Notas iniciais
Quando comecei a escrever essa one, esperava que fosse uma história curta, simples, praticamente uma fluffy, mas cada vez que eu escrevia o diálogo entre os irmãos, mais vontade tinha de escrever e bem, resultou em 2 mil palavras, mas muito recheadas de fofura!

Sério, quase não acho alguma one ou história focada no relacionamento dos dois, que considero muito especial. Mas como dizem, se você não encontra, que tal escrever e isto servir de incentivo para outros escritores!?

Podem existir alguns erros, apesar de ter revisado 3 vezes, por isto, peço mil desculpas! Me inspirei um pouco na minha relação com meu irmão e reasistir alguns episodios de Boruto ( mesmo que não seja meu anime favorito e eu de alguma forma o tenha negligenciado demais) , então espero que tenha ao menos, um gostinho de semelhança.

Ciúmes nem sempre são doença ou obsessão. É medo de perder, é cuidado, é proteção.

Demi Lovato


— Boruto—ni—san? – Himawari bateu à porta antes de adentrar no quarto do irmão mais velho, as mãos escondidas nas costas e o rosto estranhamente ruborizado. Ela estava diferente, Boruto perceberá. Os cabelos estavam soltos e muito mais arrumados do que o habitual e os lábios, encontravam—se levemente tingidos de batom, mas que já estava gasto, fraco. – Atrapalho? – Entretanto, o tom de voz mantinha—se o mesmo, meigo, gentil e caloroso, como o Uzumaki mais velho tanto adorava.

O garoto sorriu gentilmente, retirando o fone de ouvido e deixando—o de lado, na cômoda. Himawari sempre era sua prioridade, poderia continuar ouvindo música o quanto quisesse depois. Endireitou a postura, batendo suavemente no espaço vago na cama, ao seu lado, que fora preenchido pacificamente pela mais nova. Não importasse quanto tempo passasse, sobre os olhos do louro, Himawari seria um eterno bebê. Um bebê que tinha chegado na puberdade e certos dias do mês transformava—se em um monstro de hormônios, mas, ainda assim, seu precioso bebê.

— Jamais, sempre tenho tempo para você. – Afagou os cabelos negros—azulados da irmã, traço herdado da mãe, sorte a qual Boruto não tivera, mesmo que gostasse do tom louro herdado do pai. – O que foi? – Perguntou, sabendo que a Uzumaki não tinha vindo diretamente ao seu quarto para passar o tempo, Himawari, independente de tudo, não detinha deste tipo de atitude.

A garota respirou fundo e desviou o olhar, as bochechas ganhando um rubor ainda mais intenso. Boruto a conhecia bem, muito bem. Mas, mesmo que fosse extremamente próxima do irmão, o considerasse o seu mais precioso confidente, precisava juntar de muita coragem e determinação para soltar o que tinha que soltar. Sabia, que o mais velho, sendo tão parecido com o pai, não reagiria muito bem, entretanto, sabia que a ajudaria se soubesse pedir com jeitinho e, mesmo com a grande semelhança com o pai, teria uma reação melhor comparada.

— Gosto de um garoto! – As palavras saíram mais alto do que deveriam, na ordem errada, ainda por cima. Não queria começar falando as coisas daquela forma, mas tinha saído e o afago do irmão em si, instantaneamente estagnou. A respiração do louro tornou—se pesada, mas nada disse, apenas, em um gesto silencioso, permitiu que a mais nova continuasse o que tinha de falar. – Desde pequena… – Passou a língua nos lábios, tensa, mas segura que Boruto a ajudaria, ele ajudaria, não é? – E tem um clima rolando entre nós dois há um tempo, desde meu aniversário de 13 anos. – Prosseguiu. – Mas hoje tomei uma atitude e meio que rolou um beijo e… – Boruto respirou fundo. – Ele chamou—me para um encontro.

Boruto digeria tudo lentamente. Todo o seu corpo encontrava—se em combustão, sentia raiva, ao mesmo tempo que nervosismo, medo e uma pitada de ciúmes. Encarou o teto. O que tinha feito de tão ruim na vida passada para merecer tamanha tortura? Tamanho castigo?

Se seu pai, Naruto, ouvisse tais palavras, com toda certeza desmaiaria e, ao acordar, caçaria o petulante que havia ousado roubar o coração de sua preciosa filha, sua eterna princesinha. Himawari encarava Boruto com expectativa, os olhos azuis brilhando. Ela confiava nele! Engoliu em seco, voltando a afagar os cabelos da irmã, mantendo a fera em seu interior presa em uma gaiola, por enquanto.

— Conheço ele? – Perguntou, temendo ouvir a resposta, mas, ao receber um baixo ‘’sim’’ dos lábios da irmã, sentiu o monstro em seu interior forçar a saída, mas manteve—o no controle. – Por favor, não me diga que é um dos meus amigos! – Quando Himawari desviou o olhar, Boruto obtivera a informação que não queria. Esfregou ambas as mãos no rosto, choramingando. – Tinha que ser justamente um amigo meu, Hima!?

— Desculpa. – O pedido não soará sincero, não tinha como soar, mas Boruto tentava a todo custo entender o lado da irmã. Em seu lugar, fizera a mesma coisa quando fora pedir Sarada em namoro, diretamente ao seu tio, Sasuke. Fora extremamente assustador e, mesmo que não admitisse para ninguém, caso seu pai não o acompanhasse, com toda certeza teria mijado nas calças. – Aconteceu! – Prosseguiu. – Ele cuida de mim, ni—san, é sincero e até agora, tinha sido extremamente respeitoso, jamais tomando iniciativa além de um simples e singelo abraço. Caso dependesse dele, jamais desenrolaria um encontro! – Justificou. – Nem mesmo rolaria um beijo ou declaração… – Murmurou a última baixo, para si mesma, mas Boruto ouviu, infelizmente, ouviu.

— Preferia que continuasse assim, mas é algo inevitável, não é? – Fizera a pergunta para si mesmo, suspirando em seguida. – Não gosto nem um pouco da ideia de minha irmã mais nova, ainda um bebê namorar, mas aconteceria de uma hora ou outra e, pelo menos, não escondeu de mim e aprontou pelas minhas costas, uma atitude que, tenho que admitir, é responsável! – Sorriu, enquanto elogiava, puxando a irmã para um caloroso abraço. – Mamãe sabe?

— Não, queria contar para você primeiro. Fiz errado?

— Acha que fez algo de errado contanto para mim primeiro? – A garota negou com a cabeça. – Então não é errado. Só não pode contar para o otou—san, não mesmo! Oka—san tem que preparar o terreno primeiro, então, quando ela voltar da casa da Tia Temari, fale diretamente com ela, ok? – Beijou a testa de Himawari, que sorriu, acomodando—se no abraço, aquecida. – Agora, me fala, é o Shikadai?

— Claro que não! – Negou com tanta força que assustou Boruto, fazendo—o rir em seguida. – Quer dizer, já tive uma enorme queda, na realidade, um abismo enorme por ele e, meio que… – Mordeu o lábio inferior. – Ele beija muito bem, é extremamente cheiroso, mas… – Boruto juntou as sobrancelhas, interrompendo a irmã.

— Beija muito bem!? Himawari, não acredito que você ficou com o Shikadai! Na verdade, não acredito que ele ousou ficar com minha irmã mais nova! Fala sério, você é 3 anos mais nova que ele!

— Ni—san, não é uma diferença tão grande assim! – Resmungou, beliscando o irmão. – E é passado, tá bom? Acabamos confundido tudo devido os anos de convivência e meus hormônios. Sabe, puberdade, seus amigos são muito bonitos, já tive até mesmo uma enorme queda pelo Tio Sasuke! – Boruto fez careta. – Não vale me julgar!

— Cada vez mais que você fala, mais estranho os seus gostos.

— Você namora a Sarada!

— Hey, minha namorada é muito bonita e legal!

— Ni—san, ela nocauteou um homem 20 anos mais velho, que antigamente era uma estrela do boxe!

— Gosto de garotas independentes e que sabem se defender, qual o problema?

— Francamente! – Negou com a cabeça. – Mas o que rolou entre mim e o Shikadai é passado e levamos o que ocorreu como brincadeira! Quer dizer, ao menos eu levo, fico com vergonha de lembrar até… – Riu, sem graça. – Você vai ficar com muita raiva, tipo, muita mesmo quando descobrir quem é, mas por favor, não faça nada!

— Por que eu ficaria com muita raiva? – Soltou—se do abraço, cruzando os braços, juntando as sobrancelhas.

— Bem, é que… – Começou a brincar com o polegar, embaralhando—se nas próprias palavras.

Enquanto esperava ouvir o nome do garoto, começou a ligar os pontos na cabeça.

Não possuía muitos amigos do sexo masculino, apenas aqueles que trazia consigo desde a infância devido a inúmeros fatores. Frequentar a casa um dos outros era uma atividade comum, o que dificultava saber especificamente quem era, porém, recordou—se do aniversário da irmã, o de 13 anos. Semicerrou os olhos, forçando a memória, vasculhando detalhe por detalhe daquilo que lembrava. Não poderia ter esquecido tudo, a festa tinha acontecido a pouco menos de 2 anos atrás e tudo naquela festa, tinha sido memorável, principalmente os momentos que passará junto a namorada. Negou com a cabeça, o foco não era aquele. Coçou a nuca, até que recordou—se de um singelo e simples acontecimento, que na época, o garoto tinha deixado passar batido, estava ocupado demais divertindo—se, comemorando e, principalmente, comendo – o que de fato, era o que mais tinha feito naquela festa.

Lembrava—se perfeitamente de ter visto, ocasionalmente, Himawari e Inojin afastando—se de todos na festa, indo diretamente para a varada. Recordou que os seguiu, afinal, mesmo Inojin sendo um de seus melhores amigos, todo cuidado era pouco e admitia, que estava muito curioso na época. Queria saber o que o Yamanaka queria conversar em particular com a Uzumaki mais nova, justamente no dia de seu aniversário. Não conseguiu ouvir nada atrás da porta, porém, também não tinha acontecido nada demais, além do Yamanaka entregar um pequeno e discreto embrulho nas mãos de Himawari, lembrava—se do que era, a garota tinha aberto com extrema felicidade. Era um colar, que a Uzumaki tem guardado até hoje, muito bem conservado e utilizado apenas em eventos de extrema importância. Apenas olhando o colar, ficava mais do que claro que ele não sido barato, nem um pouco. Entretanto, na época, Boruto pensará que era normal Inojin dar um presente tão caro para Himawari. Afinal, sempre que o Yamanaka passava o tempo na casa dos Uzumaki, desde pequena Himawari corria para seus braços e grudava no garoto com afinco. Eles eram praticamente irmãos, ou era o que pensava Boruto, até agora.

Suspirou pesadamente, como não tinha pensando justamente em Inojin Yamanaka? Era óbvio que seria ele!

— Inojin, não é? – Falou, massageando as temporãs, cansado. Himawari abriu e fechou a boca, apenas suspirando e afirmando com a cabeça, enquanto abaixava o olhar. O silêncio que se fez era assustador, mas logo fora quebrado por Boruto, que prosseguiu. Não parecia bravo, como ela esperava, mas sim um pouco mais relaxado. – Por que ele?

Himawari buscou as melhores palavras, relembrou—se das melhores qualidades e dos defeitos que as completavam, mas acabou descartando, sabendo que aquilo não era a mais profunda verdade e de nada, adiantaria para acalmar os ânimos do irmão. Levou uma mecha de cabelo para trás da orelha e voltou a encarar diretamente o irmão, com um sorriso fraco nos lábios, envergonhado.

— Conheço ele desde pequena, mas só fui reparar nos meus sentimentos quando chegou a puberdade… As coisas ficaram mais claras, principalmente o meu ciúme. – Riu baixinho. – Ele sempre tratou—me bem, carinhoso, e quando parei para observar melhor, otou—san é justamente assim com a oka—san, ou como você é com a Sarada—ne—san. E aos meus 12 anos, refleti sobre tudo, justamente quando resolvi investir e percebi que o sentimento era correspondido, mas Inojin não tomaria iniciativa, para ele era errado gostar da irmã mais nova do melhor amigo, que curiosamente viu crescer.

— É bem a cara dele pensar assim. – Boruto teve que concordar.

— Nos meus 13 anos, quando ele deu—me aquele colar, senti todo o meu corpo vibrar na mais pura felicidade. Justamente, naquela varanda, ele admitiu que correspondia os meus sentimentos, mas não beijou—me, como esperava, ou como os filmes, séries e livros enganam a gente. Sério, fiquei frustrada, mas nunca pensei que um beijo na bochecha fosse fazer com que me sentisse da mesma forma que um beijo nos lábios, francamente! – Deu de ombros. – E depois foi só enrolação, ciúmes um do outro, sem fim. – Passou a língua nos lábios. – Hoje tomei uma iniciativa e agora, tenho um encontro! Quer dizer, se você me ajudar…

— Vou ajudar, porque te amo e se ele te faz tão bem, não tem motivo ser contra. – Boruto cruzou os braços, desviando o olhar, levemente emburrado, enciumado. – E também porque conheço ele e sei que Inojin jamais seria capaz de fazer alguma coisa intencionalmente, justamente para machucar você!

— Ni—san… – Himawari fungou, lágrimas começando a formar—se. Sem pensar duas vezes, pulou em cima do irmão, envolvendo—o em seus braços, em um abraço apertado, firme, aconchegante, cheio de amor, que sem pensar muito fora correspondido da mesma maneira. Eram irmãos e mesmo com todo o ciúme querendo explodir dentro de Boruto, ele não deixaria acontecer, porque amava demais Himawari e não estragaria sua felicidade. Entretanto, trataria de ficar de olho. – Eu te amo!

— Agora sei como o Oji—san se sentiu quando a oka—san começou a namorar, ou quando a tia Hanabi começou a namorar com o tio Konohamaru. – Resmungou, escondendo o rosto no pescoço da mais nova, que gargalhou diante dos incontáveis resmungos que saíam da boca de Boruto. – Não ri!

(….)

— Himawari… – Inojin mordeu os lábios, envergonhado, ao mesmo tempo que tenso.

A Uzumaki simplesmente levantou o olhar, retirando sua atenção do cardápio, para olhar na direção do agora, atual namorado. Assim que o garoto a pegará em casa, sobre olhares ameaçadores de Boruto e o sorriso gentil de Hinata, Inojin resolverá pedir, oficialmente a garota em namoro. Entretanto, agora, encontrava—se tenso, enquanto Himawari mantinha a expressão tranquila no rosto, levemente confusa pelo chamado do Yamanaka.

— O que foi? – Perguntou, olhando diretamente nos belos olhos azuis de Inojin, que passou a língua nos lábios e ficará ainda mais nervoso. Bufou, largando o cardápio de lado. – Não precisa ficar nervoso, basta ignorar. – Sorriu, repousando as mãos sobre as do garoto, que sorriu, finalmente conseguindo relaxar.

— É que pelo que você tinha dito na mensagem, os únicos que sabiam eram seu irmão e Tia Hinata… – Deu uma leve espiada para trás, vendo de longe uma cabeleireira loura com um chapéu preto, muito do suspeito e óculos escuros. Tinha o cardápio tampando o próprio rosto, mas estava mais do que óbvio que era o prefeito ali, espiando—os.

— Estava conversando com a oka—san, quando o otou—san simplesmente chegou, de surpresa. Inesperadamente, ele resolveu tirar férias, pois estava com saudade da família… No pior momento! – Revirou os olhos. – Mas é só ignorar, oka—san fez ele prometer que só observaria, otou—san jamais quebra uma promessa, então…

— Não farei nada demais, então. – Suspirou. – Tudo que eu menos quero, é dar motivos para o prefeito passar a me odiar, justamente quando ele dizia que dentre todos os amigos de Boruto, eu era o melhor. – Riu. – Mas acredito que será apenas desta vez, ao menos. – Deu de ombros, o estômago começando a doer pela fome. Ficará tão nervoso, que sequer pensará em beliscar alguma coisa antes de sair. – Acho melhor pedirmos alguma coisa, logo, estou morrendo de fome.

— Eu também. – Levou uma mecha de cabelo para trás da orelha e voltou a abrir o cardápio, mas o inesperado aconteceu e Naruto, levantou—se da mesa onde estava, que era o mais afastada que ele poderia ter encontrado dos dois, deu a volta pelo lugar e sentou—se, na mesa ao lado dos dois. – Otou—san! – Himawari resmungou, emburrada.

Naruto sorriu amarelo ao olhar para filha, chamando o garçom e fazendo o pedido, ignorando os protestos de Himawari, enquanto Inojin apenas ria da situação.

Notas finais
Mini-dicionário;
1- Oka-san (mãe)
2- Oto-san ( Pai)
3 - Oni-san/Oni-chan/One-san/One-chan ( irmão/irmã mais velha)
4- Oji-san ( avô, como dependendo do termo, pode ser tio também
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