Notas iniciais
Ain, é o último capítulo T_T

Fui até a porta da varanda de Natalie enquanto eles continuavam a falar qualquer coisa que eu não prestei atenção e fiquei o olhando a chuva — mais forte do que quando acordei — cair e formar uma enorme poça em todo o pátio de condomínio. Lembrei de quando eu tinha uns oito anos de idade e levei a maior bronca dos meus pais porque eu tinha tomado banho de chuva. Foi legal, mas depois eu fiquei doente.

- O que foi? — Danny apareceu ao meu lado, apoiado no vidro assim como eu, provavelmente achando estranho que eu estivesse rindo sozinha.

— Só lembrei de uma coisa...

— Algo a ver com as minhas calças? — insistiu de novo.

- Não, Danny — ri da cara de decepção dele — Eu provavelmente não vou lembrar nunca do que aconteceu com suas calças e não sei pra quê você quer saber. Já está vestido, precisa de mais o quê? — ele riu e concordou com a cabeça.

Danny pasou a olhar para o lado de fora também e, me batam depois, mas ele nunca esteve tão lindo quanto agora, com a luz branca brigando com o brilho natural dos olhos dele. Era como um holofote, que iluminava todo o seu rosto e... Era baba escorrendo pela minha boca? Eca.

- Faz muito tempo que eu não tomo banho de chuva — Danny disse randomicamente, ainda encarando o lado de fora.

- Eu tenho um leve trauma. Da última vez que saí na chuva por diversão, minha mãe quase sugou minha alma e eu fiquei doente — soltei mais um risinho ao lembrar desse dia.

— E quando foi isso? — Danny tinha uma sobrancelha erguida e me olhou por um breve instante, antes de voltar a encarar os pingos grossos da chuva.

- Eu tinha uns oito ou nove anos... — dei de ombros, mas ele deu muito mais importância.

- Você está brincando que desde os nove anos você não toma banho de chuva — arregalou os olhos para mim.

- Não tomo banho de chuva intencionalmente desde os nove anos — ser pêga de surpresa por nuvens carregadas enquanto você está atrasada por uma reunião definitivamente não é algo divertido.

- Vamos — Danny estendeu-me a mão, sorrindo infantilmente.

- Pra onde?

- Vem, Del!

- Não, tá louco? Acha que eu vou ficar sendo levada por você pra qualquer lugar? — estava recitando meu belo discurso de como Danny era imprudente e que nem se eu perdesse a noção do perigo o deixaria me levar para um lugar que eu não conhecesse, mas fui rudemente interrompida por ELE ME JOGANDO NO OMBRO! — JONES, MAS QUE PORRA É ESSA? — gritei com o susto, fazendo todo mundo olhar para nossa situação hilária, acompanhada de risadas.

- Douguie, abre a porta — Danny me ignorou totalmente. Douguie pareceu hesitar, vendo que eu esmurrava as costas de Danny como pudia, mas se direcionou até a porta de entrada — Vai logo, ela é pesada!

- VOCÊ ESTÁ ME CARREGANDO SEM A MINHA PERMISSÃO E AINDA ME CHAMA DE GORDA? — ele deve estar bêbado ainda, para arriscar a vida desse jeito — EU VOU TE MATAR, SEU IMBECIL! ME BOTA NO CHÃO AGORA — parecia que meu ataque não estava tento o efeito que eu queria que tivesse e, quando me toquei que a viagem estava mais desconfortável do que antes, vi que Danny estava descendo as escadas de incêdio — ME SOLTA! — meus gritos ecoavam macabramente pelas escadas.

- Cala a boca, Delilah! Você vai incomodar os outros!

Ah, agora, além de tudo, ele quer que eu cale a boca. Não quer mais nada, não? Acompanha fritas?

- Eu não vou calar a boca, seu babaca! Me bota no... — ele abriu uma daquelas portas corta-fogo e "a luz" se mostrou intensa, machucando meus olhos.

E então entendi o que estava acontecendo. Tarde demais.

- Pronto — minhas roupas começaram a ficar frias e pesadas assim que Danny me colocou no chão. A fúria nos meus olhos começou a se dissipar quando vi Danny tão molhado quanto eu.

— Foi para isso que você fez toda essae cena de comédia romântica?

- É legal imitar os filmes de vez em quando. As garotas adoram — sorriu cínico.

- Eu não sei com que tipo de garota você sai, mas eu gosto de filmes de ação. Então, se você não explodir um carro italiano extremamente caro, saltando sobre outros carros italianos extremamente caros enquanto atira na cabeça de um alienígena com uma AK-47, eu não me surpreendo — fiz minha melhor cara de tédio, enquanto meus cabelos grudavam no meu rosto.

Não podia negar: sentir a chuva fria cair na sua cabeça, costas e em seus ombros é mais relaxante do que qualquer aula de ioga, principalmente depois de ser carregada dez andares abaixo por seu amigo que te tira do sério — nos mais variados sentidos — e que agora está usando uma camiseta branca debaixo da chuva com você.

— Devia imaginar. Você nunca foi uma garota normal — disse apenas para me provocar, mas, claro, mostrei que sou superior e o ignorei.

- Sabe, se você simplesmente tivesse dito "hey, vamos tomar um banho de chuva" eu poderia ter descido as escadas sozinha.

Danny seco era um perigo, molhado, então, era causa de óbito. A água descendo pelo rosto dele o deixava totalmente encantador e sexy ao mesmo tempo — e nem imagino como ele consegue isso — somado à sua camiseta branca colada ao corpo, resaltando os belíssimos músculos do tronco e do braço, significava curto circuito no cérebro imediatamente.

— Mas não teria graça — ele veio andando até mim, a palhaça parada embaixo de uma chuva torrencial — Admita que você adorou ser carregada igual nos filmes — sorriu de lado ao mesmo tempo que segurou minha cintura com uma mão de cada vez e como se fosse uma lei da física, minhas mãos repousaram em seus ombros. (n/a: tara da Bee por ombros se manifestando)

— Não — disse orgulhosa, mas um tanto desconcentrada devido às minhas circuntâncias.

— Para de frescura, Del. Eu lembro de uma certa pessoa... — Danny pausou para me dar um breve beijo perto de clavícula — me chamando de gostoso, ontem à noite — beijou-me perto daquela região de novo.

- Eu estava bêbada — e o meu orgulho usaria essa desculpa o quanto puder.

— Você sabe que um dia todos nós vamos ter que conversar, sóbrios, — frisou, me olhando nos olhos agora — sobre a noite passada. Quero dizer, a Linsay já dormiu com o Harry e eu beijei o Tom! — ele tinha ese dom de transformar qualquer situação em uma piada.

— Não teremos essa conversa agora, embaixo da chuva — suas mãos me apaertaram mais contra si.

- Então fica quieta.

Acho que não preciso mencionar que Danny me beijou. E eu o beijei de volta. É, foda-se: eu estava beijando Danny Jones. Meu primeiro beijo na chuva — ele vai usar isso contra mim pelo resto da vida, mas eu não podia me importar menos, agora que sua mão segurava a parte de trás da minha cabeça, com os dedos entre meus cabelos molhados e a outra afagava minha cintura e me grudava contra o corpo dele, este que eu puxava para perto como se a função da minha vida fosse essa. Mesmo com os gestos um tanto "desesperados" nosso beijo era calmo e — me bata muito forte — provavelmente entraria no meu top 10, com essa ajudinha que a chuva dava. Top 5, talvez... Certo, só por ter puxado meu lábio de baixo vai para o top 3... Oh, droga:

ESSE É O MELHOR BEIJO. Infle seu ego na minha mente, Jones.

Se eu soubesse que beijar embaixo da chuva era tão revigorante — e excitante — assim, eu teria arrastado meus namorados para qualquer garoazinha que caísse. Ou será que é só culpa do Jones que esse momento esteja me tirando o fôlego? Talvez a combinação dos dois...

Who cares?

Mas, o que é bom dura pouco e — repare que lindo — nossos adoráveis amigos apareceram no hall externo do prédio, secos por estarem embaixo de uma cobertura, que seria o chão do cara do primeiro andar, e fazendo a maior barulheira, com direito a assovios, "uhuls" e um "finalmente" nada discreto provido do Harry.

O meu lindo olhar ameaçador voltou-se para eles enquanto Danny quebrava-se em risos, mesmo que a vergonha estivesse cobrindo seu rosto.

Soltei-me dele — com muito pesar — e andei em direção à minha vítima. Linsay, que batia palmas teatricalmente, olhava-me segurando o riso. Juntei suas belas mãozinhas e a puxei para baixo da chuva junto comigo, deixando-a ensopar-se enquanto eu corria dela — que demorou um pouco para correr atrás de mim depois. Danny ria escandalosamente e, depois de dar uma volta no chafariz no centro do pátio, na frente de Linsay, vi todos os outros molhados, juntos na chuva. Douguie, Harry e Natalie pulando nas poças de água, Tom e Ashley abraçados e Danny...

Onde estava Danny?

Minha dúvida foi esclarecida quando senti dois braços que nunca poderiam ser da Linsay, me envolvendo pela cintura e me tirando do chão.

- Agora você vai pagar por ter feito isso no meu cabelo — Linsay apontou para a cabeça e começou a sacudir os cabelos no meu rosto. Automaticamente, fechei meus olhos, mas as gotas do cabelo dela e as gotas que caiam do céu não tinham muita diferença, então foi meio estúpido da minha parte. Comecei a me debater nos braços de Danny e logo me soltei dele, correndo dos dois agora, me escondendo atrás de Douguie.

E, basicamente, foi assim que terminamos nosso sábado, brincando de pega-pega — entenda como quiser, cof — na chuva, rindo como não fazíamos há muito tempo... Sóbrios, quero dizer.

Eu, meus amigos e Danny — agora eu não sabia qual era a classe dele, mas depois eu descubro — na chuva, igual a um bando de retardados. Esses éramos nós.

Até o porteiro chegar e nos mandar subir porque os vizinhos estavam reclamando do barulho.

Notas finais
Oh, no! Acabou! D: Vou só dizer MUITO obrigada MESMO por vocês terem me deixados reviews tão lindos e motivadores! Nem imaginava que alguém (além da Cris) fosse ler e ainda por cima gostar da fic! Prometo que venho com mais algumas pra vocês! E beijo especial pras meninas do FFOBS que também comentaram aqui no Nyah.
Na verdade, todas vocês são lindas! UHAISUH, até a próxima! ;D
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!