Notas iniciais
Olá meu povo! Bem, este filme é um dos meus favoritos, mas eu não gosto apenas dos leões, eu adoro as hienas! E no filme elas são muito má retratadas, diferentes de como elas são na vida real...Em fim, explicarei melhor:
No musical de O Rei Leão é mencionado que a mãe de Nala matou o pai de Banzai, usando isso e o fato de que na vida real muitas vezes os leões matam os filhotes de hiena(e também eles roubam mais comida delas do que elas roubam deles, mas isso não vem ao caso) pensei nesta fic!
Boa leitura!

Banzai estava com fome, mas pela primeira vez na vida ele não estava tão preocupado com isso.

Era a primeira vez que seu pai o deixava observar a caçada, e também a primeira vez que o deixara sair do Cemitério de Elefantes. Não que Banzai nunca tenha saído de casa sem ele saber, mas esta era a primeira vez que iria tão longe e ainda por cima sem ser repreendido!

Obviamente era muito pequeno para caçar, mas observando o grupo se espreitando na grama alta para não serem vistos pelas zebras deixava a pequena hiena sem reação. Ele conseguia ver no monte no qual estava seu pai avançando devagar, pronto para correr em direção ao alvo que era uma zebra aparentemente menos saudável que as outras.

Tudo indicava que a caçada seria perfeita.

Uma delas parou de pastar e ergueu a cabeça como se tentasse ouvir alguma coisa, imediatamente começou a correr em fuga e as outras zebras começaram a fazer o mesmo, fugindo por suas vidas. Foi ai que as hienas avançaram, estavam atrás apenas daquela escolhida que se esforçava para acompanhar o ritmo de seu bando.

Banzai abriu um largo sorriso ao perceber que a matriarca* estava a poucos metros da presa, não demorou muito para a azarada zebra começar a ofegar de cansaço e ter seu dorso mordido. As outras hienas também avançaram para conseguirem imobilizar a presa, o pequeno estava com esperanças que finalmente comeria algo descente depois de dias alimentando-se apenas de ossos em decomposição.

Mas não foi assim que aconteceu. Antes mesmo de conseguirem matar a presa, a matriarca levantou a cabeça com as orelhas atentas, olhou para trás e em seguida começou a correr em direção ao cemitério, o bando inteiro acompanhando-a. Confuso, Banzai olhou para o oeste e pode ver forçando os olhos a figura de três leoas que por sorte ainda não tinham percebido que havia invasores em seu território.

Viu seu pai correr em sua direção e pega-lo pela pele da nuca sem avisar, machucando-o um pouco. Banzai não reclamou, pois de certa forma sabia que algo havia acontecido.

- Por que estamos fugindo?! – Perguntou irritado e por motivos óbvios seu pai não respondeu, apenas continuou correndo em quanto o carregava.

O clã inteiro estava disperso, Banzai conseguia ver uma que outra hiena de longe, provavelmente uma estratégia de fuga. Ficou um pouco feliz ao perceber que seu pai não estava voltando para casa, porém não fazia ideia onde estavam indo, apenas que de longe conseguia ver a pedra do reino pela primeira vez.

Andaram por mais dois quilômetros antes de seu pai soltá-lo. Estavam muito perto dos leões, Banzai podia ver a luz do por do sol batendo diretamente na pedra e em vários lugares os leões comendo a caça no qual as hienas haviam imobilizado.

Olhou para seu pai que tinha uma expressão cansada no rosto, quando virou a cabeça em sua direção sorriu um pouco forçado na intenção de animar um pouco as coisas.

- Por que fugiram? – Tentou perguntar novamente, queria gritar de raiva mas algo em sua mente dizia-lhe que ali era um lugar muito perigoso.

- Havia leões ao redor, eles não podem saber que estamos aqui. – Seu pai respondeu deitando-se e observando os leões com uma paciência que Banzai não conseguia compreender.

- Por quê? – Perguntou desta vez com curiosidade, deitando a cabeça na pata do mais velho.

- Aqui é território deles, não nosso.

- Por quê?

- Ora, por que sim! – Respondeu rindo um pouco da expressão confusa do filho.

- Quem disse que este lugar tooodo é deles? – Banzai perguntou um pouco irritado desta vez, mas sem levantar a voz.

- Eles mesmos. – Respondeu olhando em seguida para a cara furiosa do pequeno. – Infelizmente são assim que as coisas funcionam Banzai, para eles somos apenas meros carniceiros que limpam a sujeira que fazem.

- Mas como vamos limpar a sujeira deles se nem sequer deixam nós ficarmos aqui?! – Banzai perguntou mais confuso ainda, aquilo tudo não fazia sentido.

- Desde que não sejamos vistos está tudo bem acordar sem ver carcaças espalhadas por aí. É o ‘’ciclo da vida’’. – Seu pai disse em um tom irônico a última frase.

- E se derrotássemos os leões?! – Banzai disse animado com a ideia, era a primeira vez que ele via os leões e já não tinha gostado nem um pouco deles. Seu pai soltou um riso forçado.

- Não podemos Banzai, mesmo que tivéssemos oportunidade não conseguiríamos.

- Mas por quê? – O filhote perguntou em um tom choroso.

- São muito mais fortes do que nós, e tem muito mais poder. – Ele respondeu, em seguida suspirou e olhou para Banzai com um olhar protetor. – Eu só peço que nunca se aproxime deles ou tente qualquer coisa com eles, entendeu Banzai? Isso é para o seu próprio bem, essa regra você não pode de maneira alguma desobedecer!

- Entendi... – Respondeu decepcionado, em quanto seu pai levantava-se e ia em direção aos restos que os leões deixaram para trás.

***

Banzai sabia que estava chovendo, conseguia ouvir as trovejadas e o som da chuva caindo na terra, também pelo fato das goteiras em várias partes da toca. Estava com mais alguns filhotes que dormiam profundamente, alguns eram até mais novos que Banzai com os pelos ainda castanhos**. Pensou em acordar Shenzi ou Ed, mas deduziu que provavelmente seria repreendido por isso e resolveu ficar acordado sozinho.

Ouviu um rugido abafado, no qual achou estranho, pois leões nunca passavam por este lugar. Junto ouviu o uivo ou ‘’risada’’ de algumas hienas adultas de seu clã o que até que era normal, mas sobre o rugido deduziu que fosse coisa de sua cabeça.

Como ele queria que tivesse sido imaginação...

Um pouco de terra caiu em sua cabeça, como se a toca estivesse se desmoronando. Com um estrondo os outros filhotes também acordaram assustados e confusos, perguntando uns para os outros o quê tinha acontecido e por que a toca estava tremendo. Mau todos haviam se levantado e um buraco foi aberto, fazendo terra cair em alguns filhotes inclusive Banzai que tossiu em seguida, abriu os olhos e viu um enorme focinho que com certeza não era de hiena, os dentes afiados quase do tamanho de sua pata, viu um pedaço da juba molhada e enlameada e percebeu qual animal era. Com o coração acelerado e o pânico subindo a cabeça, tentou achar uma saída, qualquer saída! Mas não, apenas viu com seus próprios olhos um filhote ser pego e morto logo em seguida.

Os filhotes mais franzinos e covardes ficavam em um canto encolhidos, em quanto os mais astutos e que nunca haviam visto um leão começaram a morder seu focinho e a puxar sua juba, mas isso apenas os levava a própria morte.

Banzai estava paralisado, as lágrimas caiam quase que involuntariamente em seu rosto, queria gritar, chamar por ajuda, ou talvez ser mais forte e poder lutar contra aquela besta.

Quando o quinto filhote havia tido o pescoço mordido, a fera rugiu de dor e afastou o rosto deixando o buraco da toca livre. Banzai por instinto correu em direção desta única saída, sentindo-se covarde por ter deixado seus amigos para trás mas com medo demais para voltar.

Viu de relance duas hienas esforçando-se para atacar o leão que podia ser considerado mais que o dobro de seus tamanhos. A chuva estava o ensopando e os sons dos trovões estavam mais altos e amedrontadores, olhava apenas para frente, pois tinha medo de ver alguma coisa no qual não gostaria de presenciar novamente.

- Pai! Papai! – Tentou gritar em ajuda, havia muitos leões ao redor e mesmo o número de hienas sendo consideravelmente maior estavam perdendo. Tinha certeza que se encontrasse seu pai tudo ficaria bem e que ele iria lhe proteger como sempre dizia, tentou usar este pensamento como combustível e começou a correr mais rápido.

Conseguiu ouvir o uivo de seu pai não muito longe de onde estava. Seguindo o som Banzai esforçou-se para correr mais rápido, esperançoso em sua mente de filhote de que o mais velho resolveria tudo.

Sorriu minimamente quando viu seu pai de longe, rosnando para uma leoa que ameaçava atacá-lo.

- Pai! – Gritou novamente com um sorriso no rosto, ele virou o rosto em sua direção com o olhar assustado, parecia que iria gritar algo de volta mas o rugido do enorme felino em sua frente o obrigou a desviar o olhar contra vontade.

Para ele, nada poderia vencer seu pai, nada era mais forte do que ele. Foi o que Banzai pensou até aquele momento, vendo seu pai com pânico no olhar e a leoa em sua frente quase certa da vitória. Mesmo com dúvidas e a razão dizendo para recuar, o mais velho avançou no felino inutilmente causando apenas um arranhão no pescoço do adversário que devolveu com uma mordida mortal em seu pescoço.

Um último grito foi ouvido antes dos olhos se fecharem, em seguida a leoa largou o cadáver e foi atrás do seu bando que já estava voltando para suas terras. Banzai ficou intacto onde estava, traumatizado com o que acabara de ver, as lágrimas voltaram a cair em seu rosto se misturando com as gotas de chuva.

Hesitante começou a se aproximar do corpo, naquele momento ainda acreditando que tinha pelo menos uma chance dele ainda estar vivo. Seu pai estava com o pelo coberto pela lama, vários cortes em diferentes locais e a maior ferida onde a mordida mortal foi dada, ainda pingando o sangue pela terra infértil.

- Pai? – Tentou dizer, cutucou o rosto com a pata em uma atitude desesperada de chamar a atenção. – Levante-se! Por favor!

Em uma tentativa de estancar o sangue tentou lamber as feridas como havia aprendido, mas seu pai não se movia de nenhum jeito, nem sequer respirava mais. Soluçando, encolheu-se perto do corpo desejando só sair dali quando o outro levantasse novamente.

- Banzai! – Ouviu uma voz conhecida lhe chamar de longe, mas não fez questão de abrir os olhos. – Não pode ficar aqui!

Sentiu seu rabo sendo puxado, a sensação terrível de que sua espinha inteira estava sendo remexida. Virou a cabeça para trás e viu que era Shenzi esforçando-se para puxá-lo.

- Me deixe em paz! – Gritou se livrando dela. Os dois se encararam com uma expressão irritada, típica de quando estavam juntos por estarem sempre competindo um com o outro.

- Eu saí das tocas sem permissão para buscar você! A não ser que deseja ser morto eu não vou sair daqui sem você. – Disse antes de pegar em sua orelha e tentar puxá-lo novamente.

- Me larga! Não vou sair daqui até meu pai acordar! – Banzai ordenou e Shenzi o largou na mesma hora, olhando assustada para o corpo logo atrás.

- Banzai ele... – Desistiu de falar quando o amigo começou a chorar em sua frente. Shenzi sabia que Banzai não era de chorar na frente dos outros por ser cabeça dura demais, por isso ela tinha motivos de se preocupar em dobro com ele naquele momento. – Você está bem?

- EU ODEIO LEÕES! – Banzai gritou furioso. – Eu quero matar todos eles! Eu quero todos eles mortos! Eu não aguento mais me esconder, eu não aguento mais isso!

- Banzai pare! – Shenzi disse colocando as patas nos ombros do outro o forçando a olhar em seus olhos. – Eu também não gosto dos leões, mas um dia nós vamos acabar com todos eles, eu tenho certeza disso! Só que agora temos que ir para casa...

Banzai olhou para o pai novamente e depois olhou para Shenzi, como se estivesse em um dilema. Assentiu brevemente com a cabeça baixa, e ela saiu dos seus ombros.

- Nós não podemos com eles... – Murmurou desanimado e Shenzi revirou os olhos.

- Podemos sim! Um dia eu, você e Ed vamos acabar com todos eles! Aí não vamos mais precisar caçar escondidos, ou viver em tocas apertadas!

Um pouco confiante Banzai começou a andar ao lado dela, ainda com o rosto abatido, porém sem perder as esperanças.

- Por falar nele... Cadê o Ed? – Perguntou curioso e Shenzi riu.

- Uma pedra caiu na cabeça dele, ta desmaiado mas está bem. – Respondeu e Banzai quase sorriu.

Em quanto voltava para casa ficava repassando em sua cabeça o que Shenzi havia lhe dito, e o que mais desejava. Banzai prometeu para si mesmo naquele momento que acabaria com os leões não importando a quais meios teria que seguir, não se importando mais com a ordem que seu pai havia dito. Ele acabaria com os leões não importando como!

Mesmo se tivesse que seguir um leão vingativo...

Notas finais
*Ao contrário de muitas outras espécies, em um bando de hienas são as fêmeas que dominam.
**os filhotes recém nascidos de hienas são de uma cor castanha antes de terem aquela coloração malhada.

Se gostaram comentem e se não gostaram comentem também!
Isso é tudo pessoal!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!