Ciclo Vicioso

3 Solicitude.


Notas iniciais
Eu. Tsou. Com. Sono. Definitivamente eu estou com sono. Mas, vejam, nem isso me impediu de vir postar o capítulo para vocês. u.u. E, eu gostaria de agradecer a minha linda flora Soph, que recomendou a fic, mesmo que tenha sido um pouco cedo demais para isso... Quero dizer, estamos apenas no... Começo. Sem mais delongas, boa leitura.

Ato I

Solicitude.

~~

Quinta-feira, 24 de julho de 2014, 03:02 PM

Localização: Namimori, Japão – Parque de Namimori.

Nota: Eu não pedi para ser tão complicado assim.

Sorriu para os amigos se divertindo, claro que o faziam de sua maneira cada um. Em um canto viu Kyoya atravessar a rua, dirigindo-se ao mais distante possível de todos, mesmo que fosse férias para si e para todos os alunos de Nami-Chuu o prefeito iria: ou supervisionar a escola a fim de protegê-la de quaisquer Vândalos, ou rondar a cidade em busca de qualquer mal-feitor para que possa mordê-lo até a morte.

Voltando-se a seus amigos viu Yamamoto rir de um Gokudera vermelho de raiva, entre eles Kyoko, uma ruiva de cabelos curtos – sua antiga paixão juvenil -, ria de forma singela enquanto a amiga da mesma, Hana, resmungava sobre garotos serem alguma espécie nova de macacos e que deveriam ser expostas num zoológico. Chrome sorria timidamente enquanto acariciava a cabeça de Lambo.

– Boss? – fora sua frágil Nevoa quem o despertara de devaneios. Sentiu a face tornar-se um tanto mais quente ao notar que continuava a fitar a garota de cabelos azulados. – Está tudo bem? – sim, naquele momento sim; mas era passageiro, sempre é. E apesar de querer tanto dizer isso, o castanho sorriu, apesar das bochechas ainda marcadas pelo um tímido tom de rosa.

– Está sim... Eu estava apenas pensando sobre a viagem que vou ter que fazer. – mentiu, de forma tão simples como sempre fora para si praticar tal desonra.

– V-Viagem? – gaguejou um alarmado Hayato. O castanho acenou de forma afirmativa, assim ganhando a atenção daqueles a sua volta.

– Para onde, Tsuna-kun? – questionou Kyoko, mal notando a careta que o albino lhe direcionara por ser interrompido bem no momento em que indagaria sobre aquilo; e apesar da curiosidade sobre o destino de seu chefe, Gokudera Hayato não pode deixar de contrair a face em irritação pela moça de cabelos ruivos tentar infiltrar-se na vida particular de seu querido Décimo. Não que ele também não fizesse o mesmo com uma freqüência anormal.

Mordiscou levemente um dos sanduíches feitos pela ruiva – um dos poucos que haviam sobrado depois que Ryohei passara ali durante uma corrida matinal – e voltou o olhar para a morena que acompanhava a ruiva esta que lhe olhou de forma cerrada e especulativa.

– Itália. Vovô e Reborn me querem por lá pelo restante das férias. – assumiu, não desviando o olhar. – Antes disso... Vocês já contaram a Hana? – questionou tão abertamente e direto quanto achou possível. – É justo ela saber... – informou diante da face surpresa exposta pela Sasagawa. – Antes ela nos ajudou mesmo sem saber no que estávamos envolvidos, acho mais do que justo contarmos a ela, agora, sobre o que está acontecendo. – e balançando a cabeça o castanho não pode deixar de entristecer levemente seu olhar. Era fácil para si aquilo, assim como era notoriamente fácil sorrir enganando a todos sobre seu coração. – Devemos isso a ela e a muito mais gente... – e então suspirou. – Além do mais é mais fácil proteger alguém quando eles sabem o perigo que correm.

– Oe, Tsunayoshi, eu não estou entendendo nada! – alegou a Kurokawa. – Explique isso agora! – exigiu-a de forma tão informal e direto que o albino rangera os dentes para a figura inquisitória.

– Sua--

– Está tudo bem, Hayato. – cortou o castanho seu timbre de voz nunca fora tão sério e direto e, diante daquilo, até mesmo as palavras de Hana haviam sumido.

Nunca ninguém havia presenciado aquele olhar tão centrado e dourado, que queimava numa paixão avassaladora e tentadora. Nunca haviam ouvido aquele timbre sério, direto e rouco que enlouqueceria e encantaria até o mais bruto coração. E a Kurokawa ouviu, palavra por palavra, não acreditando, não querendo acreditar; mas cada frase, cada contexto, encaixava-se tão perfeitamente, explicava tantas e tantas questões, retirava tantas duvidas; e enquanto ouvia, deliciando-se numa voz tão perfeita e magnífica, a adolescente sequer percebeu o coração latejante em seu peito, a admiração lhe subia pela garganta e a garota poderia prometer ali, naquele momento, que seguiria Tsunayoshi pelo resto da vida se ele mantivesse aquela magnífica personalidade permanentemente.

– Eu já entendi. – disse-a, ao fim, silenciando as palavras do futuro Don. – Máfia... Em? – e então a morena deu uma respiração profunda enquanto, ao seu lado, murmurando desculpas ininteligíveis e tendo os olhos lacrimejantes, Kyoko esperava o veredicto final da melhor amiga. – Bom, pelo visto as aulas de tiro que mamãe me deu vão servir para alguma coisa. – comentou-a. – Pode me arrumar uma arma... – e assim ela sorriu, presunçosa e divertida, expressões que a ruiva jamais havia visto na melhor amiga tão protetora. – Chefe.

– Chefe? – questionou Tsunayoshi, surpreso por aquelas palavras, perguntas e, mais surpreso ainda, por a garota não fazer nada contra e aceitar de forma tão pacifica aquilo tudo. E então veio a risada de Yamamoto quebrando a tensão que ameaçava formar-se.

– Isso quer dizer que a Hana vai jogar conosco, certo Tsuna? – indagou-o, divertido.

– Seu idiota! – gritou Gokudera. – Essa--

– Hayato... – chamara o Sawada, imediatamente ganhando a atenção do albino, cujos olhos brilhavam excitados por atender algum desejo de seu querido chefe; mas apesar disso a atenção do adolescente estava na garota de cabelos escuros que sorria para Kyoko, confortando a mesma com algumas poucas palavras. – Hayato enquanto eu estiver de viagem quero que faça uma explicação mais detalhada a respeito de nós, dos aliados, inimigos, e tudo o que for necessário para as garotas. – e com isso obteve a atenção das garotas. – Haru me disse que se tornaria forte para estar conosco, trabalhando ao lado da Famiglia e a ajudando a crescer; e você Kyoko, qual será sua escolha?

– Haru-chan... Também... – sussurrou-a. E então vincara a testa, em sua mente mil e uma possibilidades para o futuro, rondavam. Mas, sobre todas elas, ela percebia que não importava o que seguisse, não importava a profissão que aderisse, sempre estaria em risco, sempre ameaçaria a Famiglia por sua fraqueza estúpida. Sempre seria um maldito estorvo a todos. – Eu não quero mais ser um estorvo... – murmurou para si. – Eu vou me tornar forte para ajudar a Famiglia! – e a determinação brilhou em seus olhos fazendo o castanho sorrir suavemente.

– Hayato confiarei a você para me passar relatórios sobre o desenvolvimento das garotas. – o timbre de voz fora direto e sério, era uma ordem obscurecida por um pedido que o albino cumpriria como se sua vida dependesse disso.

– Sim Décimo!

– Takeshi você dará aulas de kendo para Haru. – comunicou. – Ela tem um talento para poison coocking, então deixarei para Bianchi tratar sobre isso depois, mas ela havia me perguntado se você a ensinaria a arte da espada... – e assim o Sawada sorriu. – deixe-me orgulhoso Yamamoto Takeshi.

– Sim Tsuna. – e apesar da resposta descontraída, sob o sorriso fácil e branco havia o desejo que queimava apenas para poder orgulhar o amigo, por que mesmo que não dissesse aquilo com palavras audíveis Yamamoto Takeshi queria, acima de todas as coisas, orgulhar Tsunayoshi, seu amigo, seu chefe.

– E eu... Tsuna-kun? – pronunciou-se a Sasagawa.

E assim o Sawada suspirou. Seria complicado encontrar alguém disposto a, não apenas ajudar a ruiva, mas também suportar a atitude super-protetora do irmão mais velho da mesma.

– Boss? – questionou a Dokuro, esta sabia que seria difícil, ainda mais com o irmão que a ruiva possuía.

– Você possuía as mesmas chamas que seu irmão, chamas do Sol, posso vê-las brilhando em seus olhos. – e todos, acima de qualquer um a Kurokawa, centrarão sua atenção no chefe ali presente. – A propriedade é Ativação, e isso lhe da à capacidade para curar tornando-lhe uma espécie de médica. Obviamente seria bom você treinar em primeiro lugar algo de longo alcance...

– Eu quero aprender a lutar. – interrompeu-a, surpreendendo o Don por suas palavras. – Meu irmão, como você disse Tsuna-kun, possui chamas do Sol também e ele luta, então eu...

– Seu irmão é--

– Eu vou lutar, Tsuna. – anunciou-a, determinada, e quase passou despercebido pelo castanho o amarelo brilhante que piscara nos olhos grandes da garota, quase. – Usarei armas, como o Kyoya-kun, lutarei com tonfas, como ele. Já me decidi!

– Apenas tome cuidado. – murmurou Tsunayoshi, suavizando o olhar para a moça ruiva que um dia tanto amara. – Kyoya não é alguém que pegará leve caso concorde com isso, então, por favor, tome cuidado Kyoko-chan.

– Pode deixar Tsuna-kun! – sorriu-a, tendo a ação devolvida pelo castanho.

– E, Chrome... – chamou-a. – Você virá comigo para a Itália. – afirmou, recebendo apenas um aceno tímido em resposta. Em poucos segundos as conversas se restabeleceram, desta vez, com argumentos cada vez mais inferiores e inúteis entre as brigas que aconteciam.

Assim o sorriso nos lábios do Sawada tornara-se menor, chegando a ser apenas um leve curvar de lábios enquanto este erguia o olhar para o céu que aos poucos obscurecia-se elo fim da tarde. Logo teria de voltar para casa e despejar mais verdades, estas que cairiam sobre sua doce mãe. O que ela faria? Era o que questionava-se. Como reagiria?

Será que estava fazendo o certo em seguir aquela carta?

(...)

Domingo, 26 de julho de 2024, 00:02 AM

Localização: Roma, Itália – Mansão Vongola.

Nota: Arrependimento de nada adianta. As coisas que você perdeu, nunca voltarão.

Jogou-se sobre a cama, demasiadamente cansado. Podia sentir cada músculo bem treinado de seu corpo lhe enviar sinais de desgaste, mesmo que isso não se devesse a alguma atividade física, ou mesmo ao excesso de trabalho. Tsunayoshi estava tão imensamente centrado e com suas defesas psicológicas em estado de alerta, que mal podia conter o próprio corpo de retesar os músculos e acabar os fatigando devido à pressão sobre os mesmos.

Tomou uma respiração profunda enquanto retirava os sapatos e as meias. Ergueu-se da cama, afrouxando a gravata no processo. Seguiu em direção ao banheiro despindo-se da gravata negra, do paletó e da camisa social alaranjada. Já no interior do cômodo, nada pequeno por sinal, desfez-se de suas ultimas peças de roupa antes de adentrar no box e ligar o chuveiro no mais quente possível.

O choque térmico foi imediato. A água quente chocou-se contra seu couro cabeludo e escorreu por seu cabelo e corpo dando-lhe um prazer desumano quando cada músculo relaxava e se adaptava ao calor exorbitante. Fechou os olhos, apreciando o pequeno mundo de paz que se formava naquele momento; sem Reborn para colocá-lo contra a parede, exigindo respostas que travavam-lhe a garganta, sem Hayato o mimando, sem reuniões chatas ou Famiglias tentando matá-lo. Apenas a paz, pura e sublime, coisa que só poderia desfrutar em longos banhos quentes, porque mesmo em seus sonhos alguém vinha lhe atormentar.

Naquele momento não havia nada de errado com sua vida. Ele não era um mafioso, ele não tinha um passado do qual arrependia-se amargamente, ele não era um homem cujas ações loucamente precisas poderiam – um dia – empurrá-lo para a porcaria de um tumulo. Era só Tsunayoshi Sawada, um homem, com uma vida, com ambições, com arrependimentos e com um único amor que jamais poderia ter em seus braços.

Suspirou, abaixando a cabeça e abrindo os olhos para fixá-los — estes que já abandonaram o ouro para tornarem-se um chocolate obscurecido – em suas mãos, tremulas. Estava com medo, não negava, estava morrendo de medo de Reborn, tinha medo do que o ex-tutor seria capaz de fazer para mostrar a todos os Guardiões a pequena gama de fraquezas que afogavam o castanho todos os malditos dias de sua vida. Mas não era apenas isso que devorava, ainda mais, a pouca sanidade que sobrava a Tsunayoshi. Ele tinha medo da reação de seus amigos. Tinha medo dos mesmos descobrirem quando aquele pequeno vício havia tido inicio. Tinha medo de eles verem as razões por trás das maculas. Tinha medo de eles descobrirem as verdades por trás das tantas mentiras que o Sawada contou para que pudessem ter a perfeita vida que tinham nos dias atuais. E antes que pudesse conter as lágrimas já rolavam por sua face, queimando a pele muito mais do que a água fervente que vinha do chuveiro acima de si.

Os minutos correram livres. A água quente já deixava de ser tão quente, sequer era morna sob a pele, parecia simples, fria, natural. Quando seus pés já doíam tanto quanto seu peito latejava, quando não já podia mais suportar ficar de pé devido à exaustão física e mental. O castanho desligou o chuveiro, puxou a toalha – envolvendo-a na cintura – e abandonou o banheiro, sem sequer dar-se ao vago luxo de ver o próprio reflexo no espelho sob a pia marmórea, não precisava, ele sabia o que veria, sabia da catástrofe que o fitaria de volta com olhos vermelhos fundos e escuros.

Jogando-se novamente sobre a cama, o Don fitou o dossel que se erguia em tons scarlets com detalhes em dourado ouro. Talvez, doze anos atrás, jamais cogitasse viver em tanto luxo e em meio ao submundo da máfia Italiana; na verdade, doze anos atrás Tsunayoshi sequer possuía alguma esperança para o futuro, sua vida — tal como seus passos e planos para o futuro — era nada mais que uma folha branca com rabiscos e mais rabiscos, sem possibilidades ou expectativas. Nada. Ele era patético e inútil. Fraco. Apenas um pedaço de carne que ocupava espaço no mundo. E nesses momentos, quando sentia-se inútil e facilmente substituível, era que sua mãe lhe aparecia, como um anjo em toda sua graça e bondade; ela lhe fazia sorrir novamente, ela lhe dava a motivação para acordar no dia seguinte e ir para a escola apesar de todo bullying e todas as decepções. E apenas por lembrar-se da figura bondosa de sua mãe, seus olhos afogavam-se em dores e o peito tornara a latejar.

Queria Nana ali consigo. Para lhe ajudar, lhe acalentar as dores, lhe guiar quando fosse preciso. Desejava sua progenitora ao seu lado naquele momento de precisão, mesmo que fosse apenas para abraçá-lo e dizer que o amava que sempre estaria ao lado dele não importa o que; como havia feito até alguns bons anos atrás. Mas o Don Vongola sabia que não seria mais assim. Sua linda, doce e angelical mãe; não estaria mais ao seu lado para lhe ajudar e apoiar; ela nunca mais lhe abraçaria e sorriria para si, para seu pai, para qualquer um de seus amigos, ou mesmo para Reborn. E isso tudo era por culpa sua. Por que fora tolo e ingênuo. Por que ele acreditou que ela compreenderia a si depois de todos esses anos mantida sob proteção, que ainda ficaria ao seu lado não importando o que, mesmo que ele já fosse um homem formado que abraçara a máfia da mesma forma com que abraçava o afeto disponibilizado pela mulher que um dia fora a matriarca Sawada.

– Mamãe... – sussurrou, num rouco e fraco japonês. Sentia tanta saudade da mulher de cabelos castanhos que não conseguia por em palavras, mas sabia que isso era o preço de suas escolhas. Era o preço da verdade.

Engolindo o choro, Tsunayoshi escorreu a mão pela seda da colcha da cama antes de agarrar o celular próximo a montanha de travesseiros que se erguia mais ao lado. Puxou o aparelho para frente de si e digitou o numero que tanto conhecia antes de lavar o telefone ao ouvido. Ouviu o chamado por alguns bons longos minutos antes de a voz da secretaria eletrônica soar.

– Mamãe... – começou, em japonês. – Eu... Eu só liguei para dizer que... Sinto sua falta. – o timbre veio rouco e amargurado. O arrependimento lhe destroçava por dentro, mas eram as conseqüências, nunca prometera enfrentá-las, apenas suportá-las; mas isso não o impedia de tentar algum contato para com a mulher. – Eu... E-Eu sinto muito, Mãe. – e ao fim desligou e aparelho, largando-se em qualquer lugar sobre o leito macio.

Silenciou-se por alguns minutos. Apenas nesses momentos, em que a solidão era a única companhia, é que o Don permitia-se quebrar, por que ninguém compreenderia sua dor e seus desejos mais obscuros. E ele desejava tantas coisas que certamente não poder-se-iam ser dadas a si, ou mesmo atendidas por qualquer um de seus guardiões. Ele desejava desaparecer, mas sabia que, tanto não teria tal desejo atendido, como também não poderia simplesmente partir e deixar seus preciosos amigos a deriva naquele mundo devasso. Precisava suportar, tinha de suportar. Por si. Por todos. Tinha de ser forte tanto pela Vongola, quando para si mesmo. Iria se erguer com aquele peso – e tantos outros – sobre seus ombros; fizera isso todo dia, fazia isso todas as semanas, todos os meses, todos os anos desde que a mãe o renegara. E amanha não podia ser diferente. Ele precisava apenas de controle. Precisava apenas afogar seus demônios e lembrá-los de que ele, e apenas ele, tinha o controle.

Erguendo-se de sua cama o moreno seguiu para o guarda-roupa. Vestiu simples calças de algodão branco e pegou um moletom azul-escuro, mas não o vestiu, optando por – primeiramente – trocar as ataduras em seus pulsos, estas que estavam encharcadas devido a seu breve esquecimento de tirá-las durante o banho. Ao fundo do guarda-roupa, abaixo de um par de tabuas soltas, um compartimento secreto escondia uma pequena caixa musical, onde suas amigas tão antigas residiam, apenas esperando para serem usadas. Tomando a pequena caixinha de musica – isso não sem antes verificar se a porta estava devidamente trancada, se as janelas não estavam fechadas e as cortinas ocultavam qualquer movimentação no interior do cômodo – o Don voltou para a cama, ainda com a toalha sobre os ombros, levando o moletom e a caixa pequena.

Desenrolou as ataduras molhadas dos ante-braços, logo tendo a visão familiar de todas as cicatrizes que se espalhavam sem dó pela área de ambos os braços. Era tão pacificamente nostálgico apreciar as marcas de seu passado. Tomando uma respiração profunda o homem abriu a caixa, não tardando em ser recebido pelas brilhantes lâminas que com o tempo vinham a ser substituídas por outras mais e mais afiadas – apesar de que isso era tudo o que o castanho substituía já que o mesmo não tinha coragem para abandonar aquela caixa musical que presenciara desde o primeiro corte até os seus sofrimentos mais absurdos.

– Já faz algum tempo não é mesmo? – sussurrou-o, sentindo os dedos coçarem para que tomasse uma das queridas amigas e assim calasse os demônios que o atormentavam naquela madrugada. A lâmina da navalha brilhou a luz do aposento, aquela fora a escolhida para o julgamento daquela noite. Fitou-a, mordendo o lábio. Um corte não seria o suficiente. Nem mesmo muitos, leves, bastariam. Precisava de algo fundo, que o acalmasse. E então uma idéia lhe veio à mente.

Puxou a tolha dos ombros, dobrando-a cuidadosamente sobre a cama e depositando seu ante-braço sobre a mesma. Iria o mais profundo que pudesse, sangraria o quanto achasse necessário, e aproveitaria que Reborn fora mandado para uma missão de duas semanas para poder recuperar-se do ferimento auto-infligido. Isso. Seria perfeito. Enganar seus Guardiões e Dino seria a coisa mais fácil de fazer, seu único problema seria Uni, caso ela desejasse fazer uma visita repentina a mansão, ou então a Varia.

Respirou fundo, deixando as preocupações de lado, por agora. Só precisava sanar a dor, apenas isso. E com tal coisa em mente, afundou a lâmina na carne, puxando-a para cima num corte fundo e grotesco que alcançara o músculo, mas não o danificara o suficiente para incomodar em seus afazeres rotineiros. Limpou a lâmina na toalha e tornou a guardá-la dentro da caixa, cuja fora fechada com simplicidade; e assim retornou o olhar para o corte gritante que jorrava sangue com uma facilidade semi-igual; que espumava amarguras e de onde fluíam das dores e arrependimentos. Pouco a pouco sentia-se melhor, da mesma forma como podia ver pontos negros dançar em sua visão, mas aquilo não importava quando se estava acostumado a vê-los. Tomou uma respiração profunda, procurando manter-se longe da sonolência, ao menos por agora.

Enxugou o sangue que se empoçara sobre o membro, usando a toalha. Logo em seguida tornara a abrir a caixa de musica e pegar o rolo de ataduras que mantinha guardado ali; e cantarolando baixinho, envolveu o ferimento com a firmeza sublime de quem já possuía profissionalização naquilo. Ao fim, quando não era mais possível ver uma mancha sequer de vermelho ou rosa, prendeu a ponta final entre uma das voltas, concretizando o “tratamento”. Tomou a caixa novamente, erguendo-se – meio cambaleante – e levando-a de volta a seu lugar de origem. Retornando a cama, o castanho pegou o moletom e o vestiu, este que, caso alguém resolvesse lhe acordar antes das nove, serviria perfeitamente para esconder o recente curativo. Já a toalha ensangüentada, teria outro fim, fim tal que seria dado pelas chamas do céu que a consumiriam até nem mesmo o pó sobrar.

Após tudo, quando deitou-se sobre a cama com as luzes já apagadas, tendo em mente apenas adormecer para acordar mais tarde e retornar a seus afazeres como chefe, o moreno permitiu-se dar um pequeno sorriso triste. Mesmo depois de tudo o que fizera. Do choro. Do corte. Do sangue. Ainda tinha medo. Por que o período de alguns dias que Reborn o seguira nas sombras, o vigiando, esperando o momento para obter uma prova de seu pecado; Tsunayoshi ficara pressionado o suficiente para cessar com sua pequena dose suicida diária, isso o afogou numa abstinência que, nem mesmo um corte tão profundo como o que fizera minutos atrás, podia sanar. Agora, parando para refletir, o Sawada não sabia como o controlar o medo infindável que retornava com novos planos para si. Por que Reborn retornaria da missão e continuaria o seguindo, o vigiando, e isso enlouqueceria o Don mais do que o sofrimento interno que já o torturava.

Tsunayoshi queria que seus Guardiões descobrissem sobre aquele pequeno e doce vicio, mas ao mesmo tempo não queria. Apenas por Reborn ter descoberto isso, já o estava assombrando, se Hayato ou qualquer outro tomasse consciência daquilo... Deus, não queria imaginar. E gemendo, amargurado, o moreno deu as costas e buscou sua almejada terra dos sonhos, esperando que o sonho que lhe abraçasse fosse muito mais agradável do que a realidade na qual encontrava-se.

Para seu azar, naquela noite, o pesadelo que lhe assombrara fora a respeito do dia em que sua mãe lhe renegara.

(...)

Quinta-feira, 24 de julho de 2014, 08:52 PM

Localização: Namimori, Japão – Residência dos Sawada.

Nota: Vai doer, mas às vezes é preciso fazer a coisa certa.

Baixou a cabeça sentindo um calor familiar borbulhar em seu interior. Estava feito. E a mulher a sua frente, tremula, sentada sobre o sofá tinha os olhos arregalados em choque. Não conseguia acreditar, não queria acreditar. Seu doce anjo, seu pequeno Tsunayoshi estava envolvido com a máfia e isso, essa maldição, era por culpa de seu marido, culpa do homem que amava com todo o coração; era culpa sua por amar Iemitsu.

Os lábios entreabertos ansiavam por soltar palavras, mas estas embolaram-se com diversas outras questões e, as mesmas, pareciam responder a tantas perguntas que Nana guardou fervorosamente em seu intimo, limitando-se a fechar os olhos e ficar em silencio no fim.

– Eu sei... Eu compreendo se você quiser... – e engolindo as lágrimas que desejavam dar por sua presença, o castanho proferiu aquilo que, se fosse aceito pela mulher, se ela quisesse assim o fazer como ele disse, seria a ruína para seu frágil coração juvenil. – Se você me odiar agora... Se quiser ir embora mãe, eu vou entender... – o sorriso amargurado, pequeno, em seus lábios fora apenas um pedido mudo para que ficasse. Deus, Tsunayoshi não sabia se deveria arrepender-se de ter contado, ou se estava certo em manter sua querida mãe no escuro e ignorar o que a maldita carta que aparecera subitamente sobre sua mesa de estudos essa manhã.

E o silencio fez-se presente enquanto, de seu lugar sob o sofá oposto ao qual sua progenitora se encontrava, o rapaz esperava – nervoso — por uma resposta, uma palavra, ou apenas algo que indicasse que a mulher estava a pensar, e que ela ficaria ao seu lado sempre e sempre. Apenas algo que o fizesse sentir o amor terno de sua querida mãe, mas não. Não havia nada. A senhora de cabelos castanho manteve a cabeça baixa e seus grandes olhos castanhos – agora abertos — fixos na mesa de centro onde seu chá esfriava.

Os lábios tremeram e pela garganta o nó desceu rasgando sua traquéia. A intuição nunca ficou tão quieta quanto naquele momento e, deus, como ele desejava estar com a maldita dor de cabeça que a intuição lhe dava, mas, pelo menos, esta lhe dava respostas. Ficar naquela angustia era atormentador, o medo o corroia e Tsunayoshi já estava cansado de esperar, mesmo que houvesse passado apenas alguns minutos. Respirando fundo e ignorando a forte vontade de abraçar a mulher e chorar, o adolescente seguiu para as escadas. Seus passos eram tão leves que sequer fazia algum som contra a madeira do chão.

– Foi o melhor a ser feito. – convenceu-se, ao menos tentou, enquanto sua mão apertava fortemente o trinco da porta de seu quarto. – Foi o melhor... Era preciso... – girou a maçaneta e adentrou no cômodo. Seu olhar passou pela estante onde seus livros estudantis se empilhavam; ao lado da mesma um rack baixo cor creme onde se encontravam a televisão com seu vídeo-game e seus games; do outro lado uma janela aberta sob a cama,e poucos passos mais a frente, passando por uma pequena mesinha de estudos, outra janela de cortinas fechadas onde mais uma mesa para estudos se encontrava, sobre esta um abajur alaranjado e uniformemente empilhados contra a parede alguns mangás. Rapidamente seu olhar decaiu para as gavetas daquela mesa em particular, mas, balançando a cabeça em uma negação avassaladora, o castanho limitou-se a render-se ao cansaço físico e psicológico daquele dia.

Suspirou, fechando a porta atrás de si – e trancando-a — e seguindo para a cama, obviamente abandonando sua camisa de mangas longas no processo jogando-as no espelho do guarda-roupa, repudiando o próprio reflexo que cruzou o mesmo quando passara frente ao móvel antes de chegar à cama. Tomou uma respiração profunda contra os lençóis recém lavados enquanto deixava-se ser levado para a imensidão profunda de sua mente.

Sozinho, era como se sentia. A aventura que teve pela manhã com os amigos fora, de fato, um momento de felicidade para si; mas Tsunayoshi sabia, sempre soube, que era algo temporário. Era apenas uma bolha de divertimento porque, quando voltasse para casa, ele teria de por as cartas na mesa, teria de contar a sua alegre mama uma parte da pequena impiedade que estava sendo submetido a, mas – obviamente – deixando de lado o fato de que tudo aquilo estava sendo forçado a si, não era por escolha própria que seguia aquele caminho estreito, escuro e – apesar de todos os amigos e aliados – solitário.

Virou-se sobre o leito, arrancando o travesseiro de seu pacifico lugar e depositando-o contra a face. O grito dado por si sequer chegou a transmitir algum som através das camadas de penas brancas no interior da peça macia. E quando cessara, quando achara que descarregara o suficiente, o jovem Sawada retirou o travesseiro macio de seu rosto deixando a mostra à face lívida cujos olhos banhavam-se em tormentos grandes demais para aquela alma tão jovial. E então veio o silencio enquanto, de olhos fechados, o castanho rezava para que a inconsciência lhe agarrasse a afogasse, da mesma forma com que faziam com Mukuro nos tanques gélidos da terrível prisão de Vindicare. Mas, ao ver de Tsunayoshi, a aquele ponto, ele teria o imenso prazer de ser engolido por aquelas águas gélidas e pelo terror das sombras daquela prisão, isto é se isso o salvasse de todos e, principalmente, de si mesmo.

Calmamente ele se imaginava naquele lugar, da mesma forma como quando tivera vislumbres de Mukuro preso – isso durante a batalha pelos amaldiçoados anéis Vongola -, e o castanho quase tremeu de puro êxtase ao conceber um pensamento de si próprio confinado num daqueles tanques frios no escuro; uma camisa de força lhe impossibilitando a mobilidade, juntamente com alguns pares de correntes; uma mascara de oxigênio e alguns tubos para nutrientes sendo as únicas coisas que o mantinham com vida enquanto sua consciência vagava por um mar de sombras, sonhos e pesadelos; podendo mudá-los ou não, podendo ser o que quiser, quem quiser, viver a vida que sempre quis ao lado de alguém perfeito para si.

Mas, ao ver de Tsunayoshi, a realidade podia ser mais dura e cruel do que os confinamentos isolados dispostos pela policia do submundo. E suspirando, virou-se sobre os lençóis novamente sentindo o pulso esquerdo latejar quando depositou o peso do corpo sobre o mesmo, mas sequer ligou para o fato de que – talvez – houvesse aberto um ferimento recente. Escorregou sua outra mão pela cama buscando o celular novo que comparara um dia após ter destruído seu antigo aparelho devido à maldita ligação de seu tutor. Antes que sua mão alcançasse o objeto o mesmo vibra, anunciando o recebimento de alguma mensagem.

Gemendo ao reconhecer o remetente, o castanho limitou-se a desligar o aparelho, antes que resolvesse jogá-lo contra a parede, novamente, num ato de total falta de sanidade. Tornou a erguer-se, caminhando em direção a mesinha de estudos abaixo da janela, isso enquanto retirava o cordão onde a pequena chave secreta residia. Destrancou a gaveta e passou o olhar entre os frascos tão conhecidos por si, e apenas deus sabia como Tsunayoshi obtivera aqueles medicamentos de tarja-preta. Sorriu quando avistou seu segundo vicio predileto, Rivotril. Pegou o pequeno frasco em mãos e retirou do mesmo um par de comprimidos pequenos, redondos e azulados; levou-os a boca e os engoliu a seco ignorando o gosto estranho que apossara-se de seu paladar. Devolveu o frasco a seu devido lugar antes de fechar a gaveta e depositar a o cordão com a chave em volta de seu pescoço mais uma vez.

Tomou uma respiração profunda virando-se e seguindo para a cama novamente, mas, desta vez, parando frente ao espelho grande que havia na porta de seu guarda-roupa. Fitou a si próprio refletido ali, a imagem imperfeita de alguém que lutava silenciosamente para sobreviver.

Os pés descalços tocavam o chão com uma firmeza que antes não possuíam; a calça amarrotada encobria os pequenos machucados que o castanho fizera em suas coxas, e a mesma peça encontrava-se frouxa e caída, revelando a parte superior da peça intima que o adolescente usava; o tronco fino, com músculos trabalhados, era adornado por algumas cicatrizes claras que só poderiam ser vistas diante de olhos bem treinados e capacitados, apesar de que ainda haviam outras que era cobertas por ataduras meio rosadas já; os braços finos pendiam nas laterais do corpo bem-estruturado, eram fortes e com músculos saudáveis, apesar de que era notável grandes levas de ataduras envolvendo os pulsos e ante-braços, as mesmas que haviam sido trocadas recentemente; por fim deparou-se com seus olhos o encarando de volta, o castanho que um dia fora tão expressivo parecia ter morrido naquelas sombras que engoliram sua mente e alma, e os sacrifícios, as mentiras... E com um novo suspiro, Tsunayoshi voltou-se para a cama, cambaleando os poucos passos em direção a mesma e afundando-se abaixo dos cobertores – isso não sem antes fechar as janelas obscurecendo o quarto quase totalmente.

No fim, no fundo de si, ele só queria não ter que ficar sozinho; ao menos, não naquele momento.

(...)

Domingo, 26 de julho de 2024, 02:59 PM

Localização: Suíça.

Nota: As melhores pessoas sempre carregam uma cicatriz.

Fitou o tonel grande, cujo deveria possuir uma proteção vítrea arredondada, esta que agora encontrava-se aos estilhaços enquanto no interior do recipiente alguns tubos e correntes jaziam pendurados junto a mascara de oxigênio. Quem quer que estivesse ali dentro havia sido tirado de lá a com pressa.

Aproximando-se, o Don avistou alguns fios negros, longos, emaranhando-se contra a ponta de uma das correntes penduradas. Esticou uma das mãos, tomando à pequena mexa escura entre os dedos e reconhecendo facilmente aqueles fios. Kyoya – seu guardião da Nuvem – também os reconheceria com uma facilidade surreal.

– Foi imprevisível. – o sussurro sobrenatural ecoou atrás de si. – Foi insensato e perigoso o que eles fizeram, eu deveria tê-los matado cinco anos atrás. – dito isso puxou a aba da cartola por sobre os olhos. – Você foi um tolo por tê-los poupado... Décimo.

– Não foi imprevisível. – contra-argumentou o castanho, um sorriso triste marcando seus lábios. – Sabíamos que eles fariam isso uma hora ou outra, e agora que o fizeram, agora que a retiraram daqui e fugiram, as coisas começaram a ficar perigosas na máfia. – e o pequeno sorriso sumira, dando lugar a uma face lívida, apesar de que, ainda era possível notar o brilho de tristeza nos olhos dourados. – Tem razão, fui um tolo, mas não repetirei o mesmo erro... Não com a possibilidade de perder pessoas importantes para mim.

Assim a figura coberta de sombras, atrás de Tsunayoshi, sorriu. E apesar do castanho encontrar-se de costas para o mesmo este podia sentir a tenebrosidade daquele sorriso cujo qual desejava sangue e vingança por tirarem a honra de sua amada prisão.

– Por mais que me doa fazer isso... – murmurou o Don Vongola já arrependendo-se das palavras que sequer havia pronunciado. – Eles devem morrer... Pelo bem de todos... – e apertando os fios negros entre os dedos, o jovem Vongola jurou que extirparia a vida do autor daquilo com as próprias mãos, mesmo que isso lhe fosse arrancar o coração de uma vez por todas.

(...)

Sábado, 26 de julho de 2014, 01:51 PM

Localização: Roma, Itália – Mansão Vongola.

Nota: Existem sorrisos que arrepiam até a alma.

– Você ouviu o que o chefe disse? – questionou uma empregada, aproximando-se em passos rápidos de um grupo de outras mulheres que estavam a arrumar o grande salão.

– O que? – indagou, uma mais nova, talvez, recém-admitida.

– O jovem Herdeiro vai vir passar as férias aqui! – afirmou uma outra, mais velha que as demais.

– Isso é tão maravilhoso! – e o pequeno grito fino e emotivo ecoou pelo salão. – Ouvi boatos de que ele é tão quente e forte...

– Não é só isso, ouvi que ele parece com o fundador, assim como seus guardiões são idênticos a primeira geração da Famiglia. – informou a mais velha presente. – E tem mais...

As conversas se seguiram com mais e mais especulações a respeito da aparência, caráter e personalidade do futuro herdeiro. Alheias aos arredores, enquanto trabalhavam e conversavam ao mesmo tempo, as empregadas mal notaram uma figura peculiar parada a soleira da porta.

De cabelos loiros curtos com o destaque de uma coroa de prata. Vestido com um moletom negro e uma camiseta vermelha; as mesmas que faziam par com a calça escura cheia de vergões e correntes. Por fim um par de coturnos completava o visual cotidiano do Prince The Ripper da Varia.

E pelos lábios finos do príncipe, um sorriso se formou, tão traiçoeiro e cruel quanto as diversas atrocidades que marcavam o currículo do prodígio juvenil.

– Interessante... Shishi... – e com este simples pronunciar o loiro abandonou o aposento com a certeza única de que, aquela temporada na mansão seria deveras interessante.

(...)

Domingo, 27 de julho de 2014, 04:58 PM

Localização: Namimori, Japão – Residência dos Hibari.

Nota: A gente não faz idéia de como mudou até que a mudança já tenha acontecido.

As batidas ecoaram suaves pelo cômodo, irritando completamente o temido Guardião da Nuvem. Quem seria o herbívoro estúpido o bastante para lhe incomodar em sua própria residência?

Erguendo-se com uma irritação palpável, Kyoya seguiu para a entrada da casa, abrindo a porta com uma força e um ódio completamente comuns a si. E o que deparou-se fora um frio par de olhos castanho a lhe observar em retorno. Em silencio ouviu Tsunayoshi pedir para adentrar na residência e, mesmo que consternado com tal pedido, o concebera.

– O que quer aqui onívoro? – fora ríspido e desejava uma resposta direta para sua pergunta, afinal, o que mais odiava, além de aglomeração, era que lhe enrolassem.

Suspirando, o Sawada quase sorriu para a aspereza de seu distante guardião.

– É algo simples, na verdade. – disse-o recebendo um olhar questionador que brilhava num metálico completamente ameaçador. – Não sei quando acontecerá, mas... Kyoko virá atrás de você para lhe pedir que a ensine a lutar.

– Não tenho interesse nisso. – resmungou. – Se isso é tudo...

– Kyoya, eu, realmente, apreciarei se negar e mantiver nossa conversa em sigilo...

– Na tenho interesse em nada relacionado a você, Sawada Tsunayoshi. – disse-o, por fim, apesar de que, lendo pelas entrelinhas o castanho podia identificar um “não se preocupe com isso”.

– Obrigado, Kyoya. – sorriu o jovem Vongola, antes de virar-se e sair da residência.

E quando o Sawada já não mais se encontrava presente o Hibari permitiu-se cerrar o olhar no local onde o ex-dame se encontrava. A curiosidade escapava por cada célula de seu corpo. Por que o rapaz lhe pediria para não treinar a garota que, obviamente, necessitava em demasia de um treinamento pesado? Suave e cruelmente os lábios finos se repuxaram num sorriso aterrador.

– Interessante...

Notas finais
Enfim, por favor, não esqueçam de comentar. Bye bye.