Continuamos dançando, parecia que os minutos não se passavam. Era como se o tempo tivesse parado. Parado para nós dois. Estranho... Meus sentimentos de admiração e carinho por ele, pareciam estar mudando, e meu coração batia acelerado. Por mim, eu poderia ficar ali a noite inteira, junto a ele. Pensando nisso, não resisti e encostei minha cabeça no peito dele, podia ouvir claramente seu coração bater acelerado também. Naquele momento não contive minhas emoções e o abracei, o abracei como na primeira vez que nos encontramos naquele lugar. Aposto que todos no salão me olharam espantados, mas eu apenas deduzi, já que meus olhos estavam fechados. Eu apenas continuava com os passos para lá e para cá, ouvindo a música que nos embalava, e alguns cochichos também, enquanto sentia o perfume dele. O perfume que eu estava com tanta saudade de sentir.

Abri um pouco os olhos quando senti ele encostar o queixo sobre minha cabeça, fazendo sua respiração remexer alguns fios do meu cabelo, enquanto retribuía meu abraço. Os passos foram ficando mais lentos, até que paramos totalmente de dançar. Ficamos por um certo tempo desse jeito, eu estava mais corada do que nunca, nem nos meus sonhos eu imaginava ficar tão perto dele assim... Não mesmo.

- Mukuro-sama... — minhas palavras saíram tão baixas, que mais pareceu um sussurro, e logo fui afrouxando o abraço, sem jeito.

Ele soltou um riso baixo, pegando na minha mão em seguida, enquanto olhava diretamente nos meus olhos.

- Vamos nos afastar de todo esse tumulto... Venha comigo. — segurou forte minha mão, sorrindo no mesmo instante. Me perdi no olhar e sorriso dele por segundos, logo assentindo.

Ele então me guiou até a grande escadaria ao fundo do salão, a qual Lal, Bluebell e M.M. estavam ao lado. Abaixei um pouco a cabeça ao passar por elas, e não pude deixar de notar os olhares enraivecidos delas para mim. Apenas as olhei de canto, receosa de que me reconhecessem, enquanto subia os primeiros degrais da escada.

Mukuro-sama puxava levemente minha mão, subindo apressadamente cada degrau, parecia querer sair logo daquele local, onde era fitado por todos. Após subirmos a grande escadaria, ele me guiou até uma pequena sala, já abrindo a porta. Era uma das sacadas da grande mansão, estava toda decorada com flor de lótus e tinha a vista de toda a cidade. Assim que adentramos o local, Mukuro-sama fechou novamente a porta, soltou minha mão e se sentou no elegante banco que lá havia. Observei aquele lugar, era lindo, e tudo parecia perfeito naquele momento.

- Não quer se sentar? — voltei meu olhar a ele, que me observava calmamente enquanto sorria.

- C-claro... — assenti e logo me sentei ao lado dele, unindo minhas mãos em meu colo, totalmente sem jeito.

- Uma garotinha tão encantadora como você, não me disse como se chama. — falou, enquanto soltou um breve riso, se aproximando de mim.

- M-me desculpe, eu... Me chamo Chr... — falhei por um momento, mordendo levemente meu lábio inferior. Ele me olhava serenamente, curioso, enquanto eu pensava se falaria ou não meu nome verdadeiro. — Cinderela. — respondi, retribuindo o olhar. Minhas esperanças de sair daquele \"mundo\" haviam se esgotado, então decidi anunciar meu nome atual.

- Cinderela... — ele falhou por um minuto também, direcionando o olhar para o horizonte da cidade. — ...Então é esse o nome da minha... Noiva? — ele voltou o olhar para mim, sorrindo.

- O que...? — fiquei entorpecida, apenas o olhava espantada. Noiva? Foi isso mesmo que ele disse? Não... Eu só podia estar ouvindo coisas...

- Tsc... — ele abaixou a cabeça enquanto cutucava as mãos, mas logo voltou seu olhar para o horizonte. — ...Desde o dia em que a gente se esbarrou, no centro da cidade, não consegui parar de pensar em você.

- C-como assim? — fiquei ainda mais perplexa. Mukuro-sama, me dizendo isso? Só podia ser um sonho...

- Foi por isso que promovi esse baile, porque eu sabia que você viria... — ele falhou outra vez e voltou a me olhar, sério.

- E-eu só...

- Eu te amo. — completou. Senti meu rosto arder, de tão corada que fiquei. Abaixei um pouco a cabeça, tentando processar todas as emoções que eu sentia naquele momento, meu afeto e carinho por ele estavam mais fortes do que nunca. Será que o que eu sinto pelo Mukuro-sama é... Amor?

- Mukuro-sama, eu... — minhas palavras foram interrompidas assim que ele ergueu gentilmente minha cabeça, pelo queixo. Sem dizer uma só palavra, foi aproximando seu rosto do meu, enquanto fechava lentamente os olhos.

Me senti fraca a ponto de fazer algo, eu realmente o amava. Muito. Mas procurava esconder esse sentimento por trás de afeto e admiração.

Notas finais
Primeira parte. Continuação a seguir. ~