Ciao

2 Vicinanza


5 anos depois o garoto mudou-se para a casa da frente. Durante aquele meio-tempo, tínhamos nos encontrado uma ou duas vezes em ocasiões normais. Não realmente mantivemos contato nesse período. Então quando vi o garoto sardento saindo de um carro cinza, meu coração parou por um segundo e depois voltou a bater tiquetaqueando inquieto como nunca antes.

Mas eu não fazia ideia do por que.

Não frequentávamos o mesmo colégio, mas mesmo assim nos víamos todos os dias e logo a presença um do outro virou rotina. Precisávamos um do outro. Sem motivo algum, apenas precisávamos. Fazíamos tudo e qualquer coisa para ficarmos juntos o máximo possível, inventávamos os mais variados jogos apenas para passar o tempo. Ele sempre dizia que eu era seu porto seguro.

Mal sabia que ele que era o meu.

Um dia Pietro me confidenciou que seus pais brigavam muito, o pai agressivo gritava com ele por mais simples que fossem seus erros. Aproveitando o momento, falei a ele sobre mim: minha mãe morta na minha juventude precoce, meu pai ocupado todas as horas do dia, a rejeição constante e o bullying escolar. Neste dia confessamos nossos medos, nadamos e nos afogamos em nossas mágoas tentando achar um refúgio no outro.

Em meio a todo o caos, nos encontramos.