Cigarette Daydreams

1 Looking for the answer


Notas iniciais
Ultima fanfic do desafio :D
Drastoria de novo, porque eu não me aguento ♥
A musica é essa aqui ó: https://www.youtube.com/watch?v=QuFb2iRhM7M
Espero que gostem!

[Cigarette Daydream
You were only seventeen
Soft speak with a mean streak
Nearly brought me to my knees]

[ We could find a reason, a reason to change
Looking for the answer
If you find a reason, a reason to stay
Standing in the pouring rain]

Astoria já havia passado por todos os estágios iniciais.

Tinha andado de um lado para o outro no minúsculo cubículo que insistia em chamar de apartamento, tinha xingado todos os palavrões que conhecia e, finalmente, tinha acendido um atrás do outro todos os cigarros do maço caro do namorado – namorado? – que haviam ficado para trás junto com aquele casaco idiota que agora ela vestia. Esse era um dos inúmeros dias que ela gostaria de ver Draco apenas para afundar a sua cabeça no primeiro objeto cortante e pontiagudo que encontrasse.

Não era como se ela não soubesse que isso aconteceria. Desde o primeiro dia ele tinha o cheiro e os olhos de problema. E ela sabia disso, porque, inferno, costumava ser a única pessoa a conversar com ele.

Astoria ouvira as histórias. Mais do que isso, ela ouvira os pesadelos. E ainda assim ela se manteve, porque tinha encontrado aquele vestígio de consciência, aquela centelha de humanidade dentro do caos que era o espírito de Malfoy. E tinha valido a pena fincar o pé naquele terreno arenoso e instável, porque ela o vira florescer de maneira fantástica.

Ela o conhecia de verdade. Muito mais do que o insuportável e magnânimo Lucius Malfoy. Não importava o que ele dissesse.

Exceto, é claro, que importava, aparentemente.

Há apenas algumas horas, tudo estava bem. E tinha tudo para continuar assim...

Se não fosse aquele estúpido jantar familiar, a essa altura ela estaria nua em cima do corpo magro e pálido de Draco, arfando como a pessoa de pulmões fracos que ela de fato era. Eles discutiriam durante meia hora sobre o que comer e no final ela ganharia e pediria uma pizza trouxa, apenas para irritá-lo. Depois eles conversariam sobre coisas que não importavam e quando Astoria estivesse particularmente distraída na narração de alguma história boba de infância, Draco a olharia daquele jeito que fazia seu coração se aquecer e a vida parecer um pouco menos miserável.

Mas ele não estava olhando-a. Na verdade, ele nem sequer estava ali. Depois da discussão calorosa entre Astoria e o patriarca da propriedade de Wiltshire, ela havia voltado sozinha para casa, porque Draco não fora capaz de se mover da cadeira de espaldar alto da sala de jantar.

Pensar nisso fazia com que ela cerrasse novamente os pulsos. Ela havia lhe dirigido um longo e suplicante olhar. Só precisava que ele se levantasse por ela naquele instante. Lucius conseguira insultá-la daquela maneira elitista que estava acostumada por vir de uma família igual. E Astoria sabia que não teria se importado tanto se Draco apenas tivesse segurado a sua mão.

Ela se sentia ridícula agora.

E estava sibilando isso – vezes sem fim – para ver se tomava como lição, com o rosto enfiado entre os joelhos. Por isso demorou a notar o feixe de luz fraca e o formato disforme do patrono de gato semelhante ao seu que pairava no umbral da janela. Ele se dissolveu como fumaça no instante em que Astoria se levantou e caminhou a passos lentos até o vidro. Do lado de fora, a chuva caia de maneira incessante. Debaixo de sua sacada e da escada de incêndio, um encharcado Draco aguardava em silêncio.

Astoria xingou mais uma vez e desfez os feitiços de proteção antes de se esgueirar para fora da janela. Ela odiava portas de entrada ou coisas muito convenientes. Ela odiava Draco e aquele estúpido patrono que ele só conseguia fazer – sem falsa modéstia – por sua causa. Ela odiava não conseguir controlar os olhos embaçados de mágoa.

— Eu esqueci o meu casaco. – Ele disse com a voz rascante natural.

Astoria arrancou a peça de roupa que estava usando e jogou para ele.

— Eu não... – Draco não tinha notado que ela estava usando até então. Ele só precisava de uma desculpa para falar com ela. Ele estava cansado de tomar as piores decisões possíveis. – Por favor, fique com ele.

Greengrass cruzou os braços.

— O que você realmente quer, Draco?

Ele queria várias coisas. Ele queria ela, uma casa com mais de um cômodo e a vida menos dramática que tivesse disponível no catalogo.

— Pedir desculpas. Sair da chuva. Abraçar você. Não necessariamente nessa ordem.

— Você parecia confortável na sua casa. Talvez você devesse voltar para lá.

— Astoria...

— Não! – Ela gritou, chateada. – Olha o que você fez! Estou sendo passivo agressiva. No meio da chuva! Como em um maldito filme trouxa em que garotas não são nada alem de criaturas desesperadas pela atenção de caras problemáticos como você.

— Em minha defesa, você sabe que eu não tenho a menor ideia do que isso se trata.

— Eu sei! O que me faz amar você, mas não me deixa menos brava. Na verdade, só piora as coisas.

Ele assentiu com a cabeça, na falta de resposta. Ela suspirou e apontou para a escada, sugerindo que eles subissem.

— Eu posso começar a falar agora ou ainda parece qualquer coisa trouxa que você citou antes? – Perguntou, muito sério.

Astoria encolheu os ombros, vencida, e tirou a camisa molhada.

Draco fez um esforço sobrenatural para manter os olhos nos próprios sapatos.

— Primeiro, eu não acho que você seja uma criatura desesperada por atenção. Na verdade, esse papel é meu. – Ele respirou fundo, passando a mão pelo cabelo muito claro. – Desde sempre. É o motivo para eu ter ficado lá, perto do meu pai, ao invés de vir com você. E eu não estou dizendo isso para que você se sinta compadecida. Eu apenas odeio a possibilidade de isso não estar claro. Você é a melhor pessoa que eu conheço, Astoria.

— Não é como se você realmente tenha conhecido muitas pessoas na sua vida. — Ela se sentou ao lado dele e se enrolou no cobertor que estava jogado em cima do braço do sofá, antes de murmurar um feitiço auto secante para ele.

— Você entendeu. Obrigado. – Draco murmurou.

— Disponha. Eu acho.

Ele assentiu e continuou:

— Eu realmente só queria me desculpar.

— Obrigada. É importante para mim, no fim das contas.

Silêncio.

Não havia sido um “eu te desculpo”, mas definitivamente era uma resposta positiva.

Draco estendeu a mão para ela, ainda que tardiamente. Astoria a segurou mesmo assim.

No fim das contas, ela sempre a seguraria.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!