Choose your words! - a Swan Queen challenge
45 Panqueca - ovelha - amor - aniversário - guaraná
Notas iniciais
Regina acordou alegre naquela manhã de sábado. Após uma extensa semana de trabalhos na prefeitura, o que raramente acontecia e ela não estava acostumada, decretou que merecia um descanso.
Desceu as escadas em direção à cozinha, trajando seu confortável roupão felpudo. O outono já exercia seu papel na mudança de clima, com as paisagens tons de laranja e ventos frios que sopravam as folhas caídas ao chão. A prefeita nunca fora fã do calor, de modo que interpretava os dias nublados com particular contentamento.
Abriu a geladeira para apanhar seu café da manhã, que deveria se resumir a qualquer coisa pronta e fácil. Ao fecha-la, o círculo vermelho que marcava o calendário fixado na porta ganhou sua atenção. A data era a do dia seguinte, o acontecimento era o aniversário de Henry.
Regina engasgou com o leite que tomava. Quando havia se tornado uma mãe relapsa? Decidiu culpar Emma, já que agora ela praticamente cuidava de duas crianças, ao invés de uma. Henry, Emma, a prefeitura, administrar a casa... Era informação demais para quem sempre havia recorrido à magia como fonte primária para solução de problemas.
Respirando fundo, ela decidiu lidar com a preocupação depois do café, não era obrigada. Aproximou-se da porta de vidro da cozinha, que tinha uma bela vista para o quintal. Abriu-a, sentindo a leve e agradável brisa matinal tocar-lhe a face, o canto dos pássaros e...
— Béeeh!
— MAS QUE P*ORRA É ESSA???! — a prefeita mal teve tempo de desviar do animal, que adentrou a casa correndo, sem pedir permissão.
Atrás do bicho frenético, veio Emma exibindo um sorriso forçado.
— Bom dia, amor!
— "Bom dia, amor"? Que porcaria foi essa ? — Regina não parecia nada feliz.
— Essa porcaria, mais respeito, é nossa nova ovelha.
A loira começou a seguir o caminho de destruição deixado pelo animal, encorajando a esposa a fazer o mesmo.
— Emma... Swan... Mills. — Regina apertou a ponte entre os olhos, tentando não perder a compostura logo às oito da manhã — Refresque minha mente, querida. Por que queremos uma ovelha em nos_ EMMA, TIRA ESSE BICHO DO MEU TAPETE PERSA!
A loira percebeu a real ameaça da esposa e tratou de segurar o animal pela coleira.
— Amor, você vive dizendo pra eu ampliar meus horizontes, investir em atividades novas... — Emma tentou justificar-se.
— Comprando palavras cruzadas, lendo um novo livro, investindo na bolsa, qualquer coisa! Não trazendo animas exóticos pra minha mansão!
A xerife precisou conter o animal, que assustou-se com o chilique da prefeita.
— Regina, para de amedrontar nossa ovelha! Notei que não temos fornecimento de carne ovina por aqui, achei o mercado promissor. — começou a puxa-la em direção à porta por onde nunca devia ter entrado — Vem, Bernardo.
A prefeita ergueu uma sobrancelha.
— Qual é o nome?
— Béeernardo. — Emma ridiculamente prolongou a vogal, rindo de si mesma, como boa loira que era.
Sua esposa respondeu com um balançar indignado de cabeça.
— Bernardo? Sério? Não acha então que ele deveria ser um carneiro ou invés de ovelha?
— E tem diferença? — Emma pareceu surpresa.
Regina suspirou, visivelmente entregando os pontos.
— Você vai montar uma criação de ovinos e não conhece a terminologia dos animais...
— Ah, e como a senhora sabe disso? — a loira resmungou.
— PALAVRAS CRUZADAS, SWAN! Malditas palavras cruzadas... Agora, TIRA ESSE BICHO DA MINHA CASA ANTES QUE EU CHAME A POLÍCIA!
Emma conduziu Bernardo/Bernarda para fora da mansão. Antes de se afastar dali, voltou até o vão da porta para uma última declaração.
— Amor, eu sou a polícia. — sorriu.
— SWAAAAAN!!
Não precisou concluir a frase para que Emma corresse para longe.
— Não será por muito tempo se continuar assim... — Regina terminou, falando sozinha.
***
Algum tempo depois, quando retornou, Emma encontrou a esposa preparando panquecas.
— Achei que ia descansar esse final de semana... — comentou.
Regina não desviou o olhar de sua frigideira, limitando-se a responder de costas.
— Amanhã é aniversário do seu filho, está lembrada? — ela sempre usava a palavra com entonação, quando estava com raiva.
— Está com peso na consciência por ter esquecido? — mesmo sabendo que não era seguro, a loira decidiu provocar.
— Você não?
— Por que estaria? Acha que comprei Bernardo a toa? Pretendo instruir nosso filho no negócio. — mordeu uma maçã.
Regina virou-se, calma e sinistramente.
— Você não pode estar falando sério...
Ela estava.
— Não, claro que não. — exibiu um desconsertado sorriso amarelo — Comprei guaraná e cachorro quente, podemos convidar os amigos de escola dele.
— Que amigos? — nova cena com a sobrancelha.
— Ah, o menino tem amigos, Regina... Tem aquele... O... — ela fez uma pausa, procurando argumentos — Ah, a gente contrata uns figurantes.
Neste instante Henry adentrou a cozinha, prestes a comer alguma coisa.
— Bom dia, mães. — cumprimentou — Emma, você deixou o Nescau Ball estourar de novo no tapete da sala de jantar... — e mastigou uma bolinha marrom.
Ambas as mães trocaram olhares desesperados.
— MENINO, TIRA ISSO DA BOCA!!!
O aniversário de Henry ocorreu sem demais prejuízos. As mães se deram conta de que o garoto realmente tinha amigos e precisaram dispensar alguns dos figurantes contratados. Regina vetou a compra de cereal de chocolate pelo resto do ano. Bernardo foi nomeado a primeira ovelha trans de Storybrooke e nenhum animal foi ferido — fisicamente — na produção deste capítulo.
Cena extra:
— Regina, vem ver!! — Emma gritou, do jardim.
Regina apareceu na janela, com cara de poucos amigos.
— Tosquiei o Bernardo, olha! — a xerife indicou a ovelha — Agora vai se chamar Natalie Dormer!
— Se ela não te processar, eu processo. — e entrou de volta, largando a loira com sua obra prima.

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