Cigana De Luxo!

20 A qualquer preço


Notas iniciais
Desculpem pela demora, aconteceram problemas shuahsua vou postar com mais frequência agora. Lembram-se que eu disse que Jazmim estava em perigo? Pois é...

A qualquer preço


Jazmim acordou. Não havia dormido nem sequer uma hora, os zumbidos a atrapalhavam ou talvez fossem mesmo aquelas palavras...

“Me desculpe”

Ela ainda as podia ouvir saindo da boca de Bernardo. Não foi proposital ouvi-las, não foi um momento oportuno nem planejado, simplesmente ela despertou-se na hora certa.

Sorriu, fitou onde estava transformando o momento em um pequeno ajuste de reflexão. Podia ela estar perfurando o mais duro coração? Sim, podia... Pois até o mais cruel dos seres precisa ser amado. Não estou dizendo, caro leitor, que Bernardo morria de amores por dentro e que Jazmim estava completamente apaixonada por ele, são coisas diferentes. Até que momento ela o ama? Até que ponto ele está disposto a conquistá-la? Se não há respostas não há verdades, por tanto, como pode existir um amor descomunal? Selvagem, doentio, insano e ingênuo... Era esse o tipo de amor que eu classificava para o começo dessa loucura, mas não agora. A mente de Bernardo é um labirinto sem saída, nem ele próprio o compreende às vezes, embora o que acontecera a partir dali me fizesse duvidar de minhas próprias palavras.

Jazmim não teve o que fazer a tarde toda. Mal vira Sandra, pois a mesma estava ocupada demais com tarefas domésticas. O engraçado era que Jazmim não podia se entreter com isso, pois Bernardo proibira Sandra de receber qualquer ajuda. Tédio. Foram exatamente essas palavras que a menina morena usou.

Assim passou à tarde: Sentada no sofá em diversas posições lendo um livro.

...


O trabalho não o dava muito tempo, mas sempre foi assim e Bernardo já estava acostumado. Quando entrou em casa já eram 18h12min da tarde, e fitara a cigana, deitada de cabeça para baixo lendo o segundo livro. Sorriu, afrouxando a gravata e tirando o casaco, o pendurando no cabideiro. A garota em nenhum momento a olhou nos olhos, parecia concentrada ao extremo no livro, porém só bastou Bernardo falar duas palavras:

– Vamos sair?

A cigana deu um pulo do sofá, largando o livro.

– Onde?

– Preciso falar com Ana. Quer ir?

Jazmim sorriu, subindo as escadas correndo tropeçando nos próprios pés e descendo em menos de vinte segundos com um casaco na mão.

Bernardo gargalhou alto, levando o braço sobre o corpo da garota e a puxando em direção à porta. Porém, antes que pudessem dar um passo em direção à rua um grito chamando Sandra fez a mulher aparecer de imediato.

– Sandra, voltamos em uma hora. Não precisa preparar o jantar.

A mulher concordou com a cabeça, lançando um olhar cuidadoso para a cigana.

A viagem curta não deixou Jazmim prestar atenção nos detalhes como sempre fazia, e não era a presença de Bernardo que a incomodava, e sim suas palavras que por mais que tentasse, não sairiam de sua cabeça tão cedo. Fitou discretamente com o canto dos olhos, o olhar atento à estrada aberta. Sentiu-se incomodado, percebera que ela o fitava e também o fez. Jazmim voltou a olhar para a paisagem morta, o que fez um pequeno sorriso no canto dos lábios de Bernardo surgiu. Calmo, imperceptível.

...

O grito de Camila não explodiu os vidros por pouco, mas deu um susto imenso em Ana que saíra correndo do escritório. Camila e Jazmim se abraçavam com força, falando ao mesmo tempo de uma forma engraçada.

– Meu Deus! O que aconteceu?

A expressão assustada de Ana se desmanchou ao ver Bernardo, que a cumprimentara com uma expressão calma.

– Já deveria ter imaginado. – Sorriu, fazendo Bernardo a seguir até a parte de trás da casa, onde um grande jardim dava um aspecto agradável ao local, mesmo a metade do mesmo ser coberta, impossibilitando o sol de esbanjar sua luz.

– Mudanças? – Ana começou a conversa.

– Se quer saber sobre a conversa que tivemos, esqueça. Continuo com a mesma opinião.

Ana ficou em silêncio absoluto, analisando Bernardo dos pés a cabeça, e sim, fez para que ele percebesse.

– Diga Ana. – Girou os olhos, enquanto servia a primeira Xícara de café, um de seus vícios.

– Não leve a mal, sabe que é meu amigo de anos, mas... Diga-me sinceramente Bernardo... Não está fazendo isso por ela, ou está?

O homem a olhou sério e ao mesmo tempo completamente estupefaço. Exagerado, mas chegou a bagunçar os cabelos “perfeitos”.

– Não.

– Mas então por que...

– Chega deste assunto. – Cortou Bernardo.

A breve conversação se encerrou por ali, e após isso, foi uma longa hora de histórias recontadas, risadas e xícaras de café.

Diferente do que acontecia no jardim, no quarto de Camila a conversa era sobre garotos, ou melhor, o garoto que Camila havia beijado. O mesmo da livraria com quem Jazmim falou uma vez, há tempos.

– Ele quer namorar... – Camila desabafou. – Apenas um beijo e já quer algo sério? Nem pensar! E a minha forma de trabalho não permite isso.

Jazmim abraçou os joelhos ficando pensativa por alguns minutos e logo após a fitando claramente.

– Não devia deixar passar.

– O que quer dizer? – Perguntou Camila.

– Dizem que o amor só surge uma vez na vida, e ele não vai esperar pra sempre.

– Podemos mudar de assunto?

Jazmim descontraiu, concordou com a cabeça e sorriu. Na verdade, sabia exatamente em que assunto Camila iria tocar.

– Por exemplo...?

– Se você e o Bernardo já transaram.

Jazmim arregalou os olhos, abrindo a boca periodicamente.

– E isso é coisa que se pergunte?

– Você falar como se isso não fosse normal... – Camila gargalhou fazendo Jazmim a fitar séria.

– Não quero falar nisso.

– Tudo bem.

Não que quisesse falar por mal, mas o jeito de Camila era assim. Falava as coisas com clareza e de certa forma, às vezes, até constrangia.

– Só me promete uma coisa amiga?

A cigana a olhou nos olhos pensou por alguns segundos, e por fim balançou a cabeça positivamente.

– Não se apaixone por ele... Ok?

Jazmim abaixou o olhar com aquela pergunta, respirou fundo, pois na verdade não sabia o que sentia nem se deveria prometer algo incerto. Poderia cumprir tal promessa? Mordeu os lábios inferiores, e por fim disse:

– Prometo.

As duas se abraçaram, e enquanto o olhar de Jazmim era de incerteza o de Camila acompanhava uma gaveta escondida na antiga cômoda da cigana.

– O que foi?

Jazmim se separou de Camila, fitando a mesma gaveta que Camila admirava como se fosse um objeto valioso. E era.

– Eu vi o Alexander!

– O que? – A cigana se levantou de pressa.

– Ele apareceu aqui ontem e me entregou uma carta. – Camila caminhou em direção à cômoda, abriu a gaveta com uma chave velha e tirou um envelope amarelado. – Pra você!

Jazmim sentou-se na cama, arrumou para trás do rosto os longos cabelos pretos e abriu a carta com cuidado.


Cigana, se está lendo essa carta significa que falhei com você, e me desculpe por não conseguir ter forças para entregá-la pessoalmente. Escrevo-lhe com uma terrível tristeza, por isso não ligue se ela estiver manchada com minhas lágrimas. Quando eu estava preso morria a cada dia, e pensar na esperança que um dia você me ensinou a ter me manteve vivo. Por ti morro e por ti vivo cada dia. Por favor, me perdoe por não ter conseguido te proteger como deveria, me desculpe ter quebrado todas as promessas que te fiz. Lembra-se quando vivíamos em paz em nossa terra, juntos? Você fazia promessas perante a lua com o final “para sempre”: amigos para sempre, juntos para sempre... Enquanto eu fazia promessas de para sempre cuidar de você, de para sempre te amar... E assim ficávamos juntos até a lua deixar os céus e o sol iluminá-lo novamente. Eu descobri o amor cigana, somente com você... E talvez você não entenda, mas amar também exige sacrifícios, e pela sua felicidade eu sou capaz de qualquer coisa, até mesmo de abrir mão da coisa mais importante da minha vida.

Eu vou embora, por favor, não chore, não quero que tuas lágrimas se unam as minhas no papel velho. Apenas não posso mais continuar morrendo aos poucos, imaginando preso entre quatro paredes um dia ser capaz de te salvar.

Me perdoe não ser capaz de te oferecer a liberdade e por não ter mais forças para lutar por nós dois. Mas quero que saiba, que dentro de mim existe um futuro onde te vejo dançar sobre o iluminar da lua e o brilho das estrelas, que te vejo cantar com a alma, que te vejo livre, sendo o que toda a cigana nasceu para ser. Eu acredito sim em um futuro em que ficaremos juntos observando da janela mais uma vez o nascer do dia.

Te amo para sempre, do seu cigano.

...

O que por um segundo pensou esquecer se tornou uma tormenta sem tamanha. Doía por dentro, era como ser perfurada por uma espada enferrujada daquelas que os cavaleiros usavam na época das cruzadas. Era impossível não chorar, mas por sorte, ela não deixou que manchassem o papel, ao invés disso, o casaco de Camila se molhara.

A escuridão já tomara o céu e assim, as duas se separaram. Sorriram. Não era tão ruim quando a dor era dividida.

– Jazmim, vamos!

Ouviu a voz de Bernardo a chamando, o que fez Jazmim levantar-se e se despedir de Camila.

– Obrigada.

...

O relógio bateu exatamente 20h00min da noite quando Bernardo e Jazmim chegaram. A garota permaneceu em silêncio o caminho todo, e só quando entrou pela porta Bernardo se manifestou.

– O que aconteceu?

– Nada.

Ele acariciou seu rosto, de vagar, fazendo Jazmim tocar sua mão.

– Absurdamente linda...

Ela estava fria, a pele mais branca que o de costume e os olhos perdidos. Bernardo deslizou a mão sobre seu pescoço puxando a garota em direção aos seus lábios. O beijo calmo surgiu sem nenhuma malicia, mas não durou mais que cinco segundos, Jazmim se afastou.

– Saia comigo.

A mão de Bernardo puxou a sua em um ato inesperado, fazendo Jazmim voltar, ficando próxima ao seu corpo.

– O que?

– Tenho um jantar hoje com alguns sócios. Quer ir comigo?

Um sorriso deslumbrante tomou os lábios de Jazmim. Bernardo continuou sério, mas fez questão de lhe dar o vestido ideal para a ocasião. É claro que não era o vestido que Jazmim mais admirava, mas não se podia dizer que era inadequado ou feio. Na verdade, qualquer coisa vestida pela cigana se tornava belo.

...

O lugar se chamava Le Fredile, um dos mais qualificados estabelecimentos do país. Não ficava longe de lá, o que possibilitou certa comunicação entre todos.

Quando o carro de Bernardo parou na frente, foi como se todos os olhares se dirigissem a ele. De dentro, o homem mais poderoso do país surgiu ao lado da mais bela mulher já vista. Pesquise suas origens e não encontrará nada, apenas um passado de adivinhações e dança. Incrível.

O vestido em tons de Vermelho era propicio para a ocasião, o que despertou olhares de inveja e admiração. Só bastou Bernardo colocar o pé esquerdo para ser recebido pelo dono do lugar, que fez questão de acompanhá-los até a mesa. Bernardo em nenhum momento soltou a mão de Jazmim, e às vezes a segurava com tanta força que a garota tinha que o cutucar... Seria engraçado visto dali, mas eram problemas tão discretos que passavam despercebidos.

Todos já estavam na mesa, alguns acompanhados das mulheres e outros de simples namoradas... No caso de Bernardo, se perguntasse, a resposta viria como uma leve piada engraçada. Não existia verdade ou mentira na relação deles, apenas dúvidas.

– Os preços do setor agrário estão subindo muito esses últimos meses. Está surgindo problemas com o lado pobre e isso pode nos prejudicar. – Comentou um homem robusto, com cava barba e olhos negros.

– Aqueles marginais merecem! – Esbravejou o homem baixinho ao lado de Jazmim. – Roubam aos montes!

– O que acha Sr. Bernardo?

Perguntou um homem magricelo, onde o bigode lhe tampava os dentes. De certa forma fazia aquilo para provocá-lo, sabia que Bernardo não gostava de opinar sobre política.

– Minha área não é essa...

– Sobre quais atitudes julga para decidir isso?

A voz de fundo fez a cabeça de Bernardo rodar e seu coração quase sair pela boca. Por que ela estava falando? Por que havia feito uma pergunta ao chefe de conselho? Claro que apesar do desespero, se divertiu um pouco com a situação após alguns minutos.

– Uma mulher opinando sobre política? – Gargalhou.

– Tem algum problema em falar com as mulheres?

Todos da mesa ficaram sérios e em silêncio, exceto Bernardo que sorriu e disfarçou, tomando um gole de uísque puro.

– É claro que não. — Respondeu ríspido. – E qual a opinião da mocinha sobre isso?

– Bom... – Jazmim apoiou as mãos sobre a mesa, olhando fixamente para os olhos castanhos daquele homem machista. – Quando os preços não só do setor agrário e sim de todo o mercado fornecedor sobe apenas para os pobres, o que fariam eles se não roubar? O salário que ganham em qualquer trabalho que os oferecessem não seria suficiente nem de comprar esse seu terno caríssimo. Então o que mais um “mulher” como eu posso concluir além de que o seu governo cria ladrões para depois puni-los?

O Doutor ficou em silêncio, ajeitou-se na cadeira e tomou um longo copo de água. “Está quente aqui.” – Comentou.

Bernardo segurava o riso, era uma diversão como nunca vira em uma mesa de restaurante. E assim, Jazmim não tocou mais no assunto, mas continuou conversando alegremente, dando suas opiniões concretas. Agradecera aos livros.

– Vamos sair para fumar moças? – Uma mulher levantou-se, sendo acompanhada pelas outras.

– Vá.

Bernardo sussurrou fazendo Jazmim levantar e ir com elas, enquanto continuaram a falar ali sobre problemas, economia e política.

...

Não que fosse proposital por parte das madames de alta classe, mas elas pareciam não a olhar de forma muito boa. Jazmim se afastou, ficando um pouco longe da porta de entrada... Sentiu-se mal. Aquela vida não a pertencia... A quem ela estava enganando? Aquelas mulheres são especiais para aqueles homens, e ela? O que era? O que era pra ele?

Era o quarto copo de água que Bernardo tomava. Podia ver as mulheres gargalhando de longe, mas não a quem realmente queria. Onde estava? – Se perguntou.

Foi quando sua mão se cerrou instantaneamente o fazendo quase quebrar o corpo em sua mão. O largou por precaução. Mirando a mulher loura que caminhava no meio das pessoas, a mesma caminhava em direção a ele. Bernardo despertou-se de sua raiva, fitando novamente a saída. Onde está sua cigana?

Antes que Rebeca pudesse se aproximar Bernardo levantou-se, caminhando depressa em direção à porta de saída.

Estava sendo ótimo ficar ali, com o vento batendo sobre a face enquanto seus pensamentos se encontravam longe, distantes, em outra cidade para ser mais exata. Mexia lentamente em sua pulseira mais do que especial, e lembrou-se quando Bernardo perguntou a ela de quem era... Provavelmente já saberá que era de sua mãe pelo modo como ela protegia um simples objeto. Sorriu ao cantarolar baixinha a única música que se lembrara de que sua mãe cantava pra ela. Seu tio nunca disse o por que de ela ter a abandonado, fugido junto com seu pai quando ela tinha apenas seis anos. Mas não tinha raiva deles, apenas saudades, queria lembrar de seus rosto com clareza, e não apenas imaginar traços finos.

O vento estava aumentando, e um pequeno pingo de água que caíra do céu em sua mão a fizera despertar do transe em que se encontrava. Estava começando a chover. A cigana deu um passo para atravessar e entrar novamente, fazendo Bernardo surgir logo em seguida.

– Onde estava? Está bem?

O que os separava era uma rua, apenas isso, mas nada do que acontecera foi planejado e nem podia ser previsto. Ela sorriu pra ele, e quando foi colocar o primeiro pé no asfalto um carro lhe cruzou o caminho, quase esmagando seu braço, ela recuou. Não durou nem um segundo, mas Bernardo ainda conseguiu ver aqueles olhos azuis o pedir socorro, aqueles olhos repletos de medo e de angústia. O que estava prestes a acontecer? – Ela se perguntava.

As mãos que lhe agarraram a cintura lhe eram familiares, muito mais do que isso talvez. Mas Jazmim conseguiu ver, não era apenas ele que estava no carro. Alguém dirigia, assim como uma silueta também lhe tampava a visão de quem estava ao lado do motorista. Bernardo correu, procurando com a mão a arma que sempre carregava na cintura. Não houve tempo de resistir, sentira um soco sobre o estomago quando foi arrastada para dentro do carro. Bernardo se aproximou do veiculo, sacando a arma logo em seguida, porém a bala que saíra, atravessara o passageiro, antes que pudessem arrancar o veiculo potente. Os pneus patinaram sobre o asfalto, saindo em uma velocidade incrível em menos de dois segundos. Bernardo vira o carro se afastar e mirou sobre o retrovisor, não iria arriscar... Qual a probabilidade de não matar um dos homens? E sim... Bom, nem queria pensar.

A cigana estava imóvel dentro do carro, o homem ao seu lado estava armado, mas sabia quem era e por isso não tinha medo.

– O QUE ESTÁ FAZENDO TIO? PARA ESSE CARRO!

Joselo a olhou enfurecido, segurando com força a arma sobre os dedos.

– Eu disse Jazmim, eu avisei... Não seria de outra forma.

– Por favor, me deixa ir embora! – Jazmim deixou cair lágrimas de desespero enquanto os pingos de chuva caiam sobre a janela de vidro.

– CALA A BOCA! – Gritou Joselo.

Bernardo conseguia avistar o carro, estava a mais de 100km/h, enquanto ele os perseguia a uma velocidade ainda maior. Cerrava o punho sobre a direção, rangia o dentes de raiva... Como pode deixar aquilo aconteceu?

– Vou matá-los! – Sussurrou para si.

Jazmim virou para trás, vendo o carro de Bernardo os seguindo... Seus olhos foram em direção ao motorista, sabia que Bernardo não os deixaria escapar, afinal, ele era Bernardo Guilertina, e iria salvá-la a qualquer preço.

Antes que pudessem perceber qualquer reação, Jazmim saltou sobre a direção fazendo o carro sair da estrada várias vezes enquanto tentavam tirá-la de cima do motorista. Bernardo percebeu o carro fazendo voltar, acelerou ainda mais ficando próximo o suficiente do carro.

Seus olhos pareceram embaçar, uma angústia horrível tomou conta de seu coração, a estrada estava escura, muito mais que o normal. Jazmim fechou os olhos, sentindo seu corpo dar voltas e ser arremessado para cima. Mal sentiu dor, não havia tempo, porém fitara os olhos de seu Tio ao seu lado que tentava segurar seu corpo próximo ao dele. Quando a turbulência parou, Jazmim vira tudo ficando escuro, onde a única coisa que sentira era o que parecia ser a última lágrima caindo do canto de seus olhos. Os lábios de Bernardo pareciam atingir os seus antes de ela desmaiar, e nesse momento ela teve a certeza que queria sobreviver a isso, continuar viva, apenas para senti-los novamente.


Notas finais
Espero que tenham gostava. bjs