Cidade dos Espíritos - Fragmento das Sombras
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Capítulo 8-1
Saki continuou deitada na cama, esperando até que alguém aparecesse. De repente, ouviu um barulho vindo de seu celular.
– Meu celular? O que foi isso?
Ao pegar seu celular, notou que o som era de uma interferência. Como quando você deixa um aparelho eletrônico próximo a um computador.
– É algum tipo de defeito? Não pode ser...
Naquele momento, uma mensagem chegou em seu celular. Não havia nome de quem mandou, apenas "desconhecido".
– Uma mensagem... Mas de quem é?
Saki abriu a mensagem. A mesma dizia:
"Ele está no seu quarto. Debaixo da cama."
Saki congelou. Havia alguém debaixo de sua cama? Havia alguém que sabia onde ela estava? Muitas perguntas surgiram com essa mensagem.
Desesperada, Saki se levantou rapidamente, em seguida correu até a porta.
Capítulo 8-2
Saki abriu rapidamente a porta de seu quarto. Em sua frente, surgiu um corredor.
– Olá!! Alguém me ajude!! Tem alguém no meu quarto... Eu...
Mas quando olhou ao redor... Não havia ninguém. O local estava escuro, mas ainda era possível enxergar.
– ...O que está havendo aqui...? Eu estou enlouquecendo...?
Saki correu até uma porta dupla no final do corredor. Ao abrí-la, levou um susto. Havia uma grande sala vazia, decorada totalmente com azulejos brancos. Havia uma porta em cada parede. Definitivamente, aquilo era estranho demais para um hospital.
– Essa não... Pra onde eu vou agora!?
Saki ouviu alguma coisa vindo do corredor em que estava. Sem ver o que era, correu até a porta da parede da direita. Quando a abriu, deu de cara com uma escadaria. Havia outra porta no final. Após subir as escadas correndo e abrir a porta...
– O quê?! Isso não faz sentido...
Lá estava ela novamente: A mesma sala quadrada com uma porta em cada parede. Era como se tivesse dado meia-volta. Naquele instante, ouviu um barulho.
– Ah... Meu... Meu celular.
Saki retirou o celular de seu bolso. Havia uma mensagem de um número desconhecido.
– O... O que é isso...?
Saki abriu a mensagem. A mesma dizia:
"Olá! Obrigado por escolher o Hospital Norte.
Ficamos muito felizes em te receber, e te ajudar a se curar.
Lembre-se: Em seus quartos, vocês terão um painel com três botões. Eles servem para nos informar o que você precisa.
Se precisar de algum medicamento: Esquerda.
Se precisar de assistência para o banheiro: Centro.
Se precisar de comida: Direita.
Esperamos que tenha uma ótima estada!
Atenciosamente: Hospital Norte"
Aquilo não fazia sentido. Por que essa mensagem chegaria no celular de Saki?
– Espere... Esquerda, centro, direita... Será que...?
Saki deduziu que aquilo era algum tipo de pista para escapar do labirinto. Mesmo assim... Por que um hospital teria algo assim em sua construção?
Saki pegou a porta da esquerda... Ao abrí-la, havia apenas um simples corredor, com outra porta no final.
– Ok... Vamos ver se minha idéia está certa... A essa altura eu vou tentar qualquer coisa.
Porém, no momento em que Saki estava na metade do corredor, algo lhe faz parar. Ela ouviu claramente alguém chamando seu nome atrás dela.
– O... Olá...?
Saki se virou. O que estava atrás dela era algo horrível. Algo que paralisou seu corpo.
Aquilo tinha cerca de um metro e meio de altura. Sua pele parecia um tronco de árvore, e ele era extremamente magro. Sua cabeça tinha um par de chifres, e o mesmo emitia um rosnado ameaçador.
– Não... Não... — Disse Saki com uma voz trêmula.
Naquele instante, uma nova mensagem chegou em seu celular. Saki olhou rapidamente.
"Corra! Se ele te pegar, você morre!"
Imediatamente, Saki guardou o celular e correu em direção à porta. Ela ouvia o rosnado a seguindo, mas não se atreveu a olhar para trás.
Novamente, Saki estava na grande sala. Imediatamente, seguiu para a porta do centro. Ao abrí-la, encontrou uma escada que levava para baixo. Após correr por cerca de vinte degraus, abriu outra porta, e novamente estava na grande sala.
– Agora... Agora... Esquerda... Não, direita!!
Após uma leve confusão, Saki correu para a porta da direita. A criatura abriu a porta violentamente, e continuava correndo atrás dela e rosnando. Saki abriu a porta da esquerda. Até que uma forte luz branca a cegou.
Capítulo 8-3
– Não... Não!!
Saki se debatia no chão.
– Ei, acalme-se! Acorde!!
Saki abriu os olhos. O doutor Kanon a segurava pelos ombros. Ela estava no chão de seu quarto.
– O... O que aconteceu?
– Eu é que pergunto! Você estava correndo pelo hospital, como se tivesse algo te seguindo. Estavam todos preocupados! Você está bem? Está tendo algum tipo de alucinação?
Saki olhou ao redor.
– Nã... Não, eu... Eu acho que... Foi um pesadelo...
Kanon se levantou, deixando que Saki se levantasse também.
– Saki, eu vou te levar para a sala de Raio-X.
– ...Pra quê?
– Eu temo que você tenha sofrido algum acidente antes de chegar aqui. Quero ver se houve algum dano em seu cérebro.
Saki não sabia o que dizer. Mas àquela altura, tinha que aceitar.
– ...Tudo bem.
– Ok, venha comigo.
Capítulo 8-4
Saki estava deitada em uma maca. Logo acima, havia um enorme aparelho de raio-x semelhante a um capacete, que desceu até cobrir sua cabeça.
– Ok, Saki, não se mexa. Vai levar só alguns segundos. — Disse Kanon.
De fato, após alguns segundos, uma luz verde passou pelo rosto de Saki. Em seguida, o capacete se levantou. Kanon gesticulou para que Saki também se levantasse.
– ...E então, Doutor? — Perguntou Saki, se levantando.
Kanon olhou em um monitor logo em sua frente.
– ...Estranho. Os ossos do seu crânio estão intactos. E aparentemente, não há nada de errado com seu cérebro. Isso quer dizer que seja lá qual foi o acidente que você sofreu, não teve nada a ver com um impacto em sua cabeça.
Saki não sabia exatamente se aquilo era bom ou ruim. Definitivamente algo estava acontecendo.
– Então... Isso quer dizer que eu estou bem?
– Sim, mas... Alguns minutos atrás você definitivamente não estava em sã consciência.
Saki se lembrou de que ainda tinha que encontrar Lloyd no lago.
– ...Bem... Acha que eu já posso ir pra casa?
– Eu não sei, você ainda...
– Eu vou ter que passar a noite aqui?
– Não é obrigada a isso, mas...
O celular de Saki começou a tocar novamente. O número era do Makoto.
– Desculpe, eu preciso atender.
Saki saiu do consultório e voltou a caminhar no corredor. Em seguida, atendeu o celular.
– ...Alô?
– Onde você está? — Perguntou Lloyd.
– Eu tive um pequeno problema na cidade. Não se preocupe, ainda estou à caminho.
– Espero que se apresse. Não estou gostando de esperar.
– Eu já disse que estou à caminho! E não ouse tocar no garoto!
Saki desligou.
Capítulo 8-5
Toshio olhava pela janela da casa. Só haviam árvores em sua frente. Àrvores que pareciam pertencer a uma floresta infinita.
– ...Saki... Por que ela tem que passar por isso novamente? Eu pensei que ela poderia viver uma nova vida feliz aqui, mas... É como se os perigos a perseguissem.
Emily se aproximou.
– Eu confesso que estou preocupada com o nosso filho... Mas por favor, Toshio, pelo que você me contou, Saki é extremamente forte. E eu confio nela.
Toshio abraçou Emily.
– Eu também confio. Se não fosse ela, eu não estaria aqui hoje, e...
De repente, um barulho extremamente alto, como uma explosão, ecoou pela floresta.
– ...O que foi isso?! — Gritou Emily assustada.
– Eu não sei! Mas foi perto...
Toshio se aproximou da porta.
– Toshio?! Onde você vai?!
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