Cicatrizes
4 Capítulo 3 - Decisão
Notas iniciais
A primavera estava chegando na Itália, fazendo com que o jardim do castelo se tornasse meu novo refúgio. Afinal, aquele lugar me dava uma certa tranquilidade.
E eu precisava disso.
Desde a última conversa que tive no escritório do meu pai, minha cabeça andava inquieta. Naquele dia tudo foi estabelecido, inclusive a data do casamento. Por fim, os Schreave foram embora.
No entanto, o tempo estava passando e, infelizmente, minha ida para Illéa estava chegando. Faltava dois dias, precisamente, para isso.
Eu estava sem saída.
— Você está realmente bem? — Marilyn perguntou examinando minha temperatura. A loira percebeu minha inquietude. – Seu rosto está pálido.
— Só estou calculando as possibilidades de fugir da Itália pela floresta. — Ela me olhou assustada. – Brincadeirinha. Eu acho...
— Nem pense nisso, mocinha. — Recriminou. – Até porque esse casamento não é a pior coisa do mundo.
— O QUÊ? Você também faz parte do complô? — Choraminguei. – Não acredito que levaram você para o lado negro.
— Não diga asneiras. Eu quero seu bem mais do que qualquer outra coisa. — Falou séria. – E essa mudança pode fazer bem para você.
— Comer me faz bem, casar com um babaca não apresenta nenhum ponto positivo.
— Illéa pode fazer bem para você. — Falou enfatizando o nome da nação. – Tente, ao menos, considerar isso como algo bom...
Eu estava perto de soltar uma resposta mal criada, mas meu cérebro acabou bolando um plano mirabolante.
Sorri de forma travessa para a loira.
— Você vai para Illéa comigo. — Soltei do nada.
— Como?
— Não quero ir para um lugar desconhecido sozinha, oras... — Dei de ombros. – Preciso de uma dama de companhia e você é mais que perfeita para isso.
— Nicol-e... mas, eu não posso deixar minha mãe sozinha aqui na Itália.
— Tenho certeza que Tia Chiara irá compreender a situação, além disso ela será bem tratada e cuidada por todos aqui.
— Mas...
— Depois confirmamos tudo, agora eu preciso ir, tenho aula de defesa com o Bryan. — Cortei a loira e me direcionei para a saída do Jardim. – Até mais tarde.
Sorri internamente ao captar pela última vez dois olhos azuis queimando de raiva.
(...)
O fim da tarde com o Bryan transcorreu tranquilamente. Felizmente, dessa vez, nada de escudos. Apenas a força braçal e técnicas de defesa.
— Mandou bem, baixinha. — Elogiou enquanto limpava o suor do rosto.
— Eu já estou pronta para manusear as espadas? — Perguntei com os olhos brilhando.
— Ainda é cedo para usar as espadas, então vamos focar por enquanto na defesa pessoal.
— Cedo? Eu vou para Illéa em dois dias. — Falei desanimada.
— Não se preocupe, você ainda aprenderá a manusear espadas. — Ele bagunçou meu cabelo. – Mas só depois do casamento.
— Você vai me ensinar por telepatia? — Perguntei ironicamente.
— Quase isso, criança. — Revirei os olhos. – Agora vá se arrumar para o jantar.
— Querendo me expulsar?
— Jamais, mas eu preciso averiguar a segurança do castelo. — Respondeu rindo.
— Certo, chefe. — Fiz o sinal de continência e ele repetiu o gesto.
(...)
Saí do banheiro enxugando os fios de cabelo molhado com a toalha. Meu corpo estava mais relaxado após o banho, mas minha cabeça continuava funcionando a mil.
— Você vai descer para jantar ou irá ficar por aqui mesmo? — Marilyn perguntou saindo do closet.
— Vou descer daqui a pouco. — Entreguei a toalha molhada para a loira. – Você já jantou?
Ela confirmou com a cabeça e fiquei satisfeita com isso.
Vez ou outra, para minha indignação, Marilyn pulava as refeições, passando horas sem comer. Resultando em uma pequena discussão sobre a saúde e bem estar dela.
Eu me preocupava com ela, assim como todos os outros funcionários do castelo. Eles nos ajudavam como podiam e mereciam ser tratados muito mais do que bem.
— Eu vou com você... — a loira quebrou o silêncio instalado no quarto.
— Vai descer comigo para jantar? — Perguntei sem entender.
— Não... digo, para Illéa. — Ela respondeu incerta.
— Ah, sobre isso... eu não estava falado sério. — Respondi rindo.
— Eu conversei com minha mãe e acabei percebendo que seria benéfico minha presença ao seu lado.
— Você está falando sério? — Ergui as sobrancelhas.
— Claro, Nicole. — Respondeu com um sorriso sereno. – Você é importante para mim, nunca te deixaria de lado, muito menos agora.
Ela me puxou para um abraço e em uma fração de segundos fiquei feliz por ter tido aquela ideia.
(...)
Meus dedos batucavam na mesa de jantar. Estava ansiosa e o jantar ainda não havia sido servido.
— Querida, você pode parar com isso? – Minha mãe pediu, fazendo com que meus dedos ficassem parados.
— Esse é um bom momento para você falar sobre o seu pedido. — Papai falou conferindo o relógio.
Eu ainda estava chateada com eles, mas precisava do consentimento da realeza para o meu "pedido".
— Quero que Marilyn vá comigo para Illéa.
— Não vejo problemas nisso. — Rainha Nicoletta trocou olhares com seu marido. – Mas Chiara precisa dar sua opinião sobre isso.
— Ela já deu e autorizou, só faltava vocês. — Abri um sorriso discreto. – Então está decidido, Marilyn irá comigo para Illéa.
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