Cinco Minutos

24 Massacre - Parte I


Notas iniciais
GALERAAAA VOLTEEEEEEEEEEEEEI! TUNTS TUNTS TUNTS TUNTS! Gente, demorei muito? Me deram uns feriados do trabalho (sim, agora eu trabalho) e passei esse fim de semana curtindo muito - e quando digo curtindo quero dizer que estava dormindo u.u Esse capítulo saiu pequenininho e é só uma introdução pro próximo! Eu me esforcei feito o cão pra criar uma historia descente pra Chihiro, sendo que botei ela pra ser a vilã mesmo de ultima hora. Mas até que deu certo pra essa kenga u.u Ah, e ela né qualquer ninjazinha não viu gente? Vou botar ela pra dar trabalho. Como cena de luta não é o meu forte, espero que me perdoem. Esse capítulo é dedicado a vocês que comentaram, que favoritaram e que estão acompanhando! Hinadiva, muito obrigada pela recomendação! Esse capítulo é dedicado especialmente a vc! Hey, que tal colocar pra tocar THE CLIMB - Miley Cyrus? (mas só quando a fic mandar tá? Não se preocupa que diz no texto a hora de colocar ;D) ***Gente, quem puder, dá uma olhada lá em No Limite, tá? Vão lá pra ver se gostam, vão vão, me façam feliz u.u*** LEITORES FANTASMAS, A FIC TÁ ACABANDO! ME DEEM UM SUSTO! Boa leitura galera!

“Mesmo uma criança idiota cresce quando descobre o que é a dor.” – Nagato.

Hinata acordou levemente nauseada. Sentia-se quase doente. Seus olhos ardiam e seu corpo doía. Talvez fosse por culpa da gravidez. Talvez fosse porque hoje era o dia do seu casamento.

Hinata riu baixinho, angustiada. Não se lembrava de ter, algum dia, estado tão infeliz quanto agora. Talvez quando sua mãe morrera. Mas aquela dor era diferente. Era a dor de ter tudo arrancado de seus braços; respirar era quase desesperador.

Levantou-se da cama devagar e dirigiu-se ao banheiro. Agora, deixava o vaso sanitário sempre com a tampa levantada, justo porque frequentemente tinha ataques de enjoo.

Ajoelhou-se em frente ao vaso sanitário.

Naquela manhã, Hinata pareceu vomitar mais sofregamente do que em outros dias. Sabia, no fundo, que aquilo não era somente devido à gravidez. Estava nervosa e ansiosa há dias por causa do casamento; não conseguia fazer seu trabalho direito. Não conseguia viver.

E tudo havia se tornado pior depois daquela maldita conversa com os conselheiros. Infelizmente, como Neji não poderia se tornar seu marido por ser da ramificação secundária do clã, Hinata tivera que escolher outro quase às pressas. Tivera também que explicar a Neji o porquê de, de repente, querer se casar com ele e por que, também, não seria mais necessário.

Mas, para a surpresa de Hinata, Neji não parecera muito surpreso. Ele certamente sabia que a prima escondia alguma coisa grave para tê-lo pedido em casamento daquela maneira. E, como sempre, pareceu entendê-la e apoiá-la em suas ações. Entendeu também o porquê de Hinata não poder prosseguir com a ideia e disse que ele mesmo se encarregaria de escolher alguém de confiança para que Hinata pudesse se casar, sem que o segredo – que ela fora obrigada a revelar – vazasse de alguma forma.

E, para a alegria – ou desespero – de Hinata, Neji conseguiu convencer alguém de confiança em pouquíssimo tempo. Afinal, não era como se Hinata tivesse muito sobrando. Sua barriga já começava a aparecer e as pessoas poderiam desconfiar de que aquele bebê era fruto de uma noite com um homem que não pertencia ao clã e, nem de longe, era seu marido.

Escutou alguém bater na porta.

– Hinata-sama... – era Amaya. – Seu pai pediu para que eu lhe chamasse. Todos a esperam nos jardins. – disse a mulher, fazendo Hinata suspirar. Havia chegado a hora. O coração de Hinata disparou e ela vomitou mais uma vez no vaso.

Então era aquilo? Aquele era o seu destino? Casar-se com um homem que mal conhecia e que não amava?

Hinata sentiu o corpo tremer e o ar lhe faltar dos pulmões. Estava entrando em pânico. Tentou respirar profundamente, fazer seu sangue circular e seu coração continuar a bater.

– Hinata-sama? – a morena ouviu a mulher chamá-la mais uma vez.

“Esse é o meu destino? Sou destinada a sofrer assim para sempre?” – Hinata pensou. Sentiu seu corpo ficar mole e desabou no chão do banheiro. Por alguma razão lembrou-se de Neji, há muito tempo, quando lutavam no exame Chuunin. Por um momento estranho, Hinata sentiu como se o próprio Neji jovem estivesse ali, do seu lado.

“Estou exausta...” – Hinata pensou.

– Nunca pensei que chegaríamos a esse ponto, Hinata-sama. – era Neji. Hinata arregalou os olhos, assustada e direcionou sua visão ao outro ponto do banheiro, de onde vinha a voz de Neji. O jovem Hyuuga, com somente treze anos, sentou-se no chão do banheiro, observando a prima, que enfraquecida, estava deitada no chão. Hinata olhou tristemente para a figura do primo, sem ter certeza se aquilo era real ou se era apenas uma alucinação. Piscou algumas vezes para tentar fazê-lo desaparecer.

– Nem eu, Neji-nii-san. – ela disse e sorriu fracamente, ainda abalada pela presença dele.

– Parece que eu estava certo, seu destino nunca foi ser uma ninja. Você está definhando lentamente. – Neji disse, mas ao contrário de crueldade, como da primeira vez, Hinata viu o primo olhando-lhe com preocupação. Hinata levantou a mão fracamente e tocou o rosto do primo com carinho.

– Você está enganado, de novo, irmão. – Hinata disse e Neji ergueu uma sobrancelha, como que questionando aquilo.

– Você sabe que só está fazendo isso pelos outros e não por si mesma. Como sempre, está tentando buscar a harmonia, mas isso está te matando. Por que não se rende? – Neji perguntou frustrado demais com a prima.

– Não, não. – Hinata tentou dizer, mas lágrimas invadiram seus olhos. – Estou tentando ser o que sempre quis me tornar. Estou tentando ser forte, irmão. Por mim, pelo Naruto-kun, por Hikari e pelo clã. Estou tentando mudar.

– Não se pode mudar o destino, Hinata-sama. – Neji disse pela segunda vez e, como da primeira, Hinata sentiu seu coração se partir.

– Mas qual é o meu destino? – Hinata perguntou fraquinho, mais a si mesma do que a Neji.

– Acho que está claro. Você quer fugir? – Neji rebateu a pergunta de Hinata com outra pergunta.

– Sim... – Hinata admitiu, olhando para baixo envergonhada.

– Esse é o seu destino, Hinata. Fugir e se esconder. – disse o primo da morena com certa cautela. – Como eu disse, as pessoas não podem mudar, não importa o quanto tentem. – disse o rapaz e Hinata o olhou novamente. Mas ao contrário do pavor da primeira vez, os olhos de Hinata eram gentis, como os daqueles que ensinavam algo muito importante a alguém.

– Neji-nii-san... Você sempre esteve muito além de mim... Sempre foi mais forte que eu. Sempre pertenceu à elite e eu sempre fui uma fracassada. Sempre existiu e sempre existirá uma grande diferença entre nós... Você disse, uma vez, que estava destinada ao fracasso quando decidi que não iria fugir... Mas eu não me importo de fracassar. Eu sempre vou tentar de novo e de novo, até conseguir sucesso.

– O que isso quer dizer? – Neji lhe perguntou.

– Ter força não se resume a derrotar inimigos, Neji-nii-san. Acho que... Meu destino sempre foi me sacrificar, talvez. – Hinata fungou, tentando prender as lágrimas. – Agora eu vejo claramente. Essa é a diferença entre as nossas forças. – Hinata explicou calmamente. – Você esquece quem é o meu professor, irmão. Eu não desisto e nem fujo.

– E então, o que vai fazer agora? – Neji perguntou, ainda sem estar convencido.

– Eu vou encarar a minha missão. – Hinata disse. – Meu destino é proteger a minha família. Esse é o meu jeito ninja. – disse a moça, fechando os olhos e se entregando para a escuridão.

[...]

– Hinata-sama! Ah, meu Deus! Hinata-sama! – Amaya exclamou invadindo o banheiro da líder do clã a fim de saber o porquê de Hinata demorar tanto.

Quando não encontrou sua senhora no quarto seguiu para o banheiro. Bateu na porta algumas vezes também. Mesmo assim, Hinata permanecia em silêncio. Foi quando, mesmo sabendo ser muita insolência, Amaya abriu a porta do banheiro do quarto de Hinata.

Para seu desespero, Hinata estava caída no chão do banheiro. Parecia pálida e doente e Amaya sentiu, subitamente, muita pena dela. Ela sabia que aquele casamento não era exatamente tudo o que Hinata queria naquele momento, mas achava que devia ser mais alguma estratégia do clã. Talvez Hiashi-sama e os conselheiros achassem que Hinata não fosse capaz de governar sozinha e, para ajudá-la em seu posto, resolveram que ela devia se casar.

– Hinata-sama, levante-se, por favor... – a mulher pediu, agachando-se ao lado de Hinata. Viu sua líder abrir os olhos lentamente e olhar-lhe tristemente. – Você precisa ser forte, agora... – a mulher aconselhou e deixou uma lágrima escapar. Estava realmente triste por Hinata.

– Sim... – Hinata afirmou, embora ainda não estivesse totalmente pronta para levantar-se e encarar a realidade. Ela precisava ser forte.

– Vamos lá... – chamou a mulher e agarrou uma das mãos de Hinata, puxando-a com força para cima, a fim de levantá-la. – Vamos lá... – a mulher chamou novamente e puxou-a com mais força. Até que, em algum momento, Hinata ficou de pé.

– Desculpe... – Hinata pediu apaticamente. Seus olhos não tinham brilho algum e sua voz saíra sem força, quase como se tudo que ela fizesse doesse profundamente.

– Não se preocupe Hinata-sama... – disse Amaya e puxou Hinata para dentro do box. A mulher despiu Hinata lentamente, peça por peça. Quando viu a barriga levemente arredondada da líder entendeu o porquê de ela estar se casando hoje.

“Então é isso...” – pensou a mulher e suspirou, ainda mais triste pela menina.

Empurrou-a de leve para debaixo do chuveiro, ligando-o. A água quente bateu contra o corpo de Hinata, mas ela não sentiu nada. Enquanto Amaya a ajudava a se lavar, a única coisa que Hinata pensava era que sentia como se estivesse indo para um matadouro.

– Estou morrendo. – Hinata disse em voz alta, surpreendendo a empregada. – Não consigo respirar. – Hinata disse olhando a outra com súplica. Amaya arregalou os olhos assustada. – Está doendo... – Hinata disse e colocou uma das mãos no peito, tentando se controlar para não desfalecer de novo.

– Eu sei Hinata-sama... – a empregada disse, para depois de alguns minutos começar a lavá-la de novo. Hinata olhou para a mulher surpresa, como se só agora a estivesse vendo ali do seu lado. – Mas a senhora precisa fazer isso. – ela disse, evitando olhar a menina nos olhos. Aquela dor devastadora que via nos olhos de Hinata a estava deixando-a sem ação.

– Amaya-san... – Hinata chamou-a. A mulher olhou para ela depois de algum tempo. Hinata a encarava de olhos arregalados. Começou a respirar mais rapidamente, com dificuldade, como se os pulmões não estivessem conseguindo absorver todo o oxigênio de que seu corpo necessitava.

– Respire... – a mulher instruiu e Hinata tentou obedecê-la. Seus joelhos falharam e Hinata caiu sentada no chão. – Respire. – disse novamente a mulher. Agachou-se para ficar da mesma altura de Hinata, não se importando de ficar molhada também.

– Não deveria ser assim tão difícil... – disse Hinata e a mulher a abraçou sem se importar de parecer uma insolente. – Não deveria... – Hinata reclamou, abraçando Amaya de volta e segurando com força um pedaço do tecido de sua roupa.

– Está enganada, Hinata-sama... Está sendo tão difícil quanto tudo na vida o é. – ela disse tentando consolá-la. Sentiu o corpo de Hinata tremer e depois ouviu a menina gemer baixinho, chorando um choro sofrido e desesperado. – Vamos... Já chega desse banho. – disse a mulher e puxou Hinata do chão pela segunda vez naquele dia. Hinata levantou-se devagar e saiu do box, enquanto Amaya desligava o chuveiro. A mulher encarregou-se de buscar uma toalha para Hinata logo após. – Vai ficar tudo bem, Hinata-sama... Tudo bem. – dizia a mulher enquanto enrolava Hinata na toalha branca e felpuda e a empurrava para fora do banheiro, a fim de prepará-la para o casamento.

[...]

Sentada de frente ao espelho da cômoda, Hinata observava enquanto Amaya penteava seus cabelos, que agora já passavam dos ombros, mais como um carinho do que como uma obrigação e Hinata se sentiu imediatamente grata por tê-la ali.

– Hinata-sama, a cerimônia começará daqui a pouco. – Amaya informou, vendo Hinata suspirar resignada.

– Você separou o kimono que lhe pedi? – perguntou Hinata. Amaya a observou pelo espelho. Seus olhos ainda continham o mesmo brilho de dor, mas agora, ao invés de incerteza, continham uma frieza e determinação que a criada nunca vira nos olhos de sua líder.

Hinata sentia como se sua alma estivesse sendo arrancada de seu corpo. Tudo parecia dormente e ela não conseguia sentir nada que não fosse dor. A Hyuuga resolveu se apegar aquele sentimento, sabendo que ele o perseguiria por toda a sua vida. A dor seria sua companheira e seria a prova que lhe lembraria por toda sua vida que havia feito tudo que podia para salvar sua família.

– Sim senhora. – disse a mulher, enquanto parava de pentear os cabelos de Hinata e punha a escova em cima da cômoda. – Está em cima de sua cama. – completou e Hinata avistou, pelo espelho, o lindo kimono que jazia em sua cama. – Tem certeza que será este mesmo, Hinata-sama? É preto... – a mulher disse, virando-se para olhar a peça de roupa, um pouco receosa.

– Sim. Estou de luto. – disse Hinata. Olhou mais uma vez o vestido. Não era um preto fosco, afinal de contas. Não era como se ela estivesse indo para um enterro. Era cheio de brilho e tinha a costura fabulosa, mas ainda assim era preto.

– Por quem? – a mulher perguntou confusa, virando-se de novo para Hinata. A líder do clã Hyuuga olhou-lhe nos olhos profundamente, pelo espelho.

– Por mim. – disse a morena e Amaya estreitou os olhos, sem saber o que dizer agora. A criada do clã suspirou. Olhou mais uma vez de Hinata para o kimono e depois para Hinata de novo.

– Lembre-se o porquê de estar fazendo isso. Talvez ajude. – disse a mulher. Embora não soubesse exatamente o que se passava e qual era o real problema que Hinata estava enfrentando, tinha certeza de que suas razões eram muito fortes para estar se sacrificando assim. – Eu vou esperar lá fora, Hinata-sama. – disse Amaya e se curvou em sinal de respeito, para em seguida sair, deixando Hinata sozinha.

[...]

Hinata olhou-se no espelho mais uma vez. Estava pronta. Estava pronta para realizar aquilo a que fora destinada.

Abriu a porta de seu quarto e dirigiu-se à escada. Suspirou profundamente. Andava lentamente olhando para os pés. Sentia como se estivesse se movimentando em câmera lenta. Sua casa estava silenciosa e vazia e Hinata sentiu-se muito pequena de repente.

– Hinata-sama... – alguém a chamou antes que pudesse começar a descer os degraus, mas Hinata sentia como se seus ouvidos estivessem tampados com algodão. – Está bonita. – a voz repetiu e Hinata olhou para cima tentando enxergar minimamente quem estava falando consigo. Sua vista estava embaçada e seu coração acelerou.

– Neji... – ela disse, distinguindo suas feições embaçadas. – Obrigada, irmão. – ela agradeceu com a voz fraca, piscando muitas vezes para tentar enxergar melhor. Mas era em vão.

Isao e sua família já esperam você. – disse o primo de Hinata e ela o encarou, ainda com a vista embaçada.

– Isao... Ele é mesmo de confiança? – Hinata perguntou incerta, com a voz baixinha, só para que Neji ouvisse.

– Sim. Concordou em ajudá-la, mesmo sem saber toda a história. – disse Neji, com cautela. – É um dos grandes membros da Souke. Respeita os membros da Bouke, também. Disse que seria uma honra casar-se com você, mesmo que não pudesse ser seu marido de verdade. – Neji disse e Hinata assentiu.

– Você... Você disse que... – Hinata gaguejou, tentando encontrar as melhores palavras para se expressar.

– Eu disse a ele que embora estejam se casando, você não é a mulher dele. Isso é pelo clã Hyuuga e para proteger você. – Neji explicou e Hinata suspirou, aliviada.

– Ainda bem... – Hinata agradeceu. – Estão todos lá fora? – perguntou a morena e Neji assentiu. – Então, está na hora de ir. – ela disse e segurou-se no braço de Neji.

Neji guiou Hinata pela escada até que alcançassem a porta da frente da mansão principal dos Hyuuga.

A porta abriu-se.

*MILEY CYRUS – THE CLIMB*

Hinata piscou uma vez. A luz do sol quase a cegou, tamanha sua intensidade. O dia estava bonito apesar de tudo.

Os dois deram um passo em direção ao batente da porta e saíram da casa. Hinata viu todos os Hyuuga reunidos levantarem de sua cadeira e olharem para ela. Tentou distinguir os rostos e fingir felicidade enquanto admirava a decoração do casamento.

Um grande tapete vermelho saía da porta de sua casa em direção a um arco improvisado. Várias flores brancas e azuis cobriam-no e, embaixo dele, Hinata tentou distinguir seu noivo. Tudo ainda parecia embaçado, como se ela fosse a única a se mover devagar e todos se movessem rapidamente.

– Tudo bem, Hinata? – Neji perguntou, mas Hinata não respondeu. Tentou fazer uma coisa de cada vez. Respirou profundamente e deu mais um passo, fazendo Neji acompanhá-la.

O primo de Hinata olhou-lhe mais uma vez preocupado e seguiu em frente, apoiando sua quase irmã em seus braços. Hinata apertava-lhe a mão com força, como que para ter certeza de que Neji estaria ali com ela até que tudo estivesse acabado.

– Vai ficar tudo bem... – ouviu a voz de Neji dizer-lhe e Hinata tentou, com todas as forças, acreditar que aquilo era verdade.

Deram mais um passo, aproximando-se do altar. Olhou mais uma vez o rosto de seu noivo, mas ele pareceu-lhe extremamente comum. Onde estavam os cabelos loiros? Cadê os olhos azuis? Que estranho.

Então, quando chegaram definitivamente chegaram ao grande arco, Neji entregou Hinata ao outro rapaz.

– Lembre-se de tudo o que conversamos... – Neji alertou o outro, mas este não pareceu se abalar. Assentiu ao outro Hyuuga, como se aquela fosse uma missão super sigilosa, a qual estava envolvido. – É o clã que está em jogo... – disse Neji de novo ao outro, que olhou para Hinata com fidelidade.

– Eu entendo. – disse Isao, baixinho, para que somente Hinata e Neji pudessem ouvir.

Mas Hinata parecia alheia a tudo o que eles conversavam. Embora já nos braços de seu futuro marido, raramente o olhava. Não conseguia distinguir seu rosto, seus olhos continuavam desfocados. Sentiu quando Neji saiu do seu lado, para que a cerimônia prosseguisse e sentiu quando Isao apertou-lhe as duas mãos, como que para confortá-la. Mas Hinata continuou olhando um ponto distante, fora dos limites do clã.

– Não vou desapontá-la, Hinata-sama... – disse o rapaz e Hinata finalmente o olhou, sorrindo tristemente, sem, no entanto, dizer nada.

Quando o ministro finalmente começou a cerimônia, Hinata tentou focar-se em qualquer outro ponto que não fosse seu noivo, para que não caísse na tentação de desistir.

Ao longe, olhos violetas a observavam, curiosos para saber o que se passava realmente.

[...]

SEIS MESES DEPOIS

Próximo ao riacho na floresta de Konoha, Chihiro, da Nuvem, observava atentamente seu reflexo na água límpida. Havia chegado a hora.

Ainda como espiã de Konoha e, principalmente, do clã Hyuuga, Chihiro havia descoberto algumas informações muito interessantes, como, por exemplo, o fato de Hinata Hyuuga ter se casado.

Ela sabia que havia algo errado. Não era Hinata que se dizia completamente apaixonada por Naruto Uzumaki? Não era ela que quase havia morrido – infelizmente – por culpa dele? Então o que significava aquilo? Havia algo por trás.

Naruto havia lhe dado informações preciosas sobre a Hyuuga, sem nem perceber. E, quando Chihiro passou a espioná-lo, na época em que o próprio Naruto começou a espionar Hinata, pôde matar dois coelhos com uma cajadada só. Ao mesmo tempo em que ficava próxima dele, também obtinha informações sobre Hinata.

Mas, claro, Naruto não era assim tão inconsequente. Começou a perceber que Chihiro o seguia e havia discutido com ela, mandando-a deixá-lo em paz. Era sobre isso que conversavam naquele dia, no Ichiraku, quando Hinata subitamente aparecera e Naruto correu atrás dela.

Daquela vez, Chihiro resolveu não segui-lo. Não seria tão imprudente. E das próximas vezes que o fizera, fez questão de ser completamente cuidadosa. Foi quando, subitamente, Naruto deixou de ir atrás de Hinata. Parecia que ele tinha se dado conta de que a Hyuuga não iria perdoá-lo ou, simplesmente, os dois haviam rompido de vez.

Mas aquilo deixou Chihiro ainda mais pensativa. O que, de tão grave, havia acontecido para que Naruto desistisse de Hinata? Ele não fazia aquele tipo. E, percebendo que Naruto não a levaria mais à Hyuuga, Chihiro tomara a decisão de que seu objetivo era mais importante. Parara de seguir Naruto e começara a espionar somente Hinata.

Qual não foi sua surpresa ao, depois de algum tempo observando-a, dar-se conta de que a Hyuuga iria se casar?

Chihiro estreitou os olhos, sorrindo doentiamente.

É claro que, depois disso, a curiosidade de Chihiro somente aumentou em relação à Hyuuga. Ela continuou a observá-la durante meses, tentando descobrir alguma fraqueza da kunoichi.

Depois de alguns meses, Hinata raramente saía de casa, mas o movimento dentro do clã Hyuuga e da casa principal era sempre intenso. Até que, finalmente, aconteceu. Hinata aparecera apenas de relance na grande janela de vidro da varanda de seu quarto e Chihiro pôde vê-la apenas rapidamente. Sua barriga estava enorme.

Foi quando Chihiro finalmente deu-se conta do que houve.

– Sua tolinha... – Chihiro lamentou falsamente ainda sorrindo de forma doentia. Então fora por isso que Naruto a tinha largado? Hinata engravidara de outro e então Naruto dera-se conta da vagabundinha que ela era. – Que surpresa, Hinata... – Chihiro comentou consigo mesma, rindo um pouco.

A melhor coisa naquilo tudo era que além de Hinata ter, certamente, destroçado o coração do Uzumaki, ainda dera um motivo a ele para odiá-la. E, melhor ainda: criara uma fraqueza a si mesma.

Fraqueza esta que Chihiro não iria desperdiçar.

Seus olhos lilases e doentios ganharam um brilho estranho quando a fúria e o desejo de vingança tomaram seu coração. O lilás bonito deu lugar ao roxo forte e fosco, criando olhos sem pupilas e sem esclera. Apenas o total roxo. Algumas veias saltaram das extremidades de seus olhos, igualmente a de um byakugan.

– Vocês vão pagar, Hyuuga... – Chihiro disse entre dentes. Sentiu Keiko aproximar-se de si. O rapaz havia saído cedo aquele dia, quando Chihiro o encarregara de espionar o clã Hyuuga pela última vez e informá-la sobre a movimentação do distrito.

– Você está falando sozinha de novo? – ele disse ao se aproximar. Estava com a mão levantada, como se fosse dar um peteleco na cabeça da irmã. No entanto, por causa daqueles olhos estranhamente roxos, Chihiro conseguiu prever os movimentos do irmão.

– Se você tocar em mim, eu mato você também Keiko. – disse ela. Aparentemente, não estava para brincadeiras. – Você trouxe o que eu te pedi? – perguntou Chihiro.

– Sim. – disse o rapaz mostrando a seringa que roubara do hospital de Konoha, que continha um sonífero. A aura da irmã estava diferente aqueles dias, como se mal esperasse para estar frente a frente com Hinata e matá-la. Quando Chihiro o olhou, ele pôde ver os olhos completamente roxos dela. Keiko levantou uma sobrancelha e suspirou.

– Quer desativar esse negócio? Isso me dá arrepios. – disse o rapaz.

– Vai ser com ele que vou acabar com ela, Keiko. Meu Rairakkugan é a arma perfeita contra ela. Foi por causa dele que me tornei uma arma poderosa na Nuvem.

– Eu sei disso. Mas você precisa se controlar, esse negócio gasta muito chakra. Você não é a hospedeira perfeita e sabe disso.

– E mesmo assim... Mesmo assim eles continuaram a tentar me moldar... – Chihiro disse, apertando os punhos com força. Tinha um grande rancor de sua vila por causa disso. Depois de massacrar os Hyuuga, lá era seu próximo destino.

Keiko suspirou. Ele sabia muito bem pelo que a irmã havia passado. Depois da morte de seu pai, o irmão gêmeo do líder dos Hyuuga foi morto e entregue aos ninjas da Nuvem, tudo porque Konoha queria evitar outra guerra. Mesmo assim, os olhos de Hizashi, que estavam selados pelo Jutso da casa principal, não foram desperdiçados. O poder total do olho estava escondido e seus segredos estavam guardados, mas os especialistas da Nuvem conseguiram, de alguma maneira que Keiko desconhecia, reaproveitar as células oculares de Hizashi.

Mas não era somente isso. O interesse da Nuvem por doujutsus sempre foi enorme. Keiko lembrava-se que, na mesma época que seu pai recebera a missão de sequestrar Hinata Hyuuga para que pudessem roubar-lhe os olhos, outros ninjas receberam a missão de encontrar o único membro vivo que possuía outro jutsu ocular poderoso, a fim de parar os poderes do byakugan e, finalmente, conseguir roubar os seus segredos. Era o Akagan. Por sorte, naquela época o usuário do Akagan já se encontrava bastante debilitado e os seus guardiões dificilmente foram páreo para os ninjas de elite da Nuvem. O resultado disso foi a morte de seu usuário original e o roubo de seus olhos.

Dessa forma, os olhos que continham Akagan e as células de Hizashi foram implantadas em ninguém menos do Chihiro. A garota mostrava excepcional controle de chakra e se destacava entre os outros shinobi da mesma idade. Esperava-se que ela fosse capaz de administrar bem os jutsus que lhe foram implantados.

Acontece que misturar dois jutsu oculares que aparentemente se anulavam não deu muito certo na experiência, ainda mais que as células utilizadas fossem de um membro da Bouke. Os olhos de Chihiro agora não eram mais avermelhados, como os dos possuidores do Akagan. E muito menos brancos como os dos Hyuuga. A estranha mistura deu origem a um doujutso completamente diferente, que foi chamado de Rairakkugan (literalmente: roxo). Era fato que Chihiro podia distinguir o chakra de qualquer um de forma excepcional e, como os Hyuuga, podia fechar os tenketsus de todos que entrassem em seu caminho. Além disso possuía o poder de prever o ataque dos inimigos, como todo possuidor do Akagan e o poder confundir qualquer possuidor de byakugan, que podia ver tenkentsus em uma árvore, por exemplo e, daí, atacá-la.

Mas as células utilizadas para criar seu doujutso ainda eram de um membro da Bouke, o que significava que, talvez, só talvez, ainda contivessem vestígios daquele Selo Amaldiçoado. E talvez, se descobrissem isso, qualquer membro da Bouke pudesse ativá-lo. E, como todos os possuidores do Akagan, um dia, ficavam muito debilitados, Chihiro teria a chance de ficar também. Além do fato de gastar chakra de forma exagerada.

Keiko suspirou, tentando não pensar naquilo.

– Nós vamos mesmo invadir o clã? Não acha que é muito arriscado atacá-los dentro de Konoha? – o rapaz perguntou. Viu o justu ocular da irmã se desfazer pouco a pouco.

– Eles nem vão perceber. Mas a única que me interessa, agora, é a Hinata. – disse a mulher. – Sei que não seriamos páreo para os ninjas de Konoha se fôssemos pegos, então vamos levá-la para longe daqui... Quero eu mesma fazê-la sofrer.

[...]

E lá estavam os dois em frente aos portões do clã. Keiko estava nervoso. Bom ninja que era, sabia que destruir um clã do porte do clã Hyuuga não seria nada fácil. Mas mesmo assim, destruir ninjas como eles também não o seria.

Viu alguns ninjas andarem pelas ruelas do distrito, mesmo que já fosse tarde da noite. Talvez estivessem voltando de missões ou talvez só quisessem estar fora de casa por um instante.

– Vamos lá! Nosso objetivo é a casa principal. – disse a loira e subiu em uma árvore que tinha por lá, cujos galhos invadiam o portão do distrito. Observou Keiko fazer o mesmo. Sem muito esforço, estavam dentro do clã.

Sem se esforçar para se esconder, torcendo para que a escuridão ajudasse, Chihiro ativou seu doujutso, transformando os olhos lilases naquele roxo forte e quase macabro. Keiko olhou para ela curioso e sorriu um pouco. Ela realmente estava ali para matar. Por algum motivo, ficou feliz. Finalmente iriam vingar a morte de seu pai.

– Ei, quem são vocês? – perguntou um dos moradores do clã. O que aquelas pessoas suspeitas faziam dentro do seu distrito uma hora daquelas? O morador ativou seu byakugan rapidamente.

Os intrusos se viraram para ele. Enquanto Chihiro baixou a cabeça, escondendo os olhos, Keiko sorriu com desdém.

– Só estamos fazendo uma visita à líder do clã. – disse o rapaz sorrindo inocentemente. O Hyuuga estreitou os olhos.

– Hinata-sama não nos avisou de visita nenhuma. – disse o homem olhando os outros. Havia uma quantidade absurda de chakra naqueles dois – ele podia sentir – mais do que eles deixavam transparecer aos olhos do Hyuuga. Como eles faziam aquilo? Como podiam esconder o chakra daqueles olhos?

– É surpresa. – Chihiro anunciou. Levantou o olhar para o Hyuuga. Os olhos brancos arregalaram-se quando encontraram os olhos roxos. – Rairakkugan. – disse a mulher de cabelos loiros. De olhos abertos, o membro do clã Hyuuga olhou diretamente em seus olhos.

As imagens na mente do homem começaram a se distorcer. Chihiro caminhou calmamente para um dos lados, com Keiko em seu encalço. O Hyuuga viu, em lugar de seus corpos árvores e, no lugar de uma das árvores que haviam ali plantadas, os inimigos. De forma quase ridícula, sentindo a ameaça vindo de algum lugar, mas confiando naqueles olhos que “nunca” mentiam, o ninja Hyuuga atacou as árvores. Reuniu chakra e começou a golpeá-las com o punho gentil, como se estivesse mesmo vendo perigo ali.

Chihiro suspirou.

– É de dar pena. – disse a mulher e tirou uma kunai da calça, apontando para o pescoço do homem.

Era o primeiro Hyuuga que manchava a lâmina de sua faca.

Notas finais
Me esforcei galera, juro que me esforcei D: Mas e aí? Mereço reviews?