que na verdade já sabia da notícia.

– Eu... Hã... – Naruto começou a gaguejar. De alguma forma parecia mais real só pelo fato de ela estar ali, contando para ele. – Você... Está grávida. – ele repetiu cautelosamente olhando para o chão e depois para Hinata. – Você está grávida.

– Sim. – ela disse sem se abalar.

– O... O que nós vamos fazer? – ele perguntou olhando para ela com cautela.

– Nós? – Hinata perguntou e Naruto a olhou confuso. – Nós não vamos fazer nada. Eu vou lidar com isso. – ela disse e Naruto a olhou ainda mais confuso.

– O que você quer dizer?

– Quero dizer que... – Hinata parou de falar um instante, pensando nas próximas palavras que iria dizer. Provavelmente as mais importantes da sua vida.

Não sabia o que fazer quando resolveu ir até a casa do loiro. Não sabia como ele iria reagir. Não sabia se eles resolveriam lutar contra tudo e contra todos e criar o filho juntos ou se iria se afastar de vez. Não sabia de nada.

Mas quando viu aquela mulher no apartamento dele, quando ouviu tudo o que ela disse, Hinata soube. E soube imediatamente. Lembrou tudo que eles haviam vivido. De todas as mágoas, de todas as lágrimas que ela derramou por ele. Lembrou como quase morreu por culpa de suas palavras cruéis.

– Isso não é da sua conta. Deveria estar treinando mais e se intrometendo menos Hinata, se quiser se tornar uma ninja de verdade. – disse o Uzumaki maldosamente uma vez, há muito tempo, quando Hinata idiotamente perguntara se ele estava bem”.

“– Você é sempre tão boazinha não é? Não tem a mínima força de vontade... Não sabe dizer um “não”... — ele falou como se ela fosse uma menininha. A voz meiga, mas as palavras afiadas como uma navalha. – Sabe, talvez seu pai tenha razão. Talvez você seja mesmo fraca, sem a mínima força de... — Naruto não pode terminar de falar, pois Hinata deu-lhe uma sonora tapa no rosto”.

“– Eu não me importo... – ele sussurrou como se doesse dizer aquilo. – Não me importa se ela morrer... Não me importa se eu morrer... Você não pode se machucar... É você quem eu amo e eu não posso te deixar morrer... Não pode ser minha culpa. – dessa vez ela não pôde escutar tão bem, pois Naruto havia dito muito baixo. Mas, com seu byakugan ela pôde ler perfeitamente seus lábios. É claro que ela desejou não ter feito isso”.

Lembrou de que há muito tempo ele havia escolhido aquela mulher ao invés dela, quando a chamou para ir ao baile de primavera. Pensou em como ele havia escolhido Chihiro para fazer amor, ao invés dela. Tudo que eles tinham passado era resultado das escolhas de Naruto e de sua própria idiotice. E quando Hinata percebeu aquilo, sentiu tanta raiva de Naruto que quase se esquecera de como ele sempre fora o amor da sua vida.

E pela primeira vez em todo aquele tempo, Naruto não pareceu ter tanta importância para ela. Pela primeira vez, Hinata colocou-se em primeiro lugar juntamente com o seu filho.

– Quero dizer que... – ela repetiu. – Isso não diz respeito a você. – ela disse e Naruto sentiu o coração acelerar.

– O-o quê? – ele perguntou sem realmente entender o que Hinata estava dizendo. – Como assim?

– Isso mesmo que você ouviu, Naruto. – ela enfatizou friamente e Naruto a olhou horrorizado. Hinata não seria capaz de fazer isso... Ou seria?

– Você não pode estar falando serio, Hinata. – ele disse completamente abismado. Aquilo não poderia estar acontecendo.

– Mas estou. – ela disse. – Eu não sabia o que fazer quando decidi vir até aqui, sabe? – ela começou, baixando o olhar para o chão, pensativa. Mas Naruto continuou olhando para ela surpreso. – Eu até pensei que nós poderíamos nos resolver depois disso, de uma vez por todas. – ela disse, levantando o olhar e olhando para ele com tanta raiva que Naruto se assustou. – Mas quando eu vi você com ela... – Hinata disse e fechou os punhos e os olhos com força, inclinando a cabeça para o lado. Respirou fundo e olhou para Naruto novamente. – Eu percebi finalmente tudo que está acontecendo, Naruto. – ela disse e Naruto continuou encarando-a sem fala. – Eu percebi que tudo o que aconteceu até agora, absolutamente tudo... – Hinata enfatizou. – Foi fruto das suas escolhas. Você escolheu tudo isso. Você escolheu dormir com aquela mulher... Você escolheu dizer que eu não importava para você... Você escolheu jogar com o meu amor e comigo. E acontece que eu estou farta disso. – Hinata finalizou e olhou para Naruto, agora com os olhos cheios de lágrimas. – Eu nunca pensei que fosse sentir tanta... – ela parou de falar quando sua voz ficou embargada pelo choro. – Tanta raiva de você Naruto-kun. – ela disse e Naruto franziu as sobrancelhas, olhando para a morena de modo devastado.

– Hinata... – ele começou. – Por favor, eu... – ele começou, mas não soube como continuar com aquilo. Felizmente – ou infelizmente – ele não precisou, pois Hinata o interrompeu.

– Não! – ela exclamou e o olhou profundamente. – Eu estou tão cansada de como tudo dá errado para mim... – ela desabafou. – E não aguento mais ouvir suas desculpas. Não aguento mais ter que te perdoar. E não sei se posso mais fazer isso. – ela disse e viu uma lágrima escorrer por sua bochecha. – Você tinha razão, afinal. Eu não te perdoei. E não acho que vá conseguir dessa vez. – ela disse e Naruto sentiu seu coração despedaçar. Em um ato de desespero, o Uzumaki levantou-se de sua cadeira e se jogou aos pés de Hinata, desesperado.

– Hinata, por favor! – ele implorou. – Deixe-me mostrar que eu mudei! Deixe-me mostrar que posso te fazer feliz! Eu... Eu imploro! Eu... – sua voz ficou mais fraca pelo choro que estava vindo. – Eu não posso viver sem você... Eu te amo tanto... – ele continuou agarrando as mãos dela e beijando-as como numa súplica. – Eu não sou nada sem você... – ele disse e a abraçou pela cintura fortemente, como se não quisesse soltá-la jamais... Como se, se ele o fizesse, ela não fosse voltar nunca mais.

Naruto sentiu Hinata soluçar, desabando daquela postura fria que ela havia imposto a ele. Sentiu ela também o abraçar e enfiar as mãos em seus cabelos como que o amparando, quando ela mesma também precisava de amparo.

– Sabe o que é pior? – ela perguntou com um sussurro e Naruto prestou atenção, mesmo com o rosto encostado nela. – Depois de tudo isso, depois de toda essa dor... – ela continuou. – Aqui estou eu tentando amparar você e confortá-lo de alguma forma... Porque eu simplesmente não consigo deixar de amar você. – ela disse e Naruto rapidamente desencostou sua cabeça olhando para ela com os olhos esperançosos.

– Então me deixe amar você. Deixe-me mostrar a você que eu sou capaz de fazer te fazer feliz, Hinata... – ele disse aproximando o rosto do dela e selando seus lábios rapidamente. – Deixe-me tentar... – ele pediu, selando seus lábios uma segunda vez. E uma terceira. Até aprofundar o beijo de vez.

Hinata sentiu seu coração inflar. As lágrimas desceram abundantes de seus olhos fechados. Aquele não era um beijo como os outros. Era um beijo cheio de desespero e dor, de ambas as partes. Era um beijo de súplica e medo de ficar longe.

Quando se separaram, o rosto de Hinata enrugou, enquanto ela fazia esforço para não chorar.

– Eu não posso mais... – ela falou num sussurro e como resposta o rosto de Naruto também enrugou, mas as lágrimas foram mais fortes.

– Por favor... – ele implorou uma ultima vez, mesmo sabendo que era inútil. E, pela primeira vez depois de tudo aquilo, ele teve certeza de que aquele era mesmo o fim de Naruto e Hinata.

Hinata não respondeu. Apenas suspirou. Afastou Naruto de seu corpo e levantou-se da cadeira, indo em direção à porta do apartamento dele. – Naruto olhou para as costas dela sofregamente. Fechou os punhos com força.

– Você não pode me afastar do meu filho, Hinata. – ele disse, mas sabia que se ela quisesse, ela bem que poderia mesmo. Talvez se ele pedisse ajuda a Tsunade... Não, Nem assim. Era óbvio que Hinata não o queria mais por perto, nem dela nem do bebê. Mesmo que não fosse totalmente justo – e era obvio que não era – ele sabia que não tinha direito algum de reclamá-la de alguma forma, por mais arrasado que fosse ficar. O filho era dele, mas parecia que era mais de Hinata do que dele. Por mais estranho que isso fosse.

– Eu passei a poder desde o momento em que você disse com todas as letras que não se importava com a minha vida. Bom, agradeça Naruto-kun. Agora você não faz mais parte dela. – ela disse, abrindo a porta e saindo do apartamento.

Naruto arregalou os olhos. Hinata nunca fora tão sincera com ele como havia sido naquela conversa. Nunca fora tão sincera quanto naquela ultima frase dita.

E assim, tão simplesmente, Naruto soube que havia perdido tudo. Hinata, o filho e o que ele sonhou ser um dia sua família.

[...]

Hinata chegou ao clã Hyuuga como um zumbi. Não lembrava como havia percorrido o caminho até em casa, mas agradeceu internamente de não ter sido atacada ou alguma coisa do tipo, porque se não, não teria forças para reagir.

Entrou na grande e assombrosa casa principal dos Hyuuga e caminhou diretamente ao seu quarto. Parecia não haver ninguém em casa. Hanabi estava provavelmente treinando com seu time e Neji provavelmente estava em missão. Seu pai... Bem, não fazia diferença se estava em casa ou não. Apesar de estar bem menos rígido depois de Hinata ter saído do hospital, Hiashi não estava lá um mar de rosas. Mas pelo menos deixava sua filha respirar.

Subiu as escadas que davam para o seu quarto. Abriu a porta e adentrou. Estava escuro, com cortinas e janelas fechadas.

Mas não foi bem por isso que Hinata desabou no chão quase no mesmo instante em que adentrara o quarto e pôs-se a chorar. Talvez fosse por que... Bem, tudo parecia exatamente como naquele quarto. Escuro, abafado e solitário.

Solidão. Hinata viu-se novamente naquele abismo. Arregalou os olhos e respirou rapidamente como se não sentisse o ar entrar nos pulmões. Parecia que estavam lhe enforcando porque estava quase sem fôlego.

E então ela gritou. Gritou tão alto e tão forte que sentiu a garganta arder. Sabia que uma hora ou outra alguém ia bater no seu quarto e perguntar o que estava acontecendo, mas ela simplesmente não se importou. Gritou mais alto.

Não parecia um grito de dor, mas era exatamente isso que era. De dor, desespero, solidão, mágoa, de um coração partido.

Chorou tão alto que sentiu o ar faltar mais uma vez e começou a soluçar.

– Meu Deus... – Hinata rezou baixinho, como uma súplica, amassando a blusa no lugar do coração, como se quisesse arrancá-lo. – Eu não... Eu não vou aguentar... – ela disse e soluçou mais alto.

Parecia que esse poço nunca iria ter fim. Hinata já havia passado por maus bocados antes. Mas isso? Isso ela nunca havia sentido. Parecia que estava morrendo por dentro de tanta dor.

Talvez fosse isso que a gente sentisse quando a esperança acabava, talvez fosse assim a vida na escuridão. E Hinata já parecia abraçada a ela. Tão forte que respirava cuidadosamente agora, mal conseguindo manter-se lúcida.

Naruto-kun...” – pensou ela quase voltando a gritar. Como era possível que estivesse se sentindo assim só agora, depois de tudo que acontecera entre eles nesses últimos dias? Como era possível que a dor só a tivesse atingido agora? E por que agora? E por quê assim?

Talvez porque aquilo fosse o ponto final. O fim de Naruto e Hinata. O fim de todo o laço que eles tinham. E só agora isso tivesse ocorrido a Hinata. Talvez, cortar o laço que tinha com a pessoa que mais amou na vida, a pessoa a quem mais se espelhou na vida, fosse a única coisa a qual ela não fosse aguentar.

E então Hinata soube que ouvir palavras absurdas e cruéis de Naruto não era nada comparado ao que ela teria que enfrentar sozinha, sem ter ninguém em quem se espelhar. Sem sentir esperança alguma. Sem Naruto.

Sem Naruto... Hinata quase sufocou quando pensou nisso. Parecia sem saída de um labirinto de dor. E sem esperança de chegar até o fim, de sair do labirinto, porque sua força havia morrido quando decidiu cortar seus laços com Naruto. Não havia mais o que insistir. Não havia mais saída.

Sem Naruto não existia Hinata.

[...]

Ele continuava parado exatamente no mesmo lugar olhando fixamente para a porta, sem realmente vê-la.

“- Eu passei a poder desde o momento em que você disse com todas as letras que não se importava com a minha vida. Bom, agradeça Naruto-kun. Agora você não faz mais parte dela. – ela disse, abrindo a porta e saindo do apartamento”.

Era o que se repetia em sua mente desde o momento em que ela havia saído pela porta. “Agora você não faz mais parte dela”.

Então era isso? Era o fim?

Naruto olhou a porta desesperado, agora se levantando de vez de onde estava abraçado a Hinata algum tempo atrás. E finalmente deu-se conta do que acabara de acontecer. Ela fechou a porta para ele. E parecia que havia fechado para sempre. E tirara dele também a chance de ter um filho, de conhecê-lo e de finalmente formar uma família.

Que idiota. Não havia sido ela a tirar aquela chance das mãos de Naruto. Não havia sido Hinata a fechar a porta, trancá-la e jogar a chave fora de uma vez por todas e cortar todos os laços daquele relacionamento. Se é que aquilo alguma vez fora um relacionamento.

Fora ele. Começara a cortar os laços no momento em que magoou Hinata pela primeira vez. E não importava o quão forte ele desejasse ou o quanto tenha tentado consertar as coisas. Naruto soube que depois daquilo, não havia mais volta.

Acabou...” – ele pensou imediatamente se desesperando. As lágrimas tomaram seus olhos imediatamente e ele desabou no chão de novo, apertando os joelhos entre os braços e balançando-se para trás e para frente. Olhou para frente. Olhou para os lados.

E então se sentiu sufocar naquele apartamento minúsculo. Porque apesar do tamanho, a solidão parecia infinitamente maior do que jamais foi. Maior do que quando Sasuke foi embora. Maior do que quando Konoha fora destruída. Maior do que quando Sasuke e Sakura ficaram juntos finalmente. Maior do que em toda a sua infância, porque Naruto finalmente entendera as palavras de Sasuke quando dissera que é melhor nunca ter tido, do que ter e perder.

Porque ele havia perdido Hinata. Perdido a única pessoa que o amara a vida toda, até quando ele era odiado por todos. A única pessoa a qual amou verdadeiramente.

Naquele mesmo labirinto de dor o qual Hinata se encontrava, estava Naruto. Sem conseguir encontrar nenhuma direção que o levasse a ela... Sem conseguir se mexer sem ela.

Não dava para insistir. E nem poderia. Estava sem saída.

Sem Hinata não existia Naruto.

DOIS DIAS DEPOIS

Sakura Haruno adentrou a antiga mansão dos Uchiha como se morasse lá. E, de certa forma, morava. Quer dizer, Sasuke lhe dera a chave a algum tempo e agora eles estava tão íntimos que era quase como se estivessem casados.

Que ideia estúpida”. – pensou ela, ficando vermelha logo em seguida. “Sasuke-kun nunca me pediria em casamento”. – pensou.

Mas depois de ter recebido a notícia de que Hinata estava grávida parecia que Sakura não conseguia parar de pensar nisso. Não necessariamente em casamento, mas em formar uma família com Sasuke. Quer dizer, sabia que era muito nova para ter aquele tipo de ideias, mas Naruto e Hinata pareciam ter adorado.

Ou talvez ela só tenha pensado nisso porque queria que tivesse sido assim.

– No que está pensando? – Sasuke perguntou, fazendo Sakura se assustar. Ele devia estar parado na frente dela fazia uns dois minutos, mas ela não parecia tê-lo notado.

– Nossa, você me assustou! – ela disse colocando a mão no peito e suspirando alto, tentando acalmar o coração acelerado.

– Desculpe. – ele disse e se aproximou, beijando singelamente. – Mas você não me respondeu. – ele disse e a olhou curiosamente.

– Estava pensando no Naruto e na Hinata. – ela disse e não era mentira, afinal. Era uma meia-verdade.

– Finalmente se acertaram? – Sasuke perguntou segurando Sakura pela mão e guiando-a até o sofá. Sentou-se e depois Sakura sentou em seu colo.

– Quem dera. – Sakura suspirou. – Mas na verdade não tenho certeza. Não sei se ela contou a ele que está grávida... Depois disso, eles devem se acertar. – ela disse simplesmente e Sasuke arregalou os olhos, surpreso.

– Como assim ela está grávida? – ele disse se sobressaltando e quase acertando Sakura no rosto com as mãos. A rosada riu.

– Isso mesmo. Parece que esqueci de te contar. – mas não havia esquecido coisa nenhuma. Na verdade não sabia como Hinata iria reagir se ela contasse para Sasuke, mas agora escapou sem querer. – Você tem visto algum dos dois alias? – ela perguntou curiosa. Fazia tempo que não via Hinata e Naruto.

– Não, mas pelo o que os ANBU me disseram, o Naruto não sai de casa faz uns dois dias. – o moreno disse normalmente, como se aquilo não fosse nada demais. – O mesmo com a Hinata.

– Como assim? Você anda espionando o Naruto? – ela perguntou se sobressaltando e pulando do colo dele. – Mas que tipo de brincadeira é essa Sasuke-kun? – ela perguntou nervosamente e Sasuke riu.

– Acalme-se Sakura. – ele disse, mas ela continuou de pé, olhando para ele de braços cruzados, como que pedindo explicações. – Você sabe que o Naruto se tornou um grande ninja. Provavelmente o mais poderoso de todos. – Sasuke disse e bufou como se odiasse admitir aquilo. – As autoridades acham prudente que a ANBU o observe. – o moreno explicou. Sakura abriu a boca para falar de novo, mas Sasuke a interrompeu. – E antes que você me pergunte sobre a Hinata... – ele começou e Sakura fechou a boca de novo, esperando-o continuar. – Não sei se você sabe, mas a Hinata está no bingo book. O Naruto, eu e você também, só pra constar. Muito obrigada Akatsuki. – ele comentou parecendo indignado. Sakura arregalou os olhos. – Pois então... A ANBU também acha prudente vigiá-la. Você também deve estar sendo vigiada e eu também. Mas ninguém me disse nada sobre isso, óbvio. – ele comentou. Óbvio.

– Nós... Estamos no bingo book? – ela perguntou cautelosamente e pareceu pensar bastante a respeito antes de sentar-se novamente no colo do namorado. – Isso é bem sério, Sasuke. – ela disse e o moreno concordou com a cabeça. – Você acha que estamos correndo perigo? – ela perguntou nervosa.

– Claro. – ele respondeu simplesmente e Sakura deu-lhe uma tapa no braço. – Ai! Sakura, nós somos ninjas. De qualquer forma nós estamos correndo perigo. Só acontece de estarmos correndo um pouco mais do que os ninjas ordinários. – ele disse com a sobrancelha erguida. – Vê se relaxa. – ele disse e a rosada deu de ombros, sem saber muito bem como lidar com aquilo e sem querer se preocupar agora.

– Vamos deixar para lá então. – ela disse e suspirou. – Mas tem uma coisa que você disse que me intrigou bastante. – falou olhando para o moreno curiosamente. Sasuke retribuiu o olhar, incitando-a a continuar. – O Naruto não sai de casa a dois dias? E nem a Hinata? Isso é bem estranho, você não acha? – ela pergunto semicerrando os olhos e Sasuke acompanhou bem seu raciocínio. – Você acha que é melhor nós irmos vê-lo? – ela perguntou e Sasuke assentiu, preocupando-se com o amigo.

[...]

Já estavam a meio caminho andado quando Sakura parou. Olhou ao longe o prédio do amigo, que se destacava um pouco dos demais por ser bastante alto.

– Sasuke-kun... – ela chamou o namorado cautelosamente, assustando-se de repente. Sasuke também parou, olhando para namorada que havia ficado um pouco para trás.

– O que houve? – ele perguntou, também se preocupando.

– Não estou sentindo o chakra do Naruto. – ela disse o olhando muito assustada. Sasuke a olhou surpreso. Tentou ele mesmo sentir o chakra do amigo, mas não conseguiu.

– Mas... O que... – o moreno gaguejou um pouco, tentando se acalmar e também Sakura. – Ele deve estar bem. – ele disse, tentando não entrar em pânico. – Vamos logo, Sakura! – ele a apressou e de repente começaram a correr em direção ao apartamento de Naruto.

Quando chegaram ao prédio, pegaram a chave que sabiam estar no vaso de uma planta – aparentemente todos sabiam daquela chave – e abriram o portão, subindo as escadas rapidamente, abrindo a porta do apartamento de Naruto sem nem piscar.

– Naruto! – os dois gritaram juntos, observando o apartamento em completo silencio e totalmente imundo. O cheiro do lugar estava muito insuportável. Olharam um para o outro e resolveram entrar no quarto do rapaz.

E lá estava ele. Deitado na cama de bruços como se estivesse dormindo. A única coisa estranha era que a cama estava completamente ensopada de sangue. E o pior de tudo era que parecia estar saindo de um dos pulsos de Naruto.

– Ele está... – Sakura começou, ficando com a voz embargada pelo choro que estava por vir.

– Morto? – Sasuke completou completamente horrorizado.

Sakura olhou para o namorado completamente estarrecida. Naruto Uzumaki... Morto? Mas que tipo de brincadeira era aquela? E o pior de tudo era que parecia já fazer algum tempo que ele estava naquela situação, já que boa parte do sangue que manchava os lençóis brancos da cama estava seco.

A última coisa que Sakura Haruno ouviu foi o próprio grito de horror ao ver aquela cena, antes de desabar no chão, desmaiada.

Notas finais
Reviews? *________________________*