Cinco Minutos
26 Pôr do sol
Notas iniciais
“Quando disse que me amava, ela me apresentou um desenho de um pôr do sol com a lua surgindo, proclamando que ela iria morrer de novo e de novo para que eu pudesse viver por um momento sequer. Menina boba... Era o contrário.” – Desconhecido.
ALGUM TEMPO ANTES:
Hinata suspirou pesadamente. A gravidez a deixava cansada com facilidade e lidar com aqueles problemas todos a cansavam ainda mais.
– Vocês não notaram nada de estranho? – Hinata perguntou olhando de Neji para Amaya.
– Como assim? – perguntou Amaya. Não estava agüentando aquele suspense. Suas mãos tremiam e seu coração estava acelerado. – O que pode ser mais estranho do que essas pessoas invadindo o clã sem mais nem men...? – Amaya falava nervosamente, mas Neji a interrompeu antes que pudesse terminar de falar.
– Não apareceu ninguém. – Neji disse apaticamente. Seus olhos estavam voltados para baixo e sua voz saiu fria e baixa. – Por que não apareceu ninguém? – Neji perguntou com os dentes cerrados, fechando as mãos em punhos. Estava começando a ficar furioso.
Hinata observou o primo. Ela havia se perguntado isso durante todo o tempo, desde que soube que havia alguém estranho no clã. Não admitiria nunca, mas, por um instante, a morena achou que ninguém viera simplesmente porque ninguém se importava. Aquela possibilidade fora logo descartada, porque Hinata sabia que, mesmo que ninguém se importasse com ela, todos se importavam com o clã. E com certeza pelo menos alguém sairia em defesa do clã Hyuuga.
A líder Hyuuga sabia que seu pai e Hanabi estavam em missão. Mas e Isao? Onde estava o seu “marido”? Onde estavam os membros da família secundária, aqueles que deviam proteger a família principal? Onde estavam todos?
Hinata passou um das mãos nos cabelos impacientemente. Pelo menos de Isao ela esperava a presença. Quer dizer, eles não se amavam. Aliás, Hinata sabia que nunca iria amá-lo. Mas depois de tanto tempo de convivência, depois de tanto tempo cúmplices, Hinata desenvolvera um grande carinho por ele, como se desenvolve por um grande amigo. Mas onde estava ele? Não poderiam os invasores ter matado todos os membros do clã Hyuuga. Aquilo era tão impossível que chegava a ser ridículo. Então, o que havia acontecido a todos?
Respirou fundo novamente e desviou seu olhar para Amaya. A serva estava horrorizada e assustada e não sabia esconder. Ao olhar para ela, Hinata se lembrou de si mesma, algum tempo atrás. Assustada, ferida, paralisada... Era como olhar a si mesma. Era uma situação que ela nunca esqueceria, Hinata pensava, assim como Hinata nunca se esqueceria de quem havia sido anos atrás e da pessoa a qual se apoiara para conseguir virar o jogo a seu favor. Naruto.
Nesse momento, como se estivessem sendo puxados por uma linha invisível, seus pensamentos se voltaram para um par de olhos azuis, fazendo-a sentir-se quente, como sempre se sentia ao pensar nele. Todo o seu ser de agora remetia ao passado; tudo em si mesma lembrava Naruto.
Não era como se não estivesse assustada. Pelo contrário; Hinata estava morrendo de medo. Não conseguia imaginar o que aqueles invasores pretendiam e nem mesmo tinha certeza do porquê de ninguém vir ao socorro deles. Tinha medo pelo seu filho e por seu clã. Tinha medo... Por si mesma e por todos que estavam ao seu redor. Mas seu medo, ao contrário de antigamente, não paralisava seu corpo ou sua mente. Seu medo não fazia Hinata querer chorar ou se esconder.
O medo que Hinata sentia, agora, fazia-a sentir raiva. E, ao sentir raiva, Hinata queria revidar. Lutar de volta. Lutar por si mesma. Afinal, se havia alguma coisa que aprendera com Naruto, depois de tudo, era a não desistir.
Respirou fundo de novo, pronta para, enfim, se pronunciar.
– Está óbvio que eles fizeram alguma coisa com os moradores do clã. – Hinata disse e ganhou a atenção de Neji e Amaya quase instantaneamente.
– Vo-você não acha que eles... Estão mortos, acha Hinata-sama? Quero dizer, os membros do clã... – Amaya perguntou completamente trêmula e, para Neji, ficou óbvio do porquê de a mulher não ter se tornado uma ninja.
– Isso é impossível. – Hinata disse, embora não tivesse tanta certeza assim. – Se por acaso isso acontecesse haveria uma guerra entre Konoha e a Nuvem. – Hinata afirmou. – Mesmo que os governantes da Nuvem não tenham nada a ver com o recente ataque, creio que não faria muita diferença para Konoha. Pelo menos, não para mim. – Hinata disse e observou os olhares surpresos de Neji e de Amaya caírem sobre si. – Eles estão atrás do byakugan há muito tempo; eles começaram essa guerra. – ela disse e apertou levemente as têmporas, como que para ajudá-la a pensar mais claramente. – No entanto... Assassinar todo o clã Hyuuga seria muito trabalhoso. E, pelo menos no momento, não acho que seja isso que eles queiram. – Hinata afirmou de forma sensata. Talvez até planejassem um ataque ao clã; um ataque próximo, Hinata diria. – Como eu disse, é provável que eles estejam atrás de mim. Se matarem a mim... A líder... Bem, desestabilizariam o clã e facilitaria muito a próxima invasão.
– Então é isso? Eles querem a sua cabeça para que possam desestabilizar o clã? Para que, logo após matarem você, possam invadir o clã Hyuuga? – Neji perguntou, mais a si mesmo do que a Hinata. – Não estou completamente convencido disso... Tem alguma coisa faltando nessa história. – Neji afirmou com os olhos cerrados, como se estivesse se esforçando para completar aquele quebra-cabeça.
– Eu sei... – Hinata disse como se estivesse pensando a mesma coisa que o primo. – O ataque, meses atrás, vem a minha cabeça o tempo inteiro. – ela afirmou. – Eu sei que eles querem a mim. Tenho quase certeza disso. Mas se é para atacar o clã Hyuuga ou não, não faço a menor idéia. Por enquanto, essa é a minha melhor hipótese. – Hinata disse e suspirou, sem saber mais o que pensar.
– É o que nós temos. – Neji disse já sem paciência. Aquele mistério o tirava o sério. – Então, qual é o plano? – ele perguntou, olhando seriamente para Hinata. A morena o olhou, também seriamente. Aquele era o desfecho.
– Bom... Como eu já disse, irei me entregar. – Hinata disse e preparou-se para as reclamações, tanto de Neji quanto de Amaya, mas estas não vieram novamente. Afinal, ordens são ordens. – Amaya chamará a Sakura-san e a Ino-san. Sakura é a melhor ninja médica que Konoha já viu, superando até a própria Tsunade-sama... Além disso, ela acompanhou minha gravidez de perto desde o início... Preciso que ela vá. Como é de se esperar, não confio nem um pouco nessas pessoas... No momento em que eu me entregar, meu maior ponto fraco vai ser o meu filho e eu não estou nem um pouco tranqüila com a idéia de ele ser machucado ou tomado de mim. – Hinata explicou, observando tanto Neji quanto Amaya concordarem. – A Ino... Bem, além de ter grandes habilidades médicas, a Ino possui a capacidade de transferir a mente e de se comunicar telepaticamente com outras pessoas. A Ino vai me achar. Essa é a missão dela. – Hinata concluiu, olhando de Amaya para Neji.
– E o Naruto? Como ele vai ajudar? – Neji perguntou retoricamente.
– O Naruto-kun... Bom, o Naruto-kun possui o modo sennin... Ele pode ajudar a me encontrar. – Hinata disse, embora não tenha sido exatamente por isso que mandara Neji chamar o Uzumaki. – O modo sennin, no entanto, demora um pouco para ser ativado e eu preciso de rapidez. – falou. – Além disso... Ele é o pai do meu filho. E sei que não vai querer ficar de fora disso. – Hinata disse e sorriu minimamente, lembrando-se da hiperatividade do loiro o qual amou a vida inteira. – O Naruto-kun é... A pessoa em que eu mais confio para essa missão. – Hinata disse e olhou profundamente para Neji, que a olhou na mesma intensidade. – Neji-nii-san...
– Eu sei Hinata-sama. – Neji disse como se soubesse exatamente o que Hinata fosse dizer em seguida. – Você quer que eu fique aqui. – o moreno completou. Ele já estava imaginando que Hinata pediria alguma coisa assim dele.
– Você é a melhor pessoa que existe para cuidar do clã Hyuuga enquanto eu estiver fora. Você é melhor do que eu... Sempre foi. Eu confio a você essa missão. – Hinata disse por fim. Olhou para Neji e para Amaya e estendeu as duas mãos, apertando as dos subordinados. – Eu confio minha vida, a vida do meu filho e o meu clã a vocês agora... Por favor, sejam rápidos. – Hinata disse, observando seus subordinados concordarem e respirarem fundo, preparando-se para o que viria a seguir.
AGORA
– E foi isso. – Neji falou, terminando de contar todo o plano de Hinata àqueles a quem a missão fora designada. – Hinata-sama conta com ajuda de todos vocês. – completou, olhando para Naruto seriamente. Estavam todos ali, prontos. Naruto, Sakura e Ino. – Mas... Eu acho que o Naruto ainda tem alguma coisa para nos esclarecer.
– Hã? Naruto? – Sakura perguntou, olhando diretamente para o melhor amigo. Não tinha um bom pressentimento quanto àquilo. – O que está acontecendo? – Sakura perguntou. Ela tinha entendido o plano. Só não havia entendido, ainda, o porquê de estarem precisando daquele plano.
Todos olharam para Naruto, esperando alguma explicação. O loiro respirou fundo, preparando-se.
– Bom... Como vocês sabem, há algum tempo, eu, a Hinata e a Sakura-chan fomos designados para uma missão. Era uma missão simples: entregar um pergaminho secreto, a mando da Vovó Tsunade. Mas a missão acabou bem mais complicada do que deveria. No caminho, nós fomos atacados por ninjas da Nuvem. Não tive certeza do que eles queriam, na época, mas todos nós pensamos que era o tal pergaminho. – Naruto falou. Seus olhos estavam vacilando entre o vermelho e o azul. – A Hinata foi atacada, quase morta... – Naruto disse com os dentes cerrados. – E, agora, eu tenho certeza de que esse era exatamente o objetivo deles.
– Como assim?! Matar a Hinata? – Ino perguntou abismada. – Mas por que eles quereriam uma coisa como essa? – a loira perguntou, olhando de Naruto para Sakura e, logo após, para Neji.
– Essa é a parte que eu não sei. – o Uzumaki disse e suspirou profundamente. – Mas não é só isso. – Naruto completou e recebeu sobre si os olhares de todos. – Hoje, quando eu estava trabalhando com a Vovó Tsunade... Bem, eu encontrei alguns arquivos sobre a investigação do nosso ataque, além de algumas cartas de aviso da Nuvem, sobre um grupo de nukenins que estavam sendo procurados. As descrições das cartas de aviso batiam exatamente com as descrições do seu relatório, Sakura-chan. – falou o loiro, olhando intensamente para a amiga, que o olhava horrorizada, assim como todos os outros. – Mas tinha algo mais. Há uma pessoa... Uma pessoa que não nos atacou aquele dia, mas que tenho certeza que observou a nossa luta e que vem nos observando desde então... – Naruto disse. Seus olhos se encheram de lágrimas, mas eram mais de raiva do que de tristeza. Raiva de si mesmo, por não ter percebido antes.
– Que pessoa? – Neji perguntou, odiando todo aquele suspense. – Quem está por trás disso tudo, Naruto? – o Hyuuga perguntou.
– Nas cartas de aviso, ela é conhecida como Paciente 12, “portadora de grande agilidade e excepcional controle de chakra.” – Naruto repetiu as mesmas palavras que estavam nas cartas no escritório da Hokage. – Mas... Nós a conhecemos como Chihiro. – Naruto disse finalmente. Engoliu em seco e finalmente criou coragem para observar todos ao seu redor. Os ninjas lhe encaravam surpresos e confusos.
– Chi... Chihiro? – Ino perguntou, lembrando-se da garota a qual Sakura convidara para sua festa, no que parecia muito tempo atrás. – Como assim?! Ela é uma cidadã de Konoha! – Ino exclamou. Não estava entendendo nada.
– Não, ela não é. – Naruto disse. Ele não havia encontrado nenhuma prova concreta de que fosse mesmo Chihiro a mente por trás de tudo aquilo, mas ele sabia. Simplesmente sabia.
– Não pode ser... – Sakura falou, colocado as duas mãos na cabeça. – Isso só pode ser um pesadelo. – a rosada disse.
– Mas isso não é tudo. – Naruto disse e todos olharam para ele novamente. Todos se perguntando internamente o que ainda poderia haver de pior. – Na carta de aviso da Nuvem constava que a nukenin desaparecida era portadora de um doujutsu... Um que poderia ser mais forte que o byakugan.
– Doujutsu? – Neji interrogou. – Mais forte do que o byakugan?
– Sim. Mas eu não entendi realmente essa parte... Que eu saiba, não existem doujutsus fora de Konoha, a não ser o da Princesa Shion. – Naruto disse e passou uma de suas mãos nos cabelos loiros, tornando-os mais desarrumados.
– Isso não quer dizer nada. – Sakura disse. – Que eu saiba, existiram muitas experiências que criaram novas linhagens. O Orochimaru contribuiu muito nesse setor. – Sakura afirmou desgostosa. – Não era a Nuvem que sempre quis os segredos do byakugan? Talvez tenham conseguido. – a Haruno disse e olhou diretamente para Neji.
– Se você está insinuando que isso pode ter sido fruto de experiências com os olhos do meu pai... Bem, isso é impossível. – Neji disse para Sakura. – O byakugan estava selado. – completou.
– Nada é impossível. – Sakura afirmou sensata, olhando para Neji com certeza de suas palavras. – Eles não puderam ter os segredos mais fundamentais do byakugan, mas com certeza algumas coisas eles puderam aproveitar. – a rosada afirmou.
Neji a olhou, pensando bem nas palavras da rosada. Bom, talvez não fosse mesmo totalmente impossível. Mas se aquilo fosse verdade, se os olhos do seu pai tivessem sido realmente usados para criar o tal doujutsu ao qual Naruto se referia, talvez houvesse um modo mais simples de derrotar a tal Chihiro.
– Então, se isso for verdade... Talvez ainda haja resquícios do selo amaldiçoado nesse novo doujutsu... Talvez...
– Talvez a Hinata possa derrotar essa maldita! – Ino completou a fala de Neji, sentindo sua confiança ser renovada.
– Sim... Talvez ela possa. – Sakura disse, seguindo a mesma linha de raciocínio do Hyuuga. – Agora nós só temos que achá-la. – falou firmemente.
– Então... Temos que partir agora. – Ino disse sensata. – Não podemos perder mais tempo. – afirmou a loira e olhou para Neji. – Proteja o clã Hyuuga. Nós protegeremos a Hinata. Pode deixar. – Ino afirmou e todos concordaram com suas palavras.
– Muito bem. Vamos logo! – Naruto chamou. Não estava disposto a perder Hinata e muito menos o filho de ambos.
Era agora ou nunca.
[...]
Sakura Haruno pulava de árvore em árvore acompanhada de seus melhores amigos. Pela primeira vez, achou a floresta e a escuridão de Konoha desagradáveis. Nenhum filete de luz penetrava o espesso enredado das copas das árvores, apenas o fraco brilho do luar, que refletia na pele de todos – deixando-as quase translúcidas – conseguia infiltrar-se através dos troncos, permitindo-lhe vislumbrar o que havia em volta.
*3 DOORS DOWN – HERE WITHOUT YOU*
– Algum progresso, Ino? – Sakura perguntou num sussurro, mas Ino não respondeu, sinal de que ainda não havia achado nada. Sakura suspirou. Não admitiria, mas estava com medo. Com medo do problema que esses invasores pudessem causar. Com medo porque, se algo de ruim acontecesse com Hinata ou com o herdeiro da liderança do clã as coisas poderiam ficar feias entre Konoha e a Nuvem.
Poderia haver outra guerra e Sakura sabia muito bem que a guerra era sinônimo do mal; algo desprezível. Isso nunca antes tinha ficado tão claro para ela como nesse momento. Guerra não eram exércitos vitoriosos que se enfrentavam em algum campo de batalha, tampouco heróis em reluzentes armaduras que, ostentando suas bandeiras e lutavam por uma causa nobre.
Mas o que mais lhe entristecia era Naruto. Ela sabia que o loiro estava tentando ser forte, porque tinham que achar Hinata de qualquer forma. Mas Sakura sabia o que Naruto estava sentindo. Ele sempre havia sido como um livro aberto, muito diferente de Sasuke, o qual até hoje Sakura sentia dificuldades em interpretar. Naruto era brilhante e seu sorriso era caloroso. Não tentava esconder sua felicidade e, por essa mesma razão, não sabia esconder sua tristeza. Ele era como a luz do sol. Quente e brilhante; a sua alegria transmitia vida a tudo. Mas, quando o sol se punha, a sensação de solidão e de fim da linha se abatia sobre tudo.
– Achei! – Ino exclamou não muito alto, mas alto o suficiente para que os outros dois escutassem. Sakura sentiu seu coração acelerar e aproximou-se de Ino, juntamente com Naruto. – Está tudo meio distorcido, como se ela estivesse meio grogue ou tonta. – Ino disse e Sakura e Naruto se olharam preocupados.
Ino tentou se concentrar mais um pouco para que pudesse ouvir melhor o que Hinata dizia.
“Hinata! Hinata, você está me ouvindo?” – Ino perguntou em pensamento, tentando transmiti-los para a Hyuuga. – “Eu preciso que você tente me dar alguns pontos de referência, tudo bem?” – Ino disse. Apertou as pálpebras, já fechadas, como se estivesse se esforçando muito para conseguir manter a conexão mental. Daqui a pouco, seu nariz começou a sangrar.
“Direita... Pedra... Lua...” – Hinata transmitiu. “Naruto-kun...” – A loira abriu os olhos.
– Ela disse alguma coisa como ir à direita da pedra da lua... E depois o seu nome, Naruto. – falou a loira, sem entender realmente. Naruto sentiu o coração bater mais forte no peito. – Não conheço nenhuma pedra da lua. Mas do que a Hinata estava falado? – Ino perguntou. Não estava entendendo muita coisa.
– Eu conheço. – Naruto disse e as duas mulheres o olharam surpresas. – Nós tivemos que passar por lá, quando fomos atrás do inseto que poderia localizar o Sasuke. – o loiro explicou. – Vamos! – Naruto chamou e, sem ao menos ver se as outras duas o estavam seguindo, começou a pular nas árvores, em direção a tal pedra da lua.
[...]
*THE REASON – HOOBASTANK*
Naruto correu mais do que seus pulmões poderiam agüentar. Não olhou em nenhum momento sequer para trás, mas esperava que Sakura e Ino estivessem atrás dele. Deixou correr os olhos na direção leste, onde se delineavam nitidamente, sob a pálida luz da lua, os contornos das árvores; as folhas dançavam juntamente com as suas sombras e Naruto lembrou-se imediatamente da técnica de Rock Lee, uma técnica onde se segue o adversário ou o movimento do seu corpo, tal como uma folha que dança no ar que é seguida pela sua sombra – a técnica das Sombras das Folhas Dançantes.
Seguiu mais a leste; Hinata dissera à direita da pedra da lua.
Naruto respirava fundo tentando se acalmar ao máximo. Só se lembrava de se sentir tão desesperado assim quando teve que carregar o corpo ensangüentado de Hinata por aquelas mesmas árvores, só que na direção oposta.
Quase riu ao perceber que suas tentativas de ficar calmo estavam falhando miseravelmente; apertava suas próprias mãos em punho com tanta força que as palmas estavam sangrando pela pressão das unhas.
Um sentimento de deja vú se apossou dele. Um sentimento de que toda a dor que vivera, meses atrás, estava prestes a voltar. Não era como se ele não estivesse sentindo dor antes. Pelo contrário, a dor sempre o acompanhava e Naruto já a considerava como uma velha amiga. Mas aquela dor... A dor de ver Hinata quase morta em seus braços, a dor do medo que teve de perdê-la para sempre... Essa dor... Naruto duvidava que algum dia fosse se conformar com ela.
Depois disso, Naruto jurara nunca mais sentir aquilo. Não que fosse se tornar alguém frio, que não se importaria com mais nada que acontecesse... Pelo contrário. Naruto jurara que nunca mais sentiria tal dor, porque jurara nunca mais se descuidar de Hinata. Jurara protegê-la. Mesmo que protegê-la significasse ficar bem longe dela. Afinal, nunca se acostumaria com a dor de perder Hinata... Porque um mundo onde ela não existisse não era um mundo onde Naruto quisesse viver.
Afinal, ao contrário do que todos pensam, não há nada de poético na dor. A visão romântica de que todo o lixo e dor são na verdade terapêuticos e bonitos, e até poéticos... Bem, não é verdade. E Naruto aprendera isso da pior maneira.
Ele sabia que as lembranças bonitas entre ele e Hinata eram poucas. Toda a história deles era mais dor do que qualquer outra coisa. Mas a sensação que teve quando ouviu Hinata dizer que o amava ou a sensação que sentiu ao dizer a ela que a amava... Era uma sensação que lhe dava arrepios. E Naruto não abriria mão daquilo. Não deixaria Hinata se machucar novamente.
Mesmo que tivesse que se machucar no lugar dela.
[...]
Hinata sabia que estava acordada. Sabia porque... Bem, podia sentir seu corpo dormente bater em direção a outro, como se estivesse sendo carregada e o movimento do outro corpo não fosse suave o suficiente para que permanecesse parada.
Sabia que estava acordada porque começou a sentir pontadas muito fortes no abdômen e aquela dor estava longe de ser imaginária. Sentiu vontade de gritar.
Mas não conseguia se mexer. Não conseguia falar. E, pior ainda, não conseguia fugir. Tudo que conseguia era enxergar imagens distorcidas e reconhecer alguns pontos do caminho ao qual estavam seguindo. Sabia que devia fazer alguma coisa com aquilo, avisar aos outros qual o caminho que estava seguindo, mas sua mente estava nublada demais para isso. Ela também sabia que deveria prestar atenção ao que os seus raptores estavam dizendo, mas só conseguia distinguir alguns murmúrios e palavras soltas.
– Temos que [...] vindo atrás dela. [...] vingança não pode ser [...] Nosso pai [...] túmulo. – Hinata ouviu uma das vozes dizer; a voz do homem.
– Rápido [...] precisamos nos [...] Quero que ela [...] a dor em seus olhos [...]. [...] gruta [...] cascata. – Hinata conseguiu distinguir e se desesperou. Sabia que não podia ser algo bom. Tentou, com todas as forças que pôde reunir sob aquele torpor forçado contatar Ino. Tentou seguir seu próprio plano.
“Ino... Gruta... Cascata...” – Hinata pensou o mais forte que pôde, como se seu esforço mental ajudasse a amiga a entender melhor o que estava dizendo, mas nem mesmo a própria Hinata entendeu o que aquilo significava. Esperava que seus amigos pudessem encontrá-la.
AH! – Hinata ouviu uma voz gritar e se assustou. Só depois percebeu que o grito viera de si mesma. A dor estava forte demais. Tentou por as mãos na barriga, mas seu corpo não obedecia a suas ordens.
Tentou ficar calma. O que seria aquilo que haviam injetado em suas veias que a faziam sentir tanta dor assim? Não era um sonífero? O que estava acontecendo com o seu corpo?
– Chihiro... [...] Ela está [...] Parto. – Hinata ouviu a voz do homem que a carregava dizer.
Seu coração acelerou rapidamente. Ela havia entendido corretamente? O homem dissera que ela estava em trabalho de parto? Sentiu uma dor mais forte ainda lhe atingir e gritou involuntariamente de novo. Talvez fosse verdade.
De qualquer forma, teria que contatar seus amigos. Eles precisavam encontrá-la e rápido ou aquilo não acabaria nada bem.
[...]
Ino Yamanaka parou de correr imediatamente. Apesar de muito confusa, a mensagem de Hinata chegou à sua mente.
– Naruto! – Ino gritou para o loiro que estava muito na frente e, por conseqüência, Sakura também parou para escutá-la. – Ela mandou outra mensagem. – Ino disse e Naruto e Sakura imediatamente voltaram para escutar o que ela tinha a dizer. – Hinata disse algo sobre gruta e depois falou sobre uma cascata. – Ino falou e observou o rosto de Naruto enrugar, como se estivesse se esforçando para se lembrar de alguma coisa parecida.
Mas o loiro não conseguia se lembrar de nada.
– Naruto... Tente ser rápido. – Sakura advertiu. – A Hinata está correndo um grande perigo... – Sakura disse. Estava nervosa e inquieta.
– Eu sei disso. – Naruto afirmou baixinho, como se estivesse com medo de falar alto demais. – Gruta... Cascata... – Naruto repetiu, tentando forçar sua mente a trabalhar.
“Pense Naruto! Pedra da lua, gruta, cascata... Onde eles estão levando você, Hinata?”
– Você disse que sabia que onde era a pedra da lua porque tiveram que passar por lá, quando foram atrás do inseto para achar o Sasuke. – Sakura disse, tentando ajudar o amigo a lembrar. – Não há mais nenhum lugar em que passaram que tenha alguma gruta ou cascata ou os dois? – Sakura perguntou aproximando-se de Naruto e pondo as mãos nos ombros do loiro. – Pense Naruto!
– Estou pensando! – Naruto disse com os dentes cerrados, em um sibilo, e afastou-se de Sakura irritadiço. “Pense, seu idiota!”
E, subitamente, veio-lhe a mente a imagem da luta que Hinata teve com as abelhas. A imagem do rio em que a Hyuuga estava presa e da cascata em que ela quase caiu, quando se soltou da armadilha do inimigo. Seria possível que eles estivessem indo para lá?
– Eu acho... Acho que já sei! – Naruto disse e fez menção de correr novamente, juntamente com Sakura.
– Gente... – Ino começou a falar novamente, fazendo os dois pararem novamente. O Uzumaki e a Haruno olharam-se receosos e voltaram a se aproximar de Ino, que os olhou com a expressão horrorizada, assustando os colegas de missão. – Tem mais... – Ino completou e Naruto aproximou-se ainda mais dela.
– O que houve? – Naruto perguntou, quase sem querer saber da resposta.
– O que aconteceu, Ino? – Sakura perguntou. Suas mãos estavam tremendo de ansiedade.
– A Hinata, ela... Está em trabalho de parto. – Ino completou, fazendo com que Naruto e Sakura dessem um passo para trás. Naruto observou Sakura pôr as mãos na boca horrorizada. Seu próprio coração galopava em temor e queria explodir a qualquer momento. Diante dos seus olhos se formavam nevoeiros e Naruto não conseguia enxergar nada direito; o ar que aspirava parecia querer transformar-se em gelo em seus pulmões, tamanho era o seu medo naquele momento. O loiro baixou os olhos e começou a tremer violentamente. E se eles não a achassem? E se aqueles malucos da Nuvem fizessem algum mal a ela ou ao bebê?
– Na... Naruto... – Ino falou baixinho, como se estivesse lendo os seus pensamentos, tentando confortar o loiro. – Nós vamos achá-la! Você tem que acreditar nisso! – Ino disse firmemente, mas ainda com a voz baixa. Suas palavras eram direcionadas a Naruto, mas pareceram ter efeito tanto no loiro quanto em Sakura.
– Eu sei... – Naruto disse e tentou acreditar nisso sinceramente. – Mas eu também sei que... Se eles tocarem no meu filho... Se eles machucarem a Hinata... Eu vou matá-los. – o loiro afirmou e levantou o olhar, mostrando os olhos vermelhos e macabros da Kyuubi, que começava a se apossar do loiro.
[...]
Neji Hyuuga já estava no clã há um bom tempo. Depois de avisar os amigos dos perigos que Hinata estava sofrendo, Neji voltou ao clã rapidamente, a fim de cumprir a obrigação que sua líder havia lhe estabelecido.
Amaya já havia voltado – bem antes dele na verdade – logo após ter avisado Sakura e Ino e tê-las mandado ao encontro do Hyuuga e de Naruto, na entrada de Konoha. Neji achou melhor que, no estado de quase pânico em que a mulher se encontrava, fosse melhor que ela voltasse para casa e descansasse.
Claro que, como a maioria dos Hyuuga, Amaya era teimosa demais e, ao voltar para os domínios do clã, ao invés de ir até os seus aposentos e tentar dormir um pouco, a serva continuou acordada, procurando pistas sobre o porquê de nenhum dos Hyuuga presentes no clã foram ao encontro dos invasores para pelo menos tentar impedir o seu feito. E ela havia descoberto. Quer dizer, não o que havia ocorrido realmente, mas havia encontrado uma pista e tanto.
Ao chegar ao clã Hyuuga, Neji fora imediatamente puxado por Amaya, que já o esperava na porta da casa principal. A mulher agarrou a mão de Neji com força e levou-o até uma das casas da família secundária do clã e entrou sem bater.
Neji, claro, pensou que a mulher havia perdido o juízo. No entanto, logo após ser puxado para um dos quartos, que sem dúvidas era um quarto infantil, assustou-se imensamente.
Deitado, de olhos abertos e esbugalhados, estava uma criança Hyuuga. Seus olhos demonstravam que o menino estava assustado, mas a expressão de seu rosto estava congelada. Na verdade, todo o corpo do garoto estava travado, como se ele estivesse congelado.
– Mas... O que é isso?! – Neji perguntou alto, praticamente gritando. Sua voz estava indignada e, ao mesmo tempo, impressionada. Nunca havia visto nada como aquilo. Aproximou-se do menino e olhou-lhe mais atentamente. As veias do seu rosto estavam altas e roxas. – Como eles fizeram isso? – Neji disse baixinho, olhando o menino com pena. Uma lágrima saiu dos olhos do garoto.
Amaya fungou. Estava segurando-se para não chorar. Aquilo era a coisa mais cruel que já havia visto. Neji a olhou, entendendo muito bem como deveria estar se sentindo. Ele se sentia do mesmo jeito.
Olhou mais atentamente ao redor do quarto, a fim de achar alguma pista que fosse. Foi quando se deparou com uma coisa para a qual não havia se atentado antes. Havia uma pequena luminária em cima de uma escrivaninha. A lâmpada acendia e apagava em pequenos intervalos de segundo. Às vezes tremeluzia.
Neji cerrou os olhos, curioso. Observou a lâmpada por alguns segundos e depois voltou o olhar para o menino paralisado.
– Eletricidade... – Neji disse baixinho, mas isso não impediu que Amaya escutasse.
– Eletricidade? – Amaya perguntou sem entender o que o moreno queria dizer com aquilo.
– Sim... – Neji disse e olhou para ela como se tivesse descoberto todo o mistério. – Amaya-san, você sabia que as enguias elétricas são capazes de produzir cerca de 1.500 volts até cerca de três ampères? Com suas correntes podem chegar a matar um cavalo de grande porte. – Neji explicou.
– Neji-san, o que isso tem a ver com o que ocorreu aqui? – Amaya perguntou, olhando para Neji como se ele tivesse perdido o juízo.
– Isso foi exatamente o que ocorreu aqui, Amaya-san. – Neji explicou olhando da mulher para o menino, ainda paralisado. – Eles usaram corrente elétrica para paralisar todos os membros do clã Hyuuga. O princípio utilizado foi o mesmo que o do peixe-elétrico, mas a carga utilizada deve ter sido consideravelmente menor. – Neji disse e olhou diretamente para Amaya novamente. – Com certeza, devido ao número de Hyuuga que deveriam ser atingidos, a carga foi reduzida, o que resultou em apenas uma paralisia. – Neji disse sensato. – Mas para causar uma paralisia tão grave como essa... Ainda assim a carga deve ter sido imensa... – impressionou-se. – Se fosse contra um só oponente com certeza o mataria... Cozeria seus órgãos internos.
– Meu Deus... – Amaya colocou as mãos na boca, horrorizada. – Quem são essas pessoas?
– Eu não sei... Mas aposto com você que este é algum jutsu proibido da Vila da Nuvem... Eu sei que eles são especialistas em jutsus elétricos, mas isso é... É desumano... – Neji disse.
Os dois olharam ao mesmo tempo para o menino deitado na cama, ainda imóvel, rezando por seus amigos e, principalmente, por Hinata.
[...]
Hinata observou atentamente o lugar em que se encontrava. Realmente havia entendido correto: era uma gruta. Uma caverna, mais precisamente. Não havia muita coisa para ver. A caverna tinha, talvez, uma extensão de dez a doze metros. As paredes, o teto e o chão eram de pedra, atravessado por raízes longas e finas, em tom de verde-escuro.
Já havia passado mais de duas horas. Hinata encontrava-se deitada em uma “cama” de pedra, os braços presos por correntes de ferro que machucavam seus pulsos e – ela estava certa disso – a impediam de usar o chakra e, conseqüentemente, de ativar o byakugan.
O torpor de Hinata estava passando e, junto com a lucidez, ela também sentia cada vez mais fortes as dores do parto.
– Isso não poderia ficar mais interessante. – a Hyuuga escutou uma voz dizer. Era Chihiro. Ela e Keiko estavam um pouco afastados da Hyuuga, num canto mais escuro da caverna, conversando, provavelmente, sobre qual o próximo passo do plano. A morena escutou um riso sádico vindo da seqüestradora e estremeceu. Sabia que era uma péssima hora para entrar em trabalho de parto, mas tinha que segurar a vontade de fazer força para o bebê sair, pois não sabia qual era o plano dos nukenins da Nuvem.
– O que você vai fazer? – Hinata ouviu Keiko perguntar e esperou ansiosamente pela resposta da mulher.
– O que você acha? – ela respondeu grosseiramente e Hinata sentiu lágrimas invadirem os seus olhos imediatamente.
Ouviu Chihiro se aproximar de si; seus passos provocavam um eco sinistro. O ruído se aproximando interrompeu seus pensamentos nada alegres. Hinata desejou, com todas as forças, que alguém aparecesse logo e a tirasse dali. Eles estavam demorando demais!
– Ora, ora... – Chihiro disse aproximando-se ainda mais da mesa de pedra em que Hinata se encontrava. Os olhos dela estavam roxos e sinistros e Hinata sentiu como se um choque elétrico lhe atravessasse quando a mulher a tocou, ficando paralisada de medo. – Calma, Hinata, eu só quero conversar com você, por enquanto.
– O que... O que você quer de mim? – Hinata perguntou. Lágrimas escorriam dos seus olhos. A dor do parto misturada com o medo não estava fazendo nada bem a ela.
– Você é bem patética, hein? – Chihiro perguntou como se estivesse decepcionada com aquele fato. – Ainda não entendi como você conseguiu sobreviver ao ataque do Keiko naquele dia... Claramente não foi um trabalho bem feito, você nem havia apresentado resistência... – Chihiro divagou. Ouviram Keiko bufar em algum lugar da caverna, como se tivesse sido ofendido.
– Você... Estava lá? – Hinata perguntou surpresa. – Quem é você, afinal? – a morena perguntou novamente.
– Claro que eu estava lá. Fui eu quem ordenou àqueles idiotas que atacassem você. Eu já te observava faz tempo... Desde antes de o ataque ocorrer. – Chihiro afirmou. – Eu colhi seus dados, observei seus hábitos e a suas habilidades... – Chihiro disse e riu com a estupidez de Hinata. – E depois, quando você estava quase morta naquela cama de hospital, aquele idiota do Uzumaki me contou tudo sobre você... Mais do que o necessário até... Confesso que em algumas horas fiquei estafada de ter que ouvi-lo, mas valeu à pena. – Chihiro disse e aproximou seu rosto do de Hinata, como se fosse lhe contar um segredo. – E dormir com ele não foi nada mau também... – ela disse e riu debilmente para Hinata, como que para provocá-la.
Hinata olhou-a nos olhos. Por um momento, sua tristeza e medo cederam lugar ao ódio e Hinata desejou ardentemente levantar-se dali e lutar com Chihiro, nem que fosse pela última vez, para fazê-la pagar por todo mal que causara. Aproveitando-se que seus rostos estavam perto o suficiente, Hinata fez o ato maior de desprezo, algo que nunca pensou em fazer contra ninguém; cuspiu no rosto de Chihiro.
A loira levantou o rosto imediatamente e olhou Hinata friamente, com os olhos roxos cheios de ódio.
– Você vai pagar por isso, sua vadia. – Chihiro disse e estapeou Hinata no rosto com força. O rosto da Hyuuga ardeu, mas Hinata não vacilou; seus olhos continuavam cheios de ódio e desprezo.
– Por quê? – Hinata perguntou entre dentes, baixo como num sibilo. – Por que está fazendo isso comigo? Por que eu? – perguntou. Aquilo ainda não havia sido esclarecido.
– Por quê? – Chihiro perguntou e ergueu uma de suas sobrancelhas. – Olhe nos meus olhos Hyuuga! – Chihiro ordenou furiosamente, apertando o queixo de Hinata com uma das mãos e fazendo-a olhá-la. – Você não acha isso motivo o suficiente? A CULPA É SUA! – Chihiro gritou raivosamente e Hinata não pôde evitar assustar-se com o tom usado pela outra.
– E-eu... Eu não fiz nada! – Hinata gritou. Seu rosto estava suado e seu corpo estava trêmulo. As dores estavam muito fortes.
– Não fez nada?! – a loira perguntou com ódio. Chihiro respirou fundo, tentando se acalmar. Era hora de contar a sua história.
Finalmente chegara a hora de todo aquele pesadelo acabar.
[...]
E ali estavam eles. Parados bem diante ao rio em que Hinata, uma vez, fora amarrada. O barulho da cascata era alto e praticamente preenchia todo o local.
– Vamos entrar logo. – Naruto disse baixinho, mas Sakura segurou-lhe o pulso, como se dissesse para esperar.
Nesse momento, um grito agudo fora ouvido e eles não tiveram dúvida que fosse de Hinata. Com certeza era um grito de dor – se não do parto, de algo que os seqüestradores fizeram.
O coração de Naruto bateu fortemente contra o peito. Ele soltou seu pulso da mão de Sakura e correu em direção à cascada, andando sobre a água. Não se virou, mas teve certeza que as duas kunoichis o seguiram. Estava quase lá quando sentiu seu pulso ser segurado novamente.
– Naruto! – Sakura repreendeu, com a voz baixa. – Temos que ter cautela! Nós ainda temos o elemento surpresa, então será que dá pra você... – Sakura ia dizendo, mas parou sua frase ao meio quando uma pancada de água fora ouvida atrás de si. Os dois olharam para trás.
– Ino?! – exclamou o loiro surpreso pelo acontecimento súbito. Naruto mergulhou imediatamente atrás da loira e logo após subiu com Ino nos braços. – Mas que merda foi essa, garota?! – Naruto sibilou furioso, mas não houve resposta da Yamanaka.
– Ino? – Sakura chamou. Aproximou-se de Naruto, que segurava Ino nos braços. Deu algumas tapas no rosto de Ino, mas a mesma não acordava. Até que Sakura percebeu. – Naruto, coloque a Ino no chão agora! – Sakura falou autoritária e Naruto não perdeu tempo.
Correram os dois para fora da água e, na margem, Naruto depositou o corpo da amiga.
– O que está havendo?! –Naruto perguntou aflito. – O que houve com ela?
– Ela teve uma parada cardíaca. – Sakura afirmou seriamente. Naruto pulou surpreso e horrorizado.
Mas que brincadeira era aquela?!
[...]
Era à hora de tudo ser esclarecido. Era saberia do porquê de estar morrendo, para quando sua alma vagasse para o inferno, ela soubesse que merecia tudo aquilo.
– Há quinze anos, um ninja conceituado da Vila da Nuvem foi convocado para uma missão. Como se sabe, os tempos eram difíceis e as vilas faziam o máximo de tratados que pudessem, para garantir as alianças, caso outra guerra estourasse. Este ninja era conhecido por ser um dos melhores espiões da Vila da Nuvem e sua missão era... Raptar a princesa do byakugan e roubar os seus olhos. – Chihiro começou a contar a sua história, olhando para Hinata como se ela fosse a culpada de tudo. E, em sua mente distorcida, era mesmo. – Mas a missão era suicídio e eles sabiam disso... Sabiam disso e mesmo assim... Eles deixaram que o ninja o fizesse. Deixaram que ele seqüestrasse a princesinha dos Hyuuga e que fosse morto pelo líder deles. – Chihiro disse e Hinata a observava. A loira parecia sentir mais dor que ódio e Hinata quase teve pena dela. Quase. – O plano sempre havia sido que ele morresse, para que, no fim, pudessem pedir algo em troca.
– E-eu... Não entendo... – Hinata disse com dificuldade, sentindo várias pontadas de dor no abdômen. Estava chegando a hora de ter seu filho e ela não poderia segurar por muito tempo.
– É claro que não! Como poderia? Você é apenas uma menininha mimada e egoísta que sempre teve tudo que quis, mas sempre se fez de coitadinha... E eu odeio você! – a mulher gritou assustando Hinata. – Aquele homem que morreu tentando seqüestrá-la... Aquele homem era... O meu pai. – Chihiro confessou e Hinata arregalou os olhos, surpresa. – Por sua culpa e daquele seu maldito clã o meu pai teve que ser sacrificado. – Chihiro sibilou furiosamente. – Por sua culpa eu virei o que sou... Um demônio, como os Hyuuga, cujos olhos todos temem... Por sua culpa, eles fizeram isso comigo! – Chihiro disse e aproximou seu rosto subitamente do de Hinata, assustando-a com os seus olhos sinistros. – E agora... Você e seu filhinho vão morrer... Eu vou fazer questão de não sobrar mais nada de você.
Hinata sentiu o coração acelerar e então, uma forte pancada foi sentida em seu abdômen, fazendo-a gritar de dor.
Sem agüentar, a Hyuuga entregou-se a escuridão, rezando internamente para que seus amigos chegassem logo e a tirassem dali.
[...]
Um novo grito de dor. Naruto sentiu os todos os pêlos do seu corpo se arrepiarem. Sentiu um peso enorme no estômago e uma súbita vontade de vomitar. Sabia o que era aquilo, já havia sentido antes; estava sentindo desde que saíra a vila horas antes. Era medo. Viu Sakura estremecer com o grito; mas ela tinha mais preocupações agora. Ino estava morta ali, na sua frente e ela tinha que dar um jeito de reanimá-la.
– Vamos Ino... – Sakura disse, fazendo massagem cardíaca no peito da loira. Naruto olhou para Ino com o olhar pesaroso e seu corpo começou a tremer. – VAMOS! – Sakura gritou e, imaciente, esmurrou o peito de Ino.
Uma batida.
– Vamos Ino, vamos... Por favor... – Naruto implorou. Um vento frio passou por eles naquele momento. Tudo que era preciso era que o coração da loira continuasse batendo.
Outra batida.
– Você não vai morrer! Você está me escutando bem?! Você não vai morrer! Reaja! – Sakura gritou entrando em desespero.
Mais uma batida.
Sakura esmurrou novamente o peito da loira.
Como surgida dos mortos, Ino Yamanaka puxou uma enorme lufada de ar para os seus pulmões e começou a tossir violentamente. Seu coração batia acelerado, como se estivesse recuperando as batidas perdidas.
Sakura caiu no chão, sentada, e chorou silenciosamente. O corpo de Naruto tremia violentamente.
– Graças a Deus... – o loiro disse e pôs uma das mãos no coração, respirando fundo.
– Naruto... – Ino chamou ofegante e ganhou a atenção do loiro. – O que você ainda está fazendo aqui? – Ino perguntou e olhou do Uzumaki para Sakura.
Naruto a olhou surpreso. Mesmo quase morta, Ino não havia se esquecido de sua missão.
– Ela tem razão Naruto... – Sakura começou. – A Hinata está te esperando, agora. – completou a Haruno. – Cuidado com a água. – Sakura avisou. – Está cheia de armadilhas elétricas. E com o seu corpo molhado... – Sakura disse olhando o loiro de cima a baixo.
– Não se preocupem. – Naruto disse e, sem que Sakura ou Ino esperassem, seu corpo foi tomado por uma energia vermelha e sombria. O chakra da Kyuubi. – Eu sei me virar e eu... Eu vou salvar a Hinata, com certeza. – Naruto falou e Sakura e Ino o olharam seriamente, confiando piamente em suas palavras. Naruto, então, voltou a caminhar sobre a água e correu em direção à cascata. A gruta deveria ficar no fim.
“Hinata... Espere por mim. Eu com certeza irei te salvar”. – ele pensou e fez um sinal com as mãos, pronto para fazer seu melhor jutsu.
[...]
Hinata abriu os olhos. Tentava puxar o ar para seus pulmões, mas sua respiração parecia ser apenas superficial. Sentia uma dor imensa no baixo ventre. Suas mãos tremiam de dor e medo e as correntes balançavam, fazendo barulhos metálicos. Sentia seu abdômen molhado e pegajoso e também sentia um cheiro familiar. Um cheiro de ferrugem e sal.
Levantou a cabeça por um segundo, apenas para olhar para si mesma e confirmar sua suspeitas.
Era sangue.E naquele momento, Hinata sentiu seu coração despedaçar-se. Porque naquele momento, ela soube que seu filho não estava mais ali, protegido em seu ventre. Ela soube que o bebê estava nos braços daquela mulher e Hinata havia sido fraca demais para protegê-lo.Sentiu um peso enorme em seu estômago, a dor tomando conta de seu corpo como vários choques elétricos.– Olha, mas que bebezinho fofo esse seu Hinata... – Chihiro disse, fazendo com que a Hyuuga finalmente desviasse os olhos para ela e a visse. Lá estava ela, segurando carinhosamente um pequeno bebê de cabelos loiros enrolado em uma manta. O bebê não chorava e isso fez Hinata ficar ainda mais desesperada. – Será quase uma pena matá-lo, sabe... Mas vai valer muito ver essa dor nos seus olhos aumentar. – Chihiro disse sombriamente. Hinata sentiu seu coração apertar no peito e depois viu o homem que acompanhava Chihiro aproximar-se da loira, olhando para o bebê e sorrindo de forma macabra. – Você vai desejar estar morta, assim como eu desejei, depois que o meu pai morreu. – Chihiro afirmou, agora sem sorrir.Hinata arfou. Seu coração estava se quebrando e ela não conseguia respirar direito. Aquilo não estava acontecendo, não estava acontecendo...– NARUTO-KUN! – Hinata gritou em desespero e a caverna em que estava reproduziu o eco de sua voz milhares de vezes. Ouviu Chihiro rir juntamente com Keiko.E nesse momento, a caverna tremeu. Um vento quente invadiu o local e a caverna foi iluminada por uma luz vermelha. Hinata ouviu as risadas cessarem imediatamente e finalmente sentiu que as coisas poderiam correr a seu favor afinal.– Você ‘tá rindo de quê, sua vadia? – ela ouviu alguém dizer. A voz aqueceu seu coração de tal forma que Hinata gemeu em alívio. Era ele. Finalmente ele havia chegado; mas sua voz estava diferente. Estava mais grossa, de uma forma demoníaca. E Hinata soube imediatamente que ele estava sendo possuído pela Kyuubi. Ele devia mesmo estar furioso... Fazia muito tempo que aquilo não acontecia.– Naruto-kun... – Hinata disse baixinho. Não havia se permitido perder a consciência nem por um segundo depois que soube que seu filho estava nas mãos da ninja da Nuvem, mas agora que Naruto estava ali, ela havia ficado tão aliviada... Ela confiava tanto nele, que estava aos poucos deixando o torpor invadir sua mente e seu corpo.– Shh... Não fale nada, Hinata. – ele disse e Hinata sorriu um pouco, acreditando que ele resolveria tudo. – Eu vou proteger você e salvar o nosso bebê... Pode descansar. – ele disse suavemente, pois sabia exatamente o que preocupava a Hyuuga. Era o que o preocupava também.Hinata sorriu um pouco e, finalmente, perdeu a consciência.[...]– Nem mais um passo, Naruto. – Chihiro avisou e rapidamente pegou uma kunai, apontando para o bebê que estava em seus braços. – Ou eu o mato. – a mulher disse e Naruto congelou no mesmo lugar em que estava.O loiro viu Keiko empunhar a espada que estava em suas costas, a mesma que ele havia usado para esfaquear Hinata meses atrás. Aquele com a qual ele quase a matara.Eles se entreolharam. Aquela arma, aqueles olhos... Toda a situação estava carregada de lembranças, de uma luta que ficou no passado, mas que ainda marcava o presente. O chakra vermelho e intenso de Naruto fazia com que eles não se enxergassem muito bem, visto que estavam sobre uma distância consideravelmente pequena e a luz praticamente os cegava.– Vamos resolver isso de uma vez por todas. – o Uzumaki disse, já com suas mãos em posição. Mantinha a voz fria, como se fosse incapaz de controlar o seu ódio por aquelas pessoas.– Eu posso ver... Você esteve esperando por isso por bastante tempo... – Keiko provocou, sorrindo minimamente.– Você tem razão. Não passou um dia sequer sem que eu quisesse matar você pelo que fez à Hinata naquele dia... – Naruto disse, como um sibilo. – Mas me desculpe... – Naruto pediu e baixou os olhos, escondendo-os atrás de uma sombra sinistra. – Você vai ter que esperar um pouco. – disse o Uzumaki e finalmente olhou para cima. O ódio presente em seus olhos fez Keiko arfar, surpreso, e, novamente, um vento quente invadiu a caverna.O irmão de Chihiro tentou avançar contra ele, mas estava muito forte.– Faça alguma coisa, seu imbecil! – Chihiro gritou, tentando fazer sua voz superar o barulho do vento. Seus pés escorregaram para trás e ela tentou, inutilmente, segurar-se em algumas raízes que estavam penduradas no teto, para que não batesse as costas no fundo da gruta de pedra. No entanto, quando seus dedos estavam prestes a se enroscar nas plantas, Chihiro sentiu um forte baque contra o seu corpo.Se não fossem aqueles sinistros olhos roxos, ela nem mesmo saberia o que estava acontecendo. Mas soube. Era Naruto. O loiro, numa incrível velocidade, atingiu o corpo da loira com o seu próprio, fazendo-a perder o equilíbrio. A ninja da Nuvem bateria seu corpo e rosto diretamente contra o chão e levaria junto o bebê dos ninjas da folha. Mas Naruto foi mais rápido. Antes que a mulher caísse com tudo no chão, Naruto arrancou o bebê de suas mãos o mais suavemente que pôde naquela situação e, logo após, empurrou com o máximo de força que pôde a cabeça dela de encontro ao chão.Finalmente, o bebê começou a chorar.A caverna tremeu e o chão do lugar rachou-se, no lugar em que a cabeça de Chihiro foi empurrada. Sabia que aquele não era um lugar para lutas e que poderia muito bem desmoronar daqui a pouco. Mas Naruto não teve tempo de pensar muito.“À sua direita.” – Naruto ouviu a voz da Kyuubi dizer em sua cabeça e desviou o corpo inteiro para a esquerda, caindo no chão e rolando o corpo, para não machucar o bebê; Keiko ainda estava de pé e sua espada estava fincada na parede de pedra. Espada essa que antes estava apontada para o pescoço do Uzumaki.Aproveitando-se da situação, Naruto correu em direção a mesa onde Hinata estava deitada e desacordada. Em velocidade surpreendente, Naruto alcançou Hinata e, com uma quantidade razoável de chakra, quebrou as correntes que prendiam suas mãos. Ainda segurando o bebê nos braços, Naruto puxou Hinata com uma das mãos e a pôs nas costas, pronto para sair da caverna e encontrar suas amigas. Se ao menos soubesse que ela e o bebê estavam seguros, poderia lutar com tudo que tinha.– Aonde você pensa que vai?! – Naruto ouviu a voz feminina dizer atrás de si e soube imediatamente que ela estava furiosa. – Você pensou mesmo que seria assim tão fácil Uzumaki?! Pensou mesmo que acabaria com a minha vingança só com isso? – ele ouviu Chihiro perguntar e, como Hinata já nas costas, virou-se para encarar a ninja.– Não. – ele disse simplesmente. – Eu só quero um tempinho, ‘tá? – Naruto disse ironicamente. – AGORA! – ele gritou e observou o rosto de Chihiro ficar confuso por uns instantes.Segundos depois, dezenas de Narutos invadiram a caverna em que eles se encontravam, todos gritando ao mesmo tempo. Chihiro olhou para o verdadeiro Naruto furiosa, mas o verdadeiro Uzumaki não quis ficar para saber o que ela ia fazer.Correu em direção a entrada da caverna e pulou o máximo que pôde. Equilibrou-se do melhor jeito que pôde na água – já que carregava Hinata nas costas – e, já na parte de cima da cachoeira, correu sobre a água em direção a beira do rio. Avistou Sakura e Ino à sua espera e foi na direção delas.Não gostava de admitir, mas já estava se cansando. Cada clone daqueles havia sugado muito de seu chakra. A única sorte seria poder recebê-lo todo de volta, quando cada clone fosse destruído, coisa que ele sabia que aconteceria logo.– Meu Deus! O que eles fizeram? – Sakura perguntou surpresa quando viu o corpo de Hinata inconsciente e encharcada de sangue e o bebê nos braços de Naruto, que ainda berrava incessantemente. – Que cruel... – Sakura disse baixinho enquanto Naruto depositava Hinata no chão.Nesse mesmo momento, uma grande explosão foi ouvida. Eram eles, não havia dúvida.– Sakura! Nós temos que sair daqui! – Ino disse e tomou bebê dos braços do Uzumaki. – A Hinata parece estar perdendo sangue rapidamente, mas ainda está respirando. – Ino informou. – E, nessas condições, isso é ótimo. – a loira afirmou. – Nós vamos cuidar dela e do seu filhinho Naruto. – Ino afirmou convicta. – Você cuida desses loucos. – ela falou por ultimo e saiu puxando Sakura em direção à floresta.[...]Naruto ouviu mais uma explosão e soube que os ninjas da Nuvem logo estariam ali, na superfície, juntamente com ele.“Prepare-se, Naruto.” – a Kyuubi avisou.“Por que está me ajudando?” – Naruto perguntou; estava curioso desde que a raposa o havia ajudado quando estava na caverna.“Você ainda não percebeu?” – a raposa perguntou e lamentou internamente a lentidão do Uzumaki. –“Cada momento que você viveu, até agora, nos trouxe pra esse lugar.”
Naruto pensou nas palavras ditas pela Kyuubi; pensou em tudo que vivera até ali. Em todos os momentos, em todas as dores.
Desde o momento em que havia conhecido Chihiro; desde que a havia convidado para o baile. Desde que ela entrou nas suas vidas, tudo, absolutamente tudo, havia desmoronado.
E ele, idiota como era não percebera o mal que ela causava. Ainda não sabia o que porquê de ela estar fazendo aquelas coisas com Hinata, mas para Naruto aquilo não importava. Não queria que ela lhe desse motivo; não queria se compadecer dela. E mesmo que ela lhe contasse, não iria.
“Ela se infiltrou na minha vida, como uma serpente, e sugou tudo de bom. E eu a ajudei a fazer isso.” – Naruto conversou com a raposa.
“Sim.” – a raposa disse simplesmente. – “A sorte realmente não estava do seu lado. Eu tentei te avisar... Tentei fazer abrir os olhos sobre a Hinata... Ela sempre amou você, só você que não via isso.” – disse. – “Eu sabia que se você ficasse junto dela, que se você a amasse, você poderia salvá-la.”
“Então você está retirando aquela história de querer ser um deus? Eu não sei se confio nisso...” – Naruto disse de forma receosa.
“Não.” – Kyuubi disse simplesmente. – “Um dia, você vai ter que me transferir para o corpo do seu filho... A não ser que queira que eu me liberte... E essa não é uma opção tão ruim.” – Kyuubi afirmou pensativa e Naruto sorriu um pouco. – “Eu sabia que o seu sangue era o mesmo da deusa... E sabia que o de Hinata também o era, desde o começo.”- Kyuubi confessou. – “Mas o Rikudou Sennin era a melhor pessoa que eu conheci. E eu tive esperança que, nesse garoto, um novo Sábio dos Seis Caminhos pudesse renascer.” – disse. – “O velho era um idiota...” – Kyuubi afirmou e riu. – “Mas também era a pessoa mais sábia e bondosa que o mundo ainda não conheceu... E você, Naruto... É a pessoa que mais se parece com ele.” – disse a raposa e Naruto arregalou os olhos. – “Eu sei que você fez muitas idiotices... Mas também sei que está se esforçando para reparar.”
“Kyuubi... O que você quer dizer com isso?” – Naruto perguntou, finalmente.
“Quero dizer que, nesse garoto, seu filho e de Hinata, eu tenho esperança de que nasça um novo Rikudou... Um tão bondoso quanto seus pais... Um que finalmente possa salvar esse mundo das guerras sem fim.” – a raposa afirmou. – “O velho não pôde fazer isso, mas... Por algum motivo, eu finalmente acho que alguém possa.”
“Você não para de me surpreender, Kyuubi.” – Naruto afirmou surpreso, escutando a raposa de nove caudas rir minimamente dentro de sua mente.
“Por favor, me chame de Kurama.”
[...]
Naruto observou a nova explosão levantar grande parte da água que fazia parte da cascata; a gruta com certeza já estava prestes a desmoronar
E então, eles surgiram. Os dois ninjas da Nuvem olhavam para o loiro com ódio. Tiveram mais trabalho de que pensavam com aquela quantidade de Narutos que havia invadido a gruta, mas conseguiram destruir um por um.
A lembrança da batalha vivida por seus clones finalmente atingiu Naruto e, a quantidade de chakra que sobrara depois da luta voltara a seu corpo. Não era a quantidade total que ele havia disposto para formar os seus clones e ele sabia bem disso, mas era uma quantidade considerável.
– Não imaginei que eles fossem dar tanto trabalho... – Chihiro disse para Naruto. – Você me surpreendeu Naruto-kun. – a mulher disse e o ouvir seu nome ser dito tão carinhosamente por ela fez Naruto sentir náuseas.
– Nunca te ensinaram a não subestimar seu oponente? – Naruto perguntou com desdém.
– Claro que sim. – ela disse com um sorriso horroroso. Naruto pôde então perceber que eles estavam machucados. Os dentes de Chihiro estavam manchados de sangue, sinal que seus clones fizeram alguns estragos. – Mas você é tão patético que nunca pensei que fosse capaz disso. – desdenhou. Naruto firmou as mãos em punhos fortemente, olhando raivoso para seus oponentes.
– Vejo que tirou a Hyuuga das redondezas... – Keiko suspirou e lamentou-se internamente. Estava cansado só de pensar em ir atrás de Hinata de novo.
– Você é bem perspicaz, não? – Naruto debochou e sorriu.
“Cuidado, Naruto. Eles estão ficando irritados... Principalmente ela. Tome cuidado com aqueles olhos” – Kurama alertou, mas Naruto não respondeu.
– Keiko, por que você não cuida do Naruto-kun? – Chihiro perguntou, tentando mostrar gentileza, mas aquilo soou muito falso, até para alguém desatento como Naruto. – Meu assunto é com a Hinata. – ela disse e não conseguiu disfarçar sua raiva ao falar da Hyuuga.
– Tudo bem. – o homem disse simplesmente.
Naruto sentiu seu coração acelerar. Não podia deixar Chihiro ir atrás de Hinata, ainda mais com aqueles olhos esquisitos que ela possuía. Ele se lembrava bem das cartas de aviso: aqueles olhos podiam ser mais fortes que o próprio byakugan.
Viu Chihiro correr em direção à floresta e não se importou em dar as costas ao seu oponente; correu atrás da mulher.
Ela corria rápido, mas Naruto não podia perdê-la de vista.
– Aonde você pensa que vai?! – Naruto gritou para Chihiro.
– Aonde você pensa que vai? – Keiko perguntou calmamente e, sem que Naruto esperasse, seu corpo foi puxado de volta para trás por alguma coisa que fez todos os seus músculos ficarem paralisados. Seu corpo bateu com força no chão e levantou uma fina camada de poeira. Uma dor avassaladora atravessou o corpo do Uzumaki. Sua língua enrolou dentro da boca e seus dedos fecharam nas mãos.
“Você está sendo eletrocutado Naruto.” – Kurama avisou firmemente. – “Eu vou lhe emprestar um pouco do meu poder para que você possa se livrar disso. Seja rápido ou seu coração vai parar.” – Kyuubi disse.
Imediatamente, Naruto sentiu seu corpo se aquecer de dentro para fora. O chakra de Kurama envolveu todo o seu corpo e, finalmente, Naruto criou alguma força para se livrar daquilo. Com dificuldade, o Uzumaki levantou-se do chão e, ainda enrolado naquela corrente sinistra de eletricidade, o rapaz virou-se para encarar o oponente.
Keiko não pôde evitar se sentir surpreso. Nunca ninguém havia sido tão forte em relação aquele jutsu. Viu o Uzumaki abrir sua mão direita com dificuldade e “segurar” a corrente firmemente. Naruto sentiu a pele de sua mão queimar, como se estivesse colocando suas mãos em brasas e teve vontade de gritar, mas não o fez.
Ao invés disso, salvou a força – que empregaria para gritar – para puxar com força a “corda” de eletricidade que envolvia seu corpo.
– Mas o quê... – Keiko ia dizendo, mas não pôde terminar, pois sentiu seu corpo ser puxado juntamente com a corda pela mão de Naruto.
O Uzumaki aproveitou que a mão esquerda já estava devidamente fechada por causa do choque e desferiu um soco no rosto de Keiko, quando este se aproximou demais pelo puxão.
A corrente elétrica se desfez e ambos caíram no chão. Naruto por estar exausto pelo choque. Keiko por causa do soco que recebera.
“Naruto, eu empreguei muito do meu chakra para que você não morresse agora mesmo.” – Kyuubi disse. “Estou quase no limite.” – informou a raposa.
“Então somos dois.” – Naruto disse em pensamentos. Tudo que queria agora era se entregar a inconsciência, mas precisava acabar com aquele cara para depois ir atrás de Chihiro.
Naruto viu Keiko levantar-se lentamente e preparou-se para a luta novamente. O loiro levantou-se com dificuldade. Seu corpo estava todo dolorido. Viu Keiko rir debilmente, como se tivesse acabado de vencer aquela luta; mas Naruto sabia que ele estava próximo do seu limite. O ninja da Nuvem havia se confiado demais naquele ataque, provavelmente porque ninguém nunca havia sobrevivido a ele.
– Você... É surpreendente Uzumaki. – Keiko disse ofegante. É... Com certeza aquele ataque lhe custara muito chakra. – Mas eu ainda tenho... Isso. – disse ele e sacou a espada que estava pendurada em suas costas. Era a segunda vez que fazia aquilo naquele dia.
Naruto pôs uma das mãos ao redor do abdômen, como se estivesse com muita dor naquele local e riu de sua desgraça. Se aquele cara sugasse o pouco chakra que lhe restava, com certeza ele era um homem morto. Mas Naruto sabia exatamente como pará-lo. O Uzumaki fechou os olhos.
“Naruto.” – Kurama o chamou, sabendo muito bem o que o Uzumaki planejava. – “Eu não vou poder curar você disso... Não tenho chakra suficiente.” – Kurama alertou.
“Eu sei Kurama...” – Naruto conversou com a raposa.
“Você está mesmo disposto?” – a raposa perguntou.
“É agora ou nunca...” – o loiro disse e ao mesmo tempo em que pensou isso abriu os olhos e viu Keiko se aproximar correndo. A espada em sua direção.
“Hinata...”
O ninja da Nuvem se aproximava como em câmera lenta do Uzumaki.
“Eu estou exatamente no mesmo lugar que você estava meses atrás... Sentindo o mesmo medo que você sentiu, ao tomar a decisão de se sacrificar...
Keiko sorriu do mesmo modo como Naruto se lembrava, em seus pesadelos, que ele sorrira uma vez, ao tentar matar Hinata.
“Eu estou no mesmo lugar em que queria ter estado meses atrás, para evitar você de passar por tudo aquilo.”
Naruto sentiu a lâmina da espada de Keiko perfurar-lhe o abdômen. O pouco que restara do seu chakra estava sendo sugado pela lâmina e o loiro já se sentia tonto e nauseado. O loiro cuspiu grande quantidade de sangue, mas continuou de pé.
“Hinata... Uma vez você me disse que eu não sou perfeito, que cometo erros e fico mais forte por causa deles... Você me disse que essa é a verdadeira força... Mas acho que você estava errada. A verdadeira força surge quando temos que proteger o que nos é mais importante...”
– Morra! – Keiko gritou, enfiando mais ainda a lâmina na carne do Uzumaki.
– Não... – Naruto disse, levantando as duas mãos em direção ao rosto do outro. Keiko fez menção de afastar-se, mas Naruto não permitiu. O loiro agarrou com toda a força que lhe restava o rosto do outro com as duas mãos. – Aonde... Você pensa... Que vai? – Naruto perguntou com dificuldade e, no minuto seguinte, torceu o pescoço de Keiko, quebrando-o e, conseqüentemente, matando-o. – Você tinha razão... Eu estava louco para fazer isso... – Naruto sussurrou para o corpo sem vida de Keiko.
O loiro viu o oponente cair no chão, morto, mas continuou de pé. Tirou a espada de dentro de seu corpo e a jogo no chão, o mais longe que pôde, caindo logo em seguida.
“Hinata... Hoje, você poderá dizer que Naruto Uzumaki morreu tentando salvar você... Eu amo você...”
NAQUELE MESMO MOMENTO
Sakura sabia que teria que se esforçar mais ou seria tudo igual à antes. E aquilo não poderia acontecer. Se Neji estivesse certo, Hinata seria a única ali a conseguir parar aquela vadia psicopata.
A rosada podia sentir a tensão que estava a batalha de Naruto mesmo distante e torcia piamente para que ele conseguisse pelo menos atrasar aqueles dois.
– Não pare Ino, nós temos que terminar de curá-la o quanto antes... – Sakura advertiu. Enquanto Ino curava o ferimento que Hinata tinha no abdômen, Sakura infundia seu próprio chakra na morena. Afinal, precaução nunca era demais. – Como está o Narutinho? – perguntou a rosada, sem tirar os olhos de Hinata; referia-se ao pequeno bebê que dormia tranquilamente no colo de Ino, alheio a tudo que acontecia a sua volta.
– Bem melhor do que a gente. – a loira respondeu, dando uma rápida olhada no bebê e depois voltando a se concentrar em Hinata. – Sakura, tem certeza que isso não vai fazer mal a você? Você está infundindo muito chakra nela... – Ino perguntou receosa.
– Se isso a fizer parar a louca da Chihiro pode acreditar que vai me fazer muito bem. – Sakura retrucou. Limpou a testa suada com as costas da mão esquerda e depois voltou ao trabalho.
Não demorou muito mais. Hinata começava a dar os primeiros sinais de estar voltando a consciência.
– Hinata? – Ino chamou. A morena abriu os olhos rapidamente, como se tivesse acabo de sair de um pesadelo e sentou-se rapidamente, fazendo com que as kunoichis que lhe curavam se afastassem um pouco. – Pelo visto você ‘tá bem. – Ino disse e suspirou aliviada.
– O que aconteceu?! Onde está o meu... – Hinata ia dizendo muito rápido e tanto Ino quanto Sakura sorriram para ela, tentando acalmá-la.
– Seu filho está ótimo Hinata... O Naruto conseguiu salvá-lo. – Sakura disse enquanto Ino entregava a criança à Hyuuga. – Pessoalmente acho que ele deveria se chamar Narutinho, já que é a cópia fiel do Naruto. – Sakura comentou, fazendo as outras duas rirem.
Hinata segurou seu filho nos braços. A emoção de saber que ele estava bem e que ela estaria viva para cuidar dele era tão forte que fez a Hyuuga derramar algumas lágrimas.
– Ele é tão lindo... – Hinata disse e viu uma de suas lágrimas caírem no rosto do bebê. A criança, ao sentir a gota quente atingir-lhe, abriu os olhos suavemente e logo após, bocejou. – Que fofo... – Hinata disse e sorriu para a criança, acariciando seus cabelos loiros. O menino voltou a bocejar e dormiu novamente.
– Como eu disse: igualzinho ao pai. – Sakura afirmou fazendo as outras rirem.
– Falando em pai... Onde está o Naruto-kun? – Hinata perguntou e as outras se olharam receosas.
Nesse momento, um barulho foi ouvido atrás de si. Os passos sobre as folhas secas despertaram a curiosidade das três kunoichis, que se levantaram rapidamente, com exceção de Hinata, que continuou sentada segurando o filho.
– Naruto...? – Sakura chamou, mas a risada que ouviram a seguir não era do loiro. Tampouco era de alguém que elas estavam esperando. Para surpresa das três, Chihiro apareceu por entre uma das árvores. Seu sorriso doentio fez alguma coisa dentro e Sakura revirar-se e fez todos os sentidos do seu corpo entrarem em alerta.
– Não, não é o Naruto. – Chihiro disse com falsa lamentação na voz. – Vocês não sabem se esconder muito bem, não é? – Chihiro perguntou com certa pena na voz. – No meio da floresta... Tsc. – lamentou a mulher, falsamente. – Se bem que não tem muita coisa que se possa esconder desses olhos. – disse e apontou para os próprios olhos.
Hinata sentiu os pêlos do seu corpo inteiro se arrepiarem. Mas, dessa vez, não foi de medo. Dessa vez o instinto materno tomou conta de seu espírito e Hinata sentiu-se muito forte de repente.
– Sakura... Se ela está aqui... Não tenho muita certeza que o Naruto está bem. – Ino disse para a rosada, que já pensava exatamente a mesma coisa.
– É... Eu sei. Nós temos que ir vê-lo. Ele pode estar precisando de nós. – a Haruno disse. Olhou para Hinata. A Hyuuga, ainda com o filho nos braços, não desviava o olhar da kunoichi da Nuvem.
– Sakura... Vocês têm que ir o ver Naruto-kun, certo? – Hinata perguntou, ainda sem desviar o olhar da outra.
– Sim. – a rosada afirmou. – Mas não iremos deixar você aqui sozinha, se é isso que está pensando. – disse a Haruno.
– Não estou preocupada comigo. – Hinata disse e olhou diretamente para o filho. Realmente, a criança era a cópia do pai e Hinata preocupou-se instantaneamente com o Uzumaki. – Vocês devem ir logo. – Hinata disse firmemente. – Essa luta não é de vocês.
– Hinata... – Ino começou a dizer. Já sabiam muito bem do que aquela mulher era capaz e Hinata lidar com ela sozinha poderia ser suicídio.
– Eu sei o que estou fazendo, Ino. – Hinata interrompeu. – Leve Hikari. Proteja-o. – Hinata pediu e deu o filho para Ino. – Salvem o pai dele, por favor... – Hinata disse e olhou pesarosa para as duas amigas. Ino e Sakura se entreolharam.
– Tudo bem, Hinata. – Sakura falou e aproximou-se da amiga. – Lembre-se do pássaro na gaiola. – ela sussurrou, para que só Hinata pudesse escutar. – Se nada der certo, liberte-o. – a rosada falou e depois correu na direção a qual haviam vindo antes.
Era hora de voltar para Naruto.
– Muito bem... – Chihiro finalmente se pronunciou. – Onde nós paramos?
[...]
Liberte o pássaro na gaiola? Que diabo Sakura queria dizer com aquilo? “Se nada der certo, liberte o pássaro na gaiola.”
– Olha... Eu não sei o que me deixa com mais raiva... Se é você ainda de pé depois de todos os meus esforços ou... Não, isso é a única coisa que me deixa com raiva. – Chihiro disse e sorriu. Mas Hinata permaneceu séria.
Aqueles olhos a intrigavam. Não eram um kekkei genkai, disso ela tinha certeza. Então, como Chihiro havia conseguido aqueles olhos?
– Você realmente não devia tentar ser engraçada. – Hinata falou para provocá-la e viu o sorriso sumir do rosto da oponente por um instante, para logo depois ressurgir ainda maior.
– É... Você provavelmente tem razão. – a loira disse. – Você provavelmente está louca para acabar com isso tanto quanto eu. – a mulher supôs. – Não se preocupe Hinata, dessa vez eu prometo ser mais rápida. – disse a kunoichi da Nuvem e avançou contra a Hyuuga, fazendo Hinata ativar seu byakugan imediatamente.
Seus estilos de luta eram parecidos. Não era tão emocionante de se ver.
“Byakugan?” – Hinata pensou. Era mesmo possível que aquela mulher estivesse vendo os seus tenketsus, assim como ela via os dela?
Um ataque mais forte fez Hinata recuar.
– Rairakkugan! – a kunoichi da Nuvem exclamou; mas Hinata não esperou muito mais tempo para atacar. Jogou-se em cima da oponente, concentrando uma pequena quantidade de chakra nas mãos.
Ouviu uma risada atrás de si. Mas como era possível? Chihiro estava na sua frente!
– Você é mesmo patética. – Chihiro disse e Hinata sentiu uma dor forte em um ponto das costas, o que a fez desativar seu byakugan imediatamente.
“O-o quê?” – Hinata pensou, sem entender o que se passava; aos poucos, no entanto, sua visão foi voltando ao normal e a Chihiro que pensava haver na sua frente não existia. No lugar dela, apenas uma árvore. “Akagan?!” – Hinata perguntou-se. Mas como aquilo era possível? Como ela poderia ter o poder de dois doujutsus diferentes – e que aparentemente se anulavam – em um só olho? Aquilo não fazia o menor sentido.
Hinata virou-se para trás e encarou a verdadeira Chihiro.
– Quem é você Chihiro? O que é você? – Hinata perguntou e viu o sorriso da mulher passar de irônico para macabro em menos de dois segundos.
– Isso, minha querida, é o resultado da experiência mais bem sucedida da história da Vila da Nuvem. Por sua culpa eles me transformaram nisso... – Chihiro disse entre dente, raivosa de por ter sido tratada como uma coisa defeituosa.
– Do que você está falando? – Hinata perguntou; por algum motivo, sabia que aquilo poderia ser a chave para derrotá-la.
– Você é meio burra, hein? – Chihiro desdenhou, mas Hinata não ligou. Esperou ansiosamente pela próxima história que Chihiro iria contar. – Esses olhos são o resultado da morte do meu pai... – Chihiro explicou. – Eles não conseguiram os seus, mas conseguiram os olhos do inútil do seu tio... Hizashi Hyuuga... Mas aquele byakugan era tão meia boca que eles não ficaram satisfeitos. – Hinata ouviu Chihiro falar. – Eles quiseram criar uma arma mais poderosa, uma coisa que ninguém no mundo shinobi teria... Um novo doujutsu, capaz de se comparar com o byakugan e ao mesmo tempo pará-lo. – Chihiro disse e avançou contra Hinata, dando-lhe uma rasteira e fazendo a Hyuuga cair e bater a cabeça no chão. – Eles misturam as células do byakugan com as células de outro doujutsu, o Akagan. – Chihiro completou. – E eu fui a paciente perfeita, a décima segunda pessoa em que eles testaram essa coisa... E então, eles fizeram questão de apagar todos os meus registros, tudo que afirmava que eu estava viva. Fizeram-me esquecer o meu nome... E me chamaram de “Paciente 12”.
– Paciente 12? – disse Hinata com dificuldade, tentando levantar-se do chão para encarar a oponente, mas antes que conseguisse, Chihiro chutou-lhe fortemente a barriga, jogando a Hyuuga para longe. Hinata arfou, batendo as costas contra uma árvore.
– É... Mas eu criei um nome para mim... Um nome comum, mas que diz exatamente qual é o meu objetivo ao vir atrás de você Hinata. Você não percebeu? Eu sou a sua morte. (Chihiro/Shihiro = morte)¹. – Chihiro sorriu e seus olhos lampejaram um ódio tão profundo que Hinata quase acreditou que era mesmo a culpada por tudo que acontecera a vida dela. Quase.
Chihiro reuniu um pouco de chakra nos dedos e começou a fechar vários dos tenketsus de Hinata, como fazia o jutsu 08 trigramas – 64 golpes, de Neji. Não era perfeito; mas doía igualmente.
Hinata tossiu e cuspiu sangue vivo, respirando com dificuldade.
“Se nada der certo, liberte o pássaro”. – Sakura dissera. Hinata arregalou os olhos. E então, finalmente entendeu o que a amiga quis dizer. No clã Hyuuga, só havia uma maneira de libertar o pássaro da gaiola. E era matando-o.
Hinata se levantou com dificuldade e colocou uma das mãos ao redor do corpo, tentando conter a dor.
– Então, isso é tudo que a grande líder dos Hyuuga tem a oferecer? – Chihiro perguntou com desdém, enquanto caminhava lentamente na direção da Hyuuga. – Isso é tudo, Hinata? – ela perguntou novamente e agarrou o pescoço da morena, pronta para estrangulá-la.
Hinata arfou. Era agora ou nunca.
– Is-so... É tudo, Chi-hiro. – a Hyuuga disse com dificuldade e, naquele mesmo instante posicionou umas das mãos e ativou o byakugan.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Chihiro observou a Hyuuga sem entender o que se passava. E, no momento em que ia perguntar o que ela pretendia naquela patética tentativa de fazer um jutsu, sentiu uma forte dor na cabeça. Uma dor que nunca havia sentido antes. Era como se alguém estivesse esmagando o seu cérebro.
Chihiro largou o pescoço de Hinata, que continuou olhando-a sem pena. Não havia mais espaço para piedade em seu coração. Não por ela. Não depois de tudo.
– O que é... O que você está fazendo comigo?! – a kunoichi da Nuvem perguntou. Em sua voz, Hinata ouvia o desespero.
– Isso é uma técnica secreta do clã Hyuuga. Isso foi o que você herdou, quando recebeu os olhos do meu tio.
– Pare com isso! – Chihiro se retorcia de dor. Caiu no chão de olhos esbugalhados. – Pare com isso, por favor! – Chihiro implorou em meio a dor. – Eu juro que vou embora, eu juro que vou mudar! – Chihiro prometeu, mas Hinata sabia que promessas em meio a dores físicas eram apenas promessas vazias.
– Uma vez alguém me disse, Chihiro... Que as pessoas não podem mudar. Não importa o quanto tentem. – Hinata falou, friamente e, no segundo seguinte, viu a luz desaparecer dos olhos da loira.
Era o fim do pesadelo.
UMA SEMANA DEPOIS
*A THOUSAND YEARS — CHRISTINA PERRI*
Então, eles haviam trocado de lugar. Lá estava ele, deitado naquela cama, inconsciente há uma semana e lá estava ela, sentada na mesma cadeira em que ele havia sentado, no mesmo lugar em que ele havia estado, meses atrás.
Aqueles dias estavam sendo difícieis para Hinata. Depois que tudo acabou, seu pai insistiu bastante para que andasse com a segurança reforçada. Que não saísse sozinha. Que se privasse de milhares de coisas.
Mas Hinata sabia que aquilo era inútil. Mesmo estando dentro do clã, nada impediu que aqueles nukenins o invadissem atrás dela. Nada os impediu de imobilizar todos os membros do clã Hyuuga aquela noite. E nada os impediu de matar o seu marido.
Pois é. Depois de realizar buscas por todo o clã, atrás de mais pistas do que poderia ter havido com os Hyuuga, ou de simplesmente achar alguém que estivesse “acordando” daquele jutsu, Neji o encontrou. O corpo estava escondido embaixo de uma das casas. Neji nunca imaginara que pudesse pertencer a Isao, mas pertencia.
Hinata, é claro, ficara arrasada.
O velório havia sido três dias atrás. Hinata tentou ao máximo confortar a família direta de seu marido assim como todo o resto do clã (já que todos era da mesma família). Mas ninguém pareceu preocupado o suficiente para confortá-la. E Hinata chorara. Como fazia tempo que não fazia.
Mesmo assim, naquele mesmo dia, pareceu decidida o bastante para confrontar a todos do clã e dizer o que o seu primogênito na verdade não era filho de Isao e sim de Uzumaki Naruto.
Foi um ato corajoso e bem estúpido, nas palavras de Neji, mas que precisava ser feito. Não podia ser covarde a ponto de deixar as pessoas pensarem que Isao era pai do seu filho; não podia manchar a bravura de Isao, que morreu tentando proteger o clã. Não podia ter sido corajosa a ponto de enfrentar sozinha Chihiro, da Nuvem, e não poder enfrentar seu próprio clã.
É claro que aquilo gerou muita repercussão. Os conselheiros não ficaram nada felizes ao saber daquela desobediência de Hinata. O resto do clã, no entanto, pareceu deixar passar. Afinal, Hinata havia sido corajosa o suficiente para derrotar “sozinha” aqueles nukenins. Como uma verdadeira líder.
E então, seu filho passou de Hikari Hyuuga, para Hikari Uzumaki Hyuuga.
Hinata sorriu ao lembrar-se do bebê. Era exatamente igual a Naruto e o loiro ficaria extremamente feliz ao saber que ela reuniu coragem o suficiente para afirmar para todo o seu clã quem era o verdadeiro pai de Hikari.
Mas Naruto não estava acordado. Na verdade, Naruto não acordava já há uma semana. Hinata perguntou a Sakura se aquilo era um coma, como o que ela havia passado; Sakura, no entanto, disse-lhe apenas que Naruto estava dormindo, recuperando as forças que perdeu na batalha e que logo acordaria.
Hinata quis acreditar nela. Quis mesmo. Mas estava difícil depois de uma semana de espera.
– Você é mesmo um exagerado... – Hinata comentou para Naruto, embora não tivesse certeza de que ele estava mesmo escutando. – Uma semana... Seu filho ainda não te conhece, sabe? – ela comentou. Naruto no entanto, permaneceu imóvel. Hinata bufou. Estava começando a ficar impaciente. – E se você não acordar? – Hinata perguntou, segurando uma de suas mãos e fazendo um pequeno afago. – Como eu vou sobreviver? – ela perguntou, mais para si mesma o que para o loiro. – Eu amo você.
Time stands still
(O tempo fica parado)
Beauty in all she is
(Beleza em tudo o que ela é)
I will be brave
(Eu serei corajosa)
I will not let anything take away
(Não deixarei nada levar embora)
What's standing in front of me
(O que está na minha frente)
Every breath
(Cada suspiro)
Every hour has come to this
(Cada momento levou a este)
One step closer
(Um passo mais perto.)
Hinata olhou para os olhos fechados de Naruto, rezando aos ceus para que ele os abrisse e ela pudesse se perder pelo menos uma vez mais naquele azul profundo.
– Abra os olhos para mim, Naruto-kun... – Hinata implorou a ele.
I have died everyday waiting for you
(Eu morri todos os dias esperando você)
Darling don't be afraid
(Querido não tenha medo)
I have loved you for a thousand years
(Eu te amei por mil anos)
I'll love you for a thousand more
(Eu te amarei por mais mil)
E, como se ele houvesse escutado, Naruto abriu os olhos.
Every hour has come to this
(Cada momento levou a este)
Hinata sorriu e chorou ao mesmo tempo. Olhou para Naruto, que ainda estava meio grogue beijou-lhe os lábios com paixão.
– Oi. – Ela disse ternamente, ainda sem acreditar que ele estava ali, acordado, olhando para ela, falando com ela. Hinata sorriu mais abertamente e se perdeu na imensidão do olhos azuis de Naruto, como desejara ainda há pouco.
– Oi... – Ele disse fracamente.
Mas foi o melhor som que ela poderia ouvir.
FIM
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