Ciao

4 Sofferenza


Em um dia no auge de seus 17 anos, ele apareceu em minha janela com o olho roxo, os lábios sangrando e traços vermelhos por todo o corpo. Estávamos nesse romance escondido há quase três anos. Pietro gritou que meu pai havia soltado de relance sobre nosso caso para o seu, já que não fiz questão nenhuma de nos encobertar do meu velho. Previ no mesmo segundo o que havia acontecido.

Mas ele me disse mesmo assim.

Repetiu cada palavra proferida pelo seu pai e narrou como este após terminar seu discurso de ódio deu o primeiro soco, deixando seus lábios naquele estado. Seguido de outro na barriga, no olho, um chute nas costelas, no rosto. Quase pude imaginar a cena enquanto o garoto ao meu lado contava-me a triste história em meio aos soluços, lágrimas e sangue.

Acho que um abraço não seria suficiente naquele momento.

Nunca odiei tanto meu pai, o pai dele, a sociedade mesclada na homofobia e na falta de amor ao próximo. Por um segundo, juro que só por um, odiei aquele sentimento que aquecia meu peito, mas o olhar melancólico de Pietro me fez odiar-me por aquele pensamento. Droga, como eu o amava. Porém o que não me saia da cabeça era como alguém teve a coragem de fazer aquilo com ele, tão frágil ao seu modo, imperfeito e único.

Porque bater em alguém que só fez amar?