Cinco Minutos

3 Primeiros Indícios de Dor


Notas iniciais
Olá! Como prometido, postei rapidinho!
Espero que não esteja indo rápido demais na história. Planejo fazê-la curta, mas com capítulos grandes e sem enrolação. Obrigada pela atenção e espero que gostem!

Boa leitura!

Naruto estava sentando à mesa no Ichiraku’s, esperando calmamente pelo seu rámen, que por sinal, estava demorando muito. Bom, calmamente para que o via de fora, pois, por dentro ele estava praticamente entrando em erupção. Por algum motivo que não sabia explicar, quando Hinata o chamara daquela forma o incomodara consideravelmente. Algo estava terrivelmente errado. Ele se lembrou, então, da pequena ponta de dor que viu no olhar da garota e que sumiu logo depois. “Algo, com certeza, está terrivelmente errado.”

-Aqui está. – disse a garçonete sorrindo simpaticamente e retirando-se logo depois. Naruto, então, começou a comer, ainda pensando em como tudo parecia estar dando errado para ele naquele momento. Perdera seu grande amor para seu melhor amigo e agora, se não bastasse, parecia que havia perdido a boa amiga que Hinata era e tudo isso por pura estupidez sua.

Comeu mais uma porção do macarrão. Ou pelo menos teve a intenção de comer. Levou a porção até bem próximo da boca, mas parou. A garota do clã mais poderoso da vila da folha andava rapidamente, parecendo nervosa com alguma coisa. E como num impulso de pura estupidez, pelo menos foi o que pensou, ele gritou pela Hyuuga.

-Ei, Hinata, espera aí! – chamou ele, observando ela parar e olhar na direção de sua voz. Ela ficara vermelha ao perceber quem a chamara, mas mesmo assim, caminhou até ele. – Por que não se senta aqui? – perguntou ele, vendo a garota parada a sua frente o olhando curiosamente. – Eu vou te pagar um rámen.

O seu coração acelerou quando ele disse isso. Ela não soube como, mas seu corpo se mexeu sem sua permissão, automaticamente, sentando-se na cadeira em frente à dele.

Naruto chamou novamente a garçonete e esta perguntou o que Hinata iria querer.

-Eu... De legumes, por favor. – dito isso, a garota se foi e Hinata encontrava-se mais uma vez sozinha com Naruto.

Ele observou a garota de olhos peculiares atentamente, pela primeira vez. Percebeu, então, suas mãos entrelaças e por vezes agitadas, mostrando seu nervosismo. Percebeu ela morder o lábio inferior, também mostrando a agitação. Viu como ela era pálida, mesmo com o sol tão forte de Konoha. E percebeu por fim, como ela ficara bonita com o tempo. Realmente bonita.

Mas parecia que ela estava doente. Ele sabia que a pele dela era pálida por Natureza, mas mesmo assim, aquele pálido não parecia ser natural.

-Hinata. – ele chamou e ela olhou diretamente para seus olhos. – Me desculpe. – disse, suspirando. – Não queria dizer aquilo. Não queria ofende-la.

-Não há problema. –“Já estou acostumada.” – Obrigado por pagar um rámen para mim. – disse, tentando desviar o assunto “Hinata desprezível” por um momento.

-Não há de quê. – disse, olhando intensamente para ela. – Hinata. – ela o olhou. – Você está bem? Parece doente. Está pálida.

- Estou bem – disse ela.

Ele resolveu mudar de assunto.

- Então... Ouvi o Kiba dizer que sua sensei tinha que falar com vocês... Era algo importante? — perguntou o Uzumaki, arrependendo-se no segundo seguinte. Agora era ele que estava se intrometendo. Mas é claro que sendo Hinata quem era, não iria ser grosseira com ele. Afinal, era ele quem ela amava.

- Nada demais, na v-verdade. S-sabe, como ela está g-grávida, ela me p-pediu...

- A Kurenai-sensei está grávida? — perguntou Naruto realmente surpreso com o fato. — De quem? Não é do Kakashi-sensei é? — perguntou novamente, com um brilho no olhar, ficando feliz por seu sensei antecipadamente. E, para sua surpresa, ele escutou Hinata rir. Não foi lá a risada mais escandalosa do mundo, é a Hinata, pelo amor de Deus. Mas foi a risada mais alta que ele escutou a garota dar. E depois de tanto tempo, foi o riso mais sincero dado pela Hyuuga, o que fez a garota ficar ainda mais bonita.

Naruto, por sua vez, ficou encantado. Ele a olhou, surpreso e depois sorriu juntamente com a Hyuuga. Mas, ao perceber o que acabara de fazer, rindo de Naruto, Hinata ficou tão vermelha que foi a vez do próprio Naruto rir. Ela então, sentiu-se ridícula.

-M-me desculpe... N-Naruto-san, eu não queria... — ela tentou se explicar, mas parou imediatamente quando Naruto cessou o riso e a olhou, sério.

-Hinata. — ela o olhou. — Não me chame assim. — ele pediu, realmente incomodado com o sufixo. Parecia que eles eram distantes, o que não era verdade, pois sempre estudaram juntos.

-Como devo chamá-lo então? — perguntou ela, sabendo muito bem como ele queria que ela o chamasse. Coisa que não ia mais acontecer.

Naruto abriu a boca, tentando dizer algo, mas foi interrompido pela garçonete, que veio trazendo o prato de Hinata. Lembrou-se então, do próprio prato. Decepcionado, ele viu que seu ramen esfriara. “Droga, eu devo merecer.”

- Como antes, deve me chamar como me chamava antes de eu... — ele parou a frase no meio. Tinham chegado em terreno proibido. “Ai, que merda, eu não dou uma dentro!”

Hinata apenas o olhou. Suspirou pesadamente e tentou mudar de assunto.

- Bom, é melhor esquecermos, s-sim? Como eu estava dizendo, desde que a Kurenai-sensei engravidou, do Asuma-sensei — disse, respondendo a pergunta dele. — Ela tem ficado cada vez mais... Impossibilitada. Então, enquanto está assim, ela resolveu passar seu novo time de genins para um de nós, para que o treinássemos.

Naruto a olhou, surpreso. Ele sabia que o mais provável a ser escolhido era kiba, mas mesmo assim resolveu perguntar.

— E quem ela escolheu?

- Ela escolheu... B-bem, eu mesma. — Hinata não pôde deixar de suspirar quando Naruto a olhou surpreso. Ela ficou magoada com sua pouca fé nela.

- Nossa! Isso é muito legal, hã? Você está ansiosa? — perguntou ele, realmente surpreso e ao mesmo tempo feliz pela Hyuuga.

- N-na v-verdade, estou u-um p-pouco receosa... Meu tempo está realmente curto e... Meu p-pai... — Hinata não terminou de falar. Olhou para baixo e como antes, deixou sua tristeza e cansaço extravasarem um pouco. Olhou para Naruto e viu como ele a olhava, prestando atenção aos mínimos detalhes da conversa.

Ele nunca havia conversado realmente com a garota e notou a tristeza em sua fala, mesmo que praticamente invisível. Notou, pela primeira vez, seus olhos. Olhos perolados, característicos do clã, mas que estavam terrivelmente opacos e sem brilho. “Algo, com certeza, está terrivelmente errado.”, pensou ele, novamente. Infelizmente, ele estava completamente certo.

— Desculpe, Naruto-san, n-não quero lhe in-incomodar, eu... Não devia jogar tudo e-em cima de vo-você. — suspirou, cansada.

Naruto sorriu. Ela era realmente muito boa, pensou. Ela não havia falado quase nada, mas mesmo assim preocupou-se em deixá-lo preocupado. “Mas você não se importa com ela, garoto.” A voz da raposa falou em sua mente, sombria. “Ela podia despejar um caminhão de problemas em cima de você, mas você não daria a mínima.”

- Isso não é verdade! — Naruto vociferou. Percebeu então, sua gafe. Ele falara em voz alta, observando uma Hinata olhá-lo confusa e ao mesmo tempo curiosa. — Hã, desculpe Hinata, eu... — e inacreditavelmente, o velho e bom cabeça-oca corou. — Eu... Deixe para lá, ok?

- Tu-tudo bem. — olhou novamente para ele e depois olhou para o relógio em seu pulso fino. “Hum, estou atrasada!” Hinata levantou-se, observando ela mesma um Naruto confuso com o gesto. — Desculpe-me, Naruto-san, tenho que ir. — ela então pegou um maço de dinheiro guardado e jogou em cima da mesa, a fim de pagar seu próprio ramen. Certo que tinha mais que o necessário para pagar o seu e o de Naruto e o de mais cinco pessoas, mas tudo bem. — Obrigado por m-me convidar. — ela fez uma reverencia e correu em direção ao seu martírio diário.

- Hey, Hinata! Eu disse que pagava! — mas ela não pôde ouvir, pois já estava muito longe. Ele olhou para o próprio prato e para o prato dela e viu que nenhum dos dois comeu realmente. — Bom, dinheiro perdido. Mas será o meu, não o dela. — ele pegou o dinheiro da morena, guardando-o e, em seguida, pegando o seu próprio. Jogou o dinheiro necessário para os dois pratos e saiu em seguida. “Depois eu devolvo para ela.”
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Já era noite em Konoha. Tudo parecia calmo debaixo do céu incrivelmente estrelado da vila. Mas, dentro de um pequeno apartamento estava o caos. Depois de três meses fora de casa, o “apertamento” de Naruto estava completamente bagunçado. Ele tentava, inutilmente por ordem àquilo tudo, mas parecia ser impossível. E tudo só piorava quando era interrompido. Bom, é claro que foi exatamente o que aconteceu.

A campainha tocou duas vezes e Naruto bufou irritado. Estava exausto e frustrado com tudo o que vinha acontecendo, estava preocupado com a Hyuuga, embora insistisse em dizer que não se importava e agora, só para encher ainda mais sua paciência, a campainha tocava no meio da faxina. Sério, alguém lá em cima devia odiá-lo.

- Já vou! — gritou ele exasperado.

E qual não foi sua surpresa quando deu de cara com nada mais nada menos do que Sasuke Uchiha. Em carne, osso e músculos incrivelmente definidos. Naruto o olhou furioso, mas sendo este seu amigo, não disse nada. Apenas abriu passagem para que ele entrasse. O rapaz de olhos cor de ônix entrou rapidamente, fechando a porta atrás de si.

- Você provavelmente deveria saber que estou arrumando tudo aqui. Você sabe que me irrita que me interrompam . — Naruto o olhou, dos pés a cabeça. Sasuke estava vestido normalmente, mas segurava em uma das mãos uma máscara de um pássaro. — Mas é claro que sabe. Foi por isso que veio, não é? Para me irritar. — perguntou, tentando sorrir e parecendo convincente com o ato. Mas não para Sasuke.

- Esse foi um dos motivos, mas não foi o principal. — respondeu o rapaz, dando seu típico meio sorriso.

- E qual seria seu principal motivo? — perguntou o loiro, sabendo muito bem o motivo da visita: Sakura.

- Eu vim falar dela. Da Sakura. Mas você já sabia disso, porque, apesar da cara, sei que não é tão idiota. — Sasuke sorriu, conseguindo arrancar um pequeno sorriso de Naruto. Dessa vez, um verdadeiro.

- Certo, eu sabia, lógico, ou pelo menos deveria saber. Então, eu estou ouvindo. Pode começar.

- Eu sei que você a ama, Naruto. — falou o Uchiha, simplesmente.

- Sim. E eu sei que você a ama. — respondeu Naruto, incrivelmente calmo. No entanto, o que mais queria, naquele momento, era socar Sasuke, matá-lo. Gritar com ele. Mostrar-se como se sentia, como se estivesse sendo traído.

- Sim. Mas, você também deve saber... Eu não vou desistir dela agora. — falou ele, novamente. Muito calmo.

- Sim, também sei disso. E não sou eu quem vai interferir. — retrucou Naruto, sentindo um gosto amargo na boca ao dizer aquelas palavras. E ele não iria mesmo. Sakura fez sua escolha. Se ela queria Sasuke... Bem, ele não podia fazer nada mais, apenas se remoer de ciúmes, como agora mesmo.

- Obrigado. — disse sinceramente o Uchiha, fitando intensamente o melhor amigo. O seu irmão. — Você sabe, Naruto... É importante o seu apoio. — disse o rapaz, esforçando-se bastante para dizer as palavras. Era realmente difícil dizer o que sentia.

- Eu não estou apoiando. Na verdade, estou querendo te bater até você morrer de tanto ciúme. Mas foi você quem ela escolheu. Não vou ser eu quem vai acabar com isso. Além disso, é realmente gratificante ver você dizendo essas coisas. “Sua opinião é importante” blá, blá, blá. Mas não precisava mesmo Sasuke-kun... Eu sei que você me ama. — disse Naruto, ironicamente, rindo da cara de desgosto que o amigo fez.

- Você é um idiota. — disse Sasuke e desapareceu. Naruto sorriu e logo após suspirou. Não iria ser fácil esquecer Sakura. Mas seria o que teria que fazer. Ou pelo menos se acostumar a ver o melhores amigos juntos sem que o ciúme falasse alto demais.

[...]

Estava escuro. Escuro demais. Nem a luz da lua conseguia iluminar pelo menos um pouco o ambiente, que, para ele, estava impossível até mesmo de identificar. Ele corria sem parar, mas já estava ficando cansado demais até para isso. Estava procurando uma coisa e sabia que se não achasse logo seria tarde demais. Mas nem mesmo ele sabia o que procurava. “Genjutsu!”, pensou, mesmo sabendo, lá no fundo que não era. Correu mais alguns metros. O tempo estava acabando e ele estava começando a se desesperar.

De repente, Naruto escorregou em uma poça que pareceu ser lama. Não, era muito... Limpa para ser lama. Alem disso, tinha um cheiro familiar, de sal e ferrugem. Ele pegou um pouco nos dedos e procurou um feixe de luz. Não era lama, afinal. Era sangue. Os pelos de seu corpo se eriçaram e ele soube, naquele momento, que era contagem regressiva. Ele estava fracassando. Correu mais um pouco, caindo de joelhos de tão cansado que estava. Ele olhou para o céu negro da madrugada e sentiu-se tonto, como se sendo puxado pelo pescoço por alguma coisa. E lá estava ele, mais uma vez, frente a frente com a raposa de nove caldas.

- Você está ficando sem tempo garoto. Acho que seria melhor se você começasse a agir de uma vez. — disse o animal com a voz sombria.

- Do que você está falando?! Eu nem mesmo sei o que estou procurando! Eu só quero encontrar... Mas... Mas... Eu não sei nem mesmo o que quero encontrar! — disse Naruto, realmente frustrado, querendo obter respostas.

- Você realmente não sabe. — disse a raposa, confirmando o que ele tinha acabado de dizer. — Não, não sabe mesmo. E nem posso culpá-lo, já que eu mesmo só descobri pouco tempo atrás. Umas cinco horas mais ou menos. Mas não vai ser eu quem vai lhe dizer a resposta.

- Sua raposa estúpida! Diga-me o que é! Se não disser eu vou... Eu vou... Morrer... De angustia... Eu não consigo... Nem mesmo... Respirar... — disse Naruto, com dor transparecendo em seus olhos azuis piscina, ofegando pelo cansaço e pela dor.

- Se você quer saber... Não é nem um milésimo da dor que ela sente... Ela é muito mais forte que você. Ela agüenta uma dor muito mais forte do que a que está sentindo e não reclama nunca. Ela nunca nem mesmo pediu ajuda. Mas ela está morrendo... Desde muito tempo... Ela está morrendo, aos poucos... E você está ajudando a matá-la.

- Do que você está falando? Do que está falando? — perguntou Naruto exasperado. Mas no fundo, sabendo que o demônio das nove caldas tinha razão, mesmo não sabendo do que se tratava realmente. — Quem está morrendo? Diga!

- Não fique tão estressadinho, garoto. Você não é o único que está matando a garota. Embora deva dizer que você é o que mais contribui. Ela está assim desde sempre. Mas, desde que você entrou na vida dela, acho que a dor aumentou consideravelmente... Apesar disso ela vem sobrevivendo a cada uma dessas quedas, com muito esforço, mas sobrevivendo mesmo assim. Mas chega uma hora que a dor espiritual está tão acumulada, que até mesmo o corpo físico reage...

- Mas que droga! — Naruto ofegou, com lágrimas nos olhos, sentindo uma dor terrível alastrar-lhe o peito. — Por favor, por favor... Eu preciso saber... Por que sinto tanta dor... Por favor...

- Você ainda não entendeu? É ela quem você ama. — a raposa sorriu horrivelmente, fazendo o coração de Naruto acelerar de puro desespero.

- Como... Como... Por que você está dizendo que eu estou matando ela? Pare de dizer mentiras! Ela está a salvo! Está com Sasuke! Acabe com esse Genjutsu... Acabe com a dor!

- Não sou eu que estou causando essa dor, seu garoto tolo! — disse a raposa, começando a ficar irritada. — Nunca pensei que sua tolice chegasse a tamanho extremo, mas parece que me enganei. Você precisa entender. Precisa saber e descobrir, senão, será tarde demais. Ela está morrendo. Nas sombras. E nem mesmo ela se importa com isso. Você precisa salvá-la, antes que seja muito tarde. Se não conseguir, as conseqüências serão as piores... Ela vai morrer... E será você quem vai dar o golpe final.

Notas finais
Espero que tenham gostado!
Comentem e se tiver qualquer erro me avisem!
Beijo ;*