Notas iniciais
Ela precisava disso mais do que ninguem...
QUARTO DE VALÉRIA — 8º ANDAR

Quinta-feira, 9h00 — Dia seguinte à cirurgia

Katherine entrou no quarto de Valéria, sentindo uma mistura de emoções. A cirurgia havia sido um sucesso, e agora era hora de discutir as definições de pós-operatório, medicações e a previsão de alta. Valéria estava deitada na cama, com um semblante mais tranquilo, enquanto Vanessa e Celine a acompanhavam.

— Bom dia, Valéria, Katherine começou, sua voz firme e profissional. A cirurgia foi bem-sucedida. Agora, precisamos falar sobre o seu pós-operatório.

As três mulheres ouviram atentamente enquanto Katherine explicava os cuidados necessários, as medicações a serem tomadas e a previsão de alta.

— Você precisará de repouso e acompanhamento constante, ela finalizou. A equipe de Luana assumirá seu caso a partir de agora.

Vanessa, com lágrimas nos olhos, agradeceu:

— Katherine, não sei como agradecer por ter operado Valéria e, principalmente, por ter pago por tudo isso, mesmo depois de tudo o que aconteceu.

Katherine sorriu levemente, mas não se deixou levar pela emoção:

— Não precisa agradecer, Vanessa. Fiz o que era certo.

O ABRAÇO DE CELINE

9h15

Celine, que havia permanecido em silêncio, se aproximou de Katherine e a abraçou com força.

— Eu sei que ela não merecia, por tudo que ela fez, com você, comigo e com a nossa família, Celine disse, sua voz trêmula. Mas muito obrigada. Obrigada por não ter deixado ela morrer, por ter feito de tudo para salvar a vida dela. Mesmo depois de tudo, ela é minha mãe, e eu a amo. E mesmo que eu tenha que visitá-la na cadeia todos os dias, fico feliz pelo fato de ela estar viva. Muito obrigada mesmo, Kate, por não desistir da nossa mãe.

Katherine sentiu uma leve emoção, mas manteve a compostura. Ela apenas respondeu:

— Eu só fiz o meu trabalho.

Quando se virou para sair, a voz de Valéria a fez parar.

O PEDIDO DE PERDÃO

9h30

— Filha... Katherine, Valéria chamou, sua voz carregada de arrependimento. Eu sei que não mereço seu perdão, mas preciso pedir. Eu sei que o que fiz foi errado. Estava cega por motivações erradas. Me perdoa por ter tentado destruir o que você construiu com tanta luta. Me perdoa por não ter sido a mãe que você precisava. Me perdoa por ter ido embora, e me perdoa por ter tentado contra a sua vida... eu me arrependo tanto.

As lágrimas começaram a escorregar pelo rosto de Valéria, e Katherine sentiu seu coração apertar.

— Muitas pessoas no meu lugar te abandonariam, Katherine respondeu, sua voz firme. Mas eu não sou assim. Eu perdoo Valéria, não porque você merece, mas porque eu preciso de paz. E mesmo depois de tudo isso, eu admito que senti muito a sua falta e que tinha esperanças de que você ia voltar. Eu esperei, mas com o tempo percebi que você não voltaria, não pelos motivos certos. E eu sofri muito quando entendi que você não me amava.

Katherine respirou fundo, suas palavras pesadas no ar:

— Talvez você nunca mais ouça isso de mim de novo, mas eu te amo, mãe. E espero do fundo do meu coração que meu perdão seja o suficiente para você recomeçar e ser uma pessoa melhor. Você ainda pode consertar as coisas com ela. — Ela apontou para Celine.

Valéria estava em lágrimas, e ouvir um "eu te amo" da filha que tanto machucou doía mais do que os ferimentos e incisões da cirurgia.

A DECISÃO DE SE RETIRAR

9h45

Katherine, sentindo que havia dito o que precisava, informou:

— Não cuidarei mais do seu caso, Valéria. A equipe de Luana assumirá até a sua alta.

Ela se virou para sair, mas ao abrir a porta, deu de cara com Alessandro, que estava esperando do lado de fora.

O MOMENTO DE INTIMIDADE

10h00

Assim que viu Alessandro, Katherine não conseguiu conter as lágrimas. Elas desceram sem pudor, e ela se permitiu sentir a vulnerabilidade que havia guardado por tanto tempo.

Alessandro a puxou pela mão até o elevador, sua voz suave:

— Aqui não, amor. Espere até estarmos em um ambiente só seu.

Eles subiram em silêncio até o 15º andar. Quando entraram na sala dela, Alessandro se sentou no sofá e a puxou para o colo dele.

Katherine se acomodou, envolvendo os braços ao redor dele, e ali, em seu refúgio seguro, ela chorou. Alessandro a abraçou com força, sussurrando:

— Pode chorar, amor. Sei o quanto isso foi necessário, mas também sei o quanto te machucou. Você é forte, meu amor, e é por isso que eu te amo.

O ACALENTO

10h15

Katherine se permitiu chorar, liberando toda a dor e a confusão que havia acumulado. Nos braços de Alessandro, ela se sentia protegida, e a intensidade de suas emoções finalmente encontrou um espaço para ser expressa.

— Eu não sei por que estou tão emocionada, ela disse entre soluços. É tudo tão complicado.

Alessandro acariciou seus cabelos, seu toque suave e reconfortante:

— É normal sentir tudo isso, Kate. Você passou por muita coisa. E agora, com Valéria, é um turbilhão de sentimentos.

Katherine olhou para ele, seus olhos ainda cheios de lágrimas:

— Eu só queria que as coisas fossem diferentes. Que ela tivesse sido a mãe que eu precisava.

— Eu sei, amor. Alessandro respondeu, seu olhar cheio de compreensão. Mas você fez o que era certo. E isso é o que importa.

Katherine se afastou um pouco, olhando nos olhos dele:

— Obrigada por estar sempre ao meu lado.

Alessandro sorriu, seu coração aquecido pela sinceridade dela:

— Sempre, Kate. Sempre.

E ali, naquele momento de intimidade e ternura, eles se encontraram em um espaço onde o amor e a compreensão se entrelaçavam, prontos para enfrentar o que quer que o futuro reservasse.


Notas finais
O Coração de Kate estava em paz após ter perdoado a mãe