Cidade Luz - Fremione
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Camille abraçou mais uma vez a melhor amiga, estava tão entusiasmada por ela. Durante vários meses assistiu a morena sucumbir à tristeza dilacerante de tudo que tinha perdido após a guerra. Mesmo assim testemunhou a lenta e constante reconstrução da bruxa e admitia que tivesse ajudado um pouco para o bem-estar de Granger. Amava Hermione como uma irmã e saber que ela, finalmente, estava com o bruxo que sempre foi dono de seu afeto lhe proporcionava muita felicidade, seu sorriso se ampliou ao notar o brilho nos olhos da morena. Também não escondia que achava o ruivo sorridente um pedaço de mau caminho. Fred Weasley tinha conquistado a simpatia da bruxa com imensa facilidade, além disso, ele era tão louco por sua melhor amiga que se mudaria para Paris... Estava muito animada para presenciar e participar dessa nova fase da vida de seu casal predileto do mundo. Quase saltitou de tanta satisfação, sua personalidade espontânea e exuberante levando a melhor sobre sua tentativa de esconder sua completa aprovação com o namoro de Hermione e Fred.
— Cuide bem dela, Sr. Weasley. – A bruxa tentou parecer séria, mas gargalhou ao apertar a mão do novo amigo.
— Com certeza, Camille. – Ele bateu continência, bem humorado. — Então, tudo acertado para voltarmos no sábado? — Fred olhou para namorada que confirmou com a cabeça.
Após saíram da livraria, caminharam até o apartamento de Hermione, apreciando a temperatura agradável e a bela paisagem parisiense. O ruivo ainda encontrava-se encantado feito uma criança com cada coisa nova que a namorada lhe mostrava da cidade. Os dias correram depressa e as duas semanas acabaram num piscar de olhos. Fred tinha revisto todo seu planejamento para nova franquia, confessava que estava ansioso para descobrir se aquilo daria certo, pois era uma enorme mudança. E, se por um lado, estava receoso, por outro, não podia sentir-se mais vivo.
— Você está tão pensativo... – Hermione retirou as sapatilhas e jogou-se no sofá, com um feitiço simples todas as janelas se abriram e uma brisa amena atravessou o local.
— Estou refletindo sobre George. – Explicou sorrindo para imagem relaxada que a bruxa era naquele momento, tão bonita... Ele tirou o terno e os sapatos escuros e juntou-se a sua amada sabe-tudo. — Ele está inquieto com minha mudança, e acredite você vai escuta-lo bastante quando retornarmos.
— Eu sei, mon amour. – A morena sorriu, resignada. — É um preço pequeno a pagar por rouba-lo para mim. – Piscou e o beijou afetuosamente.
Hermione Granger pisou novamente no Ministério Britânico depois de anos, então as lágrimas desceram incontroláveis e abundantes. O bruxo ruivo somente a abraçou com força e beijou-lhe a testa com carinho, compreendendo o momento que a namorada estava passando. Assim que a bruxa assumiu novamente o controle de suas emoções, eles caminharam rapidamente entre os diversos visitantes e funcionários do Ministério da Magia e, com certo alívio, alcançaram as lareiras, em poucos minutos estavam no apartamento que Fred dividia com George sob a Gemialidades Weasley.
— Você! – Um ruivo idêntico a Fred com uma orelha faltando gritou ligeiramente maníaco apontando para a antiga grifinória. — Sua mulher vil que está roubando meu gêmeo! – George a puxou para um abraço de urso. — Que saudades, Mione! – Gargalhou da expressão chocada da cunhada.
— Pare de tentar matar minha namorada! – Fred exclamou brincalhão puxando o irmão para um abraço repleto de cumplicidade.
— É muito bom revê-lo. – Hermione afirmou depois que puxou ar para seus pulmões, ainda não tinha conseguido sequer avaliar o apartamento dos rapazes. — Senti tanta saudade, Georgie! – Ela sorriu abertamente para o lindo bruxo sorridente.
— E, por causa disso, quer levar Freddie de souvenir? – O ruivo ergueu uma sobrancelha, maliciosamente, caminhando até a poltrona e jogando-se nela.
— Irmão... – Fred soltou o ar meio exasperado meio risonho. — Eu sou mais que um simples brinquedinho – Piscou.
— George, meu querido. – A mulher revirou os olhos e acomodou-se no sofá vinho, havia um brilho arteiro em seus olhos castanhos. — Eu admito que esteja sequestrando seu irmão para uma cidade estranha por motivos completamente egoístas. – Brincou enquanto piscava para o amado que retribuiu com um sorriso malicioso. — Eu amo Frederick Weasley e demorei demais para assumir esse fato.
— Apenas por isso eu estou permitindo essa insanidade. – George rebateu sorrindo, mas percebia-se que ele falava seriamente. — Cuide bem da minha cópia, cunhadinha.
— Onde está Luna? — Franziu o cenho para o irmão. — Ela aceitou o pedido antes de você terminar de perguntar, não é?
— Foi buscar a Ginny no treino, elas devem estar chegando. – Avisou com a mesma expressão apaixonada de sempre, a loira era seu universo. — Como se eu já não tivesse te contado em detalhes, Fredoca. – O sorriso mal cabia em seu rosto.
— Parabéns, George! – A morena o abraçou novamente. Então sua expressão caiu em desespero. — Oh!— Hermione ofegou. — Sua irmã vai me matar. – A bruxa parecia realmente amedrontada. — Eu sumi e volto somente para pegar o irmão dela,... Céus, estou tão ferrada!
— Ainda bem que você sabe! – A ruiva em questão surgiu na lareira com seu habitual sorriso endiabrado, estava muito bonita com os cabelos vermelhos na altura das bochechas. — Agora levante essa bunda e me abrace! – Mandou.
Luna apareceu logo atrás, os mesmos olhos azuis sonhadores e longos cabelos loiros, ela saltitou até Fred o abraçando gentilmente, depois foi para os braços acolhedores do noivo que a recebeu com beijo carinhoso.
Hermione abraçou Ginny por vários minutos, aquela ruiva foi tão importante em sua vida e ninguém poderia substituí-la. Logo ambas choravam largadas no tapete, até Luna juntar-se ao abraço para acalma-las como era seu dom.
— Volte para casa, Mione. – Pediu a artilheira das Harpias.
— Paris é meu lar, Gin. – Explicou com um sorriso paciente. — Mas, eu prometo, sempre estarei por aqui. Nunca mais desaparecerei dessa família e nossa casa sempre está aberta para vocês... — Assegurou encarando cada um deles, encontrando o motivo de sua promessa nos belos olhos de Fred.
— Você está tão bonita. – Luna exclamou com sinceridade, tocando um dos cachos da amiga com apreciação.
— Obrigada, mas olhe você... Linda! – Hermione riu enquanto se levantava do tapete felpudo. — Georgie, seu maldito sortudo! – Piscou, divertida. — E parabéns pelo noivado. – Abraçou novamente a loira que sorriu calidamente.
— Eu sei! – O ruivo estufou o peito, orgulhoso. — Agora, vamos para a Toca?
O ar ficou preso em seus pulmões, a bruxa sentiu uma forte vertigem. A simples menção daquele lugar tão cheio de lembranças e sentimentos... Será que estava pronta? Ela tinha sido tão feliz naquela residência, mesmo assim,... As imagens do pós-guerra passando num redemoinho de sofrimento.
— Eu preciso de uns minutos. – Hermione sentiu os primeiros sintomas de uma crise de ansiedade, no mesmo minuto Fred a abraçava, preocupado. — São tantas memórias... Eu não sei se consigo encarar a todos. – Murmurou escondendo o rosto no peito do ruivo, buscando a segurança daquele que amava com todo seu coração.
— Calma, docinho, é apenas a nossa família. – O namorado a consolou, realmente respeitava os traumas da namorada, ele só queria ajuda-la. — Todos saudosos e felizes com nosso retorno.
— Quase todos. – Luna interferiu com sua clássica franqueza. — Ronald está furioso com Fred. – Revelou com calma seriedade, os olhos azuis brilhando perspicazes. — Em minha opinião, ele está apenas transferindo o objeto de sua cólera.
— Luna, amor, não assuste Mione. – George a puxou para pequena cozinha.
— Acredito que você lembre como a linguagem de Luna é aberta, sempre analisando o comportamento dos outros com olhos da alma... — Ginny desculpou-se sem jeito.
Hermione suspirou enquanto se distanciava do homem que a abraçava com zelo, de alguma maneira, a menção de Ron não a chateou ou aumentou sua crise nervosa... Ela só precisa de uns minutos para se recompor, foi ao banheiro e lavou o rosto. O pânico ameaçou invadi-la, porém lutou contra... Já tinha superado essa fase da vida... Em breve retornaria para Paris e isso seria somente outro desafio vencido.
Quando Hermione retornou os quatro bruxos bebiam sucos de abóbora e comiam biscoitos de baunilha, a nostalgia abraçou a morena porque verdadeiramente sentiu falta daquelas pessoas peculiares, maravilhosas e amadas.
— Está melhor, amor? – Fred indagou enquanto a puxava para sentar ao seu lado no sofá, seus olhos buscando qualquer vestígio de mal estar nela.
— Sim. — Hermione respondeu com uma feição mais tranquila, bebeu do copo com suco de Fred que mostrou a língua para ela. — Então Ronald não está bravo comigo e sim com o irmão? – Ergueu a sobrancelha e questionou com sarcasmo. — Ou melhor, ele continua zangado comigo? – Ironizou.
— Ele vai superar. – George apaziguou. — Ron é complicado, todavia não é má pessoa. – Deu de ombros, conformado com o comportamento infantil do irmão caçula.
— Eu sei. – Sorriu, pois realmente sabia. — Então,... Toca?
Todos os integrantes da família estavam ali, diversos rostos sardentos de cabelos cor de fogo, com alguns loiros no meio. A algazarra foi enorme no momento que saiu da lareira da casa, a matriarca Weasley a abraçou por infinitos minutos, no que Hermione permitiu-se chorar como uma filha pródiga.
— Minha filha, meu amor. – Molly a embalava. — Nunca mais faça isso, querida.
Após muitos cumprimentos, lágrimas, sorrisos,... Finalmente Ronald encarou a ex-namorada e melhor amiga. O silêncio tornou-se esmagador, os olhares conectados numa conversa muda, eram muitos anos e um misto de emoções. Era tempo demais para ainda estarem zangados um com o outro... Ambos suspiraram juntos e então se abraçaram com força: afeto e perdão.
— Ron. – A bruxa passou as mãos pelo rosto dele querendo redescobrir os detalhes e formas do amigo. — Eu senti tanto a sua ausência... – Lágrimas ameaçavam cair novamente pelos olhos de Hermione.
— Eu senti muito mais. – O ruivo sorriu, mas ficou sério. — Você me perdoa?
— Só se você me perdoar também. – Eles trocaram um sorriso.
Quando conseguiram se largar, Hermione caminhou até os braços aconchegantes de Fred, que sorria complacente, então os dois irmãos se encararam e o clima reconciliador novamente foi ameaçado. O caçula nunca compreenderia inteiramente aquele relacionamento amoroso tão repentino. Não que odiasse o irmão ou a amiga. Simplesmente, no fundo nutria esperanças dela ainda ser sua... O que ele notou, nunca foi ou seria.
— Não, Ronald. – A morena interviu antes que qualquer um falasse. — Fred é meu namorado, somente aceite isso e vamos voltar a coexistir em paz. – Pediu seriamente. — Eu verdadeiramente quero voltar à convivência com todos os Weasley, principalmente com meu melhor amigo.
— Não vou mentir dizendo que aprovo ou gosto disso. – Ronald coçou a nuca, resignado. — Contudo, quem sou eu para ir contra sua felicidade? – Questionou retórico. — Fred, você sempre foi sortudo, cuide bem dela.
— Vou cuidar, maninho. – A voz firme com um beijo estalado no rosto da namorada... Não tinha tão difícil, afinal.
Cinco anos depois.
Pousou o livro sobre a mesa de cabeceira, o marido tinha acabado de abrir a porta com um sorriso que só poderia ser interpretado com pervertido. Hermione fechou os olhos, antecipadamente, enquanto o ruivo pulava sobre a cama e a puxava por cima de seu corpo, sendo envolvida por um beijo completamente obsceno... Céus! Fred realmente estava feliz... E a bruxa adorava isso.
— Conseguimos, docinho! – O ruivo exclamou após vários minutos de beijos quentes. — A décima franquia será aberta em Tóquio no Japão, eu nunca imaginei que faríamos tanto sucesso.
— Eu sempre soube disso, meu amor. – Hermione afirmou, os olhos com um brilho especial. — Afinal, o pai do meu filho ou filha não seria nada menos que extraordinário. – Ironizou enquanto via as feições de surpresa do homem de cabelos flamejantes e olhos maliciosos transformarem-se em emoção.
— Você está grávida?! — Havia uma felicidade inexplicável ali.
Hermione Granger-Weasley apenas confirmou com a cabeça antes de beijar a boca tão conhecida e amada de seu espetacular bruxo... A vida como descobriu nos últimos anos, poderia ser maravilhosa.
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