Chiquititas - Innocence
8 Desaparecimento
Eu estava limpando a mesinha de centro da sala naquela terça feira, o dia estava até legal mas de repente... Soraya apareceu.
Ela passou desfilando por trás de mim em direção às escadas.
—Bom dia. _ falou ela.
Não respondi. Soraya parou num degrau e disse novamente.
—Bom dia Laurinha.
Olhei para ela tentando esconder minha raiva, Soraya veio em minha direção com um sorrisinho no canto dos lábios, se curvou para mim e apertou minhas bochechas com os dedos de bruxa.
—Quando eu falar com você não se faça de boba, ouviu?
Encarei Soraya até que ela me largou num empurrão.
— Sua mãe deveria ser uma prostituta... _ murmurou ela voltando para a escada.
— E a sua deveria ser uma freira..._ murmurei.
— O que disse?
— Nada.
— Garota malcriada, só abre essa boca pra falar besteira... _ murmurou ela e depois falou diretamente para mim. _ Quando eu ordenar que você fale, você deve falar, tem que me obedecer...
Fiz uma careta.
— Nem que seja à força, ouviu bem?
Fiquei encarando-a até que ela subiu às escadas.
— Bem que eu gostaria que Suely estivesse aqui... _ pensei alto.
— Não quero ouvir ninguém falando sobre essa mulher aqui!
Me assustei quando vi Soraya me olhando apoiada no corrimão, ela falou novamente.
— Suely foi embora!
Fiquei espiando pra ver se Soraya ia embora mesmo para poder raciocinar com calma. Suely havia ido embora então... mas pra onde? Pra onde ela poderia ir? Não iria pra um lugar que não quisesse... a não ser que fosse obrigada...
Mas quem poderia me dar mais informações? Soraya não me diria nada, ela me odiava, mas Maíze... me odiava também, mas não odiava Tiago!
Saí dali e fui correndo para o andar dos meninos.
CH
— Com dinheiro se consegue tudo.
— Só isso?
Falei com Tiago e o convenci a ir conversar com Maíze, ele não queria fazer aquilo mas eu insisti tanto que ele acabou indo. Perguntou à Maíze sobre Suely e ela apenas respondeu isso: “Com dinheiro se consegue tudo.”
— Mas então, quer dizer _ falei _ que elas deram dinheiro pra Suely ir embora?
— Eles não deram simplesmente, né Laurinha.. _ retrucou ele _ eles com certeza forçaram Suely a...
— Hum... deve ter sido isso mesmo...
— Bom, então já vou indo, se Soraya me ver com você vai dizer que sou vadio e lerdo...
Nós rimos e depois Tiago foi embora.
CH
Depois do almoço eu voltei para o quarto, estava cansada e enjoada, Soraya havia nos dado uma comida horrível. Adriana entrou no quarto e arrotou, ela riu e eu apenas fingi um sorriso...
— O que foi Laurinha?
— O que foi o quê?
Ela veio e se sentou ao meu lado na cama.
— Porque está com essa cara? Ainda está de luto?
—Luto? Não... é que estou com uma sensação estranha...
— Como assim?
— É como se Tia Carlota estivesse me cobrando alguma coisa...
— Cobrando?
— Eu não sei explicar...
— Está tentando dizer que ela quer que você faça algo por ela...
Parei um pouco e balancei a cabeça.
—É, tipo assim.
— Tipo... justiça?
Ficamos em silêncio até que Adriana falou de novo, baixinho.
— Justiça pela morte dela...?
—É, é isso. _ murmurei _ Se a Tia Carlota morreu, alguém tem que morrer...
— Credo Laurinha, não fala dessa jeito que assusta...
— Tudo bem. _ Respirei fundo. _ Nós precisamos fazer alguma coisa.
— Mas... o quê?
—Preciso pensar... _ falei fechando os olhos.
— Cuidado pra não pensar muito...
— Ah tá... _ dei uma risadinha.
Adriana saiu do quarto provavelmente pra ir atentar alguém, e eu deitei na cama até que dormi.
A noite foi chata. Eu e Adriana ficamos brincando de jogo da velha no chão do quarto já que Soraya havia saído e nos deixado trancados. Ela devia ter ido se encontrar com o tal de Nil.
E nós continuamos ali, entediados... já faziam dois dias que Tia Carlota havia morrido e poderia ter sido naquela mesma hora que a haviam matado, mas ao invés de me lembrar só da dor em meu peito lembrei do dia alegre que tivemos, e que dia mais estranho...
CH
—Adriana?
Ela estava com os olhos fixos no papel tentando sair da minha jogada destruidora.
— Hã?
— Você... você se lembra daquele dia que a gente foi na praça?
— Sim, claro, como poderia esquecer?
Fiquei quieta por um instante.
— O que é que tem Laurinha?
— É que nesse dia...
— A Tia Carlota morreu. Eu sei disso Laurinha e queria te dizer também que não podemos fazer nada pra ela voltar, então temos que nos conformar!
— Não era sobre isso que eu ia falar... _ murmurei e abaixei os olhos.
— Então... _ ela estava curiosa, percebi pela voz_ sobre o que era?
— Sabe aquela hora em que a Renata estava nos falando sobre...
— A maquiagem da Maíze! Que a gente já deveria ter ido ver...
— É, é, isso mesmo. Bem nessa hora eu olhei pra trás e vi um homem de moto entregar um...
— Um?
— Um papel, eu acho, pra Soraya.
— Ah... então ela não foi com a gente porque estava esperando o namorado e sua carta de amor...
— Que carta de amor nada! O homem nem entrou e ele era feio e velho, estava todo de amarelo, ele gostava tanto dessa cor que até a moto dele era amarela...
— Amarela? Mas pelo que eu saiba, quem anda de moto amarela são aqueles homens do correio que...
— Adriana!
Ela tomou um susto.
— Ai Laurinha!
— A gente precisa ir no quarto da Soraya! Ou no escritório talvez...
— O quê? Você só pode estar ficando doida... A Soraya vai matar a gente!
— Só vai nos matar se souber.
Adriana me encarou.
— E como vamos fazer isso?
Eu sabia que Maíze estaria com as chaves porque caso alguém quisesse ir ao banheiro não iria fazer xixi pela janela, então...
CH
Maíze me deixou sair e eu fui até o banheiro das meninas com um papelzinho no cós da saia, Adriana começou a inventar mentiras para entreter Maíze enquanto eu escapuli para o andar dos meninos.
Eu queria muito entrar no quarto de Soraya mas não faria isso sozinha, olhei o papel novamente e vi as letras embaralhadas mas, como Adriana sabia escrever confiei nela. Rapidamente empurrei o papel por debaixo da porta do quarto de Tiago, ele iria ler a mensagem:
Preciso que me ajude a entrar no quarto de Soraya.
L
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