Chuva de flores
6 Tudo tem limite.
Notas iniciais
–Suelen Gimenes? Aquela modelo famosa? – se surpreendeu Sara.
–Sim, ela mesmo. Vai estudar na minha sala no Elite a partir de amanhã.
–Que coisa! Ela é tão alta, nunca imaginei que ainda estudasse!
–Nem me fale… Aliás, eu descobri que aquela outra modelo, a Safira, também estudou no Elite… E era amiga do F4, provavelmente. Vi fotos deles juntos.
–Se eles tiraram fotos juntos, claro que são amigos, né?
–Ah, não sei… Vai que cola? – e as duas deram risada. – Mas eu acho legal… Além de modelo, ela é advogada, e ajuda os pobres.
–Igualmente acho lindo.
–Ser rico é mais fácil para seguir os sonhos, não é? Eu queria ter dinheiro pra comprar as coisas para a natação…
–Calma, um dia poderá comprar, com a ajuda de patrocinadores…
–O Elite deixou de me dar coisas novas de natação graças ao Fernando! Que ódio!
–Calma, olha o nível de stress menina… Esquece isso.
–Vou tentar me acalmar. Ao menos, ainda posso usar a piscina, e o campeonato está logo aí, e eu posso ganhar um prêmio em dinheiro, que a escola vai pegar uma parte (também graças ao Fernando!), mas o resto fica comigo. Ganhando, quem sabe, me respeitem mais naquela escola.
–Vão sim.
No dia seguinte, saindo do vestiário, Michele foi surpreendida por três rapazes.
–Boa tarde.
–Boa tarde mocinha – o mais alto deles sorriu maliciosamente. – gostaria de acompanhar-nos?
–Não, eu preciso ir para meu trabalho…
–Vem, é rápido…
–Não posso, sério.
–Pois virá, por bem ou por mal!
E arrastaram-na. Puseram um pano em sua boca, para que não gritasse. Chegaram em uma sala, onde eles prepararam instrumentos para fazer-lhe cócegas. Puseram-na em cima de uma mesa, e começaram com a sessão de tortura.
–Parem! Eu odeio cócegas!
–Deixem-na em paz!
E chegou o Renato.
Os três saíram correndo, ao verem-no.
–Muito obrigada… – Michele foi dizendo.
–Eu apenas também não suporto cócegas. Acho que o Fernando está indo muito longe com essas coisas. A propósito, fiz o pudim e não deu certo; queimou. Esquecera-se de algum detalhe?
–Ah sim, me desculpe… precisa cozinhar em banho-maria.
–Banho-maria?
–Sim… Esquenta água, põe a assadeira de pudim em cima da panela com água, e vai cozinhando lentamente.
–Ah, claro… Aliás, aqui está um presentinho.
E lhe entregou óculos e maiô novos.
–Boa sorte no campeonato.
E se foi. Michele ficou olhando o presente de início, depois foi tirar satisfações com o Fernando.
–Olha se não é a Michele! A que devemos a honra de mais uma visita sua? – disse Lion, com toda a sua educação inglesa.
–Três rapazes me puxaram e me fizeram cócegas! Você acha isso legal? Pois eu não acho!
–Cócegas? – repetiu Fernando.
–Sim, cócegas!
–Eu jamais pediria para alguém fazer cócegas em outra pessoa! Eu também odeio cócegas!
–Está desconfiando de mim? Pois um de seus amigos viu o ocorrido!
–Qual amigo?
–Eu.
Renato chegou naquele instante a sala.
–Parece que a coisa saiu de controle, não acha Fernando?
Os três rapazes tinham vindo falar a Fernando sobre o ato, e, ao virem Renato e Michele, saíram correndo. Fernando foi atrás deles.
–Voltem aqui e peçam desculpas a ela!
–Ok, ok, mas não nos bata! – disse o mais alto, morrendo de medo. Michele achou engraçado o fato de que, longe do Fernando, ele parecia um valentão, mas, ao lado do mais poderoso do colégio, parecia mais um cão amedrontado.
–Não irei bater, desde que façam o que eu estou mandando!
E eles chegaram perto da Michele.
–Nos desculpe, Michele!
–Estão perdoados meninos… – Michele estava sem graça.
Após isso, os três se foram, e Michele também. Alex se virou para o amigo.
–Não acha que tudo isso está indo longe demais?
–Sim… A partir de amanhã, irei dizer a todos que devem parar com tudo.
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