Cicatrizes da Alma

4 ‘’Um novo amigo e muitas descobertas... Inclusive


Notas iniciais
a dor''. [É o final do nome do capítulo XD]

A parte deles está terminando. Eu tenho um grande sentimento por drama, e admito que amei escrever essa fanfic. Espero que gostem, não joguem meteoros na minha cabeça, e por favor, leiam as notas finais.

Ah sim, também queria dizer que achei o Ruki, o Raphael e a mãe do Reita os heróis desse capítulo. Acho que vocês vão achar o mesmo.

Boa Leitura.

- Ir para a sua casa Akira? Ta maluco?

- Qual é o problema?

- A situação. Eu te conheço há dois dias.

- É, e já me contou coisas que parece que não disse para mais ninguém até hoje. Yutaka acredite, eu sei como é ser ignorado, mesmo não entendendo como você consegue passar por tantas coisas com seus pais.

- Pois é você não entende, mas quer me ajudar mesmo assim. Não que seja ruim, mas é estranho.

- Não é como se eu pudesse contar.

- O que?

Akira virou o rosto assim que o sensei entrou. Yutaka tratou de se recompor como conseguia e tentou prestar atenção na aula. Ainda teria muito pela frente para poder chegar ao intervalo e conversar decentemente com o garoto, então tentou ao máximo relaxar. Sabia que não adiantaria gritar ou espernear, ou coisa do tipo. Só havia uma forma de continuar conversando com Akira, por mais que fosse demorar.

Só que não era apenas Yutaka que estava tenso. Akira tinha diversos segredos, e por Deus, só conseguia prestar atenção em detalhes que mais ninguém prestaria: Cheiro, respiração, suor. Ele olhava de canto para o colega e só conseguia prestar atenção nessas coisas.

Foi então que, tomando o mínimo de coragem, Akira rasgou devagar um pedacinho da última folha de seu caderno e escreveu algo, ainda que não tirasse os olhos da lousa, por mais que sua mente não estivesse focada lá.

Quando terminou, puxou o papel devagar para baixo de sua mesa, e guiou sua mão para perto de Yutaka, cutucando-o levemente. O garoto quase levou um susto, mas baixou os olhos rapidamente para o que havia na mão de Akira e pegou devagar. Quando leu, quase deu um grito.

‘’Você acredita em amor a primeira vista?’’

Ta brincando né? Amor à primeira vista? Assim, somente por uma conversa no intervalo? Não que Yutaka não acreditasse nisso, mas não estava familiarizado com o amor, e bem, amar meninos era uma coisa diferente, não? Não que Yutaka tivesse preconceito, pois isso não tinha mesmo. Ele só achava diferente, e bem, isso não é pecado.

Todavia, não dava para ficar pensando nisso. Tinha que prestar atenção na aula e bem, agora entendia porque Akira queria tanto lhe ajudar. E aquilo fez Yutaka sorrir para o nada. Porque pela primeira vez na vida se sentiu amado. E aquilo era maravilhoso.

E claro que para sua sorte, o intervalo chegou. Os dois foram para o mesmo lugar que ficaram no dia anterior e bem, agora tinham muito que conversar.

- Ta, vamos por partes antes que eu endoide com tanta informação, certo?

Akira riu.

- Certo.

- Sim, eu acredito em amor a primeira vista, não eu não tenho nada contra dois meninos se gostarem, acho que agora entendo porque você quer me ajudar, mas não, eu não posso ir para a sua casa. Se não as coisas vão ser piores.

- Mas Yutaka eu-

- Não Akira, não dá. Acredite em mim, vai ser pior.

- Kami-sama que te proteja então.

Akira estava decepcionado, claro, mas entendia o amigo.

- Mas se a sua idéia permanecer em pé eu posso pedir para eles me deixarem ir no fim de semana. – Yutaka sorriu.

- Mesmo?

- Sim, eu tenho aula de bateria sábado, mas posso dizer que você toca baixo na escola perto da minha e que me convidou. Talvez eles ficassem felizes de me ver fora de casa.

- E eu vou ficar feliz de te ver lá em casa.

- Você não acha que seus pais vão reclamar?

- Não, eu falei com eles ontem.

- O que?

- Calma Yutaka – Akira riu – não é porque eu comentei que você precisa ir. E também eu já namorei outros meninos e eles não ligam. Apenas pedem pra manter em segredo.

- Você tem sorte, meus pais me matariam se eu namorasse um menino.

Akira ficou em silêncio por um tempo focando o nada. Diversas coisas passavam por sua cabeça naquele momento e ele quase esqueceu do amigo a seu lado.

- Oe, Akira, ta aí?

- Ah, perdão Yutaka, eu tava pensando em umas coisas.

- Pelo jeito eram muitas coisas, to te chamando faz cinco minutos.

Akira virou-se para o amigo e sorriu.

- Yutaka você acredita em promessas?

- Em promessas? De que tipo?

- Daquelas grandiosas que fazem algumas pessoas perderem o chão.

- Não sei ninguém nunca me prometeu algo assim.

- Então serei o primeiro e acredite em mim, eu vou cumprir.

- Aé? – O garoto sorriu – E o que vai me prometer?

- Promessa ou juramento, eu sei que apesar de querer um futuro musical, e saber que é um caminho complicado, eu juro que vou te tirar da sua casa e te dar uma vida melhor onde ninguém vai levantar a mão pra te bater novamente, e se alguém tentar eu vou te defender pra sempre.

Sim, aquilo era grandioso, mas o sorriso de Yutaka era tão puro que para Akira não importava o quanto fosse duro, ele ia tentar.

- Isso que é promessa.

- Não acredita?

- Não, de forma alguma. É claro que eu acredito. Mas, parece ser demais para mim.

- Ninguém é insignificante Yutaka. E apesar de eu querer ser músico e ser algo difícil, eu vou tentar, ainda mais agora que arrumei um motivo chamado Uke Yutaka.

- Obrigado por me fazer sentir especial Akira, isso é muito bom.

- Isso quer dizer que você aceita namorar comigo?

- Depois de ter feito uma promessa dessa eu tenho como recusar?

Akira sorriu e só não beijou Yutaka porque bem, eles eram dois garotos, e se nem um casal hetero podia se beijar, imagine dois garotos. No entanto, os dois estavam felizes, era como se tudo estivesse a favor deles e suas vidas estivessem para mudar, e claro aquilo era maravilhoso.

- Hei Akira, desde quando você gosta de garotos?

- Desde a sétima série. Namorei com dois, mas eles também começaram a me ignorar. Quer dizer, apenas um me ignorou, mas eu não dei muito certo com o segundo.

- Isso é ruim.

- Sim, muito. Quase me fez querer desistir.

- Você ta querendo dizer que-

- Que eu vi você e quero tentar mais uma vez.

Aquilo era maravilhoso. Yutaka estava se sentindo feliz e cada vez mais os problemas com sua família iam ficando menores. Finalmente ele parecia estar entendendo o que era o tal do amor.

- Isso me faz sentir muito especial. Obrigado mesmo.

- Já que eu sei que posso confiar em você, creio que deva te contar a minha história, não?

- Só se você se sentir bem para isso.

- Caso seus pais te deixem ir para casa sábado, eu te conto.

Yutaka assentiu, o sinal bateu e eles foram para a sala. A tarde passou mais agradável que nunca e assim que o sinal bateu, os dois foram para a entrada da escola. No entanto, Yutaka gelou ao ver seus pais o esperando.

- Akira, meus pais estão ali.

- Calma Yutaka, calma. Não demonstra nervoso, tenta ficar normal.

Os dois andaram em direção aos pais de Yutaka. Akira notou que os dois não eram nada amigáveis e se perguntou o que Yutaka sofria nas mãos deles. Aquilo fazia o sangue do garoto ferver, visto que não era provido de muita paciência, mas tinha que manter a calma. Os dois chegaram perto dos pais do garoto e Akira tentou agir naturalmente.

- Até amanhã Yutaka-chan.

- Até amanhã, Akira-san.

Quando Akira se distanciou Yutaka fitou os pais e engoliu seco.

- Em casa.

O garoto respirou fundo e se segurou para não chorar. Andou pelas ruas atordoado com seus pais o seguindo de perto. Estava com muito medo, e este só aumentou quando ele chegou à rua de sua casa. Ele sabia o que estava para acontecer e aquilo lhe causava desespero.

Adentrou sua casa e sentiu seu pai lhe segurando pelos cabelos.

- Moleque, ta vendo essa louça aí na pia? Ela ficou aí porque você não limpou!

- Eu sei pai, eu sei – ele tentava falar e chorar ao mesmo tempo – mas como agora eu estudo cedo, não posso esperar o senhor e a mãe tomarem café para eu poder sair, se não chego atrasado, mas, por favor, não me bate, eu juro que vou lavar tudo todos os dias, quando chegar.

Yutaka sentiu seu corpo ser jogado contra a pia e bateu um pouco forte a barriga, levando a mão à região logo em seguida.

- Você devia apanhar até não conseguir se levantar mais. Mas, tudo bem, hoje eu ainda estou de bom humor. Já que sua maldita escola mudou de horário a louça do café vai ficar num canto. Você lava quando chegar, já que agora virou vagabundo e só precisa lavar a louça mesmo.

Apesar de ainda estar com medo, Yutaka levou sua mochila para o quarto e voltou para a cozinha ainda com a mão na barriga tentando se acalmar e fazer sua dor passar. Lavou a louça e colocou a mesa para os pais. Esperou-os jantar e lavou as coisas. Sentia tanta dor que parecia que iria desmaiar. Ele sabia que estava doente, mas, não adiantava dizer nada. Apenas guardou tudo e foi se deitar.

Acordou duas vezes durante a noite com muita dor. Sentia algo como queimação, e às vezes algumas pontadas. Como conseqüência disso dormiu muito pouco e acordou no outro dia extremamente exausto. Tomou café e foi para a escola. Sua barriga não doía mais, mas ele estava preocupado, e era ruim saber que nada poderia fazer.

- Oe Yutaka. – Akira correu em sua direção.

- Oi Akira.

- Hei como você ta?

- Bem, eu acho. Meu pai não me bateu, mas me jogou com muita força em cima da pia, e eu acho que to doente porque eu bati a barriga e doeu muito. Eu acordei de noite com dor e to morrendo de sono, e desculpa, mas não consegui falar com eles.

- Não se preocupa pelo menos você está bem. Mas, tem que cuidar dessa sua barriga.

- Mas, como? Eles não se importam. E se eu for sozinho no hospital vão acabar ligando lá para casa. E eu vou apanhar.

Akira levou as mãos à cabeça meio que se entregando. Não teria como ajudar o namorado, mas algo precisava ser feito.

- Eu vou tentar fazer alguma coisa Yutaka, eu prometo.

Os dois foram para a sala, mas Akira não conseguia pensar na aula. Estava preocupado com Yutaka e só conseguiria se acalmar quando o mesmo estivesse melhor, apesar de toda a dificuldade.

No intervalo os dois também não conversaram muito, e apesar da insistência de Akira, Yutaka se recusou a ir ao médico. Era arriscar demais, apesar de ser algo necessário. Para Akira o nojo pelos pais do namorado só aumentava.

Mas, realmente nada adiantou. Na saída Yutaka também recusou e Akira foi embora meio chateado, e totalmente preocupado. Ele entendia o namorado, mas por Deus, Yutaka precisava de ajuda, e Akira queria ajudá-lo. Mas, parecia que era demais para suas mãos alcançarem.

Assim a semana passou e de alguma forma que nem Yutaka entendeu, seu pai o deixou ir para a casa do namorado na sexta à noite e só voltar na segunda. Aquilo era maravilhoso, e os dois passaram uma sexta agradável na escola. E seu intervalo foi mais agradável que o dos dias anteriores.

- É bom saber não preciso ir para casa hoje. Vai ser o melhor fim de semana da minha vida.

- Mas amanhã você tem aula né?

- Tenho, mas eu acho que você pode ir comigo. Você vai poder conhecer meu professor e ver como ele é bonzinho.

- Ah tomara mesmo, pelo menos não fico longe de você.

Yutaka riu e os dois continuaram conversando qualquer coisa enquanto não precisavam voltar para a sala. E claro que mesmo depois de terem voltado para a sala estavam alegres. Akira, que não se importava com a escola, até conseguiu prestar atenção em tudo.

Mas, claro que a melhor parte daquela sexta-feira foi a saída.

- Pronto Yutaka, agora posso te dar o melhor fim de semana do mundo.

- Com certeza vai ser meu melhor fim de semana.

Os dois sorriram e Akira guiou o amigo até sua casa. Não era tão perto da escola, mas ir andando não parecia ser um problema. Os dois demoraram cerca de quarenta minutos para chegar, mas Yutaka notou como a casa do amigo era aconchegante. A mãe de Akira estava terminando a janta e o pai do namorado estava assistindo televisão.

- Então ele é seu namorado Akira?

- Não pai – Akira riu – ele não é meu namorado, só meu amigo.

- Entendo. Muito prazer, Yutaka, fique a vontade.

- Eu agradeço senhor.

Yutaka sorriu e os dois foram para o quarto de Akira. Não era tão grande, mas seria aconchegante para os dois.

- Yutaka, desculpa mentir, mas tive medo que nossos pais se encontrassem e os meus falassem demais.

- Não se preocupa Akira, eu até agradeço por isso.

Akira trancou a porta e chegou perto de Yutaka, abraçando-o.

- Pelo menos aqui eu não preciso ter medo de te tocar.

- Ah, isso é ótimo. – Disse Yutaka fazendo o mesmo.

- Yutaka, depois que a gente jantar, se você agüentar eu posso te contar a minha vida, apesar de não ser muita coisa.

- Não importa se é muita coisa ou não, eu adoraria ouvir.

Akira sorriu e deu um beijo na bochecha do namorado, que se retraiu um pouco.

- Yutaka, você nunca beijou, né?

O garoto fez que ‘’não’’ com a cabeça.

- Me deixa te mostrar como é?

- Mas, mas, mas, mas, Akira, isso é tão – Yutaka não conseguiu terminar a frase. Estava com vergonha e levou as duas mãos ao rosto, cobrindo-o, e fazendo o namorado rir -.

- Yutaka, você fica tão fofinho quando ta com vergonha.

Yutaka fez um bico e virou de costas, fazendo o namorado rir mais ainda.

- Também agora não deixo mais nada.

- Ah, mas que namorado mais bravo.

Akira chegou perto do namorado e o abraçou, lhe dando outro beijo na bochecha.

- Desculpa Yutaka, prometo que não faço mais.

- Ah então vai logo, me mostra aí como é beijar alguém.

Akira ia responder, mas sua mãe bateu na porta dizendo que a janta estava pronta. Os dois se preparavam para sair, mas Akira deu um puxão de leve no namorado e encostou os lábios nos dele, fazendo-o corar quase que de imediato.

- É basicamente isso.

Akira foi até a porta e a abriu, deixando o namorado estático.

- Vem Yutaka, a gente tem muito que fazer depois do jantar.

Ainda meio descrente Yutaka seguiu o namorado. Os dois jantaram animadamente e acompanhados dos pais de Akira. Aquilo era novo para Yutaka e ele estava realmente feliz. Até poderia chorar de tanta alegria que sentia, mas resolveu se conter, apesar de a cada momento que passava ele acreditava mais ainda que o namorado fosse sim cumprir o que prometeu e lhe tirar daquele inferno que era sua vida.

Quando terminaram, por fim, os dois arrumaram a cozinha e voltaram para o quarto de Akira. Sentaram-se na cama confortavelmente e um de frente para o outro.

- Pronto pra escutar?

- Sim, com certeza. ’’

Nesse momento, apesar das coisas estarem ainda tensas entre os cinco, Kai e Reita ainda estavam relativamente bem. Algumas coisas já eram quase incabíveis para Aoi e Uruha, como todo o tratamento que Kai recebia, mas bem, eles apenas escutavam.

- Essa parte eu vou deixar pro Reita falar.

O baixista respirou fundo e começou.

‘’ – Desde mais ou menos a sexta-série, meu pai começou com uma marcação enorme para cima de mim, dizendo que eu precisava estudar medicina. É como se ele quisesse mesmo impor isso para cima de mim. Quase não me deixou tocar baixo, mas com insistência, deixou. Só que desde o dia que ele chegou pra mim e me obrigou a estudar medicina que eu perdi o interesse pela escola.

- Mas Akira, e se ele descobrir? Pode ser pior.

- Mas Yutaka, eu não consigo mentir. Ele nunca me bateu, mas nós vivemos discutindo. Ele aceita que eu namore com homens, o que é um grande passo, mas ainda quer mandar no que eu quero fazer. E eu não vou seguir isso, quero ser músico.

- Eu sei, e te apóio, mas espero mesmo que até a faculdade vocês se entendam.

- Espero também. Mas bem, eu fiquei a sexta série fazendo poucas coisas, quase repeti, mas isso só não aconteceu porque eu conheci o Takanori, que, aliás, você vai conhecer amanhã depois da aula de bateria.

Yutaka, que se mostrava totalmente atento, assentiu.

- Ele me disse que eu devia tentar estudar, pelo menos até poder sair de casa. Porque aí eu podia fazer o que quisesse, mas sei lá, eu não consigo estudar, não é legal, e eu não vou fazer medicina.

- Mas Akira-

- Depois disso, eu até estudei um pouco e consegui ir para a sétima série, onde conheci meu primeiro namorado. O nome dele não vem a ser necessário, mas bem, ele até tentou me fazer estudar, mas eu não consegui. Ele era super metódico para essa coisa de estudo, e a gente terminou logo. Mas o nosso namoro vazou pela escola e desde aquele dia eu não falei mais com ninguém, só com o Takanori, que foi meu segundo namorado, mas que também não durou apesar de nós sermos amigos hoje.

Yutaka assentiu.

- Depois disso veio a oitava série, e Akira continuava calado. Acredite, eu saí daquela escola ano passado sem falar com ninguém, só com o Takanori. Depois disso eu te conheci e aqui estamos nós.

- Apesar de ser pouco, acreditem nada de muito importante aconteceu na minha infância.

Aoi e Uruha assentiram e Reita passou a vez novamente para o namorado.

‘’ Depois de ouvir a rápida, mas até explicativa vida de Akira, Yutaka lhe deu um abraço e os dois acabaram dormindo dessa forma, por mais que a cama fosse de solteiro.

Yutaka acordou na hora que acostumava acordar em casa e viu que estava sozinho na cama. Quando acordou de verdade escutou o barulho do chuveiro. Não demorou muito e Akira apareceu vestindo apenas suas calças e uma toalha no pescoço.

- Oe, bom-dia Yutaka.

- Bom-dia. – O garoto sorriu.

- Olha, se eu acordasse todo dia com esse sorriso pode ter certeza que eu sempre ia acordar feliz.

- Não me deixe constrangido.

Yutaka se cobriu inteiro e Akira riu. Descobriu o namorado e lhe deu um abraço.

- Vai tomar um banho pra gente tomar café. Até porque você precisa sair um pouco mais cedo já que eu moro mais longe da sua escola.

Yutaka assentiu e foi tomar um banho. Não se demorou e acabou tomando café apenas com Akira, visto que os pais do garoto ainda não tinham levantado. Os dois deixaram tudo na pia, apesar de Yutaka ter insistido para lavar, e claro, Akira não deixou e o tirou da cozinha na base da vassourada, apesar de ser de brincadeira, claro.

Os dois então saíram e Yutaka chegou em cima da hora para sua aula. Subiu as escadas para sua sala junto com Akira e adentrou a sala já com Raphael lá dentro.

- Achei que meu aluno tinha me abandonado.

- Não sensei, imagina.

- E vejo que trouxe um amigo dessa vez.

- Sim, sensei. Queria saber se ele pode ficar aqui.

- Pode, mas eu queria conversar algumas coisas com você.

- Ah se for sobre a minha família, tudo bem, o Akira sabe de tudo.

- Então tudo bem, bem-vindo, Akira.

Akira assentiu e sentou-se na cadeira enquanto o namorado foi para a bateria. Ele então notou como Yutaka realmente gostava daquilo, o que lhe fez mais decidido sobre querer formar uma banda. Ele notou também que Raphael parecia ser uma boa pessoa e queria ajudar seu namorado, o que foi reconfortante, claro.

Assim a duração da aula passou, Yutaka estava exausto, mas Raphael tinha um sorriso no rosto.

- É incrível como você evolui rápido. É mágico Yutaka, seus pais deveriam ter orgulho de você.

- Ah professor, só o senhor e o Akira tendo orgulho de mim já basta.

- E por falar nele, só eu acho que o Akira-san é mais que amigo?

Akira coçou a cabeça e Raphael riu, seguido de seu aluno.

- Não se preocupem vocês dois, eu não tenho nada contra. Muito pelo contrário, eu sou a favor. – Os três sorriram em simultâneo.

- Hei sensei, o que você queria comigo?

- Ah eu queria saber como andam as coisas lá na sua casa.

- Ah, mas pode deixar que eu respondo tudo. – Interrompeu Akira.

- Akira-

- Yutaka, eu sei que pra você é difícil contar algumas coisas, mas se o seu sensei disse que vai te ajudar é melhor você não esconder nada.

- Bem, bem – Cortou Raphael – já que você sabe bastante, Akira-san, pode falar.

- Primeiro de tudo me ajuda a convencer o Yutaka a ir pro hospital. Aquele maldito bruto do pai dele o jogou contra a pia e ele disse que ficou cheio de dor na barriga e não quer ir pro hospital.

- Akira, eu não posso ir.

- E por que não Yutaka? Você até me disse que vomita quando passa muito nervoso, agora que ele fez isso você devia ir.

- Hei essa parte você não me disse.

- Calma aí vocês dois, me deixa tentar falar tudo.

Os dois assentiram e Yutaka continuou.

- Eu, sensei, não posso ir porque eles podem pedir que meus pais compareçam e se eles descobrirem que eu to doente, eles vão me bater e vão me dar qualquer besteira pra fingir que cuidam de mim, e Akira, eu não te contei tudo porque ainda não tive tempo, mas sim, eu vomito quando choro muito ou fico nervoso demais com eles lá em casa.

- Mas Yutaka alguma coisa precisa ser feita, você não pode ficar doente.

- Mas Akira, eu não faço idéia do que fazer. Sei lá, estou perdido.

- Hei esperem aí vocês dois. Eu posso ir com o Yutaka no hospital alegando que sou responsável por ele, pois, ele passou mal na minha aula e os pais trabalham e não podem vir e eu prometo avisar depois.

- Mas sensei eu não tenho como pagar, e se for-

- Yutaka e quem ta falando em dinheiro aqui? Eu quero seu bem, e tem mais, se você quiser fugir de casa, vem morar comigo, pode ter certeza que eu vou te receber com o maior carinho.

- Sensei...

Yutaka estava quase chorando quando Akira e Raphael lhe abraçaram.

- Yutaka eu vou te apresentar o Taka-chan, mas vai ao hospital com o seu sensei enquanto isso eu vou buscar ele e encontro vocês no hospital.

Os dois concordaram e enquanto Raphael levava Yutaka para o hospital, Akira foi atrás de seu amigo. Para sorte de Akira o hospital ficava perto da escola de Yutaka e também ficava perto de onde ia encontrar Takanori. Ele chegou na hora marcada e seu amigo o esperava.

Matsumoto Takanori, ou Taka-chan, como Akira o chamava às vezes. Era baixo, tinha os cabelos escuros e meio desgrenhados, mas um fofo sorriso no rosto, apesar de ser só aparência.

- Yo Takanori.

- Yo Akira, vamos lá ver seu amigo?

- Vamos sim, mas ele ta no hospital.

- No hospital? – disse Takanori assim que começou a ser guiado por Akira para o local.

- Sim, ele tem uns problemas em casa que depois ele te conta e o professor de bateria o levou para lá. Ele está bem, hoje, mas está meio doente faz um tempo já.

Takanori, a princípio, não entendeu muito bem, mas não contestou Akira. Os dois foram para o hospital e lá encontraram Raphael e Yutaka esperando na entrada.

- Demoramos?

- Não, o Yutaka acabou de sair.

- E o que você tem Yutaka?

- Ah, o médico disse que é uma coisa chamada úlcera, mas que tem tratamento.

- E vai precisar chamar seus pais?

- Graças a Kami-sama, não.

Akira respirou aliviado e apresentou Takanori para os dois.

- Aqui, Yutaka, ele é o nosso vocalista. Matsumoto Takanori. Taka-chan, ele é o Yutaka, e o sensei de bateria dele, Raphael.

- Ah, então nós temos um encontro de músicos aqui em?

Os quatro riram e se apresentaram devidamente. Raphael levou todos de volta para a escola, e como não daria mais aulas no sábado, os quatro se sentaram pelo chão da sala para conversar.

Yutaka aproveitou e contou toda sua vida para os três, deixando assim todos cientes. Takanori mostrou-se pasmo com aquilo, visto que era crueldade demais para uma pessoa só, Akira quase chorou e Raphael estava incrédulo. Ele não podia acreditar em tanta maldade assim, era demais para ele. Akira também acabou contando sobre sua vida, deixando o professor ainda mais sem reação.

- Akira, isso é repressão demais, e Yutaka, você precisa sair de lá.

- Mas sensei e se eles colocarem a polícia atrás do senhor?

- Yutaka você pode provar que apanha?

- Eu não sei, mas tenho algumas marcas pelo corpo que talvez possam provar.

- Se você conseguir provar eles perdem a sua guarda.

- Mas sensei, se eu não conseguir provar, acredite, eles me matam.

Era quase como um beco sem saída. Takanori disse que Akira poderia ficar em sua casa se precisasse enfrentar seu pai, mas o problema era Yutaka. Sua vida era quase como uma sentença para ele, que tinha que fazer tudo em casa e como agradecimento apanhava. Era a maior injustiça que Raphael podia ver.

- Bem, eu não posso fazer muito, como vocês viram, mas Yutaka esconde os seus remédios e essa receita pra ninguém pegar, e bem, vocês podem vir aqui pra tocar ou até mesmo para conversarem numa boa.

- Isso é mais que suficiente sensei, e eu agradeço muito.

Raphael sorriu e logo os três foram embora. Takanori foi para sua casa e Yutaka para a casa do namorado. Lá os dois passaram o resto do sábado conversando, às vezes chorando, mas sempre com vontade de seguir em frente para uma vida melhor. À noite Akira tentou mostrar para o namorado como era beijar alguém, mas Yutaka dizia sentir cócegas, e bem, o namorado não insistiu.

O domingo foi calmo também, apesar do pai de Akira quase ter pegado os dois abraçados e quase se beijando, ou pelo menos tentando. Ele não iria reclamar, mas Yutaka preferia deixar em Status Quo. Pelo menos por segurança.

A tarde foi tranqüila e tediosa como uma tarde de domingo qualquer, mas à noite, Akira fez uma espécie de pequeno embrulho e entregou para Yutaka.

- O que é isso, Akira?

- Uma coisa para você não esquecer de mim e ter esperança no meio daqueles monstros.

Yutaka abriu o embrulho, que revelava um envelope com uma foto de Akira e uns dizeres atrás.

- Apesar de todo o medo – Akira começou a falar quando Yutaka virou a foto para ver o que tinha atrás – e toda a dor que você sente, meu coração e minha alma estarão para sempre com você, e eu juro que daqui para frente eu vou fazer de tudo para te fazer feliz, e nunca vou abandonar você. É um amor e uma amizade que estão crescendo com a gente e que apesar de toda e qualquer circunstância, jamais vão nos separar. E sabe por que Uke Yutaka? Porque eu amo você e eu quero passar o resto da minha vida do seu lado.

- Akira, isso foi tão lindo, obrigado.

Algumas lágrimas desceram pelo rosto de Yutaka, mas de alegria. Akira o abraçou e teria chorado com ele, se sua mãe não tivesse adentrado seu quarto.

- Akira, Yutaka, não precisam esconder seu amor de mim, eu já percebi que vocês se amam e tem todo meu apoio. E não se preocupe, eu não vou falar nada para seu pai, Akira. Mas, eu queria conversar com você.

A mulher trancou a porta e sentou-se na cama do filho.

- Akira, seu pai está desconfiado que você quer abandonar a escola.

- Está desconfiado da maneira certa.

- Akira, você sabe que tem meu apoio, mas seu pai é inflexível, ele não vai abrir mão da decisão dele para te deixar ser músico.

- Mas mãe, eu não vou ser médico, não vou, eu vou ser músico.

- Eu sei Akira, eu sei, mas, por favor, tenta ir bem na escola, termina o terceiro e tenta arrumar um emprego pra poder viver numa boa e seguir a sua vida. Eu te ajudo como puder, mas seu pai é capaz de cometer uma loucura.

- Mãe, eu sei que a senhora não pode fazer muito, mas vou sempre agradecer tudo que faz. Mas, por favor, não me pede pra estudar, eu não consigo.

A mãe de Akira respirou fundo.

- Então que Kami-sama te abençoe meu filho, porque quando seu pai desconfia só ele lá em cima pra fazer ele se acalmar.

Akira estava ciente disso. Sabia que seu pai era intolerante para música e não pisaria nisso nem por seu filho.

- Yutaka-san, se você e meu Akira ficarem juntos depois dessa pobre mãe ter partido, por favor, cuida dele pra mim.

- Pode deixar senhora, eu cuido sim.

A mãe de Akira sorriu e agradeceu, saindo do quarto e deixando os dois a sós novamente.

- Akira, sua mãe tem razão. Você precisa tentar ir bem na escola pra poder parar de brigar com o seu pai.

- Não é fácil Yutaka, não é fácil.

- Mas tentar não dói. Akira, eu queria tanto ter uma família como a sua, queria mesmo. Mas não tenho, então tenta aproveitar o máximo que der.

Akira respirou fundo, até, por fim, concordar.

- Está bem Yutaka, eu prometo, mas, vamos voltar para a nossa carta.

- Se é assim tudo bem.

- Então guarda essa carta e cada palavra no seu coração, está bem?

- Sim, eu prometo.

Akira sorriu e deu um beijo no rosto do namorado. Estava feliz por ter encontrado alguém tão fofo e gentil como Yutaka. Ele o compreendia e o completava como ninguém tinha feito até aquele dia. E todas aquelas palavras que ele lhe disse eram totalmente verdade, todas vindas de seu coração e de sua alma. Ele definitivamente havia encontrado o amor de sua vida.

- Você me faz tão bem Yutaka, tão bem.

- Você também Akira, graças a você meu mundo é um lugar melhor.

Os dois sorriram e deram um rápido beijo. Continuaram conversando até a hora em que se deitaram para dormir. Pela manhã Yutaka até estranhou não ter que fazer nada correndo. O café já estava pronto e na mesa e eles só comeram e foram para a escola.

Chegaram quase na hora, mas o sensei não havia adentrado à classe ainda. Yutaka aproveitou e ensinou algumas coisas para Akira, que até se surpreendeu por ter conseguido pegar a matéria bem fácil. Bem, de duas uma: Ou a matéria era fácil, ou seu professor particular era interessante.

Enfim, logo o sensei chegou e Akira tentou se esforçar para aprender alguma coisa. A matéria era mesmo fácil e tenuamente interessante. Akira se concentrava o máximo que pôde, todavia, agradeceu quando o intervalo chegou.

- Cara escola é mesmo um porre.

- Ah, não fala assim, é gostoso aprender.

- Não senhor. Tocar baixo é mais gostoso que qualquer outra coisa.

- Namorado cabeça dura.

- Namorado cdf.

Os dois riram e conversaram diversas bobagens. Estavam realmente felizes e aquilo os agradava muito. Já em suas casas...

- O Yutaka já ficou tempo demais fora de casa.

- É eu também acho. Hoje eu vou esperar ele na escola. Mas, escondido. Quero ver como aquele maldito moleque é fora daqui.

- Sabe do que ele ta precisando? De outra surra. Para parar de sair tanto de casa.

- EU VOU TE PERGUNTAR SÓ UMA VEZ: O QUE SÃO ESSES BOLETINS CHEIOS DE NOTA VERMELHA?!

- Pelo amor de Kami-sama se acalma. Você e o Akira precisam conversar, e urgentemente.

- Eu não quero saber de conversar! Aquele moleque vai aprender de uma vez por todas que quem manda no futuro dele sou EU!’’

O coração de Kai disparou e ele apertou a mão de Reita com força.

- Kai, se você quiser parar um pouco ta tudo bem, forçar a barra não adianta.

- Não Aoi, está tudo bem, é que faz muito tempo que eu não relembrava isso tão fortemente assim.

Kai e Reita choravam, mas tentavam manter a calma.

‘’As horas passaram, e pela primeira vez na vida, Akira prestou atenção em tudo. Estava até feliz tentando estudar, já que pelo namorado faria isso. Aliás, achou estranho as horas parecerem passar tão rápido. E assim que o sinal tocou os dois desceram até a entrada do colégio.

- Hei Yutaka, vamos ali rapidinho pra eu me despedir direito de você.

- Claro, vamos.

Os dois sorriram e foram para uma área arborizada que ficava perto da escola. Takanori estava indo para lá, e os pais de Yutaka e Akira, também. Os dois se encontraram na frente da escola e começaram a seguir os filhos lado a lado.

- Aquele moleque do lado do meu filho é o seu?

- Sim, e ele merece uma boa surra depois de querer abandonar a escola.

- Então estamos juntos nessa, porque aquele maldito ta precisando de uma surra também.

Pareciam dois monstros soltando fumaça pelas narinas. Seus olhos fervilhavam de ódio e eles se esconderam atrás de duas árvores enquanto os dois iam mais para o meio, e infelizmente pararam perto da vista dos dois.

- Yutaka, você ainda vai morar comigo, eu juro. – Disse Akira jogando a mochila num canto, alguns livros em outro, em seguida abraçando Yutaka pela cintura e lhe beijando.

Enquanto isso, do outro lado, Takanori vinha, mas, viu os pais dos dois saindo de trás das árvores e o de Akira lhe segurar pelo braço, enquanto o de Yutaka lhe segurava pelos cabelos.

- Uke Yutaka, você tem um segundo para me dizer que diabos estava fazendo beijando esse maldito!

- OEE LARGA ELE SEU MALDITO! VOCÊ NÃO PODE IMPEDIR ELE DE SER FELIZ!

- CALA A BOCA AKIRA!! O seu papo é comigo e não com ele.

Yutaka tentava se desvencilhar de seu pai, mas ele segurava muito forte e começou a lhe puxar para longe do namorado. Sua mochila havia caído e ele sabia que não conseguiria se soltar.

- Akira, socorro! – O garoto chorava muito.

- Yutaka eu nunca vou abandonar você, seja forte, seja forte!

Takanori viu os amigos sendo levados à marra pelos pais para casa e tratou de correr até Raphael. Por sorte havia decorado o caminho. Corria o mais rápido que conseguia, pois, sabia que nenhum daqueles dois ia pegar leve. E ele precisava avisar o professor.

Chegou super ofegante a escola, indo até a secretaria. Havia algumas pessoas numa fila, mas Takanori correu por entre elas até a entrada do local.

- O professor Raphael está aí?

- Só um minuto, você não está vendo que eu-

- MOOÇA EU NÃO TENHO NEM UM SEGUNDO! SE EU DEMORAR MUITO PRA ENCONTRAR O RAPHAEL VAI ACONTECER UM ASSASSINATO!

Takanori gritava muito e algumas lágrimas escorriam de seus olhos. As pessoas ao redor ficaram assustadas e a secretária focou no garoto.

- Ele está no último andar, sala 30 dando aula.

Takanori disparou pelas escadas deixando pessoas confusas na secretaria e os amigos nas mãos de dois monstros.

Yutaka havia acabado de chegar em casa e soluçava de tanto chorar. Seu pai o jogou com violência na sala e ele bateu a barriga na quina da mesa, dando um grito e levando a mão até a região.

- Esse desgraçado tava beijando um moleque! Ele é uma bicha e precisa entrar na linha.

- COMO É QUE É?! EU COLOQUEI ESSA MALDIÇÃO NO MUNDO PARA SAIR BEIJANDO HOMENS?! Ah Yutaka, você vai pagar por cada dor e incômodo que me fez sentir, seu maldito. Eu realmente devia ter abortado você.

- RAPHAEEEL!

Takanori adentrou correndo, gritando e chorando a sala, deixando trinta alunos assustados e Raphael também.

- Taka-chan o que foi?

- Os pais do Akira e do Yutaka os pegaram juntos e juraram que vão botar eles na linha. Pelo amor de Deus Raphael, salva eles.

Sem pestanejar Raphael desceu as escadas correndo enquanto chamava a polícia. Takanori o seguiu e passou o endereço de Akira, enquanto o professor passava para a polícia, assim como passou o de Yutaka.

- Takanori-chan, vai pra sua casa e fala pros seus pais o que ta acontecendo e pergunta se o Akira pode ficar lá. Eu vou tentar ajudar eles.

Takanori correu o máximo que conseguiu. Suas pernas doíam, mas ele precisava fazer aquilo pelos amigos.

- Akira, você não vai abandonar a escola, não vai!

- EU VOU FAZER O QUE EU QUISER E O QUE EU QUERO É SER BAIXISTA E EU VOU SER BAIXISTA!

Os dois adentraram a casa um berrando com o outro. O baixo de Akira estava no sofá e sua mãe adentrou a sala para ver o que estava acontecendo.

- Pelo amor de Kami-sama, se acalmem! Assim vocês não vão resolver nada!

- Não se meta mulher, se não vai sobrar para você também!

O pai de Akira mal terminou de falar e pegou o baixo do filho e o bateu no chão. Sua mãe tentou impedir, mas, levou um tapa e foi empurrada, caindo perto do sofá.

- MALDITO!

O garoto foi pra cima do pai, mas este o acertou com o instrumento no braço, fazendo-o dar um grito. Depois, Akira só sentiu ser acertado no rosto por um tapa.’’

No mesmo momento em que dizia isso, Reita levantou a camiseta e mostrou a marca para Aoi e Uruha. Ele tentava se controlar, mas só conseguia chorar. Agora, acompanhado pelos quatro.

‘’- Eu disse Akira, eu disse. Nada de banda, você vai fazer medicina.

O homem bateu o instrumento mais duas vezes no chão quebrando-o por completo. O garoto tentou se recompor e correu até perto de seu instrumento, xingando-se e esmurrando o chão. As lágrimas que desciam por seus olhos eram de frustração e muito ódio.

- MALDITO! O QUE VOCÊ GANHA DESTRUINDO A FELICIDADE DOS OUTROS?!’’

- Sabe o que ele respondeu?

‘’- Ganho a minha própria felicidade.’’

Reita baixou a cabeça e começou a chorar o máximo que podia. Kai o abraçou e ele acabou chorando mais ainda. Seu coração estava despedaçado.

‘’- VOCÊ É A PIOR ESCÓRIA QUE EXISTE NA FACE DA TERRA!

Akira gritava muito. Não conseguia acreditar que seu amado baixo tinha sido destruído por aquele homem. Era demais para ele. Num impulso, pegou um vaso que havia na mesinha de centro e jogou na cara do pai. O homem deu um urro e a mãe apenas assistiu, horrorizada, os dois homens de sua vida se matando porque não conseguiam conversar. Ela tentou se levantar e ir separar a briga, mas novamente o marido impediu, dessa vez lhe dando um soco e focando novamente em Akira.

- SUZUKI AKIRA, VOCÊ VAI SE ARREPENDER DISSO!

O homem fervorosamente segurou o filho pelos cabelos e o jogou contra uma parede. Akira bateu os braços evitando machucar o rosto. Todavia, a dor causada foi muito grande, e quando o homem o pegou novamente pelos cabelos e o levou para a cozinha, ele não conseguia mais se defender.

- Você vai se olhar no espelho e para sempre se lembrar desse dia, Suzuki Akira!’’

Reita chorava muito e Aoi foi até ele, abraçando-o. Nenhum dos cinco conseguia não chorar e Kai já não sabia se conseguiria ou não contar sua parte.

- Kai, eu não posso, fala por mim, por favor. – Reita chorava muito e baixou o rosto quase arrancando a faixa e tentando, assim, arrancar toda a dor que guardou por aqueles onze anos. Aoi ficou abraçado com ele.

‘’Numa última tentativa desesperada a mãe de Akira correu para a cozinha tentando evitar o que ela imaginou que fosse acontecer. Infelizmente, não deu tempo.

Assim como Akira também não teve tempo de reagir. Quando viu, uma linha de óleo fervendo veio em sua direção, acertando-o em cheio no rosto.

A dor era muito forte, apesar de as terminações nervosas terem sido destruídas. A sensação era tão horrível quanto à dor, mas ele precisava tentar ficar calmo. Sua mãe correu até ele, vendo que seu rosto começava a escurecer, visto que a pele havia sido queimada. Ela olhou incrédula para o filho e levantou-se rapidamente. Tinha que levar Akira o mais rápido possível para o hospital. ’’

Aoi e Uruha estavam sem reação. Reita chorava muito e dessa vez foi abraçado por Ruki. Kai, que havia contado, tentava se recompor. Agora era sua vez.

‘’ Yutaka era chutado no estômago pelo seu pai e já havia cuspido muito sangue. E se não bastasse, tinham as palavras que doíam mais ainda.

- MALDITO, POR SUA CAUSA A NOSSA VIDA É UMA MERDA! VOCÊ É A DESGRAÇA DA NOSSA VIDA! ERA PRA VOCÊ TER SIDO ABORTADO YUTAKA, NINGUÉM AQUI TE AMA E EU ESPERO QUE VOCÊ MORRA!

Aquilo atravessou o coração do garoto como uma facada. Ele não havia pedido para vir ao mundo, e se precisasse, ia embora. Mas, não, era obrigado a agüentar todo o mal que lhe era causado. E tinha que sofrer diversos tipos de agressão e humilhação possíveis.

- Levanta daí, agora!

O garoto tentava se mexer, mas estava com muita dor. O homem o pegou pelos cabelos e bateu com seu rosto na parede, na intenção de arrancar o máximo de sangue que conseguisse. Yutaka mal conseguia implorar para que ele parasse. Era muita dor.

O homem o fez ficar de pé, e apesar de suas pernas tremerem, o garoto conseguiu se firmar. Não tirava as mãos da barriga, e bem, agora do rosto, que sangrava muito.

- Apanha. Mas sem cair. Se não vai ser pior.

O garoto baixou a cabeça e assentiu. A primeira coisa que ele sentiu foi um soco em seu estômago. A dor era lancinante e a seqüência de socos continuou. O homem intercalava o rosto do próprio filho com a barriga, fazendo o garoto ter dificuldade para respirar. Yutaka poderia desmaiar a qualquer momento, mas sabia que não podia cair. Seu corpo se curvou, mas ele fez força para ficar ereto.

- YUTAKA EU DEVIA TER TE MANDADO PARA UM ORFANATO, MAS AÍ A SUA AVÓ ME DESERDAVA! POR CULPA SUA MINHA VIDA É UMA MERDA!

Era por dinheiro. E aquilo doía mais do que qualquer surra. Ele podia inventar uma mentira para sua avó, assim poderia deixar os pais e ir para outro lugar. Mas, não. Os dois descontavam todo seu ódio nele. E bem, seu pai estava determinado a acabar com ele, sem se importar com mais nada.

Ele então sentiu o homem segurar seu braço com força e o dobrou onde somente havia osso.

- VOCÊ NUNCA MAIS VAI TOCAR BATERIA UKE YUTAKA!!!

O homem usou toda a força que tinha e por ser forte, conseguiu dobrar o braço do próprio filho, fazendo o osso se rachar e rasgar a pele até ficar exposto.

Naquele momento Yutaka quase perdeu a consciência. A dor era tão profunda que ele não conseguia nem gritar. Seu pai o soltou e ele caiu no chão como se estivesse morto. Mas, não, não conseguia se mexer, mas sentiu perfeitamente seu outro braço ser quebrado da mesma forma.

Saliva, muita saliva começou a sair de sua boca. Não era como se ele conseguisse explicar a intensidade da dor. E infelizmente o homem não tinha terminado ainda. Foi até o quarto e pegou uma muleta. Voltou para a sala e encarou o filho uma última vez.

- ESPERO QUE VOCÊ ANDE DE CADEIRA DE RODAS PARA SEMPRE.

Dito isso desferiu um golpe em cada canela, quebrando as duas. Só depois de um outro chute no estômago e uma forte pancada na cabeça causada por um chute, Yutaka desmaiou. ’’

Notas finais
Gente, amanhã eu estarei me mudando e não sei quando vou conseguir postar o capítulo 5. Ele está pronto, mas com a mudança tudo atrasa né?De qualquer forma aproveitem, e até a volta :3