Chuva

1 Loja do Cross


Notas iniciais
Sinta como se a Yui fosse você, querida leitora!

– Chuva...

Eu suspirei um pouco desanimada. Afinal, eu teria que voltar a pé pra casa e não trouxera um guarda-chuva. Talvez pra piorar, a chuva aumentava e minha casa ficava longe da escola. Olhei para o céu e perdi as esperanças de esperar que a chuva passasse. As nuvens estavam tão negras que nem se permitiam a passagem da luz, transformando 5 horas da tarde em quase breu de 7 horas da noite.

– Quer carona? – Lenalee me ofereceu seu guarda-chuva. Até fiquei grata, mas não podia aceitar.

– Tudo bem. Além disso, sua casa é para o outro lado.

– Mas sair nessa chuva é perigoso. Você pode pegar um resfriado bem forte ou até uma pneumonia. – ela estava certa com relação assim, mas mesmo assim, não iria aceitar.

– É uma chuva fraca. – pela cara que ela vez, ‘tava na cara que eu tinha falado besteira. – E também sei de alguns atalhos pra casa. – a mentira até que funcionou, pois Lenalee suspirou aliviada.

– Pelo menos quer levar meu casaco? Está muito frio.

– Não. Nem estou com frio. – o que era outra mentira. O frio estava muito forte e sentia meu corpo quase congelando.

– Tem certeza?

– Com certeza... Não se preocupe, Lenalee–chan. Até segunda.

Eu sabia que ela queria me levar e por isso, apressei me com nossa conversa e segui para a chuva. Estava mais frio do que pensei. Minhas pernas tremiam e eu impedia que meu maxilar fizesse o mesmo. Mesmo com meias grossas e botas pretas, minhas pernas estavam congelando. Meu corpo acontecia o mesmo o mesmo já que só o casaco do colégio não era muito quente. Eu me apressava perante a chuva e esperava chegar logo em casa, antes que eu não conseguisse mais andar.

Eu estava na esquina do Centro quando um idiota passou com o carro em alta velocidade e me molhou por completa. Além de imprudente e irresponsável, tive que ficar aturando algumas pessoas que riam do ocorrido. Suspirei e me apressei mais e mais.

– Era só o que eu precisava. – comentei cansativamente.

Minhas pernas doíam. Eu estava me sentindo mal. Toda encharcada, o frio parecia ter aumentado e isso era muito ruim. Foi aí que me lembrei da loja de Cross, um antigo amigo e onde eu poderia esperar até a chuva diminuir e aproveitar para me aquecer urgentemente. Com passos decididos, fui quase correndo até sua loja, porém a encontrei sendo fechada. Cross era mesmo folgado e ainda estava usando mais uma vez Allen para fazer seus serviços.

– Ele mandou fechar a loja mais cedo de novo? – fiquei um pouco com raiva de mim mesmo ao ver que o tinha assustado. Apesar dele trabalhar naquela loja, ele só era um ano mais velho e estudava na mesma escola que eu, porém eu ficava até bem mais tarde para estudar e até mesmo ajudar alguns professores. – Desculpa, não era minha intenção assustá-lo.

– Tudo bem. – ele sorriu bobamente, mas logo isso se transformou em uma nova cara assustada. – O que houve com você? – ele terminou de fechar a loja e se aproximou de mim.

– Ah, isso? – apontei para minhas roupas todas molhadas e suspirei. – Eu esqueci meu guarda-chuva em casa então resolvi voltar mesmo sem ele, mas eu tinha que estar junto lugar onde um idiota passou correndo. – eu apertei meu casaco e só vi água saindo dele.

– Você vai pegar uma pneumonia assim. – ele disse preocupado tirando o casaco preto que usava.

– Que nada, eu- Atchim! – ele se apressou e colocou seu casaco em mim. — Allen, eu não preciso disso.

– Nada disso. Você já está espirrando.

– Mas já estou molhada e não quero molhar seu casaco. – eu fui tirar o casaco, porém ele me impediu.

– Eu não vou deixar que você pegue um resfriado. – ele sorriu pra mim e senti meu rosto corar. – Agora, não o tire, ‘ta? – ele abriu seu guarda-chuva e me fez ficar mais perto dele. – Você não devia ter saído da escola nesse tempo. Você podia ter me ligado e eu a levaria pra casa.

– Mas Allen-

– Nada de “mas”. – ele sorriu carinhosamente e abraçou meu corpo com um braço, aproximando mais nossos corpos. – Você tem que se cuidar mais. Sou seu amigo e ficou muito triste quando você faz essas coisas imprudentemente.

– Não quero te envolver em meus problemas. – ele riu baixinho e isso chamou minha atenção.

– Eu fico muito feliz quanto te ajudo, sabia? Vem. Não vou ficar satisfeito até te levar pra casa.

– Era melhor eu ter ido direto pra casa. – suspirei derrotada e vi que a minha frase não foi bem interpretada para ele.

– Como é teimosa. – ele me puxou para ir em frente e logo estávamos andando com a chuva sobre nós.

O guarda chuva era grande e nos protegia com facilidade. Perguntei para Allen se ele estava com frio e ele disse que não. Ele devia estar mentindo. Mesmo ele estaria com frio naquele tempo. Fiquei um pouco desconfortável naquele momento. Eu sempre fui apaixonada por ele e isso não queria ficar assim tão próxima dele com aquele sentimento querendo sair. Não sei se era o frio ou a vergonha, mas estava me sentindo febril e um pouco de mal estar. Tentei me afastar um pouco, contudo ele não me deixava fazer isso.

– Está querendo fugir de mim? – ele perguntou enfim.

– Não é isso... É que as pessoas podem achar que estamos juntos.

– E não estamos? – corei violentamente e olhei para ele.

– Não estou falando disso, mas que eles podem achar que estamos namorando.

– E isso incomoda você? – Allen não me encarava e isso me entristeceu.

– Não. Quer dizer sim. Ah... – eu olhei para baixo sem saber o que falar. – Eu posso estar afastando alguma garota. – ao pensar naquilo, fiquei até feliz que isso podia acontecer. Mas talvez isso pudesse deixá-lo sozinho e não gostava dessa possibilidade. – Não quero te causar problemas.

– Não é problema nenhum. Eu não quero nenhuma garota desconhecida. – fiquei ainda mais vermelha com sua fala e pude sentir que estava mesmo vermelha não só por causa da situação, mas que eu estava com uma baita febre. Senti meu corpo fraquejar e segurei a camisa de Allen para não cair. – O que foi?

– Nada... – pronunciei com a maior naturalidade possível, mas quando ele colocou a mão sobre minha testa, não tive mais como mentir.

– Você ardendo em febre. – Ele parou de andar e me encarou. – É melhor levá-la a algum médico.

– Não... – eu pedi. – Eu só preciso descansar.

– Mas Yui.

– Por favor, Allen. – eu pedi. Não que eu tinha medo de médicos ou qualquer outra coisa, mas era só eu ficar em repouso e logo estaria bem. – Só preciso ir pra casa.

– Você tem medo de médicos?

– Que pergunta estúpida. É claro que não. – o olhei e senti minha cabeça pesar.

– Você vai ficar sozinha em casa de novo? – ele perguntou preocupado.

– Minha irmã está viajando a trabalho. – eu disse calmamente.

– Posso ficar com você até melhorar? – achei que ele estava brincando, mas seu olhar sério me surpreendeu.

– Por quê?

– É claro que é pra cuidar de você.

– Não é isso... Mas por que se preocupa tão comigo?

– Porque... – ele vacilou. – Porque somos amigos.

– Diga a verdade Allen. – eu pedi. – Minha irmã pediu pra você cuidar de mim, não foi?

– O que você faria se seu disse algo que talvez você não goste? – ele me olhou com medo nos olhos. Ok, minha irmã não tinha nada a haver com aquilo.

– Nada... Ainda continuaríamos amigos. – eu sorri para ele com sinceridade. Mesmo se ele falasse algo que poderia me machucar, eu não iria perder nossa amizade.

– Ok. Eu estou preocupado com você, pois eu tenho medo de te perder. – aquela frase chegou a mim sem sentido.

– Como? Acha que vou morrer com esse resfriado?

– Não é isso que eu quis dizer. – ele pegou minha mão e ficou super perto de mim. – Não quero te perder pra nenhum idiota que não saiba cuidar de você.

Ele invadiu minha boca com a sua antes mesmo de eu me dar conta e, assustada, me separei dele, com medo e até surpresa. Olhei para ele e o vi abaixando o olhar e me entregando seu guarda-chuva. Eu o peguei e ele se afastou para a chuva.

– Allen?

– Desculpa... Eu não queria ter te assustado, mas... Acho que isso acaba com nossa amizade, não é? – meus olhos se arregalaram e o vi indo embora.

Eu não iria deixar.

– Yui? – eu não sabia se ele me olhava, mas eu grudava minha face em suas costas. Não queria ficar longe dele, e não iria deixar.

– Não me deixe... – Segurei minhas lágrimas e o encarei de olhos marejados, vendo seu rosto surpreso. – Eu amo você.

Os olhos dele se arregalaram por um instante e logo ele sorriu para mim. Ele me abraçou e eu retribuí. A chuva nos molhava e aquilo podia piorar meu estado, mas não importava. Eu queria ficar perto dele e nada mais. Ele me encarou e beijou minha testa. Estava tão feliz que senti minhas pernas dobrarem e só não vim ao chão, pois Allen me segurou.

– Yui?

– Desculpa... – eu me recuperei e olhei para ele. – Não me deixa, ‘ta?

– Claro que não... Desculpa. – ele acariciou meu rosto e antes de um novo beijo, ele sussurrou em meu ouvido. – Eu te amo, Yui...

Notas finais
Caros leitores de todas as idades. Gostaria que, humildemente, deixassem uma palavra a esta escritora que aqui vos escreve. Não é pedir muito um simplório Review para dar a luz que um escritor necessita.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!