Em um universo perdido em um certo lugar entre as dimensões, havia um Reino chamado Valoa. Bem parecido com aquilo que estamos acostumados a ver em contos de fadas na nossa dimensão. Constantemente, esse reino era atacado e precisava contar com seus soldados para as batalhas.

Em Valoa, havia um templo localizado em uma colina verdejante. Em um certo dia, nessa colina, sentada na beira de uma árvore, estava uma garota com longos cabelos azuis. Com uma caneta, ela escrevia em seu diário. Seu nome era Saki.

Saki escrevia calmamente enquanto uma leve brisa passava por ela. Até que foi surpreendida quando alguém gritou seu nome.

- Saki!! Aqui!!

Saki observou à distância. No final da estrada de terra, duas outras garotas chegavam trazendo o que parecia ser uma grande caixa. Uma delas tinha cabelos castanhos curtos e usava um tipo de uniforme de combate. A outra tinha cabelos vermelhos longos e usava um vestido preto.

- Olá, Saki. — Disse a garota de cabelos castanhos — Olha só o que encontramos nas ruínas do norte.

- Cuidado, Alexia. Não vamos abrir isso antes de mostrarmos à sacerdotisa!

- Tudo bem, Reika. Eu só queria mostrar pra Saki!

Quando Saki olhou com mais atenção, percebeu algo que lhe arrepiou o corpo: O que as duas carregavam não era uma caixa qualquer. Parecia mais... Um caixão.

- Então, vamos levar até a sacerdotisa e ver o que ela sabe a respeito disso. Quer vir com a gente? — Perguntou Reika.

Saki negou.

- Tudo bem. Vamos, Alexia.

As duas continuaram pela estrada, até chegarem às escadarias do templo. Saki gritou perguntando se queriam ajuda.

- Não, sem problemas! Carregamos isso aqui por mais de dois quilômetros, essa escada não é nada. — Respondeu Alexia.

Enquanto subiam as escadas, Reika começou a falar.

- Alexia, eu... Andei pensando.

- No quê?

- Já estamos trabalhando com a Saki há mais de seis meses, e... Bem, ela é legal, mas...

- Mas...?

- Você é uma lutadora extremamente forte... E eu sou uma feiticeira... Mas a Saki...

- Eu sei onde quer chegar. Bem, primeiro eu não sou tão forte como você diz. E apesar da Saki não possuir nenhum talento especial, eu confio nela.

- Eu também, mas... Eu ainda não entendo o motivo pelo qual ela foi convocada.

- Acho que a sacerdotisa viu algo nela. Você sabe, a sacerdotisa enxerga coisas que nós não podemos.

- Bem... Talvez...

- Enfim, não vale a pena pensar nisso. Saki é nossa amiga e vai estar com a gente sempre.

- É, você está certa.

Ao chegar no fim da escadaria, as duas se depararam com o grande portão de madeira.

- Bem... Vamos entrar. — Disse Reika.

Assim que entraram no templo, Reika e Alexia entraram em um grande salão de entrada. Nas laterais haviam janelas onde era possível ver boa parte do reino. Em uma delas havia uma garota usando um vestido branco e longos cabelos loiros. Ela parecia observar o reino.

- ...Sacerdotisa...? — Disse Reika, se ajoelhando, atitude que fez Alexia se segurar para não perder o equilíbrio do caixão.

A garota se virou.

- ...Reika... Já lhe disse que pode me chamar pelo meu nome...

- Ah... Desculpe... Sirena... Eu... Nós... Encontramos isso em nossa viagem às ruínas do norte.

Sirena se aproximou das duas.

- Deixem-no no chão.

As duas lentamente repousaram o caixão no chão.

- Você... Sabe o que pode ser isso? — Perguntou Alexia.

Sirena se aproximou do caixão e o tocou.

- Eu sinto algo estranho nesse objeto. É como se parte dele não pertencesse à essa dimensão.

- Quê? — Perguntou Reika.

Alexia bateu com seu cotovelo no braço de Reika, como que pedindo para que ela se calasse enquanto Sirena falasse.

- Vamos abrí-lo. Eu quero ver seu conteúdo.

Reika e Alexia caminharam cada uma para um lado do caixão. Em seguida, pegaram sua tampa que felizmente não era muito pesada e ergueram.

- ...Ok... Está aberto. — Disse Reika, colocando a tampa no chão.

- O que tem dentro?

Sirena se aproximou.

- ...É um espelho.

Dentro do caixão havia um espelho que era quase de seu tamanho.

- Uau! Deve ter uns dois metros! — Comentou Reika.

Reika esticou seu braço para tocá-lo, até que Alexia bateu em sua mão.

- Ai!! O que está acontecendo com você hoje?! — Disse Alexia, sacudindo sua mão para aliviar a dor.

Sirena se aproximou do espelho.

-...É desse objeto que está vindo a energia.

- Quer dizer... Que pode ser algo de outra dimensão? — Perguntou Alexia.

- Provavelmente.

Naquele momento, os portões do templo se abriram.

- Ei, olha só, Saki! — Disse Reika.

Saki se aproximou do caixão e o observou.

- Legal, né? Está meio embaçado, mas acho que pode ser limpado. — Disse Reika.

-Vamos tirá-lo daí? — Perguntou Alexia.

- Sim, eu quero vê-lo melhor. — Respondeu Sirena.

- Saki, ajude a Alexia. Ela está meio estranha comigo hoje.

- Disse Reika se afastando e cruzando os braços.

Saki concordou.

- Ok, Saki. Segure desse lado.

As duas levantaram o espelho e o colocaram encostado na parede.

- Perfeito... Deixe-me ver o que consigo descobrir.

Sirena se aproximou do espelho e parou a apenas alguns centímetros de distância. Saki e Alexia voltaram para Reika.

- Ei, Saki... A sacerdotisa disse que sentiu algo de estranho nesse espelho... Você consegue sentir também? — Perguntou Reika.

Saki negou.

- Só Sirena consegue sentir algumas coisas. Eu acredito que ela saiba o que está dizendo. — Disse Alexia.

Naquele instante, algo estranho aconteceu.

- O... O que é aquilo? — Perguntou Alexia olhando para o espelho.

Sirena estava parada em frente ao espelho, mas havia algo estranho... Era como se algo... Alguma coisa estivesse saindo dele.

- Sirena! Cuidado!! — Gritou Reika.

O que saía do espelho eram dois braços brancos. Pálidos como se fossem de um fantasma. Rapidamente, agarraram Sirena pelo pescoço.

- Não!! — Gritou Reika.

Reika retirou seu cetro que estava na parte de trás de seu vestido. Em seguida, uma chama se formou em sua ponta. Porém, Alexia interrompeu.

- Reika! Você pode atingir ela!

- Mas...

Era tarde demais. Sirena foi tragada para dentro do espelho.

- Sacerdotisa!! Não!! — Gritou Reika.

Todas correram para perto do espelho.

- O que aconteceu?! O que era aquilo?! — Perguntou Reika.

- Calma!! Eu não sei! Era... Algum tipo de... Criatura... Saki, você também viu, certo? O que era aquilo?

Saki respondeu.

- ...Não, não pode ser. Aquilo não era um ser humano, Saki! — Disse Alexia.

- Ãh... G... Gente... — Gaguejou Reika, se afastando do espelho.

Agora era possível ver claramente. Haviam cabelos negros saindo de dentro do espelho.

- Mas... Mas que coisa é essa...? — Perguntou Alexia.

As três se afastaram. Dois braços pálidos saíram da parte de baixo do espelho, onde os cabelos continuavam a escorrer. Até que uma cabeça horrível, quase como de uma mulher morta apareceu. Sua boca aberta emitia um estranho ruído.

- Não... Não pode ser... — Disse Reika, apavorada.

Alexia se desesperou. Em suas mãos, uma energia amarela começava a emanar.

- Você... Suma daqui!!

Alexia juntou suas mãos e disparou uma rajada de energia em direção àquela criatura. Porém, no mesmo instante ela misteriosamente sumiu, e o ataque de Alexia quebrou a parte de baixo do espelho.

- Onde... Onde ela foi?! — Perguntou Alexia.

- Não sei... Eu não sei!! — Gritou Reika, esfregando a cabeça.

Saki se aproximou lentamente do espelho.

- Será... Será que aquela história das dimensões era real? Digo... Esse espelho é algum tipo de portal? — Perguntou Reika.

Saki respirou fundo. Em seguida, esticou seu braço em direção ao espelho. Sua mão o atravessou, como se fosse água.

- ...Saki! — Gritou Alexia.

- Isso... Isso é um portal! Definitivamente é um portal! — Disse Reika.

- Então... Ainda podemos encontrar a sacerdotisa! — Disse Alexia.

- Mas... Como vai ficar o templo? Não podemos todas ir!

Alexia baixou a cabeça.

- Então eu vou. Vocês duas ficam!

- Você... Tem certeza? — Perguntou Reika.

- Sim! Eu...

Naquele instante, Saki interrompeu.

- Saki? O que houve?

Saki explicou.

- Você... Você quer ir? Mas por quê? — Perguntou Reika.

Saki continuou sua explicação.

- Mas... Só porque nós duas podemos lutar e proteger o templo... Você não tem que se arriscar. — Disse Alexia.

Reika baixou a cabeça.

- Saki... Nós não podemos deixar que você se arrisque...

Mas Saki já estava decidida a seguir seu raciocínio.

- Nesse caso...

Reika retirou um pingente azul de seu bolso e o entregou para Saki.

- Esse é um pingente mágico. Nós podemos entrar em contato com você à qualquer instante. Eu vou trabalhar em uma magia para te trazer de volta se você tiver algum problema. Tudo bem?

Saki acenou positivamente.

- Então... Eu acho que é isso... — Disse Alexia.

Alexia correu em direção à Saki e a abraçou.

- Tome cuidado!

Após o abraço, Saki se despediu e lentamente caminhou para dentro do espelho.

Saki abriu os olhos. Estava deitada de frente para o asfalto molhado. Ao olhar para o seu redor, estava no meio de um cruzamento entre duas longas ruas. Haviam alguns carros parados. O céu estava escuro, e de tempo em tempo, um relâmpago clareava tudo em sua frente. O pingente em seu peito começou a brilhar. Saki o segurou, e as imagens de Alexia e Reika surgiram em sua frente.

- Saki? Pode nos ouvir? — Perguntou Reika.

Saki confirmou.

- Que bom! Quer dizer que a magia deu certo. Mas... Que lugar é esse?

- Parece algum tipo de... Dimensão estranha. — Disse Alexia.

- Está vendo alguém por aí?

Saki olhou ao redor, e respondeu negativamente.

- Bem... A sacerdotisa não pode estar muito longe. Acho que você vai ter que procurá-la. — Disse Reika.

Um forte trovão ecoou. Um vento começava a balançar o cabelo de Saki.

- Parece que tem uma tempestade se aproximando! Saki, procure algum lugar para se esconder. Depois conversamos. — Disse Alexia.

Saki concordou. As duas desapareceram, e o pingente parou de brilhar. Saki correu por uma das ruas, com os braços cruzados para aliviar o frio. O vento carregava folhas das árvores. A cidade estava às escuras, não havia ninguém nas ruas. Um estranho silêncio tomava conta.

Estranhando o local, Saki parou no meio da rua e observou as construções. Pingos de chuva começavam a cair. Era hora de procurar algum lugar para esperar a tempestade. Ao olhar para sua direita, viu que havia um prédio com uma placa que dizia "Hotel". Do outro lado da rua havia uma outra construção com um letreiro que dizia "Mercado". Ambos os locais pareciam abertos.