Capítlo 7-1


3 DIAS ATRÁS

Saki acordou assustada. A luz do sol começava a entrar pela janela de seu quarto. Foi quando Toshio abriu a porta.

– Saki?! O que aconteceu? Teve outro daqueles pesadelos?

Saki respirou fundo.

– Sim... Parece que as memórias daquele dia não querem me deixar...

Toshio se aproximou e sentou-se na cama.

– Não se preocupe... Tudo isso ainda é muito recente. Aos poucos você vai superar.

– Espero que sim...

Saki olhou para Toshio.

– Mas... Eu não consigo deixar de me lembrar dela... Ela confiava muito em mim, e mesmo assim... Eu a matei.

– Você não teve escolha. Além do mais, você se lembra do que ela disse no fim?

Saki baixou a cabeça.

– Sim...

– Então você não tem que se preocupar com isso. Sua vida está recomeçando. Eu sei que não é fácil, mas você vai superar tudo isso.

Saki deu um leve sorriso.

Capítulo 7-2

Toshio entrou na sala, segurando uma caixa embrulhada com um belo laço vermelho. Saki estava no sofá, lendo um livro.

– Saki... Eu te trouxe algo.

Saki colocou o livro no braço do sofá.

– ...Pra mim?

– Sim. Aqui está!

Toshio entregou o pacote para Saki. Lentamente, ela desfez o laço e abriu a caixa.

– Espero que goste! — Disse Toshio.

– Isso é... Um celular?

Dentro da caixa estava um celular vermelho.

– Sim. Makoto te ensinou a usar um, não é?

Saki ligou o celular.

– Sim, ele me ensinou. Muito obrigada, Toshio!

– De nada! Porque não procura o Makoto e mostra a novidade para ele?

– É isso mesmo que vou fazer. Agora ele pode falar comigo mesmo quando estivermos longe.

Makoto estava em pé próximo à cerca, observando a floresta. Saki se aproximou, com seu celular em sua mão.

– Ei, Makoto, olha só o que eu ganhei do To... O que está fazendo?

Makoto se virou para Saki.

– Ah, eu estou vendo a floresta...

– Mas por quê?

– Eu sempre fiquei me perguntando até onde vai essa floresta, e o que tem nela... — Disse Makoto, olhando novamente para as árvores.

Saki se aproximou.

– Você nunca entrou nessa floresta? — Perguntou Saki.

– Não, o meu pai não deixa... Ele fala que é perigoso.

– Se ele diz isso, é porque deve ser.

– Não sei. Talvez um dia nós dois vamos entrar lá e explorar. O que você acha?

– Se você estiver a fim de encontrar alguns monstros, pode até ser.

Makoto pensou.

– Hum... Talvez daqui a alguns anos então.

Saki riu.

Capítulo 7-3

DIA ATUAL

Emily repousava no sofá. Lentamente, abriu os olhos.

– Emily!! O que aconteceu?! — Perguntou Toshio assustado.

– ...Toshio... Ele... Ele levou o Makoto...

Saki se aproximou.

– Lloyd?! Ele voltou? — Perguntou Saki.

– Sim...

– Ele te atacou?! — Perguntou Toshio.

– Ele... Me atingiu com o machado. — Disse Emily, colocando a mão na cabeça.

Naquele instante, um celular começou a tocar.

– ...Saki! É o seu! — Disse Toshio.

Saki pegou seu celular e verificou a tela.

– Esse número... Makoto?!

Saki atendeu.

– Alô?! Makoto, é você?!

Um chiado, seguido de uma voz.

– Sou eu, Saki...

– Lloyd!! O que você fez com o Makoto?!

– Não se preocupe, eu não vou machucá-lo. A propósito, ele adoraria voltar pra casa. Por que não vem buscá-lo?

Toshio ouvia atentamente a conversa.

– Onde vocês estão? — Perguntou Saki.

– Você conhece o Lago Ishfort? — Perguntou Lloyd.

– Lago Ishfort... É do outro lado da cidade. Como ele chegou lá? — Perguntou Lloyd.

Saki andava em círculos enquanto falava.

– Se eu for até o lago sozinha, você promete entregá-lo de volta?

– Uma coisa de cada vez, Saki... Primeiro chegue no lago... E, por favor, venha sozinha. Seu amigo é meio barulhento, e quero que ele fique de fora disso.

Lloyd desligou.


Capítulo 7-4

Saki guardou seu celular em seu bolso.

– Ele está me esperando... É melhor eu ir logo, antes que ele faça algo com o Makoto.

Toshio se aproximou.

– O lago fica do outro lado da cidade. Se você for a pé, vai levar quase uma hora e meia pra chegar lá.

– Mas eu não tenho escolha. Ele me pediu para ir sozinha.

– Bem... Eu poderia então te deixar na entrada da cidade. Emily... Você acha que vai ficar bem, se eu sair por dez minutos?

Emily sentou-se no sofá.

– Acho que sim...

– Então vamos, Saki.

Saki e Toshio saíram. Em seguida, entraram no carro.

– Eu não acredito que estamos fazendo isso de novo... — Disse Toshio.

– Só que dessa vez o inimigo é outro. — Comentou Saki.

– Mas parece tão perigoso quanto da outra vez.

Toshio ligou o carro, e pegou a estrada de terra que levava para a saída da floresta.

– O que há com toda essa névoa...? — Comentou Saki.

– É a época do ano... Geralmente a frente fria faz isso.

Capítulo 7-5

Toshio parou o carro na primeira rua da cidade.

– Bem, acho que só posso chegar até aqui.

– Tudo bem, é o suficiente. — Disse Saki, tirando o cinto.

– Eu vou voltar para a Emily. Por favor, tome cuidado, Saki.

– Obrigada. Eu prometo que vou.

Toshio deu meia-volta.

– Ok... Agora, eu vou ter que atravessar a cidade...

Durante a noite, haviam poucas pessoas na rua, porém as luzes dos prédios davam um ar bem vivo ao local. Embora a névoa ainda estivesse presente.

Saki começou a caminhar pela calçada. De repente, sentiu algo estranho.

– ...O que é isso... Ficou tão frio de repente...

Saki cruzou os braços e começou a caminhar lentamente. De repente, algo estranho aconteceu. A névoa começou a ficar mais intensa. Era como se estivesse engolindo a cidade ao seu redor. Até que em certo momento, não era possível enxergar mais nada além de uma densa fumaça branca.

– ...O quê?! Olá! Tem alguém aí?

Ninguém respondeu. Saki começou a caminhar sem saber ao certo onde estava indo.

– Olá?!

Ainda assim, ninguém respondia. Era como se estivesse sozinha.

Porém... Logo ela percebeu que não era a única naquele lugar. Ao se virar, notou que havia alguém se aproximando. Era apenas um vulto.

– ...Olá? Quem é você?

O vulto começou a se aproximar cada vez mais rápido. Naquele instante, Saki entrou em pânico quando se virou e notou que haviam mais vultos. Dois... Três... Quatro... Eram vários. Estavam a cercando.

– Não... De novo não!! — Gritou Saki.

Saki começou a correr. Ela corria e desviava das sombras humanas que tentavam pegá-la. Algumas esticavam os braços e direção a ela. Outras vinham de longe correndo em sua direção.

– Não!!

Saki se cansou de correr. Não havia mais para onde fugir. Uma a uma, as sombras se aproximaram e a envolveram. Em poucos segundos, ela não enxergava mais nada além da escuridão.

Capítulo 7-6

Saki abriu os olhos. Estava em um quarto, deitada na cama... Parecia... Um quarto de hospital.

– ...O quê?! Onde eu estou?

A porta se abriu. Um homem, usando roupa de enfermeiro se aproximou.

– Ah, você acordou... Você se lembra de seu nome?

Só então Saki se deu conta de que estava de fato em um hospital.

– Eu... Me chamo Saki... Como eu vim parar aqui?

– Você foi encontrada caída no meio da rua. Por sorte, o carro parou antes de te atropelar. Eu sou o doutor Kanon. Está se sentindo bem?

– Estou, mas... Eu não sei o que aconteceu.

O homem se aproximou dela e entregou o celular.

– Ah, meu celular...

– Estava caído ao seu lado. Você tem alguém pra ligar?

Saki pensou em chamar Toshio, mas podia ser perigoso.

– ...Não, eu vou ficar bem... Obrigada.

Naquele instante, a luz do quarto de Saki piscou algumas vezes.

– Droga de gerador... Enfim, eu vou deixá-la sozinha pra se recuperar. Se precisar de alguma coisa é só chamar, tudo bem?

– Sim... Obrigada.

Kanon saiu do quarto, deixando Saki sozinha. Saki pegou o celular.

– ...Droga. Menos de dez minutos sozinha e já vim parar no hospital... Por quanto tempo será que eu apaguei?

Saki checou a data no celular. Menos de uma hora havia se passado desde que ela e Toshio saíram de casa.

– Hum... Não muito tempo. Isso é bom.

De repente, a luz do quarto se apagou. Saki usou a luz do celular para iluminar ao seu redor.

– ...Olá?! Tem alguém aqui?

Ninguém apareceu.

– ...Olá?! O meu quarto está no escuro... Alguém está me ouvindo?

Novamente, ninguém respondeu.