Cidade das Sombras
14 Magnus . . . e . . . Magnus?!
Notas iniciais
Londres — 1878.
A porta da enfermaria se abriu e por ela saiu Magnus, o bruxo parecia exausto e tinha sombras embaixo dos olhos, levantou a cabeça e viu seis rostos ansiosos lhe encarando.
— Como ele está Magnus? — Clary perguntou ansiosa.
O bruxo suspirou e encarou a menina, gostava dela tinha que admitir, pouco a conhecia, mas o pouco que viu lhe agradou. Clary era forte, virava uma leoa para defender aqueles que amava e tinha um personalidade forte. Sim com certeza gostava dessa garota.
— Ele está dormindo e arrisco dizer que esse deve ser o melhor sono dele desde que foi infectado com veneno.
— Como assim? — Perguntou Isabelle confusa, ela ainda podia ouvir os gritos de Jace em sua cabeça. Duvidava que um dia pudesse esquecer, seu irmão era tão forte e ouvi-lo gritando era uma coisa que praticamente não acontecia.
— Jace está dormindo tranquilamente, a febre está baixando, ele já não sente quase dor. Em outras palavras, está dormindo igual a um bebê.
— Você conseguiu Magnus! Você curou o Jace! — Gritou Clary e num impulso abraçou o bruxo.
Magnus se sentiu constrangido, não estava acostumado a ter caçadores de sombra abraçando-o.
— Na verdade não fui eu e não sei se está curado, mas com certeza está mais calmo.
— Como assim não foi você? Você é o único feiticeiro que tinha lá dentro. — Disse Simon sem entender onde o bruxo queria chegar.
— Foi Jem, ele achou algo que acalmasse os sintomas e retardasse os efeitos do veneno no organismo de Jace.
— Jem?! — Perguntaram todos surpresos.
— Sim, ele teve a ideia, afinal não tínhamos nada a perder, Jace estava morrendo.
— E o que seria?
— Yin fen.
— O que?! — Gritou Will.
Os demais caçadores o olharam espantados, não entendiam o alarme do garoto, assim como também não sabiam o que seria esse tal de Yin fen, tudo o que sabiam era que isso estava salvando Jace e isso era o mais importante.
— Magnus, vocês não podem estar usando yin fen em Jace!
— E por que não? — Perguntou Isabelle desafiadora.
— Porque o yin fen é uma droga muito poderosa e . . . viciante. — Murmurou Charlotte cabisbaixa.
— Como assim? — Quis saber Clary.
— O yin fen é uma droga muito forte, o individuo que usa dela corre o risco de nunca conseguir parar, seu corpo fica tão dependente que não vive mais sem ele, em outras palavras, se você o usa vai morrer lentamente, mas se deixa de usar, morrera mais rápido. — Diz Magnus.
— E como você pode usar isso em Jace?! — Isabelle estava indignada, Magnus havia viciado seu irmão!
— Ele estava morrendo, sem forças, havia praticamente desistido de lutar, era isso ou morte, apenas retardamos seu fim. Além disse estou administrando as doses dele, são muito poucas e em medida suficiente para impedir que o veneno aja pelo corpo. — Defendeu-se o bruxo.
— Você disse poucas? No plural? Magnus faz menos de uma hora que Alec entrou, quantas doses você deu à ele nesse tempo? — Perguntou Clary preocupada.
— Três. — Revelou o bruxo com um suspiro, esperava poder omitir esse pequeno detalhe, pois sabia que a garota surtaria.
— Magnus!
— Já disse era isso ou ele morria, minha magica não estava surtando efeito algum!
— Jem também começou assim, ele tomava só um pouquinho, depois foi ficando cada vez mais dependente da droga, agora não pode mais parar de tomar. — Revelou Will cabisbaixo.
Os caçadores do futuro olhavam para ele espantados, não sabiam que Jem usava a droga.
— Podemos vê-lo Magnus? — Perguntou Clary suavemente.
Ela sabia que devia um pedido de desculpas à ele, o bruxo havia salvado a vida de Jace, mas seu desespero era tanto que em vez de lhe agradecer ela o havia repreendido e culpado por algo que mesmo sendo prejudicial, ainda havia salvado a vida do rapaz.
* * *
Nova York — Dias atuais.
Magnus olhava para a imagem no espelho, era um tipo de enfermaria e ele a achava familiar, só não sabia de onde. Um grupo de nove pessoa de costas para ele rodeavam alguma coisa. Olhando com atenção ele conhecia aquelas pessoas, aqueles cabelos vermelhos lhe eram muito familiares. Olhou com mais atenção e um gemido angustiado saiu de seus lábios formando um nome.
— Alec?!
O grupo parecia não te-lo ouvido, pois continuavam a falar baixinho entre si.
— Alec? — Chamou o bruxo um pouco mais alto.
O rapaz a quem ele chamou de Alec virou para ele surpreso e então Magnus pode ver que errara, não era Alec, era Will!
— Hã . . . Não! Sou Will. Mas você é o Magnus! ESPERA! VOCÊ é o Maguns! Como isso é possível? — Perguntou o rapaz espantado.
Nesse momento Magnus pode ver através do espelho uma cabeleira negra se agitar rapidamente e virar em sua direção. Com os olhos azuis arregalados e brilhantes, empurrou Will para o lado e se aproximou do espelho de corpo inteiro que havia na parede da enfermaria.
— Magnus?! — Sua voz não passava de um pequeno gemido.
Sim! Esse era Alec, seu Alec! Magnus observou o rapaz como se quisesse guarda-lo para sempre na memória, se lembrar de cada detalhe daquele tão amado rosto. Tirando o ar de cansaço e as sombras nos olhos Alec parecia bem, não parecia ferido. Mas parecia angustiado.
— Alexander! Você está bem?! — Era mais uma afirmação que uma pergunta.
— Sim Magnus! Mas e você? Como está? Onde está?
— Eu fiquei para atras, quando fui atravessar o portal se fechou sozinho.
Enquanto isso o Magnus do passado observava calado seu eu do futuro, continuaria bonito tinha que admitir, mas o que mais o agradava era saber que não iria petrificar com o passar do tempo, iria continuar vivendo, continuar sentindo.
Mas uma coisa que o estava deixando com a pulga atras da orelha, era que tipo de relacionamento ele tinha com aquele caçador. Seu eu do futuro não conseguia disfarçar o alívio ao ver que o rapaz estava bem, além disso dava para ver em seu olhar um brilho terno, um brilho amoroso, como se só tivesse olhos para ele e mais ninguém. Será que no futuro vou me apaixonar por um caçador de sombras?
— Interessante como só você ficou para atras Magnus! — Acusou Isabelle.
— Claro eu acordei inspirado, levantei de madrugada e resolvi mandar o meu namorado e seus amigos para uma jornada no passado! Além é claro de ficar sem notícias por três dias! Sem, dormir sem conseguir comer, porque não tinha uma noticia do paradeiro de vocês! Do paradeiro do homem que eu amo! Tem razão Isabelle, eu planejei tudo! — Desabafou o bruxo.
Ele estava em seu limite, isso era visível.
No entanto Tessa, Jem e Charlotte estavam chocados demais, caçadores de sombras se envolvendo com bruxos? E outra coisa, um caçador gay? Tudo bem que não tinham preconceitos, mas o que não conseguiam era imaginar a Clave aceitando esse tipo de coisa, ou a tão orgulhosa família Lightwood aceitando algo assim.
Magnus do passado não sabia o que pensar, as palavras do seu eu do futuro apenas confirmou o que já suspeitava, ele amava aquele caçador do futuro, achava incrível isso, nunca se imaginou em um relacionamento com um caçador, muito menos um tão jovem!
Na cabeça de Will no entanto o que se passava era a satisfação de saber que Magnus iria ser feliz no futuro, mesmo sendo com um caçador, era visível o amor daqueles dois, o modo como Magnus havia desabafado sua preocupação, o bruxo realmente amava aquele rapaz. E a julgar pela forma sofrida que Alec olhava para o Magnus do passado sempre que achava que ninguém estava olhando, podia deduzir que este amava o bruxo com a mesma intensidade.
— Calma Magnus, nós sabemos que não foi por querer, por favor se acalme. — Disse Alec.
— Vocês estão todos bem? Clarissa? Você está tão quieta. — Disse o bruxo se recompondo.
— Estou bem Magnus, mas está época é doida, criaturas mecânicas? Sério isso Magnus?
— Me desculpe, não sei como pude manda-los para aí!
— Magnus você se lembra dessa época? Sabe exatamente que acontece aqui? Estamos correndo algum perigo? — Perguntou Simon.
O bruxo suspirou, sim ele se lembrava dessa época, alias era uma época a qual ele não queria esquecer, uma época que lhe dava uma incrível nostalgia.
— Eu lembro perfeitamente dessa época, sei o que estão enfrentando e sim Simon, vocês correm perigo, essa foi uma época sombria para os caçadores de sombras. Mas também uma época de mudanças importantes e uma delas foi a minha fé recém adquirida nos caçadores de sombras, graças a um jovem bonito e quebrado.
Will sentiu seu rosto esquentar, embora não tenha dito nome ele sabia que era dele que Magnus falava.
— Certo então pode nos dizer o que estamos enfrentando e como derrota-los? — Questionou Charlotte.
— Sinto muito, mas a historia já foi mudada o suficiente, não seria prudente muda-la mais ainda!
— E desde quando eu me importo com prudencia? — Questionou o Magnus do passado.
— Desde que aprendeu o que é amizade verdadeira e amor incondicional, o que é sacrificar as coisas por pessoas queridas, eu lembro que achava já saber de tudo nessa época, que já havia vivido de tudo, mas escute com atenção Magnus, nunca sabemos tudo, nunca vivemos tudo! Por isso não petrifiquei, deixei meu coração aberto, mesmo enterrando aqueles que amei, até chegar o momento de me apaixonar de novo. Não se iluda! — Retrucou o Magnus do futuro.
O Magnus do passado ficou a encarar seu eu do futuro, ele ficaria mais sábio e isso era bom.
— Então não vai me dar uma dica do que fazer daqui pra frente? Para que não cometa os mesmo erros?
— Não. Viva, acerte e erre, pois foi errando e depois tentando acertar que me tornei uma pessoa melhor, que me tornei alguém digno de merecer o amor de uma pessoa tão maravilhosa quanto Alexander.
Tanto o Magnus do futuro, quanto o do passado encararam o jovem que estava tão vermelho quanto o cachecol que o Magnus do futuro trazia no pescoço.
— Estou sentindo falta de alguém, onde está aquela criatura infernal? — Perguntou Magnus.
Will levantou a mão.
— Bom não sei na sua época, mas nessa quando você diz criatura infernal geralmente está falando de mim. — Disse sorridente, enquanto via Jem abafar uma risada.
— Bom, desta vez não é você Will, mas garanto que é tão infernal quanto! E além disso também é um Herondale. Sabe? Loiro, olhos dourados e um humor dos infernos.
Ninguém respondeu, mas deram um passo para o lado deixando o leito onde se encontrava Jace a mostra. Magnus arregalou os olhos tamanha a surpresa, Jace estava doente?! Isso não era algo que se via com frequência.
— Muito bem, comecem! — Disse o bruxo cruzando os braços.
* * *
Londres — 1878.
— Já terminou o que lhe pedi?
— Você me disse que eu não tinha paciência, mas você é pior que eu. — Resmungou Mortmain.
— Eu preciso disso acabado o mais rápido possível.
— Olha não é tão fácil quanto parece, é complicado, minhas criaturas eu posso criar com muita facilidade, mas isso que está me pedindo é algo complicado e que requer paciência e muita concentração!
A mulher suspirou, aguentar aquele mundano não era sua atividade favorita, mas precisava dele, precisava que ele terminasse logo. Queria ver a cara de Clary quando visse o o que ela fez. O choque e o terror que veria naquele rosto seria como balsamo para suas feridas, aquela pirralha a havia humilhado, matado seu filho, isso não ficaria assim! Ela era Lilith, a mãe dos demônios, faria aquela pequena caçadora insignificante pagar caro. Estava até arrependida por ter matado Jace, queria ver a cara dele também, faria bem para o seu ego.
Jace, você já deve estar morto à essa hora e a sua amada Clarissa deve estar chorando rios de sangue! Adoraria ter assistido, ter visto você agonizar até não aguentar mais, ter ouvido você gritar! Uma pena, mas logo sua querida namoradinha se juntará a você!
— Já está tudo preparado para a visita do jovem Sr. Carstairs?
— Sim e não vejo a hora de o termos aqui para o chá! — Disse Mortmain diabolicamente.
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