Cidade dos Espíritos - Fragmento das Sombras
4 O Destino Final
Capítulo 4-1
– Ok, então se vocês insistem em me mandar para o pior local... Eu escolho o cemitério. — Disse Lloyd.
– Ótima escolha! Pegue sua câmera e entre na van. Você vai pra lá agora mesmo. — Disse Matt.
Lloyd entrou na van, novamente no banco de trás. Matt dirigiu até a entrada do cemitério.
O cemitério tinha um arco de entrada, com um portão de grades que já estavam enferrujadas.
– Muito bem Lloyd... É aqui que você desce. — Disse Dave, empolgado.
Lloyd abriu a porta e desceu, carregando a câmera.
– Ei, pegue isso!
Dave jogou um objeto para Lloyd.
– Isso é um comunicador de longa distância. Enquanto estivermos fazendo nosso trabalho, podemos falar através deles. — Disse Dave.
– Ok... Então tudo que eu tenho que fazer é entrar, filmar e comentar por quarenta minutos?
– Exato. Depois vamos editar todo o nosso conteúdo e ver o que tem de mais interessante. Boa sorte! — Disse Matt.
A van se foi. Lloyd olhou novamente para a entrada do cemitério. Após ligar a câmera, entrou.
Capítulo 4-2
– Olá... Meu nome é Lloyd, tenho vinte e sete anos, e... Sou um convidado do programa "Os Caça-Fantasmas da Vida Real"... Eu estou no cemitério da cidade de Lumine, onde... Bem, onde há relatos extremos de aparições e espíritos... Vamos ver o que temos aqui...
Lloyd se aproximou do que parecia uma capela no meio do cemitério.
– Vejam isso... Essa lápide se destaca das outras... Eu me pergunto quem será que...
Quando Lloyd filmou o túmulo, sua câmera emitiu estática por alguns segundos.
– Ok... Isso foi estranho, mas acho que foi só um problema com a câmera... Em todo caso, aqui diz... "Akira Yono". E aparentemente ele foi um líder religioso por aqui...
Lloyd filmou a névoa que cobria o cemitério.
– Desde que chegamos aqui, essa névoa vem causado problemas no nosso campo de visão. Mas parece criar um clima melhor para a nossa aventura.
Enquanto Lloyd caminhava pelas alas e filmava os túmulos, algo lhe chamou a atenção.
– Olha só aquilo!
Havia uma torneira em um pequeno muro no canto do cemitério.
– Uma antiga torneira. Como a cidade está desabitada, talvez não funcione mais... Vamos tentar.
Lloyd se aproximou da torneira. Em seguida, se abaixou e tentou abrí-la.
– Está emperrada... Vou precisar de um pouco de força...
Lloyd usou toda sua força. O registro girou, e a torneira se abriu. Mas não havia água. Havia outra coisa... Era um líquido preto, como se fosse tinta. Aquilo formava uma poça no chão.
– Mas... Mas o que é isso?!
A câmera emitiu estática novamente. Quando voltou ao normal, o que saía da torneira era a água mais cristalina possível. Lloyd abaixou a câmera para ver com seus próprios olhos. Era apenas água.
– Outra vez... Tem alguma coisa errada...
Mesmo sabendo que algo estranho estava acontecendo, Lloyd se concentrou e voltou a filmar. Foi quando ele ouviu algo vindo de seu bolso. Era o comunicador.
– ...Olá?
– Olá, Lloyd! Sou eu, Matt. Acabei de chegar no túnel. Cara, você não tem idéia... Aqui está tão escuro que eu só consigo enxergar através da visão noturna da câmera!
– Cuidado... Tente não ir muito fundo.
– Não se preocupe! Eu tenho tudo sobre controle. Como vai no cemitério? Está com medo?
– Não, mas digamos que... Algumas coisas aconteceram.
– Coisas? Que tipo?
– Acho que vamos saber melhor quando vermos as gravações.
– Ok, tome cuidado! Até mais!
Matt desligou.
– Hum... Talvez ele esteja num lugar pior do que eu. — Comentou Matt.
Capítulo 4-3
Cerca de quinze minutos haviam se passado desde que Lloyd havia chegado no cemitério. Ele continuava a filmar.
– Meu Deus, olha aquilo...
Lloyd se aproximou de um pequeno túmulo onde havia uma boneca sentada. Aparentemente era a lápide de uma criança.
– Acho que uma criança morreu aqui... Vejamos...
Lloyd checou a data no túmulo.
– ...Ela tinha só oito anos... Que coisa terrível...
Foi quando Lloyd resolveu pegar a boneca para filmar de perto.
– Alguém deixou um brinquedo aqui.
A boneca tinha cabelos loiros, e usava um belo vestido branco. Lloyd checou a frente e as costas, onde encontrou um botão.
– Será que ela ainda funciona.
Lloyd apertou o botão. A boneca começou a falar sem parar.
– "Mamãe, eu te amo", "Mamãe, eu te amo", "Mamãe, eu te amo".
– Ok, pessoal... Seu amigo Lloyd acabou de estragar um brinquedo.
A boneca continuava.
– "Mamãe, eu te amo", "Mamãe, eu te amo", "Você vai morrer!"
Essa última frase soou com uma voz diferente. Lloyd arremessou a boneca de volta no túmulo, e quase derrubou a câmera.
– Isso... Isso não pode ser real!
A boneca se calou. Talvez o impacto a tenha quebrado de vez.
– Eu... Eu não posso ficar aqui... Eu sinto que estou perdendo minha sanidade!
Lloyd pegou o corredor que levava para o portão do cemitério. Em seguida, pegou seu comunicador e o ligou.
– Alô?! Alô, alguém na escuta?
Dave atendeu.
– ...Lloyd, é você?
– Sim, sou eu! Ouça, eu...
– Que bom que você ligou... Eu ia te chamar agora mesmo. Eu acho que... Eu acho que perdi o Matt.
– Perdeu...? Como assim?
– Eu deixei ele no túnel e vim para filmar o prédio. Só que já faz um tempo que eu estou ligando, e ele não atende.
Lloyd saiu do cemitério.
– Quanto tempo falta para a investigação acabar?
– Acho que uns vinte minutos.
– Você quer procurar por ele? Eu já acabei por aqui.
Dave ficou em silêncio por alguns segundos.
– ...Tudo bem. Me espere aí. Eu já vou te buscar.
Capítulo 4-4
Lloyd agradeceu por não ter mais que voltar para o cemitério. Em seguida, colocou a câmera em um banco que havia debaixo de uma árvore, e sentou-se ao lado.
– Eu já vi mais do que queria. Vou apenas esperar o Dave, e pedir minha carona até a casa dela... E então... Ela vai pagar por tudo que fez comigo... E com minha irmã!
Naquele instante, Lloyd notou algo estranho. Uma estranha brisa passou por ele, e havia um papel voando em sua direção.
– ...Mas o que é aquilo?
Lloyd se levantou. O papel se aproximava dele, até cair no chão. Após pegá-lo, notou que havia algo escrito em letras vermelhas:
"Ela está morta e você não pode fazer nada"
Naquele instante, Lloyd tinha certeza de que algo ou alguém sabia de seu objetivo naquela dimensão. Ele queria matar Saki para vingar sua irmã, e alguém estava tentando impedí-lo.
– ...Mas o que é isso?!
Lloyd amassou o papel, com raiva. Em seguida, arremessou-o no chão.
– Não!! Não me importa se todas as forças estiverem contra mim! Eu vou matá-la!! Eu vou!!
De repente, ouviu um barulho se aproximando. Era a van de Dave.
– ...Lloyd! — Gritou Dave, parando a van ao seu lado — Vamos, temos que encontrar o Matt.
Dave notou que Lloyd parecia aflito.
– O que houve, Lloyd? Aconteceu alguma coisa?
– ...Não, vamos logo.
Lloyd entrou na van.
– Se aconteceu alguma coisa, pode me dizer.
– Não é nada... Só me garanta que você pode me levar até a Saki após terminarmos isso.
– Eu já disse que sim. Agora vamos, temos que descobrir o que aconteceu com o Matt.
A van partiu em direção ao túnel.
Capítulo 4-5
– Chegamos! — Disse Dave, parando a van.
A entrada do túnel. Um portal para a escuridão.
– Acho melhor não entrarmos com a van. — Disse Dave — Não sabemos o que tem lá dentro. Podemos usar a visão noturna da câmera.
Lloyd pegou sua câmera e desceu da van.
– Olha... Depois que encontrarmos seu amigo. — Disse Lloyd — Meu trabalho com vocês acabou.
– Tudo bem, trato é trato. Mas vamos focar no que estamos fazendo.
Dave pegou sua câmera. Lentamente, os dois entraram no túnel e ligaram a visão noturna. As paredes do túnel surgiram em verde, assim como a imagem um do outro.
– Caramba, que sorte que as baterias estão carregadas. Não consigo nem ver o fim desse túnel. — Disse Dave.
Os dois continuaram por cerca de cinco minutos.
– ...Quão longo é esse túnel? — Perguntou Lloyd.
– Acalme-se. Não devemos estar muito longe.
De repente, a câmera de Lloyd começou a falhar.
– Ãh... Dave, acho que tem um problema com a minha câmera...
– Como assim? Me deixa ver.
Dave pegou a câmera de Lloyd.
– ...Não, está normal.
Foi então que Lloyd percebeu que a câmera não estava com defeito. Algo estava acontecendo com ele. Seus olhos enxergavam luzes brancass se aproximando.
– ...Lloyd? O que está havendo?!
Lloyd desmaiou.
– Lloyd!! Lloyd!!
Capítulo 4-6
Lloyd estava sentado na beira de um penhasco, observando o mar a distância. De repente, alguém se aproximou por trás dele e tampou seus olhos.
– Adivinha quem é??
Lloyd riu.
– Deixa eu adivinhar... Me dá uma pista!
– É a sua irmã favorita! — Disse Sirena, rindo.
– Ah, então ficou fácil... É você, Sirena!
Sirena liberou os olhos de Lloyd e sentou-se ao seu lado.
– Eu adoro o pôr-do-sol no mar... É tão lindo. — Comentou Sirena.
– Pois é... É como se ele estivesse levando embora todos os eventos que se passaram.
Sirena pegou uma pedra que estava no chão e arremessou em direção ao oceano.
– Ah, a propósito, Lloyd. Eu fiz isso pra você!
Sirena pegou um lenço azul de seu bolso.
– ...Um lenço?
– Sim! Deixe-me colocá-lo!
Sirena se abaixou atrás de Lloyd e amarrou o lenço em seu pescoço.
– Pronto! Enquanto você usar esse lenço, eu estarei ao seu lado.
Lloyd passou a mão no lenço.
– Obrigado! Eu vou mantê-lo pra sempre me lembrar disso.
Sirena riu. Em seguida, sentou-se novamente ao seu lado.
– ...Lloyd... Me prometa uma coisa?
– O quê?
– Se algum dia o destino nos seprar... Você promete me procurar?
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