Cicatrizes
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Notas iniciais
Não acredito que tenha ficado muito boa, eu escrevi de madrugada e morrendo de sono, qualquer erro por favor me perdoem. Boa leitura :3
Já se passava das 2:30 da manhã e eu ainda estava naquele lugar nojento, vendo pessoas suadas dançando apenas para sentir alguma sensação de liberdade, sempre alguém que vinha sozinho tentava a sorte de levar alguém para casa para fazer sabe-se eu lá o que ou talvez até saiba mas eu não conseguia mais pensar em nada. Já estava na metade da minha segunda garrafa de uísque, posso afirmar que já não conseguia pensar em nada nem mesmo se eu quisesse. Eu estava lá sentada fitando-a de longe, esperando que ela não me visse, seu corpo balançando de um lado para o outro como se a musica a controlasse enquanto um idiota qualquer tentava aproximar-se dela, e com toda sensualidade que lhe foi dada, ela rejeitaria ele e todos da pista de dança. Odiava vê-la ali, odiava vê-la seduzindo todos com suas curvas e seus olhos frios e misteriosos, continuava fitando-a quando outro rapaz tentava algo com ela, já havia a visto rejeitar esse rapaz várias vezes nessa mesma noite e ele continuava a perturbá-la, acreditei por um momento que ela havia cedido a ele, pois ela começou a dançar junto a ele e permitindo que ele tocasse o que era meu. Foi aí que talvez eu tenha cometido o pior ou melhor erro de toda a minha vida.
Me levantei rapidamente ajeitando minha camisa e olhei para dois dos seguranças do lugar que me pertencia, dando sinal para que me seguissem, eles já sabiam o que teriam que fazer enquanto eu pegava das mãos de um qualquer o que me pertencia. Entrei no meio das pessoas indo de encontro a ela que estava de costas para mim, passei a mão pela sua cintura ela saberia que era eu, ela conhecia bem o meu toque e ninguém estranharia tão intimo toque entre duas garotas, pois eu sempre mantive um visual masculino. Aproximei minha boca de seu ouvido visivelmente embriagada não só pela bebida mas também pelo seu cheiro intoxicante.
“Acho que é hora de você ir para casa” terminei mordendo provocadoramente o lóbulo de sua orelha.
“Você está bêbada mais uma vez Amber” ela disse enquanto eu a puxava violentamente para fora do estabelecimento e dando a ordem para que acabassem com o rapaz que a tocou. “Amber, me larga, você está em machucando” ela continuou e eu não me importei em soltá-la, nem mesmo ouvindo-a dizer que eu estava a machucando. Outra pessoa havia tocado o que era meu, eu não queria ouvir mais nada eu estava totalmente descontrolada, me aterrorizava ver outra pessoa perto dela. Sim, meu ciúme é obsessivo, e quando eu bebo ele triplica.
Chegamos ao escritório/casa que eu havia montado atrás da boate e eu finalmente a larguei.
“Krystal, eu não quero ninguém chegando perto de você, você é minha e não importa o que acontecer você sempre será.” eu disse tentando chegar perto dela mas cambaleei pelo efeito da bebida, quando me recompus me aproximei dela e forcei meus lábios contra os dela ferozmente, apertei seus pulsos fortemente e a empurrei contra a parede do pequeno corredor fazendo-a bater a cabeça. Ela conseguiu me empurrar e em um único impulso me deu um tapa no rosto forçando suas unhas a me arranharem, pude sentir um pouco de sangue escorrendo no meu rosto enquanto ela caminhava em direção a porta do escritório e batendo-a em seguida.
Sentei-me no sofá com uma garrafa de alguma bebida ouvindo o barulho de Krystal quebrando tudo o que via pela frente dentro do pequeno quarto que eu tinha ali. Estava começando a me acostumar com tudo sendo assim, eu bebia, a machucava e ela se vingava quebrando tudo e se machucando sozinha e adormecia em meio aos cacos de vidro sozinha por cansaço. Enquanto sorvia todo o álcool que me era disponível comecei a tentar lembrar como foi que eu me tornei possessiva, dependente de álcool, dependente... dela.
–FLASHBACK–
Era mais uma noite normal na boate que eu havia comprado, havia construído um escritório/casa no fundo para os dias em que eu ficasse cansada demais para ir para a casa. Por mais que eu achasse casas noturnas terrivelmente nojentas e desnecessárias, era uma ótima forma de conseguir dinheiro rápido com meu próprio negócio. Estava no escritório terminando de me arrumar para dar uma geral em como estávamos indo naquela noite. Vesti uma camisa azul, jeans escuro, tênis e meu boné favorito. Eu nunca fui feminina e meus pais nunca se preocuparam com isso, muito menos se espantaram quando eu disse que era gay e a maneira que eu me visto sempre me fez parecer mais com um garoto, e eu nunca me importei com isso.
Fui em direção a saída de emergência da boate que se localizava aos fundos, bem próximo ao corredor que ia para o meu escritório e entrei no local barulhento, subi as escadas que davam acesso ao bar do lado VIP e fui de encontro a um dos meus melhores funcionários e também melhor amigo que alguém poderia ter.
“Jjong!” eu disse sorrindo para o barman. JongHyun era um amigo de infância que todos acreditavam ser meu irmão por termos de certa forma o rosto parecido, as crianças sempre diziam que nós éramos os ‘Irmãos Dino’ (sim, ‘Dino’ de dinossauro). Crescemos e nossa amizade apenas aumentou, quando eu decidi abrir a boate eu pedi para ele que fosse meu sócio, o que ele só aceitou se pudesse cuidar do bar para poder ‘flertar com as garotas’.
“AJ! Vai beber algo hoje?” JongHyun perguntou irônico, ele sabia que eu e bebida nunca nos demos bem.
“Não” eu ri “Queria saber como está o movimento hoje e conversar com meu velho amigo” continuei rindo da expressão dele quando viu uma garota na outra ponta do balcão do bar.
“Acho que você não vai querer conversar hoje não é Jjong?” eu ri ainda mais quando vi que ele não havia piscado dês do momento em que ela se aproximou do bar. Não me importei de olhar para a garota, Jjong sempre foi assim, bastava uma garota se aproximar que ele não falava com ninguém, apenas a olhava e sorria e esperava a hora certa para se aproximar.
“Amber, ela não para de olhar para você.” Jjong disse um pouco irritado. E eu ri mais uma vez, me virando para ver a garota. “Ela vai se decepcionar quando souber que você é uma garota.” Ele continuou e olhou para mim sorrindo. Eu finalmente encontrei a garota que ele disse que estava olhando para mim, havia algo nos olhos dela que me arrepiava, uma expressão fria e melancólica que de certa forma a deixava mais interessante, quando nossos olhos se encontraram pude vê-la sorrir de leve e chamar a atenção do outro barman que ajudava Jjong. Vi ela fazer seu pedido e apontar para mim.
“Parece que é seu dia de sorte, AJ. Aquela garota sentada na ponta mandou lhe entregar isso.” Disse Onew, o outro barman que também era muito amigo de Jjong, colocando uma taça de Martini em minha frente. Assisti Jjong rir mais do que o ar de seus pulmões aguentava ao ver Onew colocar a taça na minha frente.
“O que você vai fazer agora? Ela ainda está olhando aqui.” JongHyun parou de rir e me perguntou recuperando o ar. Eu nada disse, peguei a taça e sorvi a bebida me certificando de que a garota ainda estava olhando para mim.
“Como você disse, ela vai se arrepender quando descobrir que sou uma garota.” Me levantei e caminhei em direção a garota dos olhos frios, que agora sorria largamente para mim.
“Krystal” ela disse quando me sentei, olhei para ela com um rosto interrogativo, ela continuou “Meu nome é Krystal.” e sorriu.
“Amber, muito prazer” respondi retribuindo o sorriso.
“Amber não é um nome muito feminino para um cara como você?” ela perguntou um pouco intrigada.
“É aí que você se engana, eu não sou um cara” respondi olhando em seus olhos e esperando a rejeição.
“Eu não me importo.” ela disse e eu olhei confusa para ela “Sim, não me importo que você seja uma garota” ela sorriu. Esse sorriso, esses olhos, eu já estava entregue. Olhei para o Onew e pedi que ele mandasse mais bebida para nós, o que fez Jjong hesitar em deixar que Onew me servisse álcool, já que minhas ultimas experiências com bebida quase me mataram em um acidente de trânsito. Eu fiz um final para Jjong de que ficaria tudo bem e ele permitiu que Onew nos servisse.
Passaram alguns meses e Krystal estava sempre na boate e nós sempre acabávamos passando as noites juntas e bêbadas no fundo da boate, e foi aí que tudo começou a dar errado, eu passava a maior parte da noite bebendo e no dia seguinte eu acordava com ela ao meu lado. Eu já estava a sentir algo por Krystal e sabia que estava sendo correspondida, fazendo dessas nossas noites algo a mais eu comecei a ter ciúmes de todos que chegavam perto dela enquanto dançávamos o que havia me deixado com um olho roxo e o lábio cortado em uma briga com um cara que eu acredito que tenha tentado beijá-la enquanto eu não estava por perto. O tempo foi passando e eu fui piorando, ciumenta, possessiva e bêbada. Não descia mais para dançar com Krystal e aproveitar momentos perto dela, sentia muito mais repulsa por pessoas muito próximas das outras enquanto dançavam. Eu passei a observá-la de longe, apenas contemplando o que era meu, apenas meu.
–FIM DO FLASHBACK–
Havia terminado minha bebida quando ouvi o choro dela ficar mais alto e eu me amaldiçoei internamente por fazê-la sofrer e por machucá-la, nunca foi o que eu quis para ela. Levantei-me zonza pelo efeito da bebida e entrei no pequeno quarto, levando comigo uma garrafa cheia de uísque que eu abri no caminho.
“Krysssss” eu tentei formular uma frase mas eu estava ridiculamente bêbada demais para conseguir falar algo com clareza, quando eu vi seus braços machucados por mim e cacos de vidro de um dos vasos que ficavam próximos da cama presos em sua mão eu me aproximei dela na cama e me ajoelhei em sua frente. “desssssculpa, eu só te... faço... sofrer. Eu vou... mudar por... você.” Eu consegui terminar de falar. Pude ver tristeza nos seus olhos frios, ela voltou a chorar e eu a abracei. Mesmo bêbada eu poderia enfrentar o mundo por ela.
Beijei-a ternamente, para que ela sentisse que eu realmente falava de coração e não me esqueceria no dia seguinte. Levantei-me trazendo ela comigo para um abraço mais intimo, não aguentava mais vê-la derramar uma única lágrima por mim, não aguentava vê-la machucada por minha causa. Peguei seus braços e beijei cada machucado ou cicatriz já provocada por mim ou por minha causa. Estava disposta a fazer qualquer coisa para que ela nunca mais passasse por isso, eu estava suficiente bêbada para dizer apenas verdades, mas além de dizê-las eu as desejava e sabia que não me arrependeria disso.
“Eu te amo, Amber. Ninguém nunca me tiraria de você.” ela disse me dirigindo de volta para a cama.
“Então me deixe te amar para sempre...” recebi seu sorriso mais luminoso como resposta.
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