Choices
12 Décimo primeiro.
Notas iniciais
(Capítulo cheio de referências ao prólogo então se quiserem reler pra refrescar a memória...)
Quando Edward voltou ao salão, eles estavam no meio de uma conversa sobre o que fariam agora enquanto Carlisle ajudava Rosalie – que ainda estava nos braços de Emmett, ambos sentados no chão – a beber água e comer pedaços de pão. Nos olhos do irmão ele via a preocupação com a esposa e raiva pelo que tinham feito com ela.
— Nós podemos encontrar uma câmara para Rosalie descansar um pouco antes de partirmos. — Carlisle sugeriu. — Não. — Rosalie disse rapidamente. — Eu quero ir embora daqui. — Rose... — Emmett começou, mas ela o interrompeu. — Por favor — ela implorou quase chorando. — Eu quero ir pra casa, Emmett. — Você irá então, mas eu ainda não acertei as contas com Royce.— Não me deixa sozinha. — Você não estará sozinha, Rose, nunca mais. Meu pai e Jasper... — Não! — ela deitou a cabeça no peito do marido e agarrou sua camisa. — Eu quero você, Emmett, por favor, não me deixa. Eu quero você cuidando de mim e do nosso filho, Emmett, por favor. Por favor, por favor, por favor... — Está tudo bem, querida, está tudo bem. — Emmett a apertou contra seu peito e beijou seus cabelos. — Eu vou com você e não os deixarei sozinhos, eu te prometo. Emmett olhou para Edward, que apenas assentiu. — Garrett, vá e mande deixarem a carruagem pronta para partirmos a qualquer momento. E prenda meu cavalo a ela também, pois irei dentro com Rosalie. — Sim, senhor. — Garrett assentiu e foi obedecê-lo. — Eu irei com vocês. — Carlisle anunciou. — Eu fico para trás. — Edward disse logo depois. — Vamos terminar as coisas aqui. — Posso levar Rosalie até a carruagem? — Jasper pediu suavemente. Emmett olhou em sua direção e até Rosalie ergueu a cabeça, como se fosse a primeira vez que se dava conta da presença dom irmão. — Jasper. — ela deu um suspiro emocionado. — Você está bem com isso, querida? — Emmett perguntou a ela. — Eu preciso conversar com meu irmão e acertar as coisas antes de partirmos. — Tudo bem. Ela assentiu. Emmett sorriu e beijou sua testa antes de tentar beijar seus lábios, ela franziu o nariz. — Eu sinto muito, devo estar cheirando mal. — Você está perfeita, esposa. Com certeza precisando de um longo banho, mas perfeita como sempre. Quando Rosalie riu, Edward não pode deixar de sorrir. Talvez seu irmão fosse mais impulsivo, mas ele também era a melhor pessoa para melhorar o humor de qualquer um e Rosalie estava precisando disso. Ele tinha o direito de vingar sua esposa, mas Edward sabia que ele ir com Rosalie era o melhor para os dois; ela estava precisando do marido para se curar do trauma e ele jamais ficaria em paz longe da esposa. Emmett se levantou facilmente erguendo Rosalie com ele e a passou para o colo de Jasper, que a segurou sem dificuldade. — Meu irmão. — ela chorou ao passar os braços ao redor de seu pescoço e lhe abraçar. Tirando os momentos em que estava com Alice, aquela foi a primeira vez que Edward viu Jasper demonstrar emoção. Ele beijou o cabelo da irmã e sussurrou algo em seu ouvido que a fez lhe abraçar ainda mais forte. — Espera! — Rosalie disse erguendo a cabeça do pescoço do irmão. — Edward, vem aqui. Edward sorriu e se aproximou. — Emmett disse que você me encontrou. — ela sorriu com os olhos marejados. — Muito obrigada, Edward. — Você é esposa do meu irmão e sabes que eu te amo como uma irmã, Rosalie, não há nada que eu não faça pela minha família. Agora vá, descanse bastante e quando eu chegar em casa conversamos melhor. — beijou a testa dela e afagou sua bochecha dela com a ponta dos dedos. Jasper assentiu e se virou carregando-a, sendo seguidos por alguns soldados Hale que davam proteção a ele. — E onde está Alice? — ele escutou Rosalie perguntar. — Ela ficou no Clã Cullen, com a Senhora Cullen. — Ah Esme... Eu sinto falta delas... — e a voz dela sumiu quando saíram. Edward voltou para perto do irmão e do pai. — Eu odeio isso. Eu ainda quero por minhas mãos Royce. — Emmett rosnou. — Eu entendo, irmão, mas agora sua prioridade precisa ser Rosalie e seu filho, eles precisam de você. — Nem sabemos se ela ainda está grávida, toda essa perturbação pode ter... — ele parou e Carlisle pousou a mão em seu ombro. — Mulheres sabem, filho. Rosalie saberia se algo tivesse acontecido com a criança e não teria mencionado se tivesse. Os dois estão bem e precisam de você. — Eu vou, não quero perturbá-la ainda mais. Mas Royce... — Eu vou encontrá-lo. — Edward jurou. — E eu o levarei até você. — Apenas se não colocar sua vida em risco, Edward. Se tiver que escolher entre a vida dele ou a sua, mate o filho da puta e será suficiente pra mim. Edward assentiu. — Vamos levar apenas alguns soldados e deixar os outros com você. — Carlisle disse. — Não, vocês precisam de proteção até nossas terras. — Edward rebateu. — Emmett estará na carruagem com Rosalie e não verá se alguém se aproximar, nem sairá do lado dela nos próximos dias para proteger o Clã se necessário, levem a maior parte e eu fico com apenas alguns, como Garrett e Liam.
— Então falarei com Jasper. Ele ficará com você aqui e com vocês ficarão os soldados dele. — E vamos confiar a segurança do Edward em terras inimigas a soldados de outro Clã? — Emmett perguntou. — Ele é o irmão de sua esposa, filho, e sempre me pareceu um homem certo e justo, não ofenda a honra dele dessa maneira. — Eu não falaria assim na frente dele, pai, por isso estou perguntando apenas a vocês. Eu não me importo se ele o irmão da Rosalie, meu irmão é mais importante. — Ser seu irmão favorito e sua preocupação aquecem meu coração, Emmett. — Edward disse rindo ao irmão. — Mas eu sei me cuidar. — Idiota. — Emmett riu e socou o braço do irmão. Era a primeira vez que ele ria desde que Rosalie tinha desaparecido. — É bom te ver rir novamente, Emmett. Emmett assentiu com um suspiro. — Eu tenho minha esposa de volta, Edward, eu tenho motivos para rir novamente. E graças a vocês. Obrigado por encontrá-la, meu irmão, eu devo a você a vida da minha esposa e do meu filho, devo a você minha vida. — Você não me deve nada, meu irmão. — Edward disse sinceramente e repetiu o que tinha dito a ele quando prometeu que iriam encontrar e vingar Rosalie: — Ninguém mexe com o nosso Clã, com a nossa família. Carlisle assistiu orgulhoso os filhos se abraçarem. No futuro, quando ficasse velho demais, Emmett – como mais velho – seria o senhor do Clã e Edward – como não tinha ambição de ser senhor de outro Clã – seria seu braço direito, Carlisle sabia que o seu Clã e família não poderia ficar sob os cuidados de pessoas melhores que seus filhos. Não existia um dia que duvidasse que ele e Esme tinham criado os dois da melhor forma possível, os dois eram justos, protetores e leais a família, ele não podia se sentir mais abençoado. — Agora vai. — Edward disse dando um último tapa nas costas do irmão e se afastou. — Sua esposa está te esperando. — Certo, vamos. Temos que falar com Jasper e separar alguns Cullen para ficar com você. E não me venha com essa besteira de que você sabe se cuidar, não irei te deixar sem pelo menos dois ou três dos nossos para te ajudar. Edward revirou os olhos, mas não discutiu porque sabia que se sentiria da mesma maneira se a situação fosse invertida. — Liam? — Edward o chamou. O homem estava parado do outro lado do salão, atento a porta para proteger seus senhores e dando espaço para que conversassem com privacidade. — Sim, senhor? — ele se aproximou. — Meu pai e irmão estão voltando para casa com Rosalie e todos os soldados, Jasper e os Hale ficarão aqui comigo, mas meu irmão acha que preciso de alguns dos nosso também, você aceitaria ficar? Você e Garrett? Confio minha vida a vocês, seria suficiente pra mim. — Claro, seria um honra. — Ótimo. Pronto Emmett, agora apenas vá e mande Garrett voltar, ficaremos bem. – Sair pela porta da cozinha que levava aos fundos do castelo foi mais fácil do que Bella esperava. Estava acontecendo alguma agitação no pátio principal e a maioria dos soldados dos Cullen e Hale estavam lá, os outros se dividiam em ficar no salão com Emmett e Rosalie ou procuravam por Royce pelo castelo, já que ele tinha desaparecido. Royce não era o homem mais brilhante do reino, mas ele conhecia aquele lugar como ninguém e com certeza sabia onde se esconder. Ela só esperava que eles não desistissem e fossem embora antes de encontrá-lo. Estava tudo muito escuro e silencioso, todo o barulho que escutava vinha do pátio principal. Ela estava gritos femininos e desesperados. O que a fez reconhecer a dona da voz foi o que ela gritava – "Laurent", só podia ser Irina. Apesar de ser uma das mulheres mais bonitas do Clã, ela era uma das piores, cruel e mimada, ela era mulher de Laurent e os dois combinavam perfeitamente – duas pessoas que Bella preferia manter distância. E pelos gritos de Irina, estavam fazendo algo com ele e Bella podia não saber o que fazia, mas sabia que ele devia merecer. Ele merecia qualquer castigo que dessem a ele, inclusive a morte, não choraria por ele. Assim como James, tudo que Laurent sofresse não seria mais do que o resultado de suas escolhas. Com os braços cruzados sobre o peito para tentar se proteger do frio, ela caminhou alguns metros para se afastar da porta e se esconder na escuridão. Arrumou a capa sobre sua cabeça e empurrou uma mecha de seu cabelo que o vento agitava para trás de sua orelha. O frio não era nada se comparado ao que já tinha passado, mas sentindo o vento frio lamber sua pele, considerou que talvez devesse procurar abrigo em um lugar mais aquecido e esperar lá. Ela se virou para voltar, não deu mais que alguns passos quando uma mão masculina cobriu sua boca e um braço masculino passou ao redor de sua cintura, lhe puxando para trás. Ela tentou gritar, mas o estranho apertou a mão. — Shhhh, não grita, sou eu. — ele sussurrou. — Eu vou te soltar ok? Não grita ou eles vão nos escutar. Ela assentiu ofegante ao reconhecer a voz. Quando ele a soltou, se virou para encarar Royce. Ele parecia nervoso, além de estar suado e com os cabelos bagunçados. Hesitante, ela deu um passo para trás e estava pronta para correr quando ele agarrou seu rosto entre as mãos e juntou suas bocas duramente. Não as moveu, apenas apertou os lábios juntos enquanto segurava seu rosto. — Que bom que você está aqui, Isabella, não teria tempo de te procurar e não queria te deixar para trás. Nós temos que ir. Agora. — Nós? — repetiu franzindo o cenho. — É! Eles encontraram a Rosalie, eu devia ter matado aquela vadia no momento em que a trouxeram para cá, agora eles a pegaram e querem a minha cabeça. Nós temos que ir. — ele soltou seu rosto e olhou na direção da porta. — Vamos até os Stanley, eles vão nos abrigar e até nos apoiar quando voltarmos para retomar meu Clã. Bella estava incrédula, ele ainda não tinha a menor ideia. E ela continuou no jogo apenas por curiosidade. — Stanley? Por que eles ajudariam? — Mike me deve muito. Eu dei a ele o lugar de Senhor do Clã, ele me deve tudo! — Ele casou com a Jessica Stanley e assumiu o lugar de Senhor quando o pai dela morreu, como você... — ela parou no meio da frase, nem precisava completar a pergunta porque já sabia a resposta. — Você matou o senhor Stanley? — Alguns homens meus aceleram o inevitável. — revirou os olhos. — Por que estamos falando disso agora? — Então foi ele que te ajudou a invadir o meu Clã? Eu me lembro de ter muitos soldados na invasão daquela noite, mas apenas alguns usavam as cores e o brasão dos King, os que não usavam eram os mais fortes e inteligentes, claramente não era nenhum dos seus soldados. — Bella riu suavemente. — Sempre me perguntei quem te ajudou, foram os Stanley? — Você é estúpida? — Royce cuspiu ríspido. — Não temos tempo para as suas estúpidas memórias, temos que ir! — Até irônico você perguntar se eu sou estúpida. — Bella sorriu, agitou a cabeça. — Você não tem a menor ideia, tem? — Você está me chamando de estúpido? — Royce se aproximou estreitando os olhos, mas ela não recuou. — Não. Claro que você não é o mais brilhante dos homens, mas você não estaria onde está se fosse estúpido, mas você deixa sua vaidade, arrogância e orgulho te cegarem então faz escolhas estúpidas. Você sabia que não devia mexer com os Cullen e os Hale, você mesmo me disse que seria apenas estúpido e ainda assim, aqui está você. — Bella sorriu debochada. Um sorriso que muito tinha visto no rosto de Royce e agora tinha o prazer de oferecer a ele. — Eu te avisei que um dia as coisas iam mudar, Royce. — O que? — ele perguntou confuso. — Primeiro Rosalie e agora eu. Royce King II foi enganado por uma mulher... De novo. — Bella riu. — Acho que não somos tão inferiores assim, certo? Demorou uma fração de segundos para a confusão no rosto de Royce se tornasse reconhecimento. — Você os levou até a Rosalie? — Não apenas isso, eu os trouxe até aqui. — Bella parou de sorrir, olhando no fundo dos olhos deles enquanto dizia cada palavra calmamente. — Isso é impossível! — ele rosnou arfando de raiva com as narinas dilatadas. — Você estava comigo! — Você se acha tão esperto, Royce — ela sorriu com escárnio — mas tudo que eu precisei fazer foi me mostrar um pouco mais disposta e te dar um pouco de atenção que você se tornou uma simples peça no meu jogo, manipulado enquanto achava que estava no comando de tudo. Você não passa de um verme nojento e desprezível que eu guiei exatamente pra onde eu queria, pra baixo da bota do senhor Cullen.
A incredulidade no rosto de Royce era algo que ela jamais iria esquecer. — Então James estava certo, eu estava apenas criando uma cobra pronta para me dar o bote. — Mas tudo que eu sou hoje devo a você que me transformou nisso, você não está orgulhoso de mim? — perguntou fingindo empolgação. — Sua vadia! — Royce rosnou e deu um forte tapa no rosto dela. Bella gemeu de dor e quase caiu pela força do golpe, com o rosto virado e a mão sobre a pele quente do lugar que ele tinha golpeado, ela respirou fundo de olhos fechados. A dor e ardência que ecoava em seu rosto lhe levou diretamente a primeira noite no castelo. A noite em que ela jurou: Você vai pagar por isso. Tirou a mão do rosto e viu os dedos brilhando com o sangue de seu lábio partido, usou a mão limpar para secar rapidamente as lágrimas sorrateiras que não conseguiu segurar, cuspiu a saliva ensanguentada no chão e olhou para ele sorrindo, enfurecendo-o ainda mais. Royce agarrou um punhado de seu cabelo e puxou a cabeça dela para trás para que olhasse em seu rosto, Bella agarrou seu pulso dele para tentar aliviar a dor em seu couro cabeludo que parecia estar sendo arrancado. — Eu te fiz minha Senhora, eu te dei tudo! Você estava nisso comigo! Você é minha! — rosnou em seu rosto. — Eu nunca fui sua! Estar com você foi o maior sacrifício que ja fiz minha vida! — Bella disse com dificuldade e gemeu de dor quando ele apertou mais a mão. Ofegou com a dor, mas não parou, já tinha aguentado coisa pior. — Cada vez que você me tocava eu não sentia nada além de nojo! Nojo de você e de mim. Eu perdi a conta de quantas vezes vomitei pensando em você, de quantas vezes pensei em me matar só pra me livrar de você e a única coisa que me deu forças para continuar foi imaginar o dia em que você encontraria o seu destino e pagaria por tudo que fez. Eu me lembro de tudo, Royce, você tem uma dívida enorme comigo e hoje é o dia que você começa a pagá-la. — E você acha que vai escapar dessa viva? Você estava comigo nisso e foi o seu plano! Se eu cair, você cai comigo! — Cair? — Bella riu com lágrimas nos olhos pela dor na cabeça. — Cair pra onde? Eu já estou no chão e foi você que me derrubou. E sabe a melhor parte de estar aqui? É que eu posso assistir com perfeição a sua queda, Royce. — Sua desgraçada! Ele parecia possesso de raiva, estava respirando duro e ofegante como um touro furioso, seu rosto estava vermelho e ela sabia que ele só não gritava para não chamar atenção de soldados para eles. Royce soltou seu cabelo, cobriu sua boca com uma mão e a agarrou seu pescoço com a outra, então apertou e a empurrou para trás. Ela não teve chance de escapar de seu agarre, apenas foi no ritmo dele e só pararam quando sua cabeça e suas costas se chocaram com força contra a parede de pedra do castelo. Se não fosse a mão sobre a sua boca, teria gritado. Ele apertou a mão em seu pescoço e ela tentou arrancá-la batendo e arranhando seu antebraço, tossia pela pressão e dor em sua garganta, tentando se manter respirando. — Eu vou matar você! — Royce rosnou apertando a mão, ele libertou sua cabeça para segurar e apertar seu pescoço com as duas mãos. — Eu vou matar você e a Rosalie! Sem conseguir gritar e engasgando, Bella esticou os braços tentando bater no rosto de Royce. — Não... Você... Não... — Bella tentava dizer com a voz estrangulada e conseguiu enfiar os dedos nos olhos dele e apertar. Ele rosnou o palavrão, se distraiu o suficiente para afrouxar a mão e se aproximar mais, então Bella conseguiu erguer o joelho e acertá-lo na virilha. — Merda!— ele praguejou e lhe soltou para segurar o membro atingido. Ela o empurrou e se afastou alguns passos para o lado se segurando na parede, respirando profundamente e tossindo forte. — É mais difícil sem um monte de soldados para me segurar, né? — ela o provocou ofegante. — Você está sozinho e é assim que você vai morrer. Socorro! Alguém me ajuda! Royce se ergueu e olhou na direção da porta dos fundos do castelo — Sua... Você vai me pagar, Isabella. — Não antes de você quitar sua dívida comigo, Royce. — ela sorriu e gritou mais uma vez por ajuda. E ele entendeu que ela estava gritando para chamar atenção de algum Cullen ou Hale, então correu na direção oposta e sumiu na escuridão. Mas ele não tinha para onde fugir, apenas daria a volta pelos fundos do castelo e chegaria a área habitada pelo Clã e que levava ao pátio principal. Então, a não ser que ele fosse um bom escalador para escalar os muros e fugir – o que ela duvidava muito –, ele não tinha saída ou escapatória. Com as costas junto a parede, ela colocou o capuz de volta na sua cabeça, fechou os olhos e soltou um suspiro aliviado. Seu lábio estava cortado e ainda podia sentir o gosto do sangue em sua boca, sua cabeça estava doendo pela pancada na parede e seu pescoço doendo pelo aperto dele, mas tudo aquilo era muito pequeno se comparado ao prazer de dizer na cara de Royce tudo que estava preso em seu peito há tempo demais. A dor que estava sentindo passaria logo, mas ela jamais esqueceria a confusão, surpresa, indignação, raiva, ódio, fúria, tudo que tinha visto no rosto de Royce naquela noite. Pela primeira vez em anos ela se sentiu livre. Não tinha mais que fingir ser amante ou parceira de Royce. Não tinha mais que fingir ser a senhora daquele maldito lugar. Não tinha mais que ser forte. Mesmo de olhos fechados, as lágrimas desceram por seus olhos. Talvez ele estivesse certo e ela também não escapasse daquilo viva. Talvez os dois morressem aquela noite, mas ela iria livre. — Ei, você! Bella ergueu a cabeça sobressaltada quando escutou a voz masculina e viu os dois homens se aproximando. Olhou para trás, mas correr não era boa ideia quando não se tinha para onde escapar, então engoliu seco, enxugou o rosto e respirou fundo enquanto eles se aproximavam. Ela soltou um suspiro aliviado quando percebeu que não era nenhum King e reconheceu o homem, Edward Cullen. E atrás estava um homem bem maior que ele, que ela também tinha visto quando se encontraram no corredor, mas não sabia seu nome. — O que aconteceu? — Edward perguntou olhando ao redor, procurando o motivo de seus gritos. — Era você que estava gritando, você está bem? — sem resposta, ele se aproximou ainda mais dela com o cenho franzido. — Quem é você? Silêncio. Uma mulher pequena tentando se esconder sob um capuz, seria ela a mulher que o ajudara no corredor? — Tire o seu capuz, mulher. — ela não se moveu, então ele usou a voz mais firme e dura: — Agora. Hesitante, a mulher levou as mãos lentamente ao capuz e o empurrou para trás, tirando-o de sua cabeça e mostrou seu rosto, cruzando os s braços sobre o peito. Ele não tinha expectativas sobre sua aparência e, ainda assim, se surpreendeu. A mulher era... Linda Facilmente uma das mulheres mais lindas que já tinha visto em sua vida, talvez até a mais linda. A massa de cabelos escuros emoldurando o mais belo quadro que era seu rosto de pele pálida, grandes olhos verdes lhe encaravam cheios de medo e insegurança, seu nariz era tão pequeno e fino que parecia desenhado. Ele poderia continuar analisando e admirando sua beleza por horas, mas algo o enfureceu. Usando o dedão, ele ergueu o queixo dela e se aproximou ainda mais. Seu lábio inferior estava claramente inchado do mesmo lado em que tinha a marca de uma mão em sua bochecha, alguém tinha lhe dado um tapa. — Quem fez isso? Quem ousou te bater? — rosnou. Uma mulher tão pequena como ela devia ser tratada com a delicadeza de uma joia delicada e preciosa, ele só queria por as mãos em que a machucou, mas ela não respondeu. Quando olhou para baixo, viu que seu pescoço também estava avermelhado e com marcas de dedos. — Alguém bateu em seu rosto e tentou te enforcar, por isso você estava gritando por socorro, quem fez isso? Foi algum Cullen ou Hale? Eles tinham ordem para não tocar em nenhuma mulher, apenas diga-me quem foi e ele será punido. Diga! — Não. — ela sussurrou e fechou os olhos, se encolhendo. — Droga, moça — ele suavizou a voz, devia estar assustando-a. — Eu não irei te machucar e nem deixar que te machuquem, apenas diga. Ela respirou fundo e abriu os olhos novamente, com o rosto mais relaxado. — Não foi nenhum de seus homens. — Então quem foi? Um King? — Royce. — ela sussurrou. — Filho da puta. Pra onde ele foi? — quando ela apontou para trás com a cabeça, Edward se afastou um pouco dela e olhou para Liam. — Você vai? — Sim. Ficará sozinho com ela? — É, acho que eu posso me defender de uma coisa pequena como essa. — revirou os olhos. — Traga-o vivo, Liam. Não me importo se estiver machucado, apenas vivo. Liam assentiu entendendo a mensagem e seguiu na direção da escuridão para procurar por Royce. — Agora você. — Edward voltando a se aproximar para ver bem seu rosto na escuridão. — Quem é você e qual o seu nome, moça? — Ninguém. — sussurrou. — Eu sabia. Foi você, não foi? Quem me ajudou no corredor e disse onde encontrar por Rosalie. Royce descobriu e por isso te bateu? — ela assentiu. — Então por que nos ajudou, moça? — Vocês não a encontrariam sem ajuda e ela precisava ser encontrada. — respondeu em um tom baixo e inseguro. — Eu sei, por isso os Cullen tem uma dívida com você por sua ajuda, eu tenho uma dívida com você. Mas pelo que conheci das pessoas desse Clã, ninguém me parece disposto a ir contra Royce apenas por um ato de bondade, então por que uma King nos ajudaria? — Eu não sou uma King. — ela disse usando pela primeira vez sua voz em tom normal e firme, como se a simples sugestão de ser um deles fosse ofensivo demais para ela. — Então quem é você? — Ninguém. — ela repetiu. — Ao menos ninguém importante. E impressão que tivera na primeira vez em que a ouvira dizer que era ninguém apenas se confirmou, ela acreditava que era ninguém, isso apenas o enfureceu mais. Ele podia apostar que assim como a agredira, Royce era o responsável por fazê-la se sentir daquela maneira. — Posso aceitar que não me diga quem é você por enquanto — enfatizou olhando no fundo dos seus olhos. — mas não irei permitir me diga que não é alguém. Você foi alguém que me ajudou a encontrar Rosalie, graças a você ela e seu bebê estão a salvo, então você é importante principalmente para a minha família. Ela mordeu o canto do lábio inferior, o lado que não estava ferido. — Não. — Edward usou o dedão para empurrar suavemente o lábio dela pra baixo, libertando-o de seus dentes. — Sua boca já está ferida, você irá apenas piorar o inchaço. No pequeno toque, sentiu a respiração quente dela em seu dedo e obrigou-se a afastar a mão, por mais que quisesse tocá-la mais. Ele não a conhecia e ela claramente tinha muitos segredos, mas ainda assim era uma mulher atraente – e estava lhe atraindo. Abaixou os olhos para a boca dela, seu lábio estava ferido e um pouco inchado, mas ele se imaginou o beijando. Quando ergueu os olhos para os dela novamente, ela não desviou o olhar, apenas engoliu seco e manteve os olhos nos seus. Ele não sabia se ela ainda estava com medo dele ou se sentia a mesma atração que ele sentia, ela parecia impossível de ler. Edward nunca sentira algo tão rápido e forte por uma mulher, queria conhecê-la melhor para que pudesse compreender o que ela sentia apenas olhando em seus olhos. Queria devolver a confiança que alguém tinha lhe arrancado. Queria protegê-la para ninguém nunca mais a ferisse e colocasse aquela confusão e medo em seus olhos. — Você diz que não é uma King — Edward conseguiu falar novamente. — Então você é uma prisioneira de Royce também, assim como Rosalie? — esperou alguns segundos por sua resposta, então suspirou quando ela não respondeu novamente. — Apenas me dê alguma coisa com o que trabalhar enquanto você não confia em mim o suficiente para me dizer quem é você e qual o seu nome, moça. Ela assentiu. — Sim o que? Royce a está mantendo aqui contra a sua vontade? — ela assentiu novamente. Edward respirou fundo duramente e apertou as mãos, mas soltou o ar quando ela pareceu se encolher. — Não irei machucá-la, moça. — Você parece... Com raiva. — E eu estou, eu estou furioso, mas é com o Royce e é nele que descontarei minha raiva, não em você. Jamais em você, moça. — garantiu suavemente. — Você não me diz quem é você ou qual o seu nome, então acho que não irás me dizer qual o seu Clã, vai? — Eu não tenho... — hesitou com tanta tristeza nos olhos que Edward lutou contra a vontade de abraçá-la. — Um Clã. — Meu irmão e meu pai estão levando Rosalie de volta para casa, já devem ter partido ou os faria te levar também, mas eu ficarei e só irei embora quando encontrar Royce, então você irá comigo. — Vou? — ela arregalou os olhos. — Por que? O que você...
— Não. — a interrompeu rapidamente, com o medo em seu rosto era fácil imaginar o que ela estaria imaginando. O que diabos Royce teria feito com aquela mulher? — Eu não sou Royce, moça. Não sou um covarde agressor de mulheres, você está segura e livre, te levarei apenas porque se não é um deles então não deves permanecer entre eles. — Eu... — os olhos dela marejaram rapidamente, mas ela não sorriu e nem parecia estar certa da atitude dele. — Vamos para dentro, aqui está frio demais e você não está vestida adequadamente para esse tempo. — a olhou da cabeça aos pés, ela mantinha os braços cruzados sobre o peito e além da capa de couro marrom não parecia estar usando mais que uma camisola e que ia só até o meio de suas canelas. — Dentes de Deus, mulher, você está descalça, será um milagre que não pegues uma gripe. Ela olhou para os próprios pés e encolheu os dedos sujos de terra, então ergueu a cabeça para ele novamente. — Está tudo bem, eu não fico doente. — Que bom, como não quero que isso mude bem no meu turno vamos para dentro para que te aqueças. — Edward esticou a mão para ela. Hesitante novamente, ela descruzou os braços e pegou sua mão. Edward sorriu para ela e recebeu de volta um quase sorriso tímido. Naquele momento ele desejou poder fazê-la sorrir completamente, devia ser um espetáculo mais lindo que assistir o nascer ou pôr-do-sol na montanha. A pequena mão dela estava fria e ainda assim parecia perfeita na sua. A levaria para dentro, daria ordem para que algum homem cuidasse de sua segurança e iria ajudar Liam na busca pro Royce, mas primeiro cuidaria dela. De mãos dadas, eles foram para o salão principal novamente, onde apenas Garrett e Riley esperavam conversando. Ao notarem suas presença, os dois olharam em sua direção e os olhos de Garrett foram longo para a mulher ao seu lado. — Meu pai e meu irmão já foram? — Edward perguntou sem soltar a mão dela. Riley abriu a boca para responder, mas foi Garrett que deu um passo a frente. — O que você está fazendo com ela? — ele perguntou rispidamente. Seu tom grosseiro foi uma surpresa para Edward. Conhecia Garrett a uma vida inteira, eles tinham crescido juntos, e ele jamais o ouviu ser grosseiro com nenhuma mulher. Ele era um galanteador e, apesar de agora ser apaixonado por Kate, ainda gostava de flertar com as mulheres, todas as mulheres, mas não com aquela. Além do tom ríspido, ele a olhava com raiva. — Ela é... — Eu sei quem ela é. — Garrett o interrompeu. — A mulher do Royce. — Do que você está falando, Garrett? Ela não é nada de Royce. — Sim, ela é. E ninguém me disse, Edward, eu vi. Quando fui com Emmett procurar por Rosalie, Royce nos levou a câmara dele e ela estava lá esperando por ele. Na cama dele. — O que?! — Edward não podia estar mais confuso. E ao olhar para ela, ainda segurando sua mão, ela olhava para Garrett com os olhos arregalados e boca entreaberta. — A não ser que Royce trate todas as putas do Clã como "querida" e cheio de preocupação — Garrett continuou com desprezo. — então ela só pode ser a mulher dele. "Ela o manipulou e conquistou o lugar ao lado do Royce, de puta a senhora..." Edward soltou e puxou a mão da dela como tivesse algo contagioso, só então ela tirou os olhos de Garrett, virou o rosto lentamente e lhe olhou. Seu rosto espantado relaxou, ela apertou os lábios e seus olhos se encheram de lágrimas rapidamente. "O nome dela?" "Isabella." — Isabella? — perguntou com dificuldade, como se tivesse acabado de receber um grande soco no estômago para dizer aquilo. E era realmente como sentia, como um soco no estômago, nunca desejou tanto estar errado, mas ela permaneceu em silêncio. "...Uma boa boceta pode tornar o mais poderosos dos homens no mais otário." As palavras de Laurent ecoando em sua mente fizeram sua raiva queimar novamente, se sentiu enganado e manipulado. Deu alguns passos para trás agitando a cabeça e a incredulidade que franzia seu rosto foi substituída por nojo. — Você é a Isabella? Isabella King? — É Isabella Swan. — Isabella respondeu com petulância e um tom de voz que ele já conhecia, era o mesmo que usara ao falar: Eu não sou uma King.
Notas finais
e a partir de agora tem muito beward até o fim).
camila, espero que tenha gostado do seus capítulos
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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