Cigana De Luxo!
34 Para sempre
Notas iniciais
Em segundo gostaria de agradecer a todos os comentários e recomendações, pois foram isso que deram animo e vontade de escrever. MUITO OBRIGADA!
E em terceiro, queria dizer que foi uma honra concluir essa Fic aqui no Nyah, e que sim, eu espero escrever outras. Não por agora, mas em breve.
MUITOOO OBRIGADA MAIS UMA VEZ. Talvez o final não tenha ficado como alguns esperam, mas eu tentei fazer algo perfeito para a Jazmin e o Bernardo. Afinal, eles merecem depois de tudo, não é mesmo? HSUAHSUAHU
Esse é o menor capítulo que eu escrevi, pois ele é mais um "Flash back" de tudo o que aconteceu depois.
Enfim...
Bom último capítulo !
Para sempre...
O carro onde eu estava passava por diversas paisagens diferentes. Pouco a pouco, a cidade em que eu fui obrigada a viver ficou para trás. Agora eu só enxergava o futuro e o que me esperava a partir daquele momento. Encostei a cabeça no vidro do carro e respirei fundo segurando o que antes carregava no bolso.
Tirei a pulseira de minha mãe e a coloquei no pulso balançando ela no ar como antigamente nós ciganos fazíamos. Sorri, após lembrar a minha primeira dança e até mesmo a minha última. O bilhete ainda estava em meu colo... O abri lentamente, onde pouco a pouco em meu coração, brotava uma esperança magnífica.
“Jazmin, se esta lendo essa carta eu já devo estar longe... Devo ter partido. Eu sei que você sabe que fiz isso por nós dois, e que eu não posso te prometer que vou voltar. Sei que não cumpri a minha promessa de nunca mais te machucar, mas quero que saiba que eu tentei... Tentei te fazer feliz o quanto pude...O tempo que durou.”
– Me desculpe por tê-la machucado...
– As palavras doíam mais...
– Nunca mais irei machucá-la.
– Promete? – Jazmim se deitou em seu colo, olhando nos olhos frios e verdadeiros de Bernardo.
– Eu prometo.
“Você deve estar se perguntando onde está indo... Lembra-se do sonho que me contou um dia? De como você sempre sonhou que fosse sua vida?”
– É como se tudo estivesse desmoronando sobre a minha cabeça e eu não conseguisse segurar... Sabe Bernardo, eu desejei por tanto tempo sentir a liberdade, viver feliz, viver bem. Sempre imaginei o meu futuro crescendo ao lado de meus pais, com eles me ensinando o valor da vida e de como é bom ser feliz... Via meu futuro comigo casando naquelas fantásticas cerimônias de dias e depois indo morar em uma casinha no meio do bosque... Mas agora, eu nem sei se tenho um futuro.
“Então cigana... Você sempre teve um futuro. Quero que nunca mais chore por mim, apenas sorria lembrando-se de tudo que passamos... Da nossa história.
Quando o carro parar pegue sua mala e siga o seu próprio caminho, meu amor, pois eu realizei o seu sonho... Afinal, você sempre disse que ciganos são livres, não é mesmo? Viva e seja feliz o máximo que puder e nunca se esqueça de que de onde estiver eu estarei sempre ao seu lado.
Até algum dia, Gitana de mi corazón.”
Senti o carro parar, e com o bilhete na minha mão apenas dei um sorriso lembrando-me do de Bernardo. Como me fazia feliz vê-lo sorrir. Desci do carro e peguei minha mala, onde mais a diante, meu novo futuro me esperava.
Respirei o ar da liberdade enquanto caminhava. Ninguém em minha frente, Ninguém atrás... Apenas o sol por entre as árvores. Enxerguei de longe, uma grande cabana, porém simples, mas do que o necessário. Era uma típica cabana cigana, linda. Não posso negar que meu coração acelerou, e logo eu corri em direção à vida que sempre imaginei para mim. Larguei as malas dentro da cabana, e sem querer ouvi um pequeno rugido...
Olhei para trás, onde um pequeno cachorrinho corria em minha direção. Eu o segurei com força, acariciando-o lentamente.
- Olá pequeno... Está sozinho?
Não tive como não sorrir... Bernardo havia planejado tudo. Larguei o cachorrinho e saí em direção às árvores. Tinha tudo o que precisava para viver naquele lugar, e com o silêncio absoluto eu consegui até escutar um curioso barulho.
Minhas pupilas se dilataram, e logo eu segui uma trilha para o lado contrário em direção ao barulho conhecido. Andei um pouco e cheguei ao final da trilha, onde com apenas um gesto removi o galho que impedia minha visão... Não pude acreditar! O oceano estava em um azul puro, onde apenas as ondas quebravam na beira. Sem êxito, eu corri pela praia, erguendo os braços e dando voltas como uma criança. Revivendo ela. Era o lugar perfeito e a vida perfeita. O meu recomeço.
Levei uma das mãos em meu coração e fechei os olhos. Foi como sentir uma proteção em mim, em que nada pudesse me atingir. Foi como voar para longe, navegar sem rumo e sem se importar com o amanhã. Agora eu não sentia mais medo... Eu estava segura.
...
8 anos depois...
O sol vai nascer daqui a cinco minutos... Hoje é dia dez de setembro.
Uma mulher saiu pela porta. Ergueu a cabeça e respirou a gostosa brisa. Seus cabelos negros voavam com o vento assim como seu vestido. Fez um sinal para o cachorrinho a seguir e o acariciou. A beleza ainda estava presente em cada traço daquela mulher. Seus sentimentos, sua força e seu coração não haviam mudado em nada. Caminhou pela trilha – como fazia todas as manhãs – e logo chegou à praia. Jazmin andou quase até a beira, agachou-se, e desenhou um coração na areia.
- Oito anos... Já se passaram oito anos...
A cigana deu um sorriso triste, levantou-se e olhou para o sol nascendo.
Sempre, todas as manhãs, há oito anos, Jazmin ia para a beira da praia e olhava para o horizonte. Sim, ela esperava que Bernardo voltasse. Sua esperança nunca morreu, nem com o passar dos dias frios. Bernardo sempre a mandava uma carta um dia antes de seu aniversário... Contando coisas boas, às vezes nem tanto... Mas o que importava para a cigana era que ele estivesse bem. Mal dormira essa noite. Nenhuma carta, esse ano estava sendo diferente... Uma angústia maior tomava seu coração. Além disso, é dia dez de setembro, seu aniversário! Nenhuma carta... Nenhuma noticia...
A cigana virou de costas para o sol, segurando com toda a força possível as lágrimas em seus olhos.
- Feliz aniversário...
Lembrou-se do aniversário que passou ao lado de Bernardo, o mesmo em que ele fez uma das surpresas mais lindas de sua vida. O que mais queria, era sentir aquele abraço protetor novamente...
Jazmin saiu caminhando com o coração apertado e as lágrimas presas. Onde antes de sair da praia, uma brisa atingiu seus cabelos. Ela parou, o sol nasceu completamente, e em seu coração um sentimento voltou a fazê-lo bater forte.
A cigana girou os calcanhares, fitando a imensidão da praia, onde entre o vento, a areia e as ondas, um homem de olhos frios caminhava em sua direção. Jazmin deu um passo à frente, fazendo o louro erguer a cabeça e fitar uma mulher linda de cabelos negros que voavam com o vento.
Os dois sorriram. Jazmin correu em sua direção, enquanto Bernardo largou a mala onde estava e fez o mesmo. Ambos se abraçaram com todo o amor que sentiam nos coração, onde dos olhos de Jazmin, finalmente, escorreu uma lágrima.
- Você me esperou...
Sussurrou Bernardo, acariciando seu rosto fazendo Jazmin sorrir. Seus lábios se tocaram como a primeira vez, e Bernardo a segurou em seus braços, rodeando-a entre risos e lágrimas.
Era como se tudo ficasse em câmera lenta. Os dois se olhavam onde conseguiam enxergar toda a história que passaram através dos olhos do outro. Posso descrever aquele dia como um dos melhores da vida de Bernardo, assim como a de Jazmin... E dessa vez, ninguém acordaria pensando que foi um sonho. Era real. Finalmente, superando todos os obstáculos... Mesmo que tudo fosse mudar algum dia, eles estariam juntos... Sempre, e para sempre...
As histórias de amor quase sempre têm finais felizes... Mas essa história não existe um final, apenas um recomeço. Finalmente, tudo estava bem.
- Por que demorou tanto?- Jazmin olhou em seus olhos fazendo Bernardo sorrir.
- Quis comprar flores...
Os dois deram as mãos e voltaram juntos para a casa. Onde após oito anos eles se amaram até o anoitecer...
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