Choose your words! - a Swan Queen challenge
39 Desaparecer - horror - gato - dinheiro - morcego Halloween special/2014
Notas iniciais
– Regina, cadê os convites da festa? — Emma revirava a mesa do escritório.
A prefeita apareceu no vão do cômodo.
– Oi?
– Os convites. Estavam aqui ontem.
– Ah sim... Já enviei. — e saiu.
Emma estranhou. A tarefa de distribui-los havia sido encarregada à ela e não era comum que a morena assumisse alguma responsabilidade sua.
– Regina? — a loira saiu atrás da esposa.
– Hum? — a prefeita virou com a cara mais inocente do mundo.
Granny havia decidido tirar uma folga e não realizar a celebração no restaurante, só pra variar. A família Mills então ofereceu-se para sediar o halloween esse ano. A festa seria esta noite e Emma levaria os convites oficiais pela manhã, o que aparentemente já havia sido feito por sua dedicada esposa.
– Que você ta aprontando? — Emma foi bem direta.
– Quem? Eu? Nada. — Regina voltou a caminhar, dando-lhe as costas.
A loira notou que ela segurava um copo e parecia um pouco dispersa. Além de estar mentindo... Seu super poder nunca falhava.
– Reginaaa.... — segurou a morena pelo braço.
– Hum? Ah! — ela desviou o assunto quando percebeu que a xerife a mentaria presa ali — Preparou o buffet como eu pedi? Não esqueceu de nenhum convidado?
– Sim, mas... — Emma levantou uma sobrancelha. Aquela situação estava ficando cada vez mais estranha — Como tem certeza de que todos virão?
– Ah eles virão... — Regina tomou um gole do copo, encarando o vazio com um sorriso maldoso nos lábios.
– Que ce ta bebendo, mulher? — Emma tomou o copo das mãos da outra — Vodka??? Regina são dez da manhã!
– E três da tarde em Moscou! O que já é hora de beber! — e tomou sua preciosidade de volta.
A loira decidiu ignorar o fato, sua esposa já era grandinha e devia saber o que estava fazendo.
– Que seja. Agora, o que você fez com os convites? — exigiu.
Regina continuou com o sorriso maldoso, mas o olhar engraçado e vago de quem já não raciocina muito bem.
– Ora, Swan... As pessoas não podem vir simplesmente porque eu sou uma ótima companhia? Uma anfitriã maravilhosa? A melhor fazedora de lasanhas das sete colônias americanas?
Depois dessa, Emma tomou a vodka da esposa e assegurou-se de coloca-la fora do alcance da morena, numa mesa ao lado.
– Chega de drinks pra você!
Regina resmungou alguma coisa e fez bico.
– Vai me contar agora? — continuou.
– Não. Você é chata, por que me casei com você? — cruzou os braços.
– Porque eu te como muito bem. Agora vai! — sacudiu a morena pra frente e pra trás — Que você aprontou?
A prefeita começou a rir, sabe-se lá se por causa da tontura quando Emma a chacoalhou, ou porque já não conseguia esconder a comicidade de seus atos maldosos.
– Lembra da entidade maluca das fotos aleatórias? — desabafou.
– E tem como esquecer? — Emma revirou os olhos.
Regina riu ainda mais quando lembrou-se da vez em que a câmera paranormal havia tirado uma foto de sua esposa adultamente brincando com patinhos de borracha na banheira da rainha, enquanto ostentava um moicano esculpido com shampoo no alto da cabeça. Regina riu por uma semana e pregou a foto no poster da prefeitura.
– Então... Digamos que coloquei um pouco de motivação extra no convite de cada um...
– Mulher! Você chantageou o povo pra vir na festa? — Emma largou a morena, e pousou as mãos na cintura.
Regina precisou apoiar-se na parede para não cair, mas continuava rindo.
– Lógico que não! — com algum esforço ela endireitou-se e fez cara séria.
Emma suspirou, parcialmente aliviada.
– Só coloquei assim: caso não compareça, cheque o jornal pela manhã. — Regina continuou, voltando a cair na risada.
– Já me lembrei porque só deixo você beber de vez em quando... — Emma balançou a cabeça negativamente — Vem. Vamos arrumar as coisas antes que você faça mais alguma bobagem.
***
Com a sobriedade parcialmente recuperada, Regina ajudava Emma a organizar alguns enfeites no salão da mansão.
– Amor, vai ser uma festa pra adultos e fazemos algo separado pras crianças ou algo comum? — a loira indagou, terminando de pregar uma teia de aranha no teto.
– Hum... — Regina refletiu. Não gostava de afastar-se do filho nas festividades — Acho que algo comum, que acha?
Emma deu de ombros.
– Pode ser então.
A campainha tocou.
– Deixa que eu atendo! — a morena ofereceu-se.
No caminho, aproveitou para terminar o copo de vodka escondido pela loira. Cambaleou um pouco até chegar ao hall.
– Pois não? — abriu a porta.

Precisou descer o olhar para deparar-se com um pequeno grupo de crianças parado ali, sorrindo a abanando uma cesta em sua direção. Regina olhou para as crianças, para a cesta, e novamente para as crianças.
– É uma festa pra adultos! — e fechou a porta.
Não chegou a dar três passos em direção ao salão, a campainha voltou a tocar, com as crianças indignadas gritando em coro "doces ou travessuras". A prefeita então virou-se, com um sorriso maléfico no rosto.
Emma já estava estranhando a demora da esposa. Desceu da escada para ir procurá-la, mas nesse exato instante Regina apareceu. Ela tinha um pirulito na boca e segurava um punhado de doces numa das mãos.
– Quem era? — perguntou.
– Hum? Ninguém. Ah! — lembrou-se — Sobre a festa, mudei de ideia. Por que não pede pra sua mãe fazer algo pras crianças na casa/apartamento/só tem um cômodo/ dela?
– Mas ai ela não participaria da festa aqui...
– Exatamente. — e sorriu.
Emma deu-lhe um tapinha no braço.
– Bicha má!
Regina apenas riu.
– Ahh, você sabe como sua mãe é... ela fica controlando sua bebida, e eu não posso ficar muito perto de você e bla bla bla...
– Ah é? — Emma sorriu maliciosamente — E você quer ficar bem pertinho de mim hoje a noite?
Regina balançou a cabeça positivamente. Mais vezes do que o necessário.
– Let's have fun, Swan!! -gritou erguendo os braços no ar e olhando pro teto.
Emma riu e ignorou o fato de sua esposa estar ligeiramente bêbada, tentando focar-se apenas ao seu desejo de se divertir com ela. Acabou concordando.
– Tudo bem... Acho que ela não vai se importar mesmo.. — deu de ombros, abraçando a prefeita antes que ela ficasse tonta de tanto olhar pra cima — De qualquer maneira, ela ia dar trabalho com o Neal...
A morena voltou a balançar a cabeça concordando, o gesto já era quase que feito por osmose.
– Espera. — Regina afastou-se momentaneamente.
– Quê?
– Neal o cara morto, ou Neal seu irmão?
Emma segurou para não rir. A prefeita devia estar mais tonta do que ela imaginava.
– Meu irmão.
– Ah. Faz mais sentido agora.
– Vem, sua besta. — puxou a morena pelo pulso — Me ajuda a acabar isso aqui.
***
Emma aproximou-se da porta do quarto. Ela usava um vestido vermelho de alcinha, peculiarmente aberto da cintura pra baixo em uma das laterais. A falta de tecido expunha suas pernas e o par de botas pretas que completavam a fantasia.
– Ta pronta? — chamou, batendo na porta do quarto.
O pessoal havia decidido que esse ano as fantasias seriam aleatórias. Aparentemente estavam cansados das próprias personalidades — ou Regina apenas surtou ao tirar a fantasia de "Snow White" e mudou a coisa toda. Um dos dois.
– Tã-dã! — a morena escancarou a porta.
Emma quase deu um mortal pra trás ao se deparar com aquela cena. Deixar Regina beber foi uma péssima escolha, ela dava um trabalho imenso quando decidia não ser adulta e responsável como sempre.
– Que horror, mulher!! — ela espremeu-se no corredor, tentando ficar o mais longe possível da esposa — Que porra é essa, Regina?
– Quê? Ta super na moda! — a prefeita deu uma giradinha, para mostrar com mais detalhes seu vestido de carne.
– Pode trocar isso ai, Regina! Isso é contra as regras das fantasias!
– Lógico que não, isso aqui ta na lei!
Emma torceu o nariz.
– Ah é? Que lei, posso saber?
– Lei de Gaga. — e caiu na risada.
Emma empurrou a esposa de volta para o quarto com um doa pés.
– Se não trocar esse troço vou te prender aqui! — disse, fechando a porta — E você prometeu que ia de par comigo!
Ela ainda conseguia ouvir as risadas da morena vindo do interior do quarto do casal enquanto se afastava. Acabou rindo também. Por mais louca que ficasse — e apesar de todo o trabalho — ela se divertia com o humor da prefeita. E era bom vê-la feliz, mesmo que levemente alterada. Desceu as escadas e preparou-se para levar as crianças até o apartamento de Mary Margaret.
***
David e Mary Margaret não se importaram em ser o playground das crianças enquanto os adultos tiravam uma noite de diversão — espontaneamente induzida — na mansão Mills. Belle ofereceu-se para ajudar, já que estava cuidando de Neal eventualmente. Emma deixou Henry na casa dos avós e retornou para casa.
Antes mesmo de virar a esquina ela pôde ouvir o som que vinha da mansão. Se a música estivesse um pouquinho mais alta as pessoas poderiam ouvir de Boston. Estacionou o fusca amarelo e caminhou até a entrada principal. Regina estava recebendo os convidados e todo o jardim estava iluminado com as decorações de haloween que a rainha havia preparado. A mansão estava deslumbrante, mas o que a espantou foi o sorriso com que a esposa acolhia o pessoal. Talvez drunk Regina ainda pudesse lhe render momentos bem singulares naquela noite.
Aproximou-se da morena e notou que ela havia acatado seu pedido. Fazendo par à fantasia da xerife, Regina vestia um corpete tomara que caia azul, uma mini saia preta, botas da mesma cor e um cinto de utilidades com duas armas bem realistas na cintura.
– Ah! Nos encontramos de novo, Alice... — a morena sorriu ao ver a esposa.
– Sim, nos encontramos, Jill... — Emma entrou no jogo.
– Não! — Regina sorriu bobamente, como se tivesse enganado a esposa quanto à sua identidade — Sou eu! Regina!
Emma pressionou a ponte entre os olhos, balançando a cabeça negativamente.
– É claro que é! — a loira sorriu, aceitando a "derrota" — Você me enganou direitinho! — e puxou a esposa para dentro.
Inúmeras pessoas transitavam no interior da mansão, aparentemente o poder de "persuasão" da prefeita era bom. Aquela era a festa mais animada que Emma já tinha visto em Storybrooke. O interior estava escuro e iluminado por lustres que piscavam em neon. As pessoas sorriam, conversavam e bebiam alegremente. Apesar dos meios, até que Regina tinha feito uma coisa legal trazendo toda aquela gente para a festa. A loira encontrou Granny e Rubi brindando com um grande caneca d cerveja, e mais alguns muitos conhecidos tomando os mais variados drinks temáticos.
Regina distraiu-se com alguma coisa no trajeto e Emma percebeu que já não mais segurava sua mão.
– Gooooold! — a morena acenou exageradamente para o homem de preto no jardim.
O banqueiro pareceu encabulado com a recepção, não estava — aliás ninguém estava — acostumado a ver a prefeita daquela forma.
– Curtindo a festa? — Regina continuou, passando um braço em torno do homem, mais para apoiar-se do que para abraça-lo.
– Erm... — ele estava realmente constrangido — Claro, a decoração está espetacular.
Regina sorriu, por um longo momento. Longo. Até esqueceu-se do que tinha ido fazer ali.
– Hram.. Regina? — Gold cutucou a morena.
– Ah! Claro! — ela pareceu voltar à realidade — Esta bebendo alguma coisa?
– Não...
– E por que não?! — ela quase gritou — Ahh qual é! Tire um dia de folga, Dark One! Belle nem está aqui...
O homem considerou por um momento, fazia tempo desde que ele havia relaxado de verdade. Deu uma olhada ao redor e viu como todos ali pareciam felizes e decidiu que também merecia um descanso.
– Bom, acho que não vai fazer mal...
– Mal? É claro que não! — Regina começou a conduzir o homem até a mesa dos drinks, do outro lado do jardim — Ta vendo algum vilão por aqui?
Ambos riram. Emma assistia a tudo de longe, perplexa com a desenvoltura de sua esposa na atual situação. Acabou rindo junto com eles. Ruby passou por ali e puxou a loira para a festa dentro da mansão.
Na mesa dos drinks, Regina entregou uma taça para Gold. O conteúdo era rubro como sangue, e o cristal, esculpido na forma de garras de dragão. O homem serviu-se do líquido com alguns goles e sentiu a garganta queimar.
– O que tem nisso aqui??
– Veneno.
– ...
– ...
– HAHAHAHAHAHAH! — os dois gargalharam.
A bebida, o que quer que fosse ela, era forte, mas extremamente saborosa. Gold serviu-se de mais, e percebeu que não demoraria muito para atingir o estado da prefeita. Mas essa era sua noite de folga, não era? Foda-se.
– Falando nisso... — ninguém estava falando nada, mas contexto não era mais uma coisa que tinha tanta importância — Você não veio de fantasia! — Regina observou.
Gold desceu mais um longo gole da bebida e um sorriso surgiu em seus lábios.
***
A mansão estava uma loucura. Tinha gente dançando, tinha gente pulando numa teia de aranha gigante que a prefeita tinha feito, tinha gente fazendo de tudo o que se faz numa festa bombada normal e também numa anormal. Emma já sentia o efeito da bebida recolhendo a sobriedade para um canto remoto de sua mente. Paradas num ponto do amplo salão, a loira e a garçonete riam, e já nem lembravam mais qual havia sido o motivo.
– Vou ao banheiro! — Emma anunciou.
– Precisa de ajuda? — Ruby ofereceu.
– Não, obrigada. — deu dois passos e tropeçou — Ou talvez sim — sorriu.
Ruby ajudou a amiga a subir as escadas e nesse exato momento Regina e Gold adentraram o salão.
***
A visão já não estava lá essas coisas, mas a prefeita pareceu reconhecer a silhueta da esposa. Passou discretamente ao lado da mulher e deu-lhe um tapinha na bunda.
– Regina?? — Elsa virou-se para encarar a morena — Wtf?
– Ops! — Regina corou — Loira errada!
– Regina!! — Gold atraiu sua atenção do outro lado do aposento. A prefeita agradeceu a interrupção — Vem ver o que eu achei!
***
– Vai, eu te espero aqui! — Ruby abriu a porta para Emma — Se precisar de ajuda é só gritar.
Emma assentiu e conseguiu manter um pingo de dignidade e fazer o serviço sem demasiados problemas. Anotou mentalmente que se um dia tivesse pedra nos rins, aquela bebida seria o melhor diurético para resolver seu problema. Lavou as mãos e cambaleou de volta para a amiga. Caminhando de volta pelo corredor, elas ouviram o coro que vinha do andar de baixo:
"1, 2, 3.. 1, 2, 3, DRINK!! 1, 2, 3.. 1, 2, 3, DRINK!! "
Ao chegarem no vão da escada, as duas contemplaram a imensa multidão de convidados virando doses infinitas de bebida. E o mais chocante:
– I'mmmmm gonna swiiiiing, from the chandelieeeer..!! — Regina balançava de um lado ao outro do salão agarrada no lustre de cristal — From the chandelieeeeer!!
Os convidados aplaudiam e vibravam. Ruby e Emma estavam estarrecidas, ainda sem uma reação.
– Emma?! — Ruby foi a primeira a "acordar" — Você não vai fazer nada?
A loira chacoalhou a cabeça, ela nunca tinha imaginado a que nível Regina era capaz de chegar.
– É claro que vou! — respondeu.
– ...
– ... Eu vou twittar isso!! — e retirou o celular do bolso — Regina vai ganhar legiões de seguidores!
Ruby não tinha sobriedade nem argumentos para aquela atitude. Sua única reação foi rir até ficar sem ar.
Nesse momento, as pessoas pareceram notar a presença das duas. Toda atenção foi dirigida para o topo da escada. Regina pulou do lustre, aterrissando sobre a teia de aranha.
– Emma..? — mesmo sem um pingo de consciência, ela previa uma bronca.
O pessoal se calou, todos encarando a loira.
– Regina! — a xerife se endireito, arqueando as costas para parecer maior — Só tenho uma coisa a dizer!
...
...
...
A loira agarrou-se ao longo corrimão da escada.
– I came in like a wreeeeeeking baaaaall! — gritou, enquanto escorregava caminho abaixo.
A xerife fez um strike, derrubando inúmeros convidados ao chão e aterrissando sobre a esposa. Ruby riu tanto que rolou escada abaixo. Literalmente.
Todos estavam tão alterados que em dois segundos a festa voltou ao curso "normal" como se nada tivesse acontecido.
– Hey — Emma cutucou a morena — Quem é o Darth Vader em cima da mesa, jogando dinheiro?
A refeita abriu um sorriso diabólico.
– Gold.
– ...
–...
– HAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHA!!!
– Olha, aquele morcego ali caiu! — Regina distraiu-se, e foi arrumar o enfeite.
Ao tocá-lo, porém, ela percebeu algo incomum.
– AHHH! — soltou o bicho.
– Bernardo!! — Emma correu para socorrer seu bebê.
– Quem?? — aparentemente amnésia também era um dos sintomas de drunk Regina.
Emma decidiu então aproveitar-se da situação.
– Como você esquece do nosso bebê, Regina?? Que tipo de mãe é você?
– Que esqueci o quê! — Regina pegou sua mais nova aquisição e colocou-a no ombro. O morceguinho aconchegou-se debaixo dos cabelos da morena — Vou mostrar pro Gold!
Emma observou de longe a esposa interagindo com o Dark One. Aquelas cenas valeriam ouro, se algum dos presentes na festa se recordasse delas no dia seguinte.
Gold e Regina estavam jogados sobre um sofá, enquanto os que ainda tinham energia ocupavam o salão com jogos e danças. Bernardo passeava alegremente sobre os dois adultos, lambendo-os vez ou outra.
– É tão fofiiiinho... — Gold, sem o capacete, brincou com o morcego.
– Meu filho — Regina alisou o bicho, toda orgulhosa.
– Quantos filhos você tem? — ele ergueu uma sobrancelha.
Aparentemente o fato estarrecedor não era a prefeita estar clamando o mamífero como seu filho, mas o fato de que ela tinha mais de um.
– Hum... — Regina parecia igualmente confusa. Se havia esquecido de Bernardo, quantos mais havia? — Não sei. Vou perguntar a Emma depois.
– Aquele é seu filho também? — Gold apontou um gato obeso que tentava escalar a poltrona ao lado.
– Claro que não!! — Regina achou a ideia absurda — Aquele é meu cachorro!
– Ah.
– Gold..?
– Hum?
– Acha que se não tivéssemos todas aquelas tretas do passado... — Regina continuou — Acha que seríamos amigos?
Os dois se entreolharam por um longo momento.
– ...
– ...
Gradativamente, o homem começou a rir. Regina o acompanhou. Logo os dois estavam rindo até doer o abdômen.
– Não! — ele enxugou os olhos.
– Nem eu! — Regina não conseguia parar de rir.
Paola Cat, o gato da família, que estava ofendidíssima por ter sido comparada a um cão, pulou para o sofá, espanando a cara dos humanos com seu rabo felpudo.
O restante da noite foi um misto de loucuras e borrões pretos na mente de todos os cidadãos presentes na grande festa de halloween dos Mills. Não sabiam identificar como haviam chegado lá, ou em que momento, mas Emma e Regina agora repousavam na grande cama do casal. Botas estavam esparramadas pelo quarto, mas a loira ainda mantinha uma num dos pés.
– Regina...? — ela chamou, sonolenta — Ta acordada?
– Não... — a morena resmungou.
– Regina..? Quer ver a mágica que eu aprendi?
– Não...
– Mas é legaaaal...
Regina queria muito dormir, o porre tinha sido grande, e sabia o quão insistente a loira podia ser.
– Ta. Mostra.
– Olha, vou fazer minhas mãos desaparecerem! — ela sorriu.
Por um momento a prefeita ficou até curiosa, Emma nunca era tão hábil com magias. E foi ai que a loia enfiou as duas mãos por debaixo do corpete azul de Ms Jill Valentine.
– Tã-rãm! — abriu um largo sorriso idiota.
– E quer ver eu fazer um truque também?
– O quê? — Emma não tinha mais controle sobre os lábios.
– Olha!
– Ficaram durinhos!! — a loira riu como se aquilo fosse o maior feito do universo — Acha que você tem mágica também?
As duas riram desta vez. O álcool ocupava boa parte de suas consciências, mas a noite tinha valido à pena. Emma aconchegou-se em sua esposa, e Regina envolveu a loira com um dos braços. O sono estava começando a chegar, quando elas ouviram um barulho vindo de fora do quarto.
– Regina..?
– Hummm...? — ela bocejou.
– Você acha que podem ser zumbis?
Houve silêncio por alguns segundos.
– Yep.
– Você acha que se formos olhar, eles vão nos matar..?
– Yep.
– ...
As duas encararam o teto por algum tempo, em silêncio.
– Quem matar menos arruma a casa amanhã! — Regina gritou, enquanto corria para fora do quarto.
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