Chocolate Kiss
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Alguns erros foram corrigidos e outras partes foram editadas/substituídas/adicionadas... espero que esteja uma leitura melhor e mais fluída do que anteriormente ^^'
Touou era uma escola incrivelmente agitada, mas naquele dia em especial estava insuportável. Era o Valentine's Day e esse era o assunto principal. As meninas tinham se planejado a semana inteira por esse dia, e traziam consigo o fruto de uma noite de trabalho. Naquele dia, então, o burburinho nas salas girava em torno de garotas cochichando sobre seus pretendentes e também, mais a canto, garotos debatendo sobre suas esperanças de ganhar tais presentes.
Todos estavam envoltos na animação que aquele dia trazia.
Todos, com exceção, de uma aluna.
E essa pessoa seria a gerente do time de basquete, Momoi Satsuki.
Naquela manhã, quando todos caminharam para a escola, muitos meninos suspiraram pela rosada, imaginando quem seria o sortudo que ganharia sua demonstração de amor. Por sua beleza, Momoi era desejada por muitos naquele colégio e todos se sentiram tanto aliviados quanto decepcionados quando perceberam que não havia nenhum embrulho bonito nas mãos da colega.
Ela simplesmente havia se recusado a participar daquele dia.
Muitos acreditaram que o motivo de sua recusa era a rejeição de alguns meses antes. Momoi havia sido rejeitada pelo seu amor de infância, Kuroko Tetsuya, e, por isso, havia se fechado totalmente para o amor. Estes, é claro, não podiam estar mais enganados.
Sentada em sua carteira, Satsuki viu a aproximação de uma das muitas meninas que havia a atormentado durante a semana. Aparentemente, elas queriam saber se Aomine Daiki gostava de doces, quais tipos ele mais gostava e qualquer outra pergunta que elas estivessem com vontade de fazer. Nunca imaginaria que existiam tantas garotas interessadas em seu amigo de infância, mas aparentemente ele era muito atraente aos olhos das alunas da escola.
— Momoi-san! — exclamou a menina, com a doce voz que Momoi aprendeu a achar irritante. Sorriu gentilmente quando a colega se aproximou. — Preciso urgentemente da sua ajuda!
Resolveu não responder e preferiu observar o rosto da garota, que estava especialmente produzido naquela manhã. Redondo, maçãs do rosto vermelhas, olhos azuis grandes e expressivos, os cabelos negros caiam em cascata pelo seu ombro. Era uma garota bonita, não tinha como negar. Somando sua beleza aos seios grandes e cintura fina, podia dizer com certeza que era o tipo de menina que atrairia o Ás da Touou.
— Você pode entregar meu chocolate para Aomine-kun? — pediu, tomando o silêncio da garota como convite para continuar a falar. — Estou realmente com medo de que ele vá recusar meu chocolate. Três amigas minhas já me contaram a forma rude que ele recusou os delas.
Um sorriso escapou dos lábios da rosada, que lentamente se levantou da cadeira. Mesmo que negasse publicamente, havia gostado de saber daquela pequena informação.
— Momoi-san? — chamou a garota, confusa. Seus braços ainda estendiam o chocolate para que a colega pegasse.
Satsuki voltou seu olhar para ela, olhando-a com uma frieza que ninguém nunca imaginaria que ela pudesse transmitir. A menina estremeceu de medo, puxando os chocolates de volta para si.
— Se você não tem coragem de entregar o chocolate, talvez devesse desistir agora mesmo desse seu amor — sorriu, perversa, saindo da sala.
Depois daquela cena, Momoi Satsuki não voltou para a sala. Pela primeira vez na vida, decidiu cabular as aulas, aproveitando seu dia em um lugar mais calmo e longe daquela confusão de garotas interessadas em seu amigo.
Horas depois, Aomine a encontrou no terraço, deitada no lugar dele. Sentou ao lado dela e, em silêncio, esperou que ela notasse sua presença. Com um suspiro de irritação, a menina desistiu de fingir que estava dormindo, sentando-se ao seu lado.
— Disseram que você deu uma cena e tanto na sua sala hoje — quebrou o silêncio, e ela resistiu a vontade de olhá-lo, afim de esconder a vergonha que estava estampada em seu rosto. — Fez a garota quase mijar nas calças. — continuou, com um sorriso irônico nos lábios. — Se fosse eu a fazer aquela cena, você me mataria de algum jeito criativo e doloroso.
— Eu sei — suspirou, arrependida. — Mas ela estava me irritando a semana inteira com sua covardia. No fim, ainda pediu que eu te entregasse o chocolate dela! — exaltou-se, cruzando os braços. — Se ela nem consegue ter coragem para isso, então o amor dela é muito pequeno.
— É esse seu motivo mesmo? — perguntou, fazendo uma confusa Satsuki virar o rosto para olhá-lo. — Ou você só estava com ciúmes?
Dessa vez, não conseguiu esconder a vermelhidão de suas bochechas. Resolveu, então, não responder. Já era ruim demais que ele a visse daquele jeito, mas se ela gaguejasse, seu amigo provavelmente a provocaria para o resto de sua vida.
— Então, onde está? — ouviu-o dizer depois de alguns minutos de silêncio. Aomine esticou o pescoço, como se procurasse por alguma coisa. — O chocolate que você vai me dar, onde está? — repetiu, impaciente.
— Eu não fiz chocolate nenhum para você — confessou, simplesmente, recebendo um olhar irritado como resposta. — Não me olhe assim. Notei que você receberia chocolates demais, então preferi não perder meu tempo com um chocolate de tantos.
— Mas eu não aceitei de ninguém. — reclamou, chateado, e ela pode sentir o tom de mágoa em sua voz.
— Aí é que está. Os meus acabariam sendo recusados, não é mesmo? — argumentou, apontando o dedo para o rosto do amigo. — E seria de um jeito bem rude, com certeza. Eu não te dar esse gostinho, não mesmo. — cruzou os braços, decidida a ganhar aquela discussão.
Aomine rapidamente engoliu o que falaria em seguida, pelo seu próprio orgulho. A verdade era que ele havia recusado todos os chocolates, pois só queria os dela. Não havia mais nenhuma garota (ou chocolate) que o interessasse além de Satsuki. Agradeceu mentalmente por conseguir manter a boca fechada. Se a amiga descobrisse nunca mais o deixaria em paz.
— Eu decidi não te dar um chocolate. — ela quebrou o silêncio incômodo. Bufou, irritado, e decidiu que não queria mais ficar ali. — Mas não quer dizer que eu não te darei nada. — confessou, fazendo-o parar o movimento no meio, virando-se para encará-la.
O rosto da garota estava mais vermelho que o normal e, por um momento, preocupou-se com uma possível febre. Estava um pouco frio naquela manhã e, se ela havia passado tanto tempo naquele terraço, poderia ter pego uma gripe.
— Eu pensei em algo que você não pudesse recusar, mesmo se quisesse — completou, fazendo-o esquecer totalmente de suas preocupações sobre sua saúde. Havia algo na seriedade do olhar dela que o fez engolir em seco.
Observou atentamente enquanto ela lentamente respirava fundo e soltava todo o ar de seus pulmões. Enquanto o nervosismo de Aomine aumentava, Momoi estava arrumando coragem para fazer o que havia pensado em fazer há exatos três dias.
Por fim, após quase uma eternidade, ela tomou alguma atitude.
Jogou os braços por cima dos ombros de Aomine, puxando-o mais para perto. Antes que ele pudesse sequer entender o que estava acontecendo, os lábios finos e macios da amiga tocavam os seus. Demorou um tempo para que ele processasse a cena e, quando isso aconteceu, instintivamente ele respondeu ao toque. Sua mão foi para a cintura de Satsuki, e o beijo foi aprofundado.
Porque após de anos de amor não correspondido, Aomine Daiki havia finalmente beijado sua garota.
Separaram-se minutos depois, pela falta de ar. As testas tocando-se com carinho e, aturdido, aproveitou a aproximação para observar os pequenos detalhes que não tinha a chance de notar. Como o brilho intenso de sua íris, as covinhas que o sorriso causava em seu rosto e a leve vermelhidão de suas bochechas.
— Espero seu presente de retorno no White Day, Dai-chan. — disse a menina, afastando-se rapidamente. Sua coragem havia acabado ali e, agora, precisava correr rapidamente para um local afastado afim de tomar um ar. Aproveitou o estado de choque do garoto e saiu do telhado. — Não se atrase para o treino de hoje, por favor.
Sozinho, a cor foi voltando ao rosto de Aomine que, pela primeira vez, ficou vermelho. Agradeceu mentalmente por ela ter saído correndo, tapando o próprio rosto com o braço. Não conseguia parar de sorrir. Um sorriso bobo, apaixonado e completamente verdadeiro. O primeiro em muitos anos. Riu, sem acreditar no que havia acabado de acontecer.
Então lembrou-se do que a garota havia dito. E o rosto iluminou-se de excitação.
Esperaria ansiosamente para março chegar. Para que pudesse retribuir na mesma moeda o beijo doce que ela havia lhe dado.
Notas finais
Até a próxima história!
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