Ciclo
1 capítulo único
Notas iniciais
Durante minha vida, sempre sonhei em simplesmente viver cada dia, sem pretensões e vontades, mas como as melhores histórias, ela começa de maneira inesperada.
Enquanto eu andava, minha mente era inundada por tudo que havia à minha volta, as cores, os sons, as centenas de pessoas caminhando sem destino certo, o que era hilário, todos iam a algum lugar, e nenhum ao mesmo tempo; elas seguiam o que se esperava que seguissem, sem confrontar sua existência, e sim, talvez, apenas talvez, eu estivesse passando por uma crise existencial naquele momento.
A vida continuava, o tempo nunca parava, mesmo quando eu fugia de mim mesmo e da escola, no primeiro horário, deveria ser matemática, mas o professor não havia vindo, então, ninguém ia perceber minha falta até o recreio, onde talvez alguém me procuraria para passar cola na prova que seria no último horário. E como sempre, eu me mantinha informado, a prova foi adiada depois que descobriram que alguém entrou na Sala dos Professores para roubar o gabarito, isso havia acontecido a apenas meia hora.
Quando entrei na Biblioteca da cidade, os olhos de Gus, se encontraram com os meus, ele era a única pessoa que eu podia definir como amigo naquele lugar, sempre tive problemas com interação humana, me sentei na mesma mesa e percebi que ele estava lendo.
— O que está lendo agora? — Perguntei, na verdade fiz isso apenas para quebrar o gelo, odiava o silêncio.
— O novo romance do Riordan.
— Espera, você conseguiu Blood of Olympus antes da pré-venda? — Eu estava impressionado, havia lançado a poucas horas e ele já estava na metade.
— Sim e não.
— Como assim? Vai começar a fazer mistério agora?!
— Tá bom, eu consegui ontem, minha mãe trabalha com uma mulher, a filha dela trabalha na Porão da Torre, ela ganha as remessas da Amazon, então consegui antes de todos. — Eu estava boquiaberto. A livraria a qual se referira era a única da cidade em que você conseguia um livro que não era de 2 ou 3 anos atrás.
— Usando hack de novo? Se der um spoiler eu te mato, escutou? — Disse tentando me manter firme, oquê não deu certo, ele era bem maior que eu.
— Achei que você gostaria de saber oque acontece com o Nico. — Ele pegou pesado dessa vez, bem na ferida.
— Okay, pode falar. — Enquanto ele explicava eu prestava atenção em sua expressão, sua barba estava crescendo, o cabelo escuro mantinha o contraste com pele branca e os olhos castanhos, admito que não consegui prestar muita atenção o que ele dizia, o tempo foi passando, e de novo implacável, saímos da biblioteca em direção a praça.
— Então, o que quer fazer agora? — Ele perguntou.
— Que tal um chocolate- quente?
— Eu quero um brownie.
Nós fizemos os pedidos e sentamos na mesa, apoiando minha cabeça em seu ombro.
— Você sabe por que sua mãe está fazendo isso, não é? — Ele demorou um pouco para responder.
— Sobre eu ir embora? Não acho que ela iria querer me agradar só pra me convencer a ir, você sabe, ela tem ficado bem emocional esses dias por causa do divórcio, é óbvio que vou com ela, mas perder você seria horrível…
— Não termine a frase, tá?! Você não vai me perder, irei te ver sempre que vir visitar seu pai, não será muito tempo, mas será o suficiente.
— Tem razão — Disse ele, passando a mão por meus cabelos, eu olhava atentamente o semáforo, onde um homem fazia malabarismo com diversos objetos, se alguém me pedisse para definir a vida, seria aquilo, algo sendo jogado para o alto, para a sorte de alguém conseguir pegar.
— Eu te amo, sabia? — Disse pressionando meus lábios aos dele, e imaginando um futuro sobre nós dois.
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