Ciúmes

6 Declaração


Cap.05 – Declaração


Riza esperava qualquer pessoa, na verdade, imaginava que fosse até Gregg, mas não era. Era Roy. O homem que ela não sabia por que povoava seus pensamentos. E o motivo dela ter acordado sozinha naquela manhã.


- Roy... – sua voz saiu quase como um assovio, estava atônita –


- Sabia que é meio estranho quando as pessoas aparecem e a pessoa visitada, já conhecendo a pessoa que visita, fala seu nome como se fosse a coisa mais estranha do mundo? – ele sorria abertamente –


- Desculpe... – chacoalha a cabeça e passa mão no rosto -


- Não vai me chamar para entrar?


- Entre... – a loira abre espaço –


- Estou incomodando?


- Imagine, você só apareceu na minha casa, em plena madrugada de sábado... Não sei o por quê.


- Sarcasmo, quando bem usado se torna quase imperceptível.


- Vamos Roy, eu não tenho o dia inteiro.


Ela estava muito incomodada com aquela situação. Já não bastava aquela coisa que a sufocava, ele aparecia no começo do seu dia, para falar não sabia o quê.


- Compromisso?


- Talvez.


- Com aquele ruivo?


- Você tem uma leve queda para a inconveniência, mas nunca o vi indiscreto.


- Eu só estou curioso.


- E desde quando minha vida lhe provoca curiosidade?


- Sinceramente não sei.


- Ok, vamos deixar esse assunto de lado e ir direto para o que interessa. O que você quer?


- Não sei... – sua voz saiu tão baixa, seu olhar estava direcionado ao chão e seus dedos tamborilavam na mesa –


- Vamos ver se eu entendi. Você aparece na minha casa, cedo, em um sábado, e não sabe o quer comigo? O que você andou bebendo? – sua voz estava incrédula e seu olhar perfurador –


- Facilita as coisas você também. – sua voz estava um pouco alterada, mas ele não tirava os olhos do chão –


- Facilitar o quê? Roy, eu não estou entendendo.


- Eu não sei... – ele admitiu –


- Agora eu estou bem arranjada... – a loira deitou a cabeça para trás e rolou os olhos, sua voz estava carregada de sarcasmo –


- Olha isso não é fácil pra mim, nem compreensível... Eu não sei o que está acontecendo, mas você não sai da minha cabeça. Eu não sei o que pensar...


- O quê...? – aquilo havia pegado-a de surpresa –


- Isso o que você ouviu. Você não sai da minha cabeça. E não me julgue mal, pois tenho por você um respeito muito grande, respeito que jamais me julguei capaz de sentir por uma mulher.


- o moreno permanecia com o olhar baixo, mas dessa vez, em direção a mesa – Por uma mulher?


- Riza, eu sou o que sou e não nego. Sempre vi as mulheres como meio de diversão. Mas de repente, você apareceu... Não nego que primeiramente te vi como uma pirralha mimada, depois como uma moça atraente e finalmente como um ser humano notável. Você nunca precisou de truques para estar no exercito, nunca recorreu a baixaria, sempre tão austera, tão exemplar... Capaz de estar calma durante as piores tormentas, mais corajosa que muitos homens... Mais imponente que qualquer um. – ele dá um riso nervoso –


- O que você quer dizer com isso?


- Que você me enlouquece! Eu não consigo entender sua maneira de ver o mundo... Com as outras é tão fácil, elas querem casar, ter filhos... Basta um olhar bem mandado, um sorriso torto...


- E por que te interessa como vejo o mundo? Como você disse, não sou seu tipo de garota.


- Você me fascina, é intrigante... Cada dia eu descubro uma coisa diferente. Já perdi a conta das vezes que peguei observando seus gestos...


- ela estava ficando nervosa, não gostava do rumo daquela prosa – Eu sou uma mulher comum, com sonhos comuns, não necessariamente na mesma ordem que as outras procuram. Não existe nada de excepcional nisso.


- Ai é que você se engana. Você é simplesmente fascinante para mim... E de normal você não tem nada, e você sabe porque tem espelho em casa. – ele a olha nos olhos – Cada coisa que eu escuto...


- Ego. Eu não dou moral, por isso me encaram dessa maneira. É preciso muito mais que um sorriso bonito para me levar para cama.


- Eu sei disso... Como sei...


- Olha, você também... Chama minha atenção. Mas parece ter dupla personalidade, eu não sei quem você é e isso me assusta. Tenho medo de um dia chegar a conclusão que apoiei uma pessoa que não merecia...


- Muito tipo. Eu sou mulherengo, mas todo o estardalhaço que faço em volta disso é simplesmente para tirar o foco de minhas ações. Enquanto acharem que não passo de um general mulherengo, não vão se preocupar comigo. Fora que eu ainda não encontrei a mulher da minha vida... Se é que isso existe.


- Aonde você quer chegar? Por que está me dando explicações que não me deve?


- Eu queria saber... Como também queria saber por que fiquei tão alterado quando te vi com aquele ruivo... E por que não consegui dormir com aquela mulher, cujo nome nem me recordo... Se é que eu perguntei, porque estava pensando demais em você.


Os dois não sabiam o que pensar. Estavam confusos demais. Tantos anos de convivência não pareciam estar ajudando.


O que era aquele sentimento?


- Melhor acabarmos essa conversa por aqui.


- Não. – ele segura a mão dela – Eu não agüento mais não saber o que é isso.


- Eu também não sei... Ou talvez saiba e não queira aceitar.


Ele entendeu o que ela quis dizer.


Era quase inadmissível que pudesse existir entre os dois algo mais que uma relação profissional. Eram como fogo e gelo... Opostos.


- Eu também acho isso...


- É contraditório, você não é tipo que se apaixona.


- Talvez eu estivesse e não quisesse admitir...


- E o que fazer? Trabalhamos juntos, nunca daria certo.


- Não por isso, e sim porque você não confia em mim.


- E você pode me culpar?


- Não sou desleal.


- É mais que isso, está na sua natureza.


- Eu não consigo mais me imaginar sem você, te ver com aquele ruivo, trouxe a tona um sentimento de medo. Eu não estou te pedindo em casamento, ainda. Tudo o que quero é um voto de confiança.


- Não vou me expor desse jeito.


- Eu não vou desistir!


- Uma chance... Roy, você vai ter uma única chance.


A loira baixou o olhar para o chão. Sabia que era imprudente o que estava fazendo. Arriscar dessa maneira seu coração. Mas suas palavras haviam quebrado todas a barreiras.


- Então por que não me olha nos olhos?


- Porque eu sei que é burrice o que estou fazendo e uma voizinha dentro da minha cabeça está berrando para eu esquecer isso e te colocar para fora daqui. – ela sorri sem humor ainda olhando para baixo –


- Então manda essa voz calar a boca! – ele levanta o rosto da loira –


- É loucura demais...


O moreno a beija com intenção de fazê-la esquecer aqueles pensamentos. Não permitiria que ela se afastasse jamais.


Ciúme, um sentimento de posse que nos faz perceber o quanto certas pessoas são importantes. Roy agora tinha certeza de adorava aquele sentimento... Pois foi ele que retirou a venda de seus olhos. A venda que impedia de ver que a mulher de sua vida e sonhos sempre esteve ao seu lado.


Fim


Não me matem! Eu sei que ficou meio, muito, extremamente meloso. Mas eu achei tão fofo! Espero que gostem do último cap de ciúmes!


Kissus meu povo!



Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.