Choose your words! - a Swan Queen challenge
8 Neve - anel - gabarito - pelúcia - ventilador
Notas iniciais
A neve caía em pequenos flocos sobre o jardim da mansão. Era noite do dia dos namorados e Emma acabava os preparativos para o presente da morena. Ela tinha passado a tarde passada toda atrás daquilo e agora só faltava dar os retoques finais. Regina entrou no quarto e ela jogou a caixa correndo pra debaixo da cama.
– Que isso ai? – a prefeita notou.
– Nada não... – Emma se sentou na cama de pernas cruzadas, apoiando os cotovelos nas coxas e o rosto nas mãos.
– Você acha que eu nasci ontem né, Swan..?
– Não. Na verdade, eu fico me perguntando quantos anos você realmente tem né... Porque, bom... Só desse mundo aqui você tem trinta... Imagina contando com os da Enchanted Forest...
Regina pegou uma almofada da poltrona ali perto e acertou a loira. Emma riu, caindo de costas na cama.
– Ah amor, que isso.. To brincando... Vem cá – ela abriu os braços convidando a morena a se juntar a ela.
– Não. Agora vou deixar você sofrer também.
– Regina....
– Não. Vou levar o Henry para os seus pais. E você fique aqui com essa almofada. Afinal de contas, ela deve ser mais nova do que eu né.
Regina deu-lhe as costas e saiu pela porta.
– Regina!! Amor! Pera ai! Eu tava só brincando...!
A loira saiu no vão da porta atrás dela, mas a prefeita já tinha descido as escadas com o filho. Ah droga..! – ela se amaldiçoou mentalmente – Justo no dia dos namorados e você fazer merda né Emma... Por favor hein..!
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A prefeita e o garoto riam enquanto entravam na Mercedes.
– Ela caiu direitinho né? – Henry perguntou.
– Direitinho – Regina sorriu – E nem precisei fazer uma encenação. Sua mãe praticamente se entrega sozinha.
A idéia de deixar Emma ligeiramente desesperada foi do menino. Regina logo aprovou. Seria bom fazer a loira se arrepender um pouquinho das piadinhas tão usuais. Mas depois ela seria recompensada pelo sofrimento. Regina dirigiu até a casa dos Charmings e deixou o filho.
– Boa noite mamãe... – ele piscou para ela – Se é que me entende...
Regina corou, mas riu.
– Boa noite Henry... Vigie seus avós – ela brincou.
Na volta para a mansão, Regina encarou o pequeno embrulho no banco do passageiro. Um sorriso brotou em seus lábios e ela acelerou mais. Queria curtir cada comento daquela noite com sua loira irritante.
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Estava frio pra caramba, mas apesar disso a loira (que continuava jogada sobre a cama) tinha o ventilador ligado em sua direção.
– Você tem problemas sabia? – Regina disse, entrando no quarto do casal.
– Regina! – a loira pulou para se sentar na cama.
– Não acha que está um pouco frio pra isso? – ela apontou para a janela que mostrava a neve caindo do lado de fora da casa.
– O aquecedor ta forte.
– E não seria mais simples diminuir o aquecedor ao invés de ligar isso aqui??
– To sem forças de descer lá em baixo... E eu gosto de ventinho.
Regina ergueu uma sobrancelha em sua direção. Emma percebeu que já estava bem encrencada e tentou ajeitar as coisas antes que pusesse tudo a perder de vez.
– Olha amor, me desculpa tava só brincando e... Olha se você não gostou eu paro, não faço mais e.. É só você me falar, sabe que faço tudo por você e que é a coisa mais importante pra mim e..__ — a loira atropelava uma palavra por cima da outra e a essa altura Regina já não estava conseguindo mais segurar o riso.
Emma então parou de falar e encarou a morena.
– Terminou o discurso, Miss Swan??
A xerife percebeu que a outra ria. Emma franziu a testa.
– Você fez isso o tempo todo né...? Tava só tirando com a minha cara?!
– Foi idéia do seu filho...
– Ah agora ele é só meu né..?
Regina gargalhou gostoso e a loira não conseguiu se conter também. Aquele som, aquele sorriso, eram os melhores presentes que ela poderia pedir.
– Vem... – Regina chamou – Vamos descer. Tenho uma coisa pra você.
Emma saiu da cama e andou até ela. A loira fez menção de ir até a porta, mas a prefeita a impediu agarrando seu braço.
– Na-na-na... – Regina tapou os olhos da mulher com as mãos – É surpresa.
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A prefeita conduziu Emma pela escada abaixo (o que não foi exatamente uma tarefa muito fácil, uma vez que Emma não tinha taaaanta coordenação motora assim). Com alguns tropeções elas chegaram ao final do caminho e pararam no que Emma imaginou ser o hall de entrada que dava pra sala.
– Pronto... – Regina retirou lentamente as mãos do rosto da outra – Pode ver agora.
Assim que seus olhos voltaram a enxergar Emma se viu surpresa com o novo ambiente. As luzes da mansão estavam todas apagadas e substituindo-as estavam diversas velas que pareciam pender do teto sem apoio algum. Simplesmente flutuavam. Magia era o máximo – pensou. A mansão tinha agora um aspecto surreal. O brilho das velas tocava os dois corpos ali, produzindo sombras dançantes nas paredes atrás delas.
– Regina... – sua voz saiu quase num sussurro – Isso está.. Lindo.
A morena sorriu para ela. Aquele sorriso encantador que ela tinha.
– Só por curiosidade... Você assistiu Harry Potter?
Regina gargalhou mais uma vez. Não adiantava. Aquilo estava no sangue da loira. E era uma das características que a deixava com aquele “ar juvenil”. A morena raramente admitia, mas adorava aquilo.
– Pra sua informação.. Sim, eu já assisti. Mas isso aqui é uma coisa muito mais antiga, Swan.
Emma riu também.
– Imaginei que fosse responder isso... – ela se aproximou e abraçou Regina por trás. Desceu as mãos por seu corpo, acompanhando o vestido que delineava sua silhueta – E o que mais você tem pra mim..? – sussurrou no ouvido da morena.
Regina sorriu e virou-se para a xerife.
– Calma, Swan... Tenho ainda muitas coisas... Mas primeiro.. – ela agarrou a loira pela mão e se dirigiu à sala da mansão – Vamos jantar.
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A sala havia sido igualmente decorada pela magia da prefeita. Um tapete imenso se estendia no chão e inúmeras variedades de comida estavam estrategicamente distribuídas sobre ele. A lareira queimava atrás delas e os flocos de neve coloriam de branco a paisagem lá fora.
– Você é incrível, sabia? – Emma começou, com o tom mais meigo que tinha – Não sei mais viver sem você...
Regina sorriu, de forma sincera e apaixonada. As palavras da loira serviam para ela na mesma intensidade.
– Ah é..? – ela se aproximou e beijou Emma nos lábios – Vamos ver então o quanto você sabe de mim...
– Como assim..? – Emma sorriu prevendo já alguma travessura da prefeita.
– Um jogo. Perguntas e respostas sobre nós. Vamos ver quem acerta mais...
– Fechado – ela estendeu a mão. Assim que Regina aceitou o aperto, ela puxou a morena em sua direção, selando seus lábios mais uma vez.
O beijo desta vez foi mais demorado e intenso também. Emma começou a explorar o corpo da prefeita com suas mãos ágeis e Regina apertou um de seus seios.
– Wooow! – Regina percebeu o que estava começando a acontecer e se desvencilhou da outra em meio a risadas – Caaaalma Swan... A noite ainda está só começando...
– É que ficar perto de você é uma tortura... – a loira abriu um novo sorriso.
– Eu sei coração... – Regina retribuiu de forma maliciosa – Eu também acho..
– Que ficar perto de você é uma tortura?
Regina deu um tapinha no braço da loira. Emma riu.
– Ta bom, ta bom... Vamos jogar.
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Elas arrumaram caneta e papel e cada uma escreveu uma série de perguntas pessoais para que a outra tentasse acertar. Regina ia levando a melhor. A cada errada, uma peça de roupa era tirada. No seu estado atual, Emma conservava apenas o short e o sutiã. Regina por sua vez, ainda estava quase que completamente vestida. Apenas as botas da prefeita haviam sido tiradas de seu corpo. A calça preta justa e a blusa social branca ainda estavam no seu devido lugar.
– Muito bem.. Qual foi a primeira coisa que eu fiz quando apareci nesse mundo?
– Ahn... Entrou na internet..? – Emma já estava começando a ficar irritada (e a se sentir ligeiramente abusada também, pois só ela estava ficando nua ali).
– Nops.. Pode tirar o short.
– Ahh não Regina! Cê ta roubando! – Ela cruzou os braços – Cadê o gabarito disso ai??
Regina riu e encarou a loira enquanto ela retirava mais uma peça de roupa para fazer companhia à camiseta, os chinelos e a jaqueta que já estavam no chão. Emma ficou agora só de lingerie e a morena admirou a cena por algum tempo.
– Além do mais – a loira continuou seu protesto – Como eu ia saber dessas coisas?? E você.. – ela apontou o dedo para o rosto da prefeita – Você tem um livro com a minha história..!
– Eu também estou no livro Swan... Não se esqueça.
Foi ai então que a loira ponderou seu argumento. Um tanto falhou na verdade. Ela bufou e chutou o short pra longe.
– De qualquer maneira! Ainda acho que está roubando! – ela se jogou no chão de novo – E você tem.. Tem magia!!
Regina só ria.
– Já notou como sempre optamos por jogos onde se perde roupa..? – ela mudou de assuntou ou teria de ouvir as reclamações da loira por toda a noite. E ela tinha várias outras coisas em mente ao invés disso.
Deu certo. Emma parou com a falação e encarou a morena com os olhos brilhando. Um olhar bem malicioso.
– Ahh claro... Quanto menos roupa em você querida... Mais feliz você me faz...
Aquele sorriso cafajeste da loira era demais pra ela. Foda-se o restante do jogo. Emma já tinha roupas de menos e Regina, desejo de mais. Ela jogou o papel para o lado e investiu sobre a loira.
– Espera..! Espera..! – quem interrompeu desta vez foi a xerife.
– Qual o problema..? Não vai me dizer que queria perder até no final desse jogo?
– Não.. – Emma riu – Os presentes...
O álcool do vinho que elas vinham tomando já estava começando a subir à cabeça e Emma queria estar ainda sóbria (levemente) quando entregasse seu presente à morena.
– Espere aqui.. – ela continuou – Já volto!
Emma saiu e deixou a prefeita sozinha na sala. Regina ouviu o barulho da loira nas escadas e aproveitou para pegar seu próprio presente escondido ali. A xerife não demorou a voltar e trazia junto uma caixa embrulhada. Regina tinha agora o seu pacote também em mãos.
– Quer ir primeiro..? – Emma perguntou.
– Não.. Pode dar você..
O que Regina tinha era “especial”, segundo ela. Ela queria que a loira ficasse surpresa e decidiu aguardar o presente que vinha do outro lado. Emma toda encabulada estendeu o pacote para a morena.
– Tudo bem.. Abre amor...
Regina pegou a caixa e começou a desfazer o embrulho com cuidado. Emma estava sentada novamente de frente para ela e aguardava com ansiedade a reação da mulher. O que estava demorando um pouco mais do que a loira gostaria.
– Regina..! Rasga isso ai logo de uma vez!
– Calma Swan..! Eu estou abrindo um presente não fazendo o parto de um bárbaro!
Emma teve que rir. Até parece que não sabia com quem estava lidando. “Miss perfeição em pessoa”. Quando a caixa foi finalmente aberta, Regina retirou lá de dentro um cartão com lindas palavras da loira. Os olhos da prefeita se encheram de lágrimas de alegria e ela olhou para a outra ali à sua frente. Emma, no entanto, parecia aflita demais para que ela prosseguisse e pegasse o restante do conteúdo da caixa. Regina então continuou. O embrulho ainda continha um objeto macio e quando ela o trouxe à luz, sorriu. Um ursinho de pelúcia segurava um pequeno coração vermelho.
– Tentei achar um dragãozinho pra você, mas digamos que não seja uma coisa muito comum nesse tipo de mercado...
Regina riu. Emma fez um sinal com a cabeça para o ursinho. Era como ela quisesse que a outra o olhasse de novo. Foi então que Regina percebeu. O coraçãozinho era na verdade uma caixinha. Seu coração pulsou.
– Ah não... – ela murmurou.
– O quê?? Você não gostou..? Não quer?? Tudo bem.. – Emma estava começando a ficar sem ar – Podemos namorar mais tempo se achar que está cedo demais e... Só.. Não me largue.!
– Emma cala a boca – ela interrompeu, quase rindo agora – Toma..
A morena então estendeu o próprio presente para a loira.
– Olha..
Emma pegou o embrulho e foi então que se tocou. Ao rasgar (ela sim rasgava as coisas) o papel, se deparou com uma pequena caixinha, muito semelhante a que ela própria havia comprado para a morena.
– Ai- meu- Deus...!
– Ahn-ram... – Regina retrucou de forma engraçada.
– Juntas..?
A morena assentiu. Elas então abriram suas respectivas caixinhas e cada uma se deparou com um anel de brilhante. O ar faltou para ambas as mulheres ali. Um sentimento inexplicável invadiu as duas e o coração bateu mais forte. Uma lágrima percorreu a bochecha de Emma e ela se aproximou da morena. Beijou Regina intensa e longamente, deixando que tudo aquilo que sentia se fizesse presente à outra. Regina retribuiu com a mesma intensidade, segurando o rosto da loira contra o seu. Elas então se separaram e entreolharam-se por alguns poucos segundos. A frase então saiu em coro:
– Quer casar comigo..?! – elas disseram juntas.
Não teve como evitar uma risada. Elas estavam tão conectadas uma à outra, tão entrelaçadas de certa forma, que a idéia tinha sido comum às duas.
– É claro que sim.. – Regina foi quem falou primeiro.
Emma sorriu com todas as suas forças.
– Nem precisa perguntar né... – a loira riu.
Regina, ainda com um sorriso bobo no rosto, retirou o anel que havia comprada da caixa e colocou no dedo da loira. Emma fez o mesmo com o seu. Ambas encararam suas próprias mãos e admiraram a beleza e a profundidade daquele ato. Agora era oficial. Elas seriam um casal e nada iria separá-las. Para sempre. Emma alargou ainda mais o sorriso ao contemplar Regina daquela forma e logo seu rosto exibiu a malícia de sua mente. Ela mordeu o lábio inferior, engolindo a prefeita com os olhos. Sem aviso prévio ela se levantou e ergueu a morena nos braços.
– Swan..! – Regina levou um breve susto, mas riu com a atitude da loira.
– Shh shh shh... – ela beijou a mulher mais uma vez – A primeira lua de mel começa agora...
As duas riram e Emma subiu as escadas com a prefeita no colo. Antes de deixarem a sala, Regina esticou um dos braços e pegou uma cesta de morangos e alguns chocolates. A noite estava apenas começando para as futuras esposas.
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