Christmas
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Neve, neve e mais neve. Era tudo o que se podia ver na janela. O fogo crepitava na lareira, iluminando o recinto e oferecendo um calor acolhedor.
- Que chato – bufou Chloe – quando que vamos fazer algo interessante?
- Que tal só aproveitar o momento? Você não para de reclamar um minuto, sua chata! – disse Max, lançando um olhar meio reprovador para Chloe mas, ao mesmo tempo, deixando escapar um risinho.
- Xiu, hipster. Você sabe que não gosto de inverno, muito menos de ficar em casa. Os dois juntos já é sacanagem.
Chloe mexia incessantemente nos seus cabelos azuis, talvez aquilo lhe ajudasse a passar a ansiedade. Apesar de já conhece-los, Max reparava em cada movimento da punk. Para ela, aquilo era aproveitar o momento, não havia nada melhor do que fotografar a pessoa que você gosta com os olhos. Por que não fotografar com uma câmera agora?
- Fica quietinha aí – Max tirou sua câmera polaroid de dentro de sua bolsa e enquadrou Chloe rapidamente, apertou o botão e o flash foi disparado. Chloe ficou levemente desorientada, mas num instante se levantou e foi conferir o click de Max.
- Engraçado como sempre saio incrível nas suas fotos.
- Você é incrível naturalmente, acredite. – disse Max, se virando para olhar nos olhos de Chloe. Seus olhos brilhavam á luz da lareira.
- Eu sei – Chloe deu um sorriso sarcástico e Max mostrou a língua automaticamente. Esse tipo de brincadeira já era normal entre as duas.
- Não te elogio mais
- Elogia sim, você não resiste. – ela deu um sorriso mais sarcástico ainda.
- Resisto sim. – Max fez cara feia e guardou a foto na bolsa. Chloe Price estava falando a verdade, ela não resistiria.
Já tinham se passado dois meses desde o incidente em Arcadia Bay. As duas estavam vivendo em Seattle, junto de Vanessa e Ryan Caulfield. Era o único lugar onde podiam ficar. Estava sendo difícil superar tudo aquilo, mas elas se reerguiam aos poucos com a ajuda uma da outra. Com isso, Max não havia dito seus sentimentos para Chloe, achava que ainda não era a hora certa. Chloe sabia que Max Caulfield escondia algo e que não aguentaria passar muito tempo sem lhe contar o que era, porém ela aguardava calmamente o tempo de Max, a hipster nunca iria desembuchar se não estivesse segura. Chloe andava preparando o terreno desde que chegaram em Seattle, e isso não era difícil de se fazer.
Podia não sentir na mesma intensidade, mas Chloe sentia por Max o mesmo que Max sentia por ela, algo muito além que um amor bobinho entre amigas. Ela nunca pensara que seria tão fácil se recuperar de uma paixonite, como aconteceu com Rachel Amber. O luto ainda era muito presente em sua vida e era fato que ela nunca iria esquecer a garota do brinco de pena que havia conhecido em Blackwell e que tinha a ajudado tanto naqueles anos de solidão, mas Rachel a via apenas como amiga. E ela via Rachel como amiga também. Podia não ter parecido na época, mas ela percebeu que apenas tinha uma queda por Rachel porque ela se parecia bastante com Max. A verdade é que ela já sentia algo a mais por Max desde criança, e era puro e verdadeiro. Aquele sentimento permanecera, só que agora estava mais forte e aparente que nunca. “Éramos crianças, tudo era apenas uma brincadeira”, pensava a garota de cabelos azuis. Estava enganada. Chloe Price pensava estar livre daquele sentimento, o ódio ainda lhe subia á cabeça quando pensa em Max Caulfield, até o dia em que a mesma voltou para Arcadia Bay e a salvou de ser morta naquele banheiro por Nathan Prescott. Ela a reconheceu no mesmo instante que a viu, e seu coração também. Ela reconheceria aqueles olhos azuis e aquelas sardas a quilômetros de distância.
A situação não era muito diferente. Costumava gostar da punk desde criança, mas apenas via isso como um afeto infantil. Ela se lembra perfeitamente do dia em que teve que dizer á Chloe que iria se mudar para Seattle, aquele fora um dos dias mais dolorosos de sua vida.
O sol brilhava intensamente e os passarinhos cantavam. Aquele dia tinha tudo para ser feliz. Max e Chloe se encontravam sentadas no clássico balanço do quintal dos Price, melhor elemento que duas piratas poderiam ter para suas brincadeiras. Max olhava cabisbaixa para a grama enquanto Chloe se balançava normalmente.
- Che, tenho que te contar uma coisa.
- Pode falar – disse Chloe, freando o balanço com os pés.
- Eu vou... – um nó se formava na garganta de Max, a impedindo de falar.
- Você vai...?
- Eu vou me mudar – disse rapidamente.
- Vai se mudar para uma casa maior? Que legal!
- Não Che, vou me mudar para outra cidade. – as lágrimas já se formavam nos olhos de Max. Ela pôde ver a expressão alegre de Chloe mudando rapidamente para algo misturado com surpresa e tristeza.
- Mas não pode ser tão ruim, não é? – diz Chloe, tentando contornar a situação.
- Você não entende? Eu vou ir para um canto bem longe, não vou poder te ver mais! – Max sentiu as lágrimas escorrendo em seu rosto.
- Vai ficar longe de mim? – disse com uma voz chorosa.
- Sim, e eu não quero! Você é minha melhor amiga, não quero ter que ficar longe de você!
- Não, não, não, não. Isso não pode acontecer! Já falou com seus pais?
- Sim, eles não vão ceder. – mais lágrimas caíram de seus olhos, seguidas de um soluço.
- A vida é tão... injusta. – disse Chloe, também em meio as lágrimas.
- Mas você promete que nunca vai se esquecer de mim? – Max olhou esperançosa para Chloe e ela assentiu.
- Prometo. Nós seremos amigas para sempre.
Max não entende porque não manteve contato. Talvez porque não queria machucar mais ainda sua melhor amiga, era melhor que Chloe se esquecesse logo dela. Mas Chloe nunca esqueceu. E Max também nunca esqueceu, apesar de Chloe pensar isso o tempo todo. Max sempre estava em suas listas: lista de pessoas que a abandonou, lista de pessoas que ela odiava, lista de pessoas que não davam a mínima para ela. Era triste pensar que sua melhor amiga tinha feito aquilo com ela, a deixado de lado no seu pior momento, mas Max fez tudo voltar a valer a pena naquela semana. Foi como se Max tivesse consertado sua luzinha interna, cuja tinha apagado fazia anos e ninguém conseguira reacender, nem mesmo Rachel.
Isso era o que importava. Max importava. E ela não podia mais deixa-la ir. Max a fazia feliz e ela também dava felicidade á Max, e elas não pretendiam acabar com aquilo nem tão cedo. Era tudo tão recíproco que Max percebeu que não dava mais para esconder. Chloe já havia percebido, e as pessoas a sua volta também, até mesmo Ryan e Vanessa Caulfield. Eles já sabiam que sua filha era diferente antes mesmo dela própria saber.
Era até estranho o fato de eles terem deixado as duas sozinhas em casa no natal, eles sempre foram superprotetores, mas Max já estava grandinha demais para cuidar dela mesma e de sua “amiga”. Ela era uma pessoa confiável.
- Max, vamos sair por favoooor. – Chloe súplica – só para dar uma voltinha, comprar umas bebidas, ir para um strip club, qualquer coisa.
- Não posso perder a confiança dos meus pais, Che. Prometo que quando morarmos jun... Opa. – Max tapou a boca rapidamente.
- Morar junto comigo, você quis dizer? – Chloe deu um sorriso. – quando que combinamos isso?
- Você acha mesmo que vou te deixar?
- Você me deixou por cinco anos, o que vai me fazer acreditar que você vai continuar comigo? – ela tentou disfarçar, mas era perceptível que ainda estava magoada com aquilo.
- Você ainda não percebeu? Idiota. – Max falou quase num sussurro e revirou os olhos levemente. “Será mesmo que ela não percebeu? Chloe Price não é tão desligada assim”, pensou Max.
- Percebi o que? – ela perguntou em um tom convincente.
Aquela era a hora e o momento perfeito. Apesar de estar frio, Max começou a suar e sentir calor. Suas mãos ficaram meio trêmulas. O maior medo de Max é que Chloe não correspondesse. Quem sabe se ela ainda não pensava em Rachel Amber com o mesmo afeto e carinho que demonstrava pela mesma há dois meses? Max percebeu que só descobriria se dissesse o que sentia, e foi isso que fez.
- Eu estou apaixonada por você – Max falou rapidamente. Sentiu as bochechas corarem fortemente, então baixou a cabeça e começou a encarar seus pés. Apesar de já saber, Chloe se assustou com o que a hipster falou, não imaginava que ela seria tão direta assim.
Aquele foi o momento mais estranho e constrangedor de suas vidas. Enquanto Max ruborizava mais e mais a cada instante, Chloe pensava na coisa certa a dizer. O silêncio permaneceu por mais de 15 segundos, até que Chloe resolveu reagir.
- Wow. – Max levantou a cabeça para olhar para Chloe e sorriu ao perceber que ela também estava vermelha.
- Acho que consegui te fazer corar. – Max sorriu levemente.
- Isso é sério? O que você falou de... – Chloe foi interrompida por Max.
- Quando que eu menti para você, Chloe Price? – ela a encarou séria.
- Nunca.
- E então?
Chloe pegou na mão de Max e a puxou para a porta da sala. Max a olhou com confusão, mas logo foi surpreendida por um beijo, um beijo romântico e apaixonado. Não durou muito, mas para elas, aquilo foi uma eternidade. Elas se separaram e se olharam. Max a encarou, esperando por uma explicação, mas a garota de cabelos azuis só levantou seu dedo indicador, fazendo com que Max olhasse para cima. Acima delas, pairava uma plantinha pendurada em um barbante.
- Ramo de azevinho... Interessante, não sabia que a senhorita Price tinha conhecimento dessas lendas. Então isso é uma promessa? É recíproco?
- Max Caulfield, não foi da boca para fora quando eu disse que sempre estaria com você naquele farol. Eu te amo.
E elas se beijaram novamente debaixo do ramo de azevinho.
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