Notas iniciais
Aqui estou eu humildemente para postar esta fanfic, dedicada a Chiharu Charlotte, vulgo, Ana, beijos a ela, essa vaca sz.

O céu estava nublado. Desencostou-se do parapeito e foi tomar um banho quente, o dia estava frio; parece que Sebastian tinha ligado alguns minutos antes e combinou de saírem juntos, ele tinha uma surpresa para lhe mostrar. Não era de sua natureza demonstrar curiosidade, mesmo que se roía por dentro em desvendar o mistério. Era o jeito, pegou um cachecol azulado e enroscou-a no pescoço; o molho de chave sumiu no bolso de seu agasalho após trancar a porta.

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Sebastian estava sentado a uma mesa de uma sorveteria, tinha passado meia hora que ligara para seu amigo e até agora nada. Sabia que costumava demorar a se arrumar, levando em conta das quinze quadras que teria de percorrer até chegar ali. Prevendo o atraso, desde que chegaram ali o moreno tratou de entreter sua convidada; ambos distraídos com seus pedidos, ele pedira um sorvete de pistache com morango, já ela pedira um milk-shake de chocolate. Os assuntos foram mudando lentamente e logo se esqueceram de que estavam a esperar uma pessoa.

A porta se abriu revelando o jovem esguio de olhos azuis; lindo tom de azul, os cabelos levemente molhados pela fina chuva que começou a cair há mais ou menos quinze minutos. Afrouxou o aperto do cachecol a dobrando, estava curioso.

— Sebastian, o que tu querias… — avistou a garota ao lado dele, sua boca se fechou.

— Pois é Ciel, Charlotte voltou da França. — sorriu divertido, sabia dos sentimentos do garoto, que nunca fez questão de esconder para o moreno, era e é seu melhor amigo — Encontrei-a no aeroporto quando fui buscar Anette. — chamou o garçom para um novo pedido — E eu ofereci uma carona.

— Sim, fiquei surpresa quando descobri que Sebby estava com ela, logo o cara frio que não demonstra sequer uma emoção em público… — juntou as mãos, apoiou os braços na mesa e olhou diretamente para Ciel — E tu? Como vai depois dos quase três anos sem me ver?

— Indo bem. — constrangido com o peso do olhar, pegou o cardápio e fingiu ler as opções de sorvete; o garçom se aproximou já empunhando um pequeno caderno e uma caneta preta — Eu vou querer um sorvete de creme com chocolate com calda de limão, por favor.

Estabeleceu-se um silêncio quase mortal entre os três, assunto algum parecia fluir da mente do jovem, seus olhos brilhantes percorreram de suas unhas para a franja desleixada que caía pelo rosto de Sebastian; e agora?

— Espero que essa chuva não engrosse muito. — um sorriso pequeno se formou nos lábios, tinha sentido o desconforto do amigo; obrigado por salvar a situação — Lotte? Tu poderias passar a noite no apartamento do Ciel? É que a minha Anette está meio cansada, e tu também… e se eu deixar as duas se juntar a conversa vai até a madrugada.

— Sebastian, mulheres gostam de conversar. É normal queremos falar e relembrar do passado. — riu — Acho que tu queres é um tempo sozinho com ela para… — sua boca fora tampada pela mão gelada do moreno.

— Por favor, Lotte. — tirou a mão e se ajeitou na mesa.

— Desculpe. E voltando ao assunto, eu poderia ficar sim, eu iria procurar um hotel para ficar até eu conseguir estabilizar meu retorno. Ciel, isso lhe incomoda?

— Não. Podes ficar em meu apartamento sim, ele é espaçoso demais para mim. — o pedido chegou; a colher cheia do sorvete triscou na calda de limão — Se quiseres… podes ir assim que sairmos desta sorveteria. — as bochechas ficaram rosadinhas, ela adorava suas bochechas.

— Então tudo bem.

Sebastian apenas olhava de um para o outro com seu sorriso faceiro. Tinha arranjado uma ótima desculpa para fazer com que os dois ficassem sozinhos para poder conversar melhor; Michaelis e seus planos, eles eram infalíveis.

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O carro parou no sinal vermelho, ou o que se via dele através daquele borrão, a chuva tinha aumentado tanto que estava sendo um tanto difícil do moreno dirigir, por isso diminuíra a velocidade e dobrou seu cuidado para evitar atropelar alguém ou bater em outro carro que não estava em seu campo de visão.

— Droga, esses invernos londrinos são uma… — engoliu uma palavra de baixo calão, mesmo sabendo que a garota tinha dormido no banco de trás.

— Que ideia foi essa de indicar meu apartamento para ela ficar por uns dias?

— Mas pequeno, eu falei a verdade. Anette está cansada da viagem, e Charlotte também, as duas juntas iriam transformar meu apartamento em um caos. — forçou um pouco a vista para ver o sinal verde; o para brisa quase não ajudava na retirada de excesso de água do vidro — E nem vem querendo preparar discursinho para o assunto que além de eu saber que tu queres conversar com ela… tu és meu vizinho. Qualquer coisa é só bater na minha porta.

Ele ainda resmungou algo baixo o suficiente para Sebastian não ouvir, encostou-se ao vidro gelado e acompanhou as gotas baterem janela e escorrer apressadamente.

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— Boa sorte com sua hóspede. — o moreno sorriu ao fechar a porta de seu apartamento.

Ciel apenas trancou a sua e se apoiou na parede. Charlotte dormia no quarto ao lado do seu; ele não sabia o que fazer agora, talvez preparar algo para ela comer assim que acordar. Sorte sua que tinha feito as compras do mês dois dias atrás. Foi até a cozinha e abriu os armários, olhou por certo tempo enquanto vasculhava alguma receita simples de fazer, mas que rendesse.

E lá estava ele preparando panquecas com leite condensado e sorvete; ao menos não queimou nenhuma como costumava fazer antes, era o mínimo de se fazer, afinal Sebastian tinha lhe ensinado a cozinhar, fora um ótimo professor, além de rígido.

Pensou em fazer um suco, mas antes mesmo de pegar as frutas na fruteira, Charlotte aparece na cozinha, sonolenta e com fome. Em silêncio ela se aproximou do jovem, que segurava laranjas, e sorriu.

— Estás a preparar o que? — a fome aumentava.

— Fiz panquecas para ti, sei que assim que acordasse estaria faminta. — lembrou-se que tinha morangos na geladeira.

— Exatamente, mas eu não queria lhe incomodar. — sentou-se à mesa, fitou o prato com as panquecas, a generosa camada de leite condensado que as cobrias lhe atraía o olhar, era um de seus doces favoritos.

— Eu vou fazer um suco, tu preferes morango ou laranja?

— Eu gosto de morango, mas faça ao seu gosto, afinal, Sebastian teve um ótimo aluno. — riu, lembrava-se dos desastres culinários que ele fazia nas primeiras semanas de aula com o moreno, e a coitada era a cobaia que experimentava os pratos.

— Engraçadinha. — fez cara de muxoxo, mas sorriu; decidiu por escolher os morangos — Aliás, sirva-se.

Sem receio algum, ela puxou os talheres ao seu lado; fisgou duas panquecas e provou. Ciel o olhava de soslaio esperando por uma reação da jovem; tirava os talinhos das frutas e quase cortou o dedo.

— Está ótimo, mesmo depois desses anos tu só melhoraste na cozinha. Parabéns.

— Obrigado. — ligou o liquidificador e procurou o pote de açúcar.

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Sebastian sorria maquiavélico para o nada, os dedos de suas mãos entrelaçados e com os braços apoiados na cama. Anette estava sentada ao seu lado lendo um livro e ficou curiosa para saber o que se passava na cabeça do moreno. Marcou a página que lia com um marca página de ursinhos; pôs a mão no ombro dele.

— Diga o que estás aprontando. — sabia que quando via aquele sorriso é porque estava arquitetando algo.

— Nada não, apenas estava pensando em uma coisa. — levou o dedo indicador no lábio.

— Diga. — sorriu e apertou os dedos nos ombros.

— Mais que coisa… Charlotte está de volta e… — fora interrompido ao ser jogado de encontro com os travesseiros.

— Como assim? E quando ela voltou? Por que tu não disseste para mim?

— Na verdade ela veio com a gente, só que, assim que tu entraste no carro acabou por dormir; vi-a no estacionamento e dei uma carona a ela. Deixei-te aqui dormindo e nós saímos para tomar sorvete.

— E tu convidaste Ciel, não?

— Sim.

— Entendo… tu realmente achas que eles vão dar certo? — ela sabia que ambos se gostavam, mas nenhum dos dois tomava iniciativa, assim como também sabia que Sebastian sempre formava um clima para os dois, queria dar uma de cupido. E agora que Charlotte estava de volta, claro, que nada mudaria. — Típico seu. — sorriu.

— Pois é. Mas desta vez, eu sinto que teremos resultados. — levantou os braços; eufórico, jogou-se contra a moça, ambos caíram e começaram a gargalhar.

— Espero que sim; já está mais do que na hora d’eles se acertarem de vez. Ou eu forço os dois a se beijarem.

— É isso que dá em shippar nossos melhores amigos.

— A vida de um shipper é interessante e intensa, eu gosto de vivê-la. — abraçou o moreno lhe beijando a bochecha rosada.

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Havia amanhecido e Ciel já estava de pé; costumava abrir as janelas de todo o seu apartamento para esquentá-la naturalmente, o calor do sol lhe era agradável, ainda mais naqueles dias frios e cinzentos. Ao abrir a do quarto em que a moça estava hospedada, acabou por tropeçar em algo, uma calcinha foi vista assim que a mala se abriu. Seus olhos quase caíram de tanta vergonha, mesmo com a garota ainda adormecida. Girou nos calcanhares e saiu rapidamente do quarto; fechou a porta e respirou profundamente.

— Sinceramente, Sebastian devia ter minhocas em vez de cérebro para me pedir algo assim. — passou os dedos pelos cabelos e foi até a porta da sala.

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Anette desenhava algo em uma prancheta, pousou o lápis na poltrona e mudou de posição; podia ver os dois pela porta que estava aberta. Sebastian e Ciel estavam sentados à mesa na cozinha debatendo enquanto comiam scones preparados para acompanhar o chá.

— Tu és muito lerdo. — concluiu depois de ouvir sobre a cena do quarto — Tenha mais cuidado, mulheres não gostam de ter o espaço privado invadido por homens.

— E o que eu posso fazer? Foi sem querer, e… ah! esquece.

— Bom, eu não posso fazer muito por ti, já quem deve tomar primeiramente a iniciativa és tu.

Seus dedos grudaram no scone o amassando. Era tímido quanto a esse assunto, na verdade ele nem ao menos sabia como tratar com Charlotte; gostava dela muito antes de conhecer Sebastian, no mesmo dia em que a viu saindo do cinema com algumas amigas. Percebeu que em nenhum momento tinha deixado de pensar ou de amar a jovem.

Escondeu seu rosto nas mãos tentando fazer com que suas bochechas deixassem a coloração rosada. Em vão.

— Não tem jeito. — levantou, o scone judiado ficou em seu prato, a xícara de chá estava a dois dedos do fim — Obrigado pela ajuda de alguma forma. — despediu-se silenciosamente de Anette e abriu a porta.

— Disponha. E depois me diga como se saíste, garanhão. — gritou Sebastian da cozinha. Ganhou apenas um singelo dedo do meio.

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Olhava para as mãos e nada de conseguir sequer abrir a boca, ainda por cima sentindo suas bochechas vermelhas novamente. Maldito corpo que costumava lhe trair. Em silêncio, Charlotte parecia ler os olhos do outro, sabia que tinha algo a dizer; e com um sorriso ela se levanta do sofá.

— Espere… eu ainda não…

Deu o bote. Jogou-se contra o coitado e o beijou; as pernas magras o rodearam pela cintura, a mão sentia o arder das bochechas dele. Impulsiva como sempre, ele pensou.

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Passou-se uma semana, e Ciel acabou por descobrir que seus sentimentos eram recíprocos; sentia-se feliz, mas claro, não demonstrava, não conseguia, mas Charlotte sabia que ele estava alegre.

O dia estava nublado e choveria em breve. Assim que sentiu as primeiras gotas caírem e escorrerem pelo seu rosto o garoto tratou de procurar um abrigo o mais rápido possível. Tinha avistado uma padaria bem próxima deles, mas assim que apertou na mão da moça para leva-la até o ambiente ela estagnou.

— Esqueceu-se de meu desejo? — ela o sentiu tremer de leve — Um beijo na chuva.

Ciel sentiu um frio na espinha e suspirou. Até que poderia ser interessante, se ele não tivesse asma, claro. Sebastian poderia vir com sermões mais tarde do tipo “Eu já disse para não ficar na chuva, tu queres ficar doente? Quer que sua asma o leve novamente ao hospital?”, mas que se dane.

Agarrou-a pela cintura e a beijou, bem na frente do Big Ben.

— Obrigada.

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— Trinta e oito graus de febre. — a mão gelada lhe deu um choque térmico com a sua testa quente — Quem mandou ser tão teimoso?

— Vá à merda, Sebastian. — deu-lhe o dedo do meio; encobriu o rosto com o edredom, sentia sono.

— Desta vez eu deixarei passar, mas da próxima não, nem que Lotte lhe peça de joelhos fazendo a “fênix”.

Novamente o dedo do meio, mas como se não fora suficiente, Sebastian, levou uma travesseirada. Ele riu.

Notas finais
:B e fim kkkk
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!