Cidade dos Anjos

1 Para a minha conveniência


Notas iniciais
Olá pessoas. Vos escrevo essa história e gostaria que lessem, prometo que é legal, ou que pelo menos, ficará mais tarde. Aproveitem. PS.: os links mostram fotos de pessoas que parecem com os personagens como os imaginei, mas fica a seu critério ver as fotos ou não.

Fazia frio. Eu andava pelas ruas desertas com os braços cruzados junto ao corpo. Vestia a minha jaqueta preta de couro com capuz, daqueles que têm uma imitação de pelo por dentro. A calçada era iluminada por alguns postes de luz e, vez ou outra, pelo farol de algum carro.

Não tinha andado muito quando vejo uma pequena placa com letreiro luminoso, indicando a lojinha de conveniência que procurava. A lâmpada da letra “e” de conveniência piscava ameaçando queimar, típico. Os vidros da vitrine meio foscos, ou apenas sujos, mostravam revistas, salgadinhos e outras coisas que realmente não me interessam muito no momento.

Entro pela porta que toca um sino anunciando minha presença. Coloquei uma das mãos no bolso do casaco, e com a outra mexia nas prateleiras de lanches procurando algo que me interessasse, mesmo não tendo muito dinheiro e já sabendo o que iria comprar.

– Precisando de ajuda, estou aqui. – Ofereceu o dono da lojinha que estava de pé atrás do caixa. Era um homem comum de uns 50 e poucos anos, de estatura média e cabelos mesclados de preto e grisalho.

–Obrigada. – Disse alto o suficiente para que ele ouvisse.

Discretamente, coloquei um chocolate Twix no bolso do casaco e me dirigi ao freezer. Abri a porta e analisei as opões. Energético ou álcool. Foda-se, peguei uma garrafa de vodca.

Me aproximei do caixa e coloquei a garrafa no balcão.

–Vou querer um maço daquele. – Apontei para uma caixa de acrílico com cigarros que ficava na parede atrás do caixa.

Enquanto ele pegava meus cigarros, coloquei a mão no bolso de trás da calça e tirei duas notas amassadas.

–Pode ficar com o troco. – Peguei a garrafa e entreguei o dinheiro trocando com os cigarros de sua mão.

Saí da loja apressada. Não por ter roubado o chocolate, até porque já fiz isso vezes o suficiente pra saber não ser pega, mas porque tinha que encontrar meus amigos na entrada do metrô.

Guardei os cigarros e abri a garrafa. Dei uma golada e apressei o passo.

Já estava quase no metrô quando atravessava a rua e ouvi alguém me chamar.

“BECCA”

Me virei e vi meus amigos.

Parei no meio da rua, tomei um gole da vodca e não hesitei em reclamar.

–O combinado era me esperar no metrô. Por que caralhos vocês não estão lá?

–Becca, gracinha, estamos te esperando há FODENDO 40 MINUTOS, você disse que não ia demorar. – Disse a loira falsa e arrogante que o Daniel está comendo.

–Acho que a vodca explica. –Alex riu. Revirei os olhos.

–Não que a gente fosse te deixar, estávamos indo te buscar na sua casa. –Daniel se defendeu.

–Não, não estávamos. –A falsa arrogante, foi arrogante.

–Mesmo? Porque eu tinha certeza que morava do outro lado. –Ignorei o comentário da loira, eu sabia que ela tinha convencido o pessoal de ir sem mim, não sou tão estúpida. –Okay, esquece. Não dou uma foda se a princesa se cansou de esperar, mas porra Daniel, pelo menos me manda uma mensagem avisando. — Daniel passou a mão na nuca, envergonhado.

Silêncio.

–Vamos. — Tomei outro gole e andei até onde estavam.

A loira tingida se chama Anna, e como esperado usa chapinha nos seus logos cabelos coloridos artificialmente. Não entendo o que o Daniel vê nela. Ela é gostosa, mas nem se esforça pra ser legal. Com ninguém. Nem com ele.

Daniel é um cara legal, alto e magro com cabelo liso escuro. Ele tem uma moto bacana e mau gosto com namoradas.

Alex é moreno, pouco mais alto do que eu. Ele também é magro e tem corte militar. Implicamos bastante, mas nos conhecemos desde o colegial.

Roxy é magra, mas tem um belo par de seios. Tem cabelo curto, descolorido platinado. Mais alta que eu, talvez que o Alex. Ela é minha amiga e estamos quase sempre juntas, mas não sei se nos chamo de melhores amigas.

Edgar é um loiro que sempre consegue o que quer, mesmo com pais ricos que dão tudo ele normalmente consegue as coisas com o próprio trabalho.

O grupo tinha mais uns dois ou três conhecidos. Me juntei a eles e fomos andando.

–Larga, larga. –Alex tentava tirar a garrafa da minha mão.

–Eu que comprei, porra. –Gentilmente (nem tanto) tirei as mãos dele da minha vodca.

–Então um cigarro.

–Tem isqueiro? –Bufei.

Procurava o cigarro nos bolsos, distraída. Alex pegou a garrafa da minha mão e tomou um gole generoso.

–EI! –Reclamei, mas a garrafa já estava na boca de Edgar que logo entregou à Roxy.

–Desculpa, sem isqueiro. –Alex ironizou. Ele ria e eu desci um tapa na sua nuca. –CARALHO! Que agressividade. –Ele continuou rindo.

Todos beberam da minha vodca, mas eu a recuperei sobrando uns dois goles que não hesitei em tomar mesmo já estando meio alta.

–O que houve com a tua cara? –Alex cutucou a minha bochecha me provocando.

–Não sei. O que houve com a sua? – Lancei um olhar bravo em sua direção. Não estava no clima de brincadeiras.

–Não, to falando sério. O que houve Becca?

–Nada...

Eu não iria falar, ele sabia, ele me conhece. Mas mesmo assim insistiu. Não disse nada, mas me olhava preocupado.

Sorri, forçada e fingidamente, a intenção de que ele notasse que era mesmo um falso sorriso.

–Viu? Muito feliz. –Ironizei.

Ele deu de ombros e continuamos andando.

Já conseguia ouvir a música, e virando a esquina vimos a casa.

–É essa a casa. –Daniel apontava com um braço, enquanto o outro abraçava a loira.

–Não me digaaa. –Roxy brincou. Todos riram.

Suit your self. –Daniel disse se distanciando do grupo.

{Suit your self = Fique à vontade; Sirva-se}

Entrei na casa. Muita gente, muito álcool.

Procurei um banheiro, e assim que encontrei me tranquei lá.

Eu me sentia mal, me sentia horrível.

Tirei o capuz da cabeça e olhei a minha figura no espelho.

{imagem}

Pálida. O rímel escorria dos meus olhos devido aos episódios de mais cedo naquela noite. Meu cabelo estava todo desarrumado, as ondas castanho-claro mais pareciam um furacão cor de lama.

Eu queria chorar mais, me afogar em bebida, mas definitivamente não queria encarar os fatos.

Coloquei as mãos na pia e me apoiei. Deixei minha cabeça pender, meu cabelo caia pelos ombros e as lágrimas pingavam na pia. Sussurrei “Eu me odeio... Por quem sou, pelo que eu fiz. Eu me odeio.”

Fiquei desse jeito por um tempo, mas me lembrei, estava numa festa. Posso fingir estar bem e tentar esquecer as coisas. Lavei o rosto, limpei a maquiagem escorrida e arrumei o cabelo.

{imagem}

Saí do banheiro e fui em direção ao bar.

3 copos-de-alguma-coisa depois, estava dançando no meio do salão, completamente bêbada.

Procurava meus amigos na multidão mas não via ninguém, já se passara muito tempo que estava lá quando enfim avistei Roxy.

–ROXY... –A chamei em tom embriagado. A música alta me obrigava a gritar, mas mesmo assim ela não ouviu. Fui em sua direção. -ROXY. –Toquei seu ombro e ela se virou um pouco assustada.

–Rebecca, já estava indo embora... Huh, você tá bem? –Tive dificuldade em ouvir o que ela disse.

–NÃO, NÃO MUITO. –Sorri aliviada por tê-la encontrado.

Ficamos conversando, e nós tomamos mais alguns copos-de-alguma-coisa.

–BECCA.

–OI?

–SABE O QUE É ENGRAÇADO?

–QUE VOCÊ TÁ BÊBADA PRA CARALHO?

–TAMBÉM, MAS NÃO.

–O QUE ENTÃO?

–...

–ROXY?

–AINDA TEM CHOCOLATE?

–CLARO, VOCÊ QUER?

Ela fez que sim com a cabeça e nós dividimos o Twix.

–MAIS UMA COISA, REBECCA. –Ela se aproximou. -EU TE AMO. –Roxy ria, bêbada. Eu fiquei em silêncio.

Pareceram os segundos mais demorados da minha vida, não sabia o que responder.

De repente senti sua respiração quente se aproximar do meu rosto, o hálito de álcool e energético era mútuo, seu nariz dera um leve raspão no meu e meus olhos se fecharam.

Pude perceber o exato momento que os doces lábios de Roxane selaram os meus.

Notas finais
Aeee se leu até aqui creio que gostou.Deixe um comentário, crítica, sugestão, ideia, receita de bolo, ameaça de morte...Obrigada, o próximo capítulo será postado em breve :3